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Les régressions sur discontinuités

Maria da Conceição Pinto Félix Neto

Universidade do Porto

Resumo

Neste estudo foram comparadas as atitudes em relação ao amor entre adolescentes portugueses autóctones que não passaram por um processo de aculturação e adolescentes originários da Índia. Os participantes deste estudo foram 541 adolescentes. Trezentos e sessenta e seis eram portugueses e 175 oriundos de famílias indianas. Globalmente os re- sultados indicam grandes semelhanças nos estilos de amor nos dois grupos etnoculturais. Os adolescentes indianos revelaram-se, conforme esperado, mais pragmáticos no amor que os jovens autóctones portugueses. Por outros lado, os adolescentes revelaram-se ser mais lúdicos e agápicos que as adolescentes. É discutida a importância de se estudar o amor do ponto de vista intercultural.

PALAVRAS-CHAVE:Cultura, estilos de amor, grupos etnoculturais, migração, Portugal.

Esforços para desenvolver teorias sobre o amor enriqueceram o conheci- mento sobre a perspectiva que os norte-americanos têm do amor romântico. Esta investigação tenta enriquecer a nossa compreensão das relações íntimas segundo uma perspectiva intercultural através do recurso ao modelo de Lee sobre as cores do amor. Neste estudo perspectivamos comparar as atitudes em relação ao amor em adolescentes portugueses e em adolescentes oriundos de famílias indianas a viver em Portugal

As cores do amor

Os primeiros trabalhos psicológicos sobre o amor surgiram no sentido da construção de uma teoria e um dos mais interessantes foi proposto por Lee (1973), que resultou na teoria das Cores do Amor, depois de uma investigação extensiva com recurso a entrevistas e a técnicas complexas de redução de da- Morada (address): Morada (address): Félix Neto, Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação, Rua Dr. Manuel Pereira da Silva, 4200-392 Porto. e-mail <[email protected]>.

dos. Lee avançou com uma proposta diferente sobre o amor, com uma tipologia constituída por seis estilos de amor, três primários e três secundários à semelhan- ça da roda das cores, em que cada um deles tem propriedades qualitativas in- dependentes, muito embora estejam interligados. Os primários: Eros (o amor re- vela-se pela procura da beleza e da atracção física), Ludus (o amor pode ser vivido como um jogo) e Storge (o amor desenvolve-se e surge alicerçado na amizade), e os secundários: Pragma (Storge mais Ludus; amor prático, podendo implicar vantagens objectivas), Mania (Eros mais Ludus; o amor é vivido com grande intensidade emocional, obsessão, ciúme.) e Ágape (Eros mais Storge; o amor é dado sem se esperar reciprocidade). Empiricamente as medidas destes seis estilos deveriam corresponder a diferentes modos de amar (Neto, 2000).

A partir da tipologia de Lee, Hendrick e Hendrick (1986) tentaram medir e quantificar estes diferentes estilos de amor. A Escala de Atitudes em relação ao Amor de Hendrick e Hendrick (1986) foi submetida a um teste intercultural (Neto, 1993, 1994; Neto e Pinto, 2003). Os estilos de amor identificados em estudantes dos Estados Unidos puderam igualmente ser identificados em Portu- gal. Mais recentemente análises factoriais confirmatórias mostraram que a es- trutura postulada por Lee pode ser encontrada num certo número de culturas em África, na América do Sul, na Ásia e na Europa (Neto et al., 2000).

Indianos em Portugal

Hoje em dia Portugal é simultaneamente um país de emigração e de imi- gração (Neto, 2003). Não há estatísticas actuais sobre o número de pessoas da Índia a viver em Portugal. A embaixada da Índia em Portugal estima que a comunidade indiana e os indianos em Portugal seriam aproximadamente 70.000, incluindo sete mil com passaportes indianos.

Segundo o Serviço de Estrangeiros em 2005 havia somente 1 623 india- nos com autorização para viver e trabalhar em Portugal e 3 353 com autori- zação para residir até 2010 como pessoas que podem viver no país e traba- lhar, mas não podem ir para a União Europeia. Estes estão sobretudo concentrados na área de Lisboa.

Existem quatro comunidades de origem indiana (hindu, ismaelita, muçul- mana e goesa) instaladas em Portugal. Diferenciam-se pelas suas característi- cas culturais e religiosas, mas há outras variáveis (e.g., demográficas, econó- micas) que evidenciam a especificidade de cada comunidade. A comunidade católica goesa diferencia-se claramente de todas as outras pelo nível de instru- ção e pelas actividades económicas. Efectivamente, cerca de 25% dos seus membros possuem um diploma de estudos superiores ou estão inscritos num

estabelecimento de ensino superior, fenómeno que se reflecte ao nível da acti- vidade profissional em que existe uma forte especialização no sector da admi- nistração e nas profissões liberais. Pelo contrário, as outras comunidades in- dianas apresentam um nível de instrução mais baixo e uma forte especialização no comércio, mais evidente nos ismaelitas que nos muçulma- nos. Esta comunidade está bem integrada no país e tem uma baixa taxa de delinquência juvenil e de insucesso escolar (Pinto, 2005)

Objectivos

Na passada década Levesque (1993) observou que vários investigadores procuraram compreender empiricamente as vicissitudes do amor. Todavia este esforço foi limitado de modo significativo pela tendência a ignorar as expe- riências do amor em adolescentes. Tendo em conta que este quadro ainda é válido, esta investigação constitui uma extensão deste campo de estudo à ado- lescência. Mais especificamente, este trabalho visa ampliar a nossa compreen- são dos estilos de amor aos adolescentes.

O nosso propósito neste estudo é comparar as atitudes em relação ao amor em adolescentes portugueses autóctones e adolescentes originários de famílias indianas a viver em Portugal. Adolescentes do ensino secundário fo- ram comparados porque a adolescência é um período de desenvolvimento da identidade e da intimidade e um período em que as relações interpessoais se tornam uma preocupação fundamental (Erikson, 1968).

Factores culturais podem contribuir para a compreensão dos diversos mo- dos de como o amor é vivenciado por mulheres e homens em diferentes socieda- des. Mais particularmente, a construção social do amor pode ser diferente na Europa, em contraste com outras tradições etnoculturais (Dion e Dion, 1993).

Muito embora discussões teóricas sobre a natureza do amor romântico (Hendrick e Hendrick, 1986; Rubin, 1970) tenham atraído a atenção sobre a sua ocorrência nos Estados Unidos, estudos interculturais indicam que pode haver diferenças culturais nas crenças românticas (Neto e Pinto, 2007). Certos investigadores encontraram que jovens adultos japoneses aderiam menos a concepções românticas do amor e a crenças românticas que os americanos, e que os coreanos eram também menos românticos que os americanos (Brown, 1994; Sprecher, Aron, Hatfield, Cortese, Potapova, e Levitskaya, 1994). Verifi- cou-se igualmente que as culturas individualistas davam maior importância ao amor como base para o casamento que as culturas colectivistas e que a menor importância era atribuída ao amor pelas culturas orientais (e.g., China e Índia - Desai, McCormick e Gaeddert, 1989; Levine, Sato, Hashimoto e Verma,

1995). Apesar de se saber que as crenças sancionadas culturalmente sobre o amor influenciam as expectativas, as experiências, as atitudes e os comporta- mentos dos jovens adultos (Kelley, 1983), poucas investigações foram publica- das sobre as atitudes amorosas e o romantismo em países não ocidentais (De- sai, McCormick, e Gaeddert, 1989).

Hendrick e Hendrick (1986) a partir de informação sobre a origem étnica dos seus participantes verificaram que os estudantes orientais descreviam-se como sendo mais stórgicos e pragmáticos que os estudantes brancos não his- pânicos, os hispânicos e os negros. Num estudo posterior (Neto et al., 2000) foram confirmadas as hipóteses de que a) os factores que implicam fortes sen- timentos pessoais, tais como Mania, Eros e Ágape eram semelhantes segundo as culturas e b) os factores que implicavam regras sociais e, por conseguinte, uma baixa tonalidade emocional, tais como Pragma, Storge e Ludus eviden- ciaram diferenças segundo as culturas.

Neste estudo também examinamos a questão das diferenças de género. Hendrick e colegas (Hendrick e Hendrick, 1986; Hendrick, Hendrick, Foote, e Slapion-Foote, 1984) evidenciaram diferenças em Pragma, Mania, Storge, e Ludus, as mulheres revelando-se mais pragmáticas, maníacas e stórgicas que os homens, e os homens sendo mais lúdicos que as mulheres. Algumas destas diferenças de género não apareceram tão claramente em investigações poste- riores (Hendrick e Hendrick, 1992). Os dados revelados pelos estudos em amostras portuguesas indicaram que a variável sexo produz efeitos na tipolo- gia de amor de Lee. Os participantes do sexo masculino eram mais lúdicos e agápicos que os de sexo feminino, mas não se encontraram diferenças quanto a Eros, Storge, Pragma e Mania (Neto, 1993). Num estudo intercultural sobre os estilos de amor realizado por Neto, Mullet, Deschamps et al. (2000) encon- traram-se diferenças de género em Ludus e Ágape que se repetiram em todos os países estudados. A consistência destas diferenças de género será exami- nada neste estudo junto de adolescentes.

Estas questões conduziram a nossa investigação a um estudo que teve por base dois objectivos: a) verificar o efeito do sexo nos estilos de amor em ado- lescentes; e b) verificar o efeito do grupo etnocultural nos estilos de amor.

Com base em estudos anteriores formulamos três hipóteses:

1) No que se refere ao género esperamos encontrar diferenças significati- vas nos adolescentes portugueses e nos de origem indiana nos estilos de amor Ludus e Ágape. Os rapazes revelarão uma maior tendência a ver o amor como um jogo (Ludus) e a serem mais altruístas (Ágape) que as raparigas.

2) Esperamos encontrar diferenças significativas entre os adolescentes portugueses e os adolescentes de origem indiana nos estilos de amor que implicam regras sociais e que revelam uma tonalidade emocional mais baixa (Ludus, Storge e Pragma)

3) Pelo contrário não se esperam encontrar diferenças significativas entre os adolescentes portugueses e os adolescentes de origem indiana nos estilos de amor que implicam uma tonalidade emocional mais forte (Eros, Mania, Ágape)

Metodologia

Amostra

Os participantes deste estudo foram 541 adolescentes. Trezentos e sessen- ta e seis (166 rapazes e 200 raparigas) eram portugueses e 175 (91 rapazes et 84 raparigas) eram oriundos de famílias indianas (Quadro 1). Não foi ob- servada uma associação significativa entre o grupo etnocultural e o género (X2=.15, gl=1, p>. 05). Os participantes tinham idades compreendidas entre

os 16 e os 19 anos, com uma média de idade de 17.58 (DP = 1.19). Todos os participantes frequentavam o ensino secundário na região de Lisboa.

Quadro 1: Descrição da a amostra por grupo etnocultural, idade e género

Groupo etnocultural Total da amostra Género Idade

Homens Mulheres M DP

Índia 175 91 84 17.57 1.24

Portugal 366 166 200 17.58 1.17

Total 541 257 284 17.58 1.19

Instrumentos

Conjuntamente com a versão portuguesa das atitudes em relação ao amor foram administradas outras questões, nomeadamente relativas à identificação de características psico-sociais dos participantes.

Foi utilizada uma versão portuguesa da Escala de Atitudes em relação ao

Amor a que recorreram Hendrick e Hendrick (1986). A versão portuguesa

desta escala parece ser fidedigna e válida (Neto, 1993). Cada estilo de amor foi avaliado por meio de quatro itens (Neto et al., 2000). Os itens eram ava- liados em cinco categorias desde de 1 (desacordo total) a 5 (acordo total).

Procedimento

Os questionários foram aplicados em situação de sala de aula, na presen- ça do professor e do investigador. Foi garantido o anonimato das respostas. O tratamento estatístico dos dados foi feito utilizando o programa SPSS, ver- são 14. Tendo em conta o número elevado de participantes o limiar de signifi- cação foi fixado para alpha=.001.

Resultados

As médias e os desvios-padrões das escalas de atitudes em relação ao amor dos dois grupos etnoculturais são apresentados no Quadro 2. As pon- tuações médias das escalas das atitudes em relação amor podiam variar entre 4 e 20. Não se observaram diferenças notórias entre os grupos etnoculturais nos desvios-padrões dos estilos de amor.

Uma análise das pontuações médias dos grupos etnoculturais sugere que Eros e Storge eram os estilos de amor mais preferidos. Os restantes estilos de amor por ordem de preferência decrescente foram: Ágape, Mania, Pragma e Ludus.

Quadro 2: Médias e desvios-padrões por grupo etnocultural e estilo de amor

Índia Portugal M DP M DP Eros 14.99 3.29 15.14 3.33 Ludus 9.64 3.82 9.37 3.96 Storge 14.66 3.80 14.10 3.69 Pragma 12.30 3.99 10.13 3.76 Mania 13.19 3.80 12.64 3.85 Ágape 14.06 3.32 13.61 3.83

As pontuações médias de cada escala dos estilos de amor foram calcula- das separadamente para cada grupo etnocultural. Foram analisadas por meio de um plano 2 x 2, Género x Grupo etnocultural. Análises multivariadas de variância (Manova) foram utilizadas para comparar os dois grupos etnocultu- rais nas pontuações dos estilos de amor. A Manova evidenciou um efeito signi- ficativo do género, Wilks lambda =.79, F(6, 531)=6., p<.001, e do grupo et- nocultural, Wilks lambda =.93, F(6, 531)=6.35, p<.001. A interacção Género x Grupo etnocultural não se revelou significativa, Wilks lambda =.99, F(6, 531)=1.26, p=.27.

Foram seguidamente efectuadas Anovas univariadas para cada estilo de amor em função do género e do grupo etnocultural (Quadro 3). Estas análises puseram em evidência os efeitos principais significativos do género em Ludus, F(1, 540) = 79.18 p<.001, e em Ágape, F(1, 540) = 47.37 p<.001. Indepen- dentemente do grupo etnocultural, os rapazes da nossa amostra eram mais lú- dicos que as raparigas, M = 11.00 versus 8.01, e mais agápicos que estas, M = 15.06 versus 13.76. A análise pôs também em evidência o efeito principal significativo do grupo etnocultural em Pragma, F (1, 540) = 36.02, p <.001. Os jovens indianos da nossa amostra mostraram-se mais pragmáticos que os jovens portugueses, M = 12.30 versus 10.13. Nenhuma interacção Género x Grupo etnocultural foi significativa.

Quadro 3: Resultados das análises de variância. Os valores de p em itálico são significativos

em .001.

Fonte gl Média dos quadrados F p

Eros

Grupo etnocultural 1 4.11 0.38 .536

Género 1 44.96 4.20 .041

Grupo etnocultural x Género 1 1.84 0.17 .679

Ludus

Grupo etnocultural 1 0.53 0.04 .842

Género 1 1049.39 79.18 .001

Grupo etnocultural x Género 1 0.98 0.07 .786

Storge

Grupo etnocultural 1 35.87 2.58 .109

Género 1 1.37 0.10 .754

Grupo etnocultural x Género 1 1.25 0.09 .764

Pragma

Grupo etnocultural 1 525.48 36.02 .001

Género 1 97.52 6.69 .010

Grupo etnocultural x Género 1 1.11 0.08 .783

Mania

Grupo etnocultural 1 29.11 1.99 .158

Género 1 83.71 5.74 .017

Grupo etnocultural x Género 1 1.88 0.13 .719

Agape

Grupo etnocultural 1 9.35 0.78 .377

Género 1 565.30 47.37 .001

Discussão

Se as comparações das características psicológicas em diferentes países são úteis, as investigações sobre as comparações de vários grupos etnocultu- rais no seio de um mesmo país revestem-se também de grande importância (Neto, 2002). Esta investigação propôs-se estudar eventuais variações inter- culturais e de género em adolescentes portugueses e em adolescentes originá- rios da Índia. Note-se que o prosseguimento deste objectivo foi possível por- que o modelo de Lee mostrou uma capacidade de generalização intercultural (Neto et al., 2000). O quadro geral que emerge dos resultados apresentados acentua grandes semelhanças nos estilos de amor nos dois grupos etnocultu- rais.

Os resultados sobre o género e os estilos de amor nos adolescentes confir- maram a nossa primeira hipótese. Os rapazes dos dois grupos etnoculturais revelaram-se mais lúdicos e agápicos que as raparigas. Estes resultados estão em consonância com investigação anterior (Deschamps, Camino et Neto, 1997 ; Neto et al., 2000).

A nossa segunda hipótese foi parcialmente confirmada, pois os resultados não evidenciaram diferenças significativas entre adolescentes portugueses e adolescentes oriundos de famílias indianas em dois estilos de amor que impli- cam regras sociais e se caracterizam por uma baixa tonalidade emocional – Ludus e Storge. Já apareceram diferenças significativas entre os dois grupos em Pragma. Os adolescentes oriundos de famílias indianas revelaram-se mais pragmáticos que os jovens portugueses. Se provavelmente os efeitos da acultu- ração puderam contribuir para as semelhanças entre autóctones e adolescen- tes de origem indiana nos estilos de amor Ludus e Storge, as diferenças ainda perduravam entre os dois grupos ao nível de Pragma. Efectivamente as atitu- des pragmáticas não desempenham o mesmo papel na escolha de um parcei- ro amoroso na Ásia e na Europa. Poder-se-á levantar a questão se não serão essas atitudes pragmáticas as mais resistentes aos efeitos da aculturação aquando da evolução em sociedades individualistas.

A terceira hipótese foi confirmada pelos dados, na medida em que não apareceram diferenças significativas entre os adolescentes portugueses e os adolescentes originários da Índia nos três estilos de amor com uma grande to- nalidade emocional – Eros, Mania, e Ágape-. A universalidade cultural de Eros está de acordo com as observações de Doherty et al. (1994, p. 397) : « Mas quando estamos a tratar com uma das emoções mais poderosas, o amor apaixonado, somos forçadas por esta investigação e por outras investigações a concluir que, quando o amor chega, os homens e as mulheres de diferentes

grupos culturais e étnicos parecem possuir atitudes e comportamentos seme- lhantes”. Também não houve diferenças significativas nos estilos de amor Ma- nia e Ágape.

O quadro geral que emerge dos resultados apresentados acentua as grandes semelhanças nos estilos de amor entre grupos etnoculturais. Estes re- sultados parecem ser reveladores da complexidade que esta área de estudo representa, exigindo investigações complementares, de modo a que seja pos- sível acrescentar um pouco mais na compreensão deste sentimento tão impor- tante que é o amor.

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LOVE ATTITUDES AMONG PORTUGUESE AND INDIAN