Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Estudos Linguísticos da Universidade Federal de Uberlândia. ORIENTADORA
Profa. Dra. Maura Alves de Freitas Rocha
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secundárias. Ainda de acordo com Neves (2004), as gramáticas de ambas as linhas exemplificam as diferenças.
De acordo com Castilho (2012, p. 20), “o Formalismo contextualiza a língua nela mesma, isto é, nas suas propriedades internas, selecionando a Gramática como seu componente principal”. Como exemplo, pode-se citar o Estruturalismo e o Gerativismo. Ainda segundo Castilho, “o funcionalismo contextualiza a língua na situação social em que se dá a interação verbal, cujas representações estruturais são então estudadas”. O linguista ainda afirma que, enquanto a gramática é o componente central do Formalismo, o Funcionalismo ora escolhe o discurso, ora a semântica como componentes centrais da língua. Como metodologia, o Funcionalismo adota a Teoria da Variação.
A língua, segundo a visão funcionalista, está submetida ao uso. Não há sentido em analisá-la descartando-se fatores como contexto, informações pragmáticas e desvios da norma culta, que normalmente ocorrem na interação entre os falantes. Tal visão revigora a ideia de que não pode haver separação entre o sistema da língua e seu uso pelos falantes, opondo-se, dessa forma, ao Formalismo.
Os formalistas veem a língua como um objeto abstrato, um conjunto de orações. Por outro lado, a função da língua para o Funcionalismo é justamente a comunicação entre os usuários, e não uma mera expressão de pensamentos, mas, sim, a interação entre eles, supondo os desvios da gramática normativa e o uso real da língua.
Enquanto uma gramática formal aborda a estrutura sistemática das formas de uma língua, a Gramática Funcional analisa a relação sistemática entre as formas e funções de uma língua. Dillinger (1991) afirma que os formalistas se preocupam com as características internas da língua e suas relações com os constituintes, mas não com a relação entre constituintes e significados, ou da língua com seu meio. Concebem a língua como conjunto de frases, sistema de sons e sistema de signos. O autor postula que, ao contrário, os funcionalistas analisam as funções entre a língua e as modalidades de interação social, assumindo a importância do contexto.
Halliday (1985 apud Neves, 2004, p. 111) também diferencia as gramáticas formais das funcionais. Para ele, a formal é sintagmática, estuda a língua como um conjunto de estruturas e tem a sintaxe como base. A funcional é paradigmática, vê a língua como uma rede de relações e tem por base a semântica.
Alguns autores apontam que não há uma perspectiva, seja formal ou funcional, melhor que a outra. Compará-las não tem sentido, segundo Nascimento (1990), pois Formalismo e
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Funcionalismo possuem diferentes objetos de estudo, por isso apresentam diferentes objetivos e metodologias. Dillinger (1991) discorda de Nascimento (1990) ao postular que o Formalismo e o Funcionalismo não podem ser vistos como alternativos por estudarem fenômenos diferentes de um mesmo objeto, podendo, no entanto, ser complementares.
A pesquisa das duas correntes linguísticas
Castilho (2012) define a pesquisa funcionalista como a que se concentra em esclarecer as relações entre forma e função, especificando as funções que influenciam na estrutura gramatical.
Como exemplo de pesquisa formalista, pode-se citar Chomsky, que definiu um programa de investigação de análise linguística e dedicou-se inicialmente às propriedades estruturais, em que regras foram postuladas sem a preocupação de explicá-las, mas evidenciá-las quanto a sua ocorrência. Cabe lembrar que Chomsky reconhece a importância da relação entre o significado e o contexto, mas, de acordo com Dillinger (1991), Chomsky diz “que é melhor estudá-los posteriormente ao estudo da estrutura da língua”.
No Brasil existem vários grupos de pesquisa que trabalham na linha funcionalista, porém, como afirma Neves (2004), a visão funcionalista da linguagem caracteriza-se pela multiplicidade de orientações, ou seja, os interesses dos pesquisadores são múltiplos. Como exemplo de um grupo, a linguista cita o PEUL (Programa de Estudos sobre o Uso da Língua), em que a orientação variacionista domina.
De acordo com Neves (2004), alguns pesquisadores definem-se como sociofuncionalistas. Como exemplo, pode-se citar Macedo (1996), que estudou a negação da língua falada. Braga (1992), que tinha de início uma preocupação com o uso e a variação, escolheu o Funcionalismo como quadro teórico. Paiva (1991) estudou a articulação de orações e as relações causais em português sob a orientação do Funcionalismo de Thompson. Paredes (1988), em sua tese de doutorado, observou a expressão variável do sujeito num corpus de cartas pessoais cariocas, utilizando princípios e métodos da Sociolinguística associados a interpretações funcionalistas dos resultados quantitativos. Ainda de acordo com Neves (1999), no Rio de Janeiro há o grupo de pesquisa Discurso e Gramática, que concluiu um trabalho sobre “gramaticalização e complementação verbal, em que analisam os processos semântico-sintáticos de integração dos objetos diretos” (Neves, 1999, p. 77).
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A linha funcional investiga também o ensino de gramática, e Neves (1990, 1993) vem fazendo propostas nesse sentido. Discute-se o ensino de gramática e a natureza das gramáticas ensinadas na escola observando-se sempre o funcionamento das classes de palavras no discurso.
Em A Gramática Funcional, Neves (1997) apresenta uma gramática que busca verificar como acontece a comunicação em determinada língua, por isso não descreve a língua como objeto autônomo, mas vê que estrutura e função estão relacionadas e são instáveis, assim como a linguagem.
A pesquisa formalista, resumindo, faz um recorte nos estudos privilegiando a forma, que consiste em analisar a língua em si mesma, ou seja, a estrutura e os elementos que constituem a oração. É na análise sintática que se analisa a língua sob o escopo mental, com base no conceito de inatismo.
Considerações finais
A gramática tradicional impõe regras a serem seguidas, mas uma nova forma de ver a linguagem surgiu. A língua deve ser pensada como algo maleável, que utiliza forma e função de acordo com seus propósitos de fala.
O Funcionalismo mostra que a língua pode ser vista como objeto de reflexão, mudando a perspectiva de pesquisa que se tinha até então, e possibilita um trabalho mais prático com a língua, sem prender-se às regras e normas tidas como corretas. Além de considerar a língua isolada, essa linha de pesquisa passa a estudar a língua e sua relação com o evento de fala, seus participantes e o contexto discursivo. Forma e função trabalham juntas para entender a competência do falante em seu contexto e uso social.
REFERÊNCIAS
CASTILHO, A. T. de. Funcionalismo e gramáticas do português brasileiro. In: SOUZA, E. R. et al. Funcionalismo linguístico: novas tendências teóricas. São Paulo: Contexto, 2012.
DILLINGER, M. Forma e função na lingüística. Delta, São Paulo, v. 7, n. 1, p. 395-407. 1991. MACEDO, A. T.; RONCARATI, C.; MOLLICA, M. C. (Org.). Variação e discurso. Rio de
Janeiro: Tempo Brasileiro, 1996. Resenha de: BERLINCK, R. A. Delta: documentação de
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NASCIMENTO, M. Teoria gramatical e mecanismos funcionais do uso da língua. Delta, São Paulo, v. 6, n. 1, p. 83-98, 1990.
NEVES, M. H. de M. A gramática funcional. São Paulo: Martins Fontes, 1997. NEVES, M. H. de M. A gramática funcional. São Paulo: Martins Fontes, 2004.
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