Annexe V. Code de procédure de l’International Association for Forensic Phonetics (IAFP)
V. A PPROCHE SPECTROGRAPHIQUE
5.3. Rapport du Conseil National des Sciences
As inovações no setor automobilístico tendem a ocorrer transversalmente entre os vários sistemas do veículo ou mesmo integrando sistemas existentes. Observou-se na pesquisa oportunidades técnicas de inovação decorrentes da integração de sistemas (ou de suas funções), estratégias de controle, e inovações que requeriam uma estratégia integrada entre sistemas diferentes.
A especialização técnica das equipes reflete a divisão do trabalho operativo por subsistema. Cada equipe de função integradora é responsável pelo desenvolvimento determinados componentes ou subsistemas do motopropulsor. A divisão adotada pode ser classificada como uma organização matricial de peso leve. Dessa forma, deve-se tomar especial cuidado para que as inovações não nasçam localizadas em setores funcionais. Isto sugere que:
As inovações tecnológicas devem ser conduzidas por grupo multifuncional74
. Torna-se assim possível considerar adequadamente a integração técnica entre os vários subsistemas do produto;
Deve haver uma estratégia centralizada, definida e concordada quanto às prioridades de pesquisa e desenvolvimento de novos conceitos. Tal estratégia evitaria o desenvolvimento de idéias conflitantes.
Os pontos de interseção entre casos abaixo ajudam a entender o significado dos itens acima:
1º CASO. Duas necessidades típicas dos motores aplicados ao mercado local seriam: o uso de álcool combustível e a necessidade de melhoria de desempenho preferencialmente em baixas rotações. Estas necessidades instigaram atividades de engenharia avançada sobre oportunidades
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É importante salientar que esse quadro de preferências de mercado quanto ao sistema de transmissão automática vem passando por uma transformação no Brasil. Embora ainda não seja observada a tendência de aplicação geral como nos Estados Unidos, observando somente a venda nos segmentos de luxo (onde este opcional se torna mais atraente) as vendas locais das versões com transmissão automática já somam até 50% do total destes modelos. Espera-se que a aplicação de transmissões robotizadas acelere esta dinâmica, uma vez que busca oferecer conforto comparável com a transmissão automática, mas com custo relevantemente menor.
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Entender como multifuncional o envolvimento de diversas especialidades técnicas e não o envolvimento de funções fora da esfera técnica do projeto. Esta questão é abordada com mais detalhes no item 8.6.3.
de melhoria nestas características. Tais oportunidades foram inicialmente exploradas por pessoas ligadas ao desenvolvimento do subsistema de injeção de combustível do motor. Uma das fortes propostas levantadas incluía a utilização de um subsistema adicional com a função de adequar a temperatura e pressão da mistura75 a ser queimada na câmara de combustão do motor. Tal subsistema, contudo, deveria funcionar acoplado ao sistema de indução de ar. Adicionalmente, este novo subsistema demandava energia adicional do sistema elétrico do veículo. Tal demanda poderia ser suficiente para provocar o colapso deste último.
2º CASO. O desenvolvimento de novas técnicas de processo de fabricação para o sistema de indução de ar atraiu a atenção das equipes de desenvolvimento. Tais técnicas permitiam a integração de funções de outros sistemas e componentes vizinhos. Diferentes peças plásticas do veículo poderiam então ser integradas em uma única peça com várias funções. Esta peça estaria acoplada ao componente principal do sistema de indução de ar. Tal estratégia reduziria custos de fabricação e melhoraria significativamente restrições de espaço para instalação dos componentes bem como reduziria o tempo gasto no processo de montagem.
3º CASO. Com o passar dos anos, cada vez mais a eletrônica vem tomando lugar nos acessórios e sistemas de controle do veículo. Paralelamente, nasce uma discussão sobre a concepção do sistema elétrico: o cada vez maior número de sistemas eletro-eletrônicos agregados ao veículo demanda um sistema elétrico mais robusto. Uma das propostas mais comumente discutidas é a alteração do padrão de tensão elétrica fornecida pelo sistema que passaria de 12v para 24v ou 48v. Tal alteração, contudo, deve estar plenamente justificada uma vez que impacta fortemente em padrões de compatibilidade entre componentes que já estão há décadas no mercado. Portanto, embora perceba-se este enrobustecimento como uma tendência tecnológica evidente, existem barreiras técnicas e não técnicas que adiam esta evolução.
Pode-se perceber pelos casos acima que a inovação no setor automobilístico é impactada pela diversidade e complexidade das inter-relações observadas nos sistemas que compõem o produto final. A solução encontrada no primeiro caso entraria em conflito com o trabalho que vinha sendo realizado no segundo caso. Após uma definição conceitual complexa do sistema de indução objetivando integração funcional conforme caso 2, seria um grande retrabalho inserir um outro
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O termo genérico mistura é utilizado para referir-se ao composto dosado de ar+combustível, que é queimado em na câmara de combustão do motor para transformação de energia (energia química da mistura transformada em energia mecânica do motor). Numerosas variáveis impactam nas características da mistura e dos parâmetros associados ao processo de combustão. Consequentemente, tais variáveis podem impactar diretamente na qualidade e eficiência deste processo. O maior controle sobre as variáveis do processo de combustão é então o caminho tecnológico incremental para melhoria da qualidade de funcionamento do motor, como o foi na implementação do sistema de injeção eletrônica anos antes.
subsistema conforme solicitado no caso 1. Consultando o caso 3, observa-se que já existe uma tendência de uso dos sistemas elétricos mais robustos incentivada por outras vertentes técnicas de estudo. Dessa forma, uma barreira em primeira instância para a introdução da melhoria proposta no caso 1 passa a ser uma oportunidade de inovação integrada.
7.3.2. Impacto das decisões estratégicas nas atividades de inovação tecnológica
A inovação na organização estudada deve não somente contar com decisões orientadas segundo objetivos estratégicos únicos, mas também ser continuamente alimentada pelas novas tendências, avanços em outros subsistemas do produto e estado da arte das pesquisas em andamento. De forma enfática, os objetivos estratégicos devem estar intimamente ligados às decisões tomadas acerca dos investimentos em inovação tecnológica. Seus impactos abrangem não somente a configuração do produto final a ser vendido como também a estrutura física e organizacional, relações de poder entre companhias e objetivos de longo prazo. O caso abaixo vivido na organização ilustra a afirmativa.
Determinada família de motores foi concebida segundo uma estratégia de produto global. Sua base tecnológica foi projetada na matriz contando com a subsidiária local como pólo de produção, além da própria matriz. Posteriormente, a equipe de desenvolvimento local passou a ter determinada autonomia no projeto do produto. Em um primeiro momento, especificidades e exigências distintas dos dois mercados fizeram com que as novas versões dos motores apresentassem melhorias incrementais que tornaram os produtos ligeiramente distintos entre os dois pólos. No entanto, não havia mudanças conceituais relevantes. Em um segundo momento, o produto concebido na matriz passou por duas evoluções tecnológicas em seus subsistemas, enquanto o produto concebido na subsidiária local ainda estava sob os pilares conceituais do projeto original.
Em determinado momento decidiu-se realizar uma evolução de maior impacto no produto local. Porém, analisando as especificidades locais associadas aos esforços de pesquisa, concluiu-se que o mais adequado não seria seguir a tendência tecnológica adotada na matriz. Contudo, o risco técnico associado ao trilhar um caminho próprio poderia inibir a iniciativa. Haveria também a perda de intercambiabilidade de componentes, subsistemas e suporte técnico. Em outras palavras, surge aqui um ponto de decisão: acompanhar as evoluções tecnológicas trilhadas na matriz ou tomar um caminho próprio orientado ao mercado local? A Figura 20 ilustra caso apresentado.
Uma decisão por um ou outro caminho leva a fins bastante distintos em termos de estratégia do produto com vantagens e desvantagens. Desvincular-se mais fortemente do caminho tecnológico seguido pela matriz pode significar menos apoio tanto administrativo como técnico da estrutura
externa. Outras estratégias como, por exemplo, flexibilidade de produção entre os dois pólos, podem ser também afetadas (possibilidade de se exportar ou importar peças e/ou subsistemas com o objetivo de absorver flutuações de demanda ou suprir a produção de uma linha em manutenção).
Figura 20 - Caráter estratégico das decisões em inovação tecnológica do produto
O fato de se investir em um conteúdo já em fase de produção em outro pólo (e, portanto, mais conhecido) pode também influenciar positivamente no tempo de readaptação do projeto do produto local. Por outro lado, selecionar tecnologias mais adequadas ao mercado local pode representar uma maior competitividade no mercado, além de maximizar o desenvolvimento das competências tecnológicas locais. Não é objetivo desta discussão determinar a opção correta a se seguir. É importante, no entanto, salientar o caráter estratégico das decisões que envolvem o direcionamento tecnológico. Reforça-se que a pesquisa e definição conceitual devam ser atividades de importância reconhecida internamente e com responsáveis diretos. A organização deve reconhecer a amplitude das dimensões afetadas (mercado, processos, estratégia de produto, divisão do trabalho, etc.).
7.3.3. Complementaridade da estrutura organizacional global
Em conformidade com o conceito proposto de Liderança Tecnológica Intermediária, existiria liberdade local para o desenvolvimento tecnológico e conceitual que se encaixe nas lacunas de conhecimento e domínio da matriz. Todavia, dentro do contexto de subsidiárias de empresas globais, a responsabilidade sobre a tecnologia total do produto evidencia um limitador deste crescimento tecnológico. Quando existe plena competência e tecnologia na matriz para o desafio
a ser vencido, o desenvolvimento local pode significar riscos desnecessários. Isto ocorreria mesmo se a necessidade do mercado local exigisse algo novo e exclusivo. Ser conceitualmente novo não é o mesmo que ser tecnologicamente novo.76 Este fato consolidaria o caráter intermediário da liderança tecnológica aqui descrita. O caso abaixo exemplifica a questão:
A necessidade de se projetar uma nova plataforma de produto motivou engenheiros da subsidiária local na seleção de conceitos e tecnologias de subsistemas. Os objetivos seriam promover melhorias quanto aos produtos vigentes como: sanar determinados tipos de falhas observadas em campo, adequação a novas exigências legislativas locais, melhorias de desempenho e confiabilidade, agregação de novas tecnologias disponibilizadas por fornecedores de sistemas, dentre outros pontos. O contato com as atividades de concepção da nova plataforma de produto gerou uma expectativa positiva no grupo de desenvolvimento local e até mesmo um determinado sentimento de propriedade e responsabilidade com o novo desafio. Contudo, determinadas competências essenciais necessárias para algumas das atividades de concepção ainda não eram bem consolidadas na estrutura local, de forma que a organização decidiu por transferir estas atividades para a matriz (com acompanhamento de engenheiros da subsidiária). Somente após esta etapa o retorno seria plenamente confiado à equipe local. Em um primeiro momento, houve uma reprovação “social” desta decisão. Isto ocorreu devido à oportunidade profissional que o novo projeto representava para as equipes locais. Todavia, a competência já consolidada na matriz associada ao pouco benefício em se localizar tais atividades mostrou ter sido esta a decisão racionalmente mais adequada para o projeto.
Este exemplo mostra de maneira sumária que o desenvolvimento das competências locais deve estar adequado aos objetivos globais de toda a organização. Desenvolver competências locais neste caso significaria uma duplicação de estruturas e riscos desnecessários.
O conjunto de considerações realizado até este ponto permite que seja fortalecida a hipótese de que a construção de competências de inovação na empresa estudada deve alicerçar-se primeiramente na revisão da estrutura local de desenvolvimento (divisão e organização do trabalho, canais de comunicação e processos organizacionais). Tomando como exemplo uma frase dita pelo diretor de desenvolvimento de produtos durante uma reunião onde se discutia a necessidade de priorização dos projetos de inovação: “Nós temos uma conta interna onde
reserva-se grandes valores direcionados para projetos de engenharia avançada e não a gastamos.” Tal mensagem nos traz importantes conclusões. É evidente que a organização possui
limitações financeiras pra qualquer tipo de projeto ou iniciativa. O que parece ser necessário é a criação de um "hardware" (estrutura organizacional) que suporte os novos processos de trabalho
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estudados (software). Uma estrutura definida e objetiva para transformação deste potencial em valor para a organização. Este ponto será abordado com maior profundidade no capítulo 8.
7.4. Integração com organizações externas