CHAPITRE 3 : ANALYSE CONTEXTUELLE OU CADRE DU PLAN STRATÉGIQUE :
3.7. RÉSUMÉ ET CONCLUSION DE L’ANALYSE CONTEXTUELLE
Sendo as escolas de hoje verdadeiros mosaicos culturais, consideramos importante de seguida expôr os axiomas da educação intercultural, referindo os seus objetivos, requisitos e metodologias consideradas necessárias para a pôr em prática, quer ao nível institucional quer no terreno do dia-a-dia escolar; aclararemos também as limitações e os obstáculos à sua implementação.
Estamos convictos, como Forquin, que a educação é uma “necessidade antropológica e civilizacional” (2003:95). Ao longo dos tempos, cada geração tem mostrado como assumiu este desígnio, representado pelo seu grau de cultura e pelas suas atitudes, posturas e escolhas.
Hoje entende-se como urgente que se eduquem as futuras gerações para a construção de um mundo mais pacífico e respeitador. Atualmente constatamos que os homens (principalmente as últimas gerações), usufruíram o mundo e deixaram nele uma “pegada” esmagadora, discriminatória, egoísta e conflituosa, pelo que se defende a educação para a ética, para a preservação ambiental, para a análise e tentativa de solução dos grandes problemas sociais e económicos.
Considera-se que a Europa e o mundo deverão ser cada vez mais o produto de uma cidadania ativa e inclusiva, que aprender a fazer a experiência do conhecimento neste puzzle de diversidades culturais e realidades identitárias distintas, é ser capaz de mobilizar, organizar, dar sentido e atingir novos patamares, muitas vezes com hesitações, oscilações, dúvidas, encontros e reencontros (Serres, 1993), sem nunca esquecer o respeito pela diferença e a alteridade.
Sendo a Europa “una e plural” (Ribeiro: 2002,281), educar para o diálogo intercultural é educar para a abertura, para a pluralidade implicada e para a compreensão crítica. É refutar a uniformização, a balcanização a estandardização, a visão do outro como uma ameaça.
Muitas das escolas são, no interior de si próprias, verdadeiras miscelâneas culturais, guetos de determinadas culturas, ou ao invés, campos de ação para experiências interculturais. É cada vez mais necessário que as escolas, habitualmente “transmissoras” de uma visão etnocêntrica e “reprodutora” da realidade social,
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desenvolvam processos formativos que não se limitem a defender a diversidade cultural, mas que promovam os direitos humanos, garantam as liberdades básicas de todos os que nela vivem, erigindo pontes entre as diversas culturas, favorecendo a coesão social, a favor da educação como responsabilidade intercultural e entendida como uma “pedagogia para a alteridade” (Ortega, 2004; Lestegás, 2008).
Toda a ação pedagógica intercultural envolverá forçosamente, no dizer de Pereira (2008), quatro grandes temáticas, que são:
-“ a temática da alteridade ou a problemática da compreensão;
- a questão do reconhecimento, que aponta para a problemática da identidade; - o empenho na igualdade, contra a discriminação e a delimitação com base nos
constructos da etnicização ou das raças;
- a temática do entendimento intercultural, no quadro da responsabilidade global”(p.21).
Como temos vindo a defender, consideramos a educação intercultural uma via possível para o grande desafio de preparar as gerações presentes nas escolas, uma vez que desenvolve nos alunos: competências individuais derivadas de experiências de interação interpessoal, obrigando-os à sua descentração e possibilitando a flexibilização e relativização dos seus modelos individuais, impedindo comportamentos intolerantes e discriminatórios. Ao promover a comunicação intercultural e ao serem ativadas competências comunicacionais, a educação intercultural provoca nos alunos o desenrolar de práticas inclusivas, auxiliando-os na sua formação enquanto cidadãos culturalmente mais implicados, tornando assim possível a vivência do sistema democrático nas escolas, na sociedade e no mundo (Ramos, 2013).
Defendendo uma educação para o diálogo intercultural, é importante que a escola se abra a práticas de interculturalidade, e que a educação que nelas se ministra aprenda a reconhecer a diversidade dos códigos culturais, saiba comunicar em contextos interculturais, tome consciência da sua própria identidade cultural, “seja capaz de ir para além dos estereótipos e dos preconceitos, conheça melhor as instituições e as formas de saber viver dos diferentes países europeus” (Lipinasky, 1999:14). Para Ramos (2013), a educação intercultural exige um novo paradigma metodológico de ensino-aprendizagem,
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porquanto exige uma abordagem global, multidimensional e interdisciplinar, onde quem educa e quem aprende se comprometem e envolvem com o universo cultural e social sobre o qual trabalham, e se interrogam reflexivamente no sentido de compreender a sua própria cultura e a do outro. Exige também um reposicionamento conceptual, pois a educação intercultural perceciona as culturas como dinâmicas e interativas, passíveis de produzir sentidos recíprocos. Isto requer um reposicionamento ético, porque, na relação com o outro, o indivíduo se descentra, reflete e respeita a diversidade individual na alteridade, jogando o particular e o universal, o local e o global, o que é pacífico e o conflituante, provocando esta relação (ou não) o desenvolvimento de competências interculturais ao nível individual, ao nível intercultural e ao nível da cidadania.
Vejamos na tabela-síntese 6 alguns objetivos, requisitos e sugestões metodológicas considerados fundamentais por Ferreira (2003) para a implementação da educação intercultural nas escolas:
Educação Intercultural
Objetivos Requisitos Metodologias
- conhecer e conviver com a diferença; -valorizar capacidades específicas e talentos diversificados, sem requerer de todos exatamente o mesmo; - preparar para desempenhos múltiplos; - gerir a resolução de problemas e de conflitos; ressalvando valores consensuais das diferentes culturas; - promover o
conhecimento mútuo, a estima responsável e a cordialidade cívica.
- criar estratégias de acolhimento e de integração de todos os alunos (com atividades que contemplem os seus percursos históricos, geográficos, culturais, linguísticos…);
- evidenciar apreço pelas línguas maternas e dialetos dos alunos;
- recolher, criar, reformular e utilizar material didático - pedagógico de valência
multicultural;
- promover festejos e produção de trabalhos de expressão multicultural;
- trabalhar em cooperação e negociação pedagógica;
- distribuir estímulos e atenções específicas a todos os alunos;
- auto avaliar o investimento pessoal e o das estruturas escolares na transmissão da autoconfiança para o desenvolvimento dos alunos negativamente marcados pela sua condição sociocultural. - elaboração de projetos de turma com adequada gestão do currículo; - criação de trabalhos de projeto com parcerias nacionais e/ou internacionais; - dinamização de círculos de formação em contexto profissional; - realização de projetos de investigação-ação.
Objetivos, requisitos e metodologias da educação intercultural (adaptado de Ferreira, 2003:100)
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Como anteriormente foi defendido, a educação intercultural e as aprendizagens das questões interculturais não podem e não devem estar confinadas aos espaços e tempos curriculares da aprendizagem das línguas ou à simples amostragem, superficial e extemporânea, de costumes, tradições, efemérides e datas.
Práticas comuns nas abordagens interculturais das escolas sublinham a invariabilidade da:
1) abordagem retalhada, chamada de “Frankestein” em que pontualmente são apresentados aspetos típicos, aqui, ali e acolá, como um fado, um vira, uma tourada ou um caldo verde (para dar como exemplo o caso português);
2) abordagem dos 4 efes: folks, festivals, foods e folclore;
3) abordagem de volta turística, assente na identificação de monumentos e cidades;
4) abordagem do “já agora” onde se fazem leituras esporádicas para exemplificar diferenças comportamentais (Sequeira, 2012).
As aprendizagens interculturais deverão antes integrar-se numa pedagogia contínua e continuada, curricularmente transversal, que exija “uma descentração” (Ferreira, 2003) e provoque a concretização de práticas e vivências sistemáticas de diálogo e comunicação, numa ação pedagógica que requer tempo e orientação para o desenvolvimento de competências em múltiplos domínios (linguísticos, comportamentais, éticos, afetivos, …).
Por abusivamente se denominar intercultural a aprendizagens que não o são, convém aclarar o que consideramos serem as características e circunstâncias que estas aprendizagens interculturais devem apresentar. Esquematicamente mostramos, na tabela 7, algumas destas características:
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As Aprendizagens Interculturais
Não devem … Devem …
ser esporádicas e pontuais (Ferreira,
2003), ser continuadas e diversificadas,
ser egocêntricas /etnocêntricas, exigir descentração (Ferreira, 2003), ser limitadas ao conhecimento dos
códigos linguísticos,
exigir desenvolvimento de competências interculturais (Byram, 1997),
ser uma imposição cultural, reconhecer a diversidade dos códigos culturais (Lipiansky, 1999),
ser limitadas ao conhecimento de costumes e tradições, apresentando as outras culturas como algo acabado, estático e homogéneo (Ferreira, 2003).
combater o “exotismo ou folclorismo cultural”, os estereótipos, o racismo e a xenofobia (Ferreira, 2003).
O sentido das aprendizagens interculturais
Educar para o diálogo e para a diversidade implica que os alunos se desenvolvam como pessoas, adquirindo proficiências básicas ao nível cognitivo, de autoconhecimento, autonomia e socialização, desenvolvam posteriormente as suas capacidades ao nível das suas expetativas, motivações, competências e valores culturais e éticos.
A vivência de práticas da educação intercultural converte-se então num conjunto de estratégias pedagógicas para a promoção e construção da cidadania:
Construção da cidadania
- pela promoção da mudança de perceções e atitudes perante culturas e estilos de vida diferentes,
- pela promoção do plurilinguismo e do inter/multiculturalismo como chaves da construção de espaços de entendimento e aceitação, - pela cooperação e quebra das barreiras linguísticas, culturais, sociais e políticas.
Educação intercultural e cidadania (adaptado de Pinho e Andrade, 2002:159)
Visando a inclusão, a abertura à diversidade cultural, e a igualdade de oportunidades, apelando à participação crítica e à coesão social, a educação intercultural articula-se plenamente com a cidadania ativa. Explicitaremos na tabela 9, com o auxílio
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de Alred, Byram e Fleming (2006), os requisitos da educação para a cidadania intercultural:
Axioms of Intercultural citizenship
“Intercultural experience takes place when people from different social groups with different cultures (values, beliefs and behaviours) meet.
`Being intercultural´ involves analysis and reflection about intercultural experience, and acting on that reflection.
Intercultural citizenship experience takes place when people of different social groups and cultures engages in social and political activity.
Intercultural democratic experience take place when people of different social groups and cultures engages in democratic social and political activity - not avoiding values and judgements.
Intercultural citizenship education involves
- causing/facilitating intercultural citizenship experience, and analysis and reflection on it (and on the possibility of further social and/or political activity where ‘political’ is taken in broad sense to mean activity which involves working with others to achieve an agreed end);
- creating learning/change in the individual: cognitive, attitudinal, behavioural change; change in self-perception/spirituality; change in relationships with Others i.e. people of different social groups; change which is based in the particular but is related to the universal.”
Axiomas da educação para a cidadania intercultural (Alred, Byram e Fleming, 2006:233-234 - apêndice)
Ser cidadão europeu é assumir como seus os valores comuns, aceites coletivamente pela União Europeia, porquanto expressam o “sentimento de pertença e a consciência de um destino comum” (Parisot, 2001: 354). Numa época tão conturbada como a atual, onde balcanização étnica e social é uma realidade e a conflituosidade é um facto ameaçador, é relevante o aprofundamento, nas escolas, das temáticas relativas à cidadania, numa perspetiva “interdisciplinar e integradora, em que os valores devem ser firmemente imbuídos numa visão que perspetive a importância da responsabilidade e não especificamente dos valores individuais” (Nogueira e Silva, 2001:99). Nunca é demais referir que todos os indivíduos têm direitos e deveres, e que o objetivo da igualdade é o reconhecimento e a aceitação da diversidade assim como a sua proteção, sabendo porém que esta só se concretiza na liberdade plena do exercício de uma cidadania ativa. Por isso, há que afirmar e ensinar que as obrigações são reciprocas e a vigência dos Direitos Humanos deverá ser uma realidade palpável, já que estes não estão por si só garantidos.
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Autores de referência como Fennes e Hapgood (1997) defendem como metas da educação intercultural a “perceção e imagem do outro, o conhecimento propriamente dito, as atitudes e as competências comportamentais” (p.60). Sendo este trabalho árduo e exigente, obriga a escola a um “movimento de (re)centração do aluno, à (re)humanização da função educativa (…) e a uma nova cultura de escola19 , que procure
a ideia de felicidade, de afeto, de sentido estético e ético (…) na busca incessante de sentido e de razão para ser” (Sá-Chaves, 2001:11-12), o que implica que nas escolas se imponham “diferentes saberes, sistemas de valores, sistemas de representações e interpretações da realidade, hábitos, formas de agir…”(Vieira, 1995:143).
Nesta (re)humanização da função educativa e (re)colocação da centralidade do aluno na educação e no ensino-aprendizagem, o entendimento do professor acerca da sua profissionalidade é essencial. Não obstante as boas intenções e esforços praticados, tomando como referência a França e reconhecendo que em Portugal o panorama não será muito distinto, Ferreira (2003) expõe algumas limitações e obstáculos às práticas da educação intercultural nas escolas:
Limitações e obstáculos ao desenvolvimento da educação intercultural
De ordem institucional
Ausência de vontade política.
Características etnocêntricas dos conteúdos de ensino e do corpo docente das escolas.
Pouca importância dada à educação intercultural na formação inicial de professores.
No terreno/ prática
Ausência de diagnóstico da situação sociológica do meio envolvente. Dificuldades devido a objetivos e lógicas institucionais divergentes.
Ausência de horas suplementares dadas aos professores para se dedicarem à educação intercultural.
Formação dominante simplificadora da realidade (não tendo em conta a dinâmica das relações entre grupos).
Centração sobre a cultura de origem.
Apelo à universalidade, a recusa da complexidade e a negação do sentido e do valor dos referenciais não partilhados.
Limitações e obstáculos à implementação da educação intercultural (adaptado de Ferreira, 2003:63-64)
19 Cultura de escola - é o conjunto de características que permitem distingui-la de qualquer outra e pode
definir-se como o “conjunto de valores, crenças e hábitos partilhados pelos membros de uma organização que interagem com a sua estrutura formal produzindo normas de comportamento” (Teixeira, 1998:173). Num universo heterogéneo como é a escola, é natural que esta “herança partilhada e transmitida às gerações” (Rosa, 1994:44) não seja homogénea, nem uniforme.
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Importa que a educação seja cada vez mais entendida por todos como “um compromisso solene de promoção de uma educação fundada na tolerância e nos Direitos do Homem” (Carneiro, 2001:78), e que seja capaz de se libertar do autocentrismo cultural e implementar a “tolerância ativa” nas escolas (idem:82), que não se despersonalize, que não exclua e que prossiga na descoberta do outro através de projetos de conhecimento mútuo. Tendo como objetivo último formar “personalidades tolerantes” (idem:73), estas só podem gerar-se em práticas democráticas de uma educação para todos, onde se escuta o outro, se adquirem aptidões e competências interculturais, se descobre o deslumbramento da diversidade e se aposta na construção de entendimentos eticamente capazes. São necessárias também lideranças verdadeiramente democráticas que nas suas escolas garantam a vivência democrática na vida das instituições, onde todos estejam e se sintam representados como parte integrante.
No nosso entender, numa escola que se quer democrática, a implementação de uma educação intercultural poderá ser o alicerce da vivência cívica e da cidadania plena, uma vez que promove a integração de todos os alunos e combate sem tréguas a todas as formas de agravo à dignidade humana.
Mais uma vez ao professor, envolvido nesta encruzilhada, é-lhe pedida uma prática pedagógica mais assente na aprendizagem e não só no ensino (isolado e solitário), envolvida numa equipa pedagógica mobilizadora de recursos e meios no sentido de alargar horizontes e possibilidades de conhecimento e competências nos seus alunos, consciente da importância da sua formação permanente assente em três eixos: “o investimento na pessoa e na sua experiência, o investimento na profissão e nos seus saberes e o investimento na escola e nos seus projetos” (Nóvoa, 2002:56).
A educação intercultural é uma prática pedagógica que coloca a ênfase na pessoa e na sua relação com o outro, pelo que compele as escolas a dotarem-se de equipas pedagógicas preparadas e de estratégias de ação de ensino-aprendizagem, pensadas e concretizadas para o desenvolvimento de competências interculturais nos alunos, tendo em vista a formação de cidadãos implicados na vivência de uma cidadania democrática.
Ao longo desta investigação temos vindo a fazer a defesa da educação intercultural como uma possível abordagem para a mudança educativa porquanto mais
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adaptada à realidade da sociedade atual. Verificamos porém que nem sempre a expressão educação intercultural é entendida de maneira adequada pois muitas vezes representa simplificações grosseiras da multiplicidade de aspetos que esta contempla e abrange, assim como da seriedade e profundidade exigidas quando se fala na realização desta problemática em contexto escolar. Dar a conhecer aspetos culturais, comemorar o “dia da Europa”, “a semana da Europa”, o “dia dos crepes” (tradição francesa) sem promover uma reflexão crítica e uma integração cultural adequada, provoca mais a “folclorização”, expondo os particularismos culturais e reforçando os estereótipos e os preconceitos, provocando não uma aproximação intercultural mas um distanciamento relativamente ao outro e à sua cultura, podendo derivar numa consequente hierarquização cultural muitas vezes assente na cultura dominante da escola.
Revelando-se de extrema importância para a integração das minorias, a educação intercultural não deve ser entendida como um ramo escolar destinado a “ensinar culturas”, como adverte Santos (2015), mas sim como um modo de compreender a diversidade intrínseca de cada indivíduo e de saber valorizá-la pela riqueza que poderá trazer para o desenvolvimento de todos os indivíduos, abrindo assim caminho para o diálogo entre pessoas de diferentes culturas, religiões, proveniências sociais ou ideologias políticas, pelo que a educação intercultural não deve ser considerada uma opção mas sim uma necessidade e um dever moral (Breeze, 2003), porquanto favorece a inclusão e a coesão social, apresentando-se como uma perspetiva humanista, centrando-se nos indivíduos e no seu processo de aprendizagem.
Assim, não concebemos a educação intercultural como uma metodologia de ensino, pois entendemo-la como muito mais do que um repositório de programas, conhecimentos teóricos e metodologias. A educação intercultural ultrapassa as fronteiras da sala de aula e da escola, porquanto visa o conhecimento do outro naquilo que constitui hoje também a formação integral do ser humano, compreendendo e interagindo abertamente com a(s) realidade(s) do(s) outro(s).
Sendo o presente trabalho sobre o diálogo intercultural, consideramos que esse diálogo só o é verdadeiramente quando se concretiza com o outro, não podendo confundir-se com o mero conhecimento dos factos sobre as outras culturas, o que não
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contribui necessariamente para uma educação intercultural (Dervin, 2010), pois pode não passar de uma sólida “formação cultural”, aspeto que muitas vezes é misturado por muitos professores e educadores. Se a educação intercultural não for consciente e adequadamente implementada, reforçará as distâncias culturais e afastará os indivíduos em vez de os aproximar e de os fazer intercompreenderem-se.