A Escola Municipal Alzelina de Sena Valença localiza-se na Rua Joel Imperador, no Bairro de Rosa dos Ventos, município de Parnamirim- RN. O bairro situa-se na zona oeste da cidade, limitando-se ao norte com o bairro de Passagem de Areia, a nordeste com o bairro de Santos Reis, a leste com o bairro da Cohabinal, a sul com o bairro de Vale do Sol e a oeste com o bairro de Santa Teresa, como pode ser observado no mapa.
Ela funciona no turno da manhã e da tarde e oferece o ensino fundamental I e II, ou seja, do 1.º ano ao 9.º ano para as crianças e adolescentes do bairro e áreas vizinhas. A escola funciona com a média de 35 alunos por turma e conta com o trabalho de 25 professores e professoras, além dos dois professores regentes responsáveis pelo laboratório de informática. Os gestores têm o apoio de três coordenadoras, uma pelo turno da manhã e duas pelo turno da tarde. Quanto aos gestores, eles assumiram a escola para o exercício de 2013 e 2014. Segundo os relatos do corpo de funcionários, eles encontraram muitas dificuldades em relação à estrutura da escola e organização dos espaços, logo no início da gestão.
O espaço físico da Escola Alzelina de Sena Valença conta com salas de aula, sala multifuncional33, que é uma sala de leitura, laboratório de informática, secretaria, direção, sala dos professores, copa, pátio coberto, quadra de esportes coberta e banheiros. Os espaços são amplos, mas foram mal planejados em relação à incidência do sol no turno da tarde quando algumas salas ficam extremamente quentes. A quadra também alaga em dias de chuva, mesmo em condições assim, os alunos e alunas não ficam distantes dela.
Apesar da Escola ser recente na comunidade, com poucos anos de fundação, ela tem um histórico anterior marcado por vandalismo por parte de alguns alunos, que diante das suas condutas inadequadas, foram transferidos para outros estabelecimentos educacionais. Os motivos para a prática de vandalismo refletem o clima de violência urbana comum nas grandes cidades com problemas de segurança pública.
33 Espaço com jogos educativos, brinquedos, livros, gibis, aparelho de som, TV e DVD, além de um computador para atender crianças que necessitem de um apoio diferenciado.
Figura 3- Entrada da Escola. Do lado esquerdo da fotografia ficam as salas de aula, a sala multifuncional, os banheiros, no lado direito, a copa, a secretaria e o pátio coberto. Acervo da pesquisadora. Março/2014
A nossa chegada à Escola foi marcada por um clima de cordialidade por parte dos gestores e coordenadoras e de muita desconfiança por parte da maioria dos (as) professores (as). No nosso primeiro momento no turno da manhã, fomos para a sala na qual os (as) professores (as) estavam reunidos e apesar da apresentação formal para o grupo, poucos demonstraram qualquer interesse pela nossa presença naquele espaço. O grupo era formado em sua maioria por pedagogas, com uma larga experiência na docência. A estranheza com a chegada de um novo elemento para observar o grupo é tida como natural, mas mesmo após a apresentação da pesquisa, todos (as) permaneceram distantes e nem um pouco interessados (as) no que estaria sendo desenvolvido na escola.
O professor regente do laboratório de informática foi o único que mostrou real interesse para o trabalho de pesquisa que se pretendia realizar na escola e desde o primeiro momento mostrou-se um colaborador e interlocutor sobre as dinâmicas que envolvem o laboratório e as turmas. Ele também nos apresentou para a professora de ensino de Artes, com quem desenvolve alguns projetos e no encontro seguinte nos encaminhou para a Sala de Leitura, para conhecer a professora responsável pelo espaço e pelo desenvolvimento de parcerias com ele.
No turno da tarde, fomos recepcionadas pelo gestor da Escola que nos encaminhou novamente para a Sala dos professores (as), onde reconhecemos alguns docentes. A recepção do grupo foi diferente, com algumas professoras se aproximando e perguntando os motivos da nossa chegada à Escola. Depois fomos conduzidas para a sala de aula na qual estava o professor regente do laboratório de informática do turno da tarde, que nos disse achar-se
desconfortável com a possibilidade de ser observado na sua prática. Foram explicados os objetivos da pesquisa e ele consentiu a nossa presença na sua aula na turma do 9º ano.
Conversando com o gestor da escola, acerca do maior limite para o ensino mediado pelas tecnologias da informação e comunicação na sua escola, ele indicou a falta de acesso à internet e a dependência que tem da Secretaria Municipal de Educação e Cultura, SEMEC para solucionar os seus problemas. Além do mais, o gestor apontou o fato do espaço físico do laboratório ser bastante reduzido. É justificável essa queixa quando percebe-se que a falta de espaço e de máquinas suficientes por duplas de alunos pode ser um entrave para que o professor regente realize um trabalho de qualidade quando precisa ministrar aula para uma turma de quase 35 alunos em um espaço que comporta atualmente 24 alunos e alunas.
Figura 4- Vista geral do pátio externo da escola. Na frente da escola fica a sala dos gestores e a sala dos professores. No corredor seguinte estão outras salas de aula e o laboratório de informática. Acervo da pesquisadora. Março/2014
A nova gestão foi responsável pela compra de novos equipamentos para a escola, como TV de tela plana, data show e notebook. Entretanto, as máquinas que fazem parte do laboratório de informática foram adquiridas no pregão de 2008 pelo MEC, ou seja, apesar da troca de alguns componentes nos últimos anos, os computadores apresentam vários problemas para o seu funcionamento, desde o fato de serem bastante lentos e desatualizados, além de problemas no monitor. Nesse caso, os gestores não podem ser responsabilizados pelo equipamento da sala de informática que, de fato, encontra-se obsoleto. No próximo tópico, discute-se a observação do laboratório e análise dos primeiros dados coletados.
Figura 5- Mural de ‘boas vindas’ no Laboratório de Informática, produzido em colaboração entre o professor regente do turno da manhã e sua auxiliar. Acervo da pesquisadora. Março/2014