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Relations entre la BCP et les BPR

Dans le document 201 DH (Page 85-95)

Crédito de Ernany Braga Exercícios codificados:

Desenhar a roda com todos/as os/as participantes em pé. Localizar as pessoas pelo olhar. Comungar da respiração com quem se olha. Olhar para os pés de todos/as os/as presentes, perceber suas diferenças, evocar os caminhos que já andaram para chegar até aqui. Olhar para os próprios pés.

Separar os pés de acordo com a largura dos quadris. Mantê-los apontando para frente e os joelhos semiflexionados28 em todos os processos. Em seguida abri-los, agachar um pouco mais e experimentar transferências de peso pros lados direito e esquerdo, criando gradativamente um ritmo. Cada pessoa no seu tempo e ritmo pessoal. Desenvolver transferências de peso de uma perna para a outra como quem marcha na lama, pisando nos lados direito e esquerdo, sempre encostando e retirando os pés do chão sem fazer grandes esforços. Sair da marcha e passar a conduzir os pés para frente, pros lados e para trás, sempre direita e esquerda ou inverter essa ordem. O que foi feito pelo pé direito terá que ser feito pelo esquerdo e vice-versa, buscando trabalhar alternâncias nos seus avanços e recuos através de séries, contagens e repetições,

28 Algo pouco flexionado ou dobrado. Dobrar os joelhos minimamente. Referência:

exemplo: dois para cada lado, dois para frente e um para trás, quatro para direta e quatro para esquerda, entre outras possibilidades. Em cada série destacar uma parte do pé para ser apoio no passo: calcanhar, ponta (dedos), peito e laterais do pé.

Experimentar passos dançantes onde os pés sejam protagonistas da ação, percebendo como as outras partes do corpo se relacionam e contribuem com a feitura desses passos, haja vista que nessa proposta dançante, uma parte específica do corpo conduz o movimento, no entanto todas as outras partes estarão sendo atravessadas, afetadas e integradas ao processo, ampliando leques de possibilidades físicas e estéticas. Exercícios para improvisação:

Desenvolver processos de experimentação e recriação de passos com os pés por meio de temas, visualizações criativas29, qualidades e/ou intenções de movimento, em conexão com as corporeidades dos orixás brasileiros:

 Pés que pisam:

Onde: nas estradas, linhas de ferro, matas e pedras; Qualidades das pisadas: rápidas, lentas, leves, pesadas; Orixás relacionados: Exú, Ogum, Oxóssi, Xangô;

 Pés que deslizam:

Onde: nos lajeiros, na beira-mar;

Qualidades dos deslizados: rápidos, lentos, leves, pesados, fluidos30; Orixás relacionadas: Oxum, Iemanjá;

 Pés que amassam: O quê: barro;

Qualidades do amassar: rápidos, lentos, leves, pesados; Orixá relacionada: Nanã;

 Pés que pulam: Sob o quê: brasas quentes;

Qualidades dos pulos: rápidos, continuados, minimalistas e expandidos; Orixá referente: Iansã;

Segue uma proposta de roteirização de exercício para improvisação agregando os elementos acima citados:

29 Baseia-se na produção de imagens a partir da fala de um facilitador. Uma fala que conduz, mas diretamente ou não, à criação de imagens. Referência: (CAVALCANTE, GÓIS, 2015, p. 235)

30 Fluxo é o ato ou efeito de fluir, de se movimentar de modo contínuo. (Referência:

Convidar todos/as para ocupar os espaços da sala e se posicionarem para qualquer direção. Criar distância entre os corpos para garantir espaço de investigação e evitar colisões. Pedir para que fechem os olhos e ativem a respiração. Música instrumental percussiva compondo uma ambiência sonora, de preferência tocada por instrumentos africanos, afro-brasileiros ou indígenas;

- Visualização criativa:

Conduzir as pessoas a imaginar um local específico por meio de narrativas ancestrais. Segue uma delas:

Fala do condutor: - Você se encontra em uma mata. Seus pés começam a sentir folhas que caíram de uma imensa mangueira. As folhas são pequenas e grandes, algumas estão inteiras, outras estão secas e despedaçadas pelo tempo, e você atravessa entre elas com cuidado, pois está escuro e pode ter alguma cobra escondida entre elas pronta para picar. Então você caminha cauteloso, sem pressa. Sinta a passagem de um pé para outro, o esforço que precisa ter para transferir o peso sem fazer barulho, sem acelerar o passo. Tudo cuidado é pouco. Perceba que parte você encosta primeiro no chão: são os dedos? Ou seria o calcanhar? Agora experimente encostar as laterais do pé e continue seguindo, atravesse esse caminho. Logo em seguida você vai chegar aos lageiros para pescar no riacho. Seu objetivo é caçar e levar alimento para sua família. Você é Oxóssi, o providente. Você é caçador experiente, conhece muito bem esses caminhos, sabe que não pode se afobar. E começa a sentir pedras úmidas e lisas que deixam seus pés gelados. Você então começa a pisar deslizando suave, passando de um pé para o outro, de uma pedra para a outra. E uma água refrescante passa por debaixo de seus pés nesse momento. Você aproveita para lavá-los deixando as águas molharem os dedos, calcanhar, laterais e peito do pé. De repente você percebe que têm lama grossa pela frente e começa a caminhar com dificuldade. Para sair do lugar você precisa amassar o barro, com cuidado para não afundar em algum buraco inesperado. Sinta o barro chegando a seu calcanhar, quase no joelho, e continue atravessando o caminho. Você se encontra perto do seu destino, porém é preciso atravessar um penhasco para chegar do outro lado. À sua frente pedras enormes para pular. Depois delas você estará em terra firme. E você salta de uma pedra para a outra, algumas estão muito quentes do sol e você está descalço. Não dá pra ficar muito tempo em cima delas, pois parecem brasas, elas queimam. Então é pular rápido de uma pedra para outra com agilidade e atenção, sem fazer barulho, sem espantar a caça. Rápido, porém com leveza, quase sem encostar nelas. E você atravessou tudo, chegou no seu destino. Quando se deparara com um

cajueiro repleto de cajus suculentos, eles estão no chão, caíram perto dos seus pés. Outros estão nos galhos altos. E você começa a juntar do chão todos os cajus que encontra. Usando os pés para afastar as folhas vai achando cajus de todos os tamanhos. Você junta e guarda em seu imenso balaio. Ao mesmo tempo coleta os cajus que estão nos galhos, esticando os pés na ponta dos dedos para poder alcança-los. E segue juntando do chão e colhendo nos galhos, juntando do chão e colhendo nos galhos, juntando do chão e colhendo nos galhos, afastando as folhas com os pés, baixando o tronco para pegar com as mãos, depositando no balaio, subindo na ponta dos pés para alcançar o galho mais alto, depositando no balaio. E o balaio encheu. Hora de voltar pra casa. Hoje não teve pássaros, nem rabudos e preás para caçar. Hoje foi dia de coleta e a família vai ficar contente com os cajus deliciosos. Você coloca o balaio na cabeça, sente o peso dos cajus e flexiona os joelhos. Os pés sustentam seu corpo. Seu corpo equilibra o balaio com segurança. Hora de voltar para casa, pois a estrada é longa.

Nesse momento final, pede-se para todos/as congelarem com seus balaios na cabeça de olhos fechados. Respirarem nesta imagem e aos poucos deixarem o balaio evaporar, como poeira levada pelo vento. Abrir os olhos sem pressa e voltarem a si.

Outras narrativas como essa podem ser construídas e experimentadas nos corpos em interação com o espaço a partir das qualidades de movimento que se referenciam nos arquétipos31 dos orixás brasileiros.

31 Arquétipo (grego ἀρχή - arché: "ponta", "posição superior" e, por extensão, "princípio", e τύπος - tipós: "impressão", "marca", "tipo") é o primeiro modelo ou imagem de alguma coisa, antigas impressões sobre algo. É um conceito explorado em diversos campos de estudo, como a filosofia, psicologia e a narratologia. (Referência: https://pt.wikipedia.org/wiki)

4.2.2 Pernas e joelhos

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