CHAPITRE 3 : ETUDES EXPERIMENTALES ET NUMERIQUES D’UNE
IV. O PTIMISATION NUMERIQUE DE L ’ INSTALLATION DES B ERGES DE L ’H YERES
«vo» + «o»; o MB 1558 segue um esquema simplificado (em comparação), subindo diretamente da sílaba «vo» para a sílaba «bís», no ‘salto’ de uma terceira. A melodia da resposta – «Et cum spíritu tuo» – segue, no MB 1558, a exata música da frase anterior e
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é a mesma no outro Missal. Parecidas são as frases seguintes do diálogo, a saber: «v/. Sursum corda» (desdobra, no MB 1924, a partir da sílaba «cór», e não no MB 1558), «R/
Habémus ad Dóminum» (desdobra com um prolongamento, no MB 1924, a última sílaba: «nu» + «um»); «v/. Grátias agámus Dómino Deo nostro» (sem diferenças entre os dois Missais), «R/. Dignum et justum est» (desdobra a última palavra: «e» + «est», no MB
1924).
3. O «Vere dignum» inicia, no MB 1558, na mesma nota com que segue a frase; no MB 1924, ocorre um ‘salto’ (terceira acima) da sílaba «ve» para a sílaba «re». Exatamente igual se dá na frase seguinte, «Fons et orígo», sendo que, no MB 1558 a altura das notas correspondentes às palavras «Fons» e «et» não oscila e, por sua vez, o MB 1924 regista o intervalo de uma terceira (acima) entre «Fons» e «et». O Præfatio segue, sem diferenças a assinalar.
2.7.3.3. Antífona «Veníte et accéndite»
O canto «Veníte et accéndite» – de entre o ‘mundo’ dos quatro Missais apontados para o o presente estudo comparativo – só consta dos MB. Entre os dois Livros Bracarenses, a música da Antífona não varia, como se pode observar, a seguir.
MB 1558 MB 1924
[…] […]
2.7.3.4. Antífona «Lumen ad revelatiónem» e o Cântico «Nunc dimíttis»
A Antífona «Lumen ad revelatiónem» e o consecutivo Cântico «Nunc dimíttis» (transcrito apenas) paracem ter melodias iguais, mas contêm algumas divergências: a) a nota de «ad» é diferente no MB 1558 (um tom abaixo da sílaba anterior «men», de «lumen») e no MB 1924 (dois tons abaixo); b) entre o MB 1558 e o MB 1924 diferem as notas relativas à parte que diz: «[gen]tium et»; c) no MB 1558, as sílabas «mí» (de «dimíttis»), «vum» (de «servum»), «tu» e «um» (de «tuum») e «mi» (de «dómine») desdobram, ao passo que, no MB 1924 estas mesmas sílabas correspondem a subidas e descidas diretas de tons (entre «nunc» e «di», «di» e «mít», «Dó» e «mi»).
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MB 1558 MB 1924
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3. Síntese
No Capítulo III do presente estudo, debrucei-me sobre as edições reformadas do Breviarium de 1920-1922 e MB 1924. Analisei também o Kalendarium e os Officia Metropolitana do tempo do Arcebispo Dom Manuel Baptista da Cunha, no que se referia às Leituras (Bíblicas e Patrísticas) dos Ofícios e aos Hinos. A análise e as comparações de tais secções e partes levaram-me a perceber uma progressiva romanização do Rito Bracarense, embora sem deixar este de possuir elementos característicos.
Assim, a edição do Breviário correspondeu às afirmações do Papa Bento XV, que na Bula Sedis Hujus, enumerou os progressos da nova edição deste livro: 1. «as leituras mais abundantes da Sagrada Escritura»; 2. a introdução da «nova disposição do saltério, ordenada pelo Nosso Predecessor Pio X na Constituição Apostólica Divino afflatu»; 3. e a exclusão «da parte histórica do Breviário Bracarense certas narrativas que estavam longe da verdade ou da tradição da Igreja Bracarense»601.
Efetivamente, ao deter-me no MB 1924, entrecruzando as suas secções – 1. do Ordo Missæ; 2. das Orações da «Præparatio Missæ» e da «Gratiarum Actio»; 3. as Celebrações de Domingo de Ramos e da Purificação de Nossa Senhora; 4. algumas melodias, a saber: a) do Domingo de Ramos; b) do Ordinário: Credo e Glória; c) do Ofício da Purificação de Nossa Senhora – com os MB 1558, MR-S 1886 e MR 1921, fui-me apercebendo do seguinte:
a) por um lado: o frei António de Santa Maria não se socorreu de quaisquer elementos seráficos, o que, de resto, faz todo o sentido, pois a sua missão, em Roma, era a de supervisionar as novas edições de um Missal e de um Breviário Bracarenses, ambos
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com uma história; além disso, o seu desempenho dependia de um pedido do Arcebispo e do seu Clero – estando este franciscano, a meu ver, direcionado a objetivos bem determinados. Mais: a comparação dos diferentes Missais faz ressaltar a dependência do MR-S 1886 do modelo litúrgico romano. Portanto, mesmo a confirmar-se alguma influência franciscana sobre a última edição reformada do Missale Bracarense, esta não passaria de um resquício romano.
b) por outro lado: o MB 1924 segue de muito perto o Missal de Baltazar Limpo (MB 1558). As Orações, as Antífonas, as Leituras (na Liturgia da Missa), e inclusive as melodias são muito próximas – mesmo tendo estas últimas algumas diferenças, mas não de grande significado (as melodias do Ordo Missæ – Credo e Glória – não diferem em nada).
No entanto, onde, no MB 1924, existem divergências – relativamente ao MB 1558 – a opção tomada pelo supervisor da Reforma corresponde ao MR 1921, como é possível perceber, através destes casos:
i. nas Orações de «Preparatio Missæ» – A) a Oração de Santo Ambrósio, em cada
uma das partes indicadas para os diferentes dias da semana (de domingo a sábado); B) a «Alia Oratio S. Ambrosii», constante no MB 1924 e nos MR-S 1886 e MR 1921, mas
ausente no MB 1558; C) a Oração de São Tomás de Aquino, onde se registam bastantes diferenças entre o MB 1558 e o MB 1924, igualando-se este último aos MR-S 1886 e MR 1921; D) as Orações 1) a São José, 2) a todos os Anjos e Santos, 3) ao Santo em cuja honra se celebra a Missa, 4) e a da «Declaratio intentionis» – quatro elementos existentes apenas nos MB 1924 e no MR 1921. E) as Orações para a vestição dos Paramentos, sejam as ditas pelo Sacerdote (o MB 1924 segue o MB 1558) sejam as recitadas pelo Bispo (quando celebra o Pontifical, segue as Orações contidas nos MR-S 1883 e MR 1921; quando celebra a Missa Privada, passa a ‘obedecer’ ao MB 1924, com as Orações ditas pelo Sacerdote);
ii. dentro das Orações de Ação de Graças, a Oração de São Tomás de Aquino: no MB 1558, encontram-se as palavras «miserrimum» e «dilecti» (omitidas nos demais Livros, incluindo o MB 1924), no princípio e a meio da frase; depois, no período iniciado pelas palavras «Et precor te, ut hæc», os outros Missais alteram vocábulos e as pessoas verbais (um exemplo: no MB 1558, a terceira pessoa do singular: «sit»; nos demais: «sint», a terceira do plural);
iii. as Festas do Domingo de Ramos e da Purificação de Nossa Senhora, na edição reformada do Missale (MB 1924), não perdem a marca bracarense: a) no Domingo de
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Ramos: mantem-se 1. o Verso «Attólite portas»; b) na Festa da Purificação, as Antífonas: 1. «O Beáta Infántia»; 2. «Veníte et accéndite».
iv. as melodias, ainda que com algumas diferenças, não distanciam, de todo o MB 1558 do MB 1924, pois estas músicas estão ao nível do canto recitativo, no qual pode variar a importância dada às sílabas tónicas – como seja o caso do Præfatio «Qui Gloriáris»: no MB 1558 a nota só altera na sílaba tónica («á»), mas, no MB 1924, a subida de nota acontece na sílaba «glo». No entanto, os dois ‘Prefácios’ de cujas melodias apresentei – «Qui Gloriáris» (Domingo de Ramos) e «Fons et orígo» (Purificação) – registam pormenores diversos: no primeiro caso, a música do MB 1924 é igual à do MB 1558; no Præfatio «Fons et orígo», o MB 1924 difere do outro Missale, nomeadamente quanto à cadência: a) de «seculórum» (MB 1558) ou «sæculórum» (MB 1924); b) do «Amen». c) do diálogo «v/. Dóminus vobíscum. R/. Et cum spíritu tuo», em que a música
do versículo (v/.) é diferente, mas a da resposta é igual.
Certamente, não me é possível fazer uma afirmação categórica, como a de Ribeiro Vasconcelos, para quem «o Rito bracarense, pela reforma, não se tornou mais romano, do que era anteriormente; não se romanizou mais»602. Mas não posso deixar de salientar
o percurso deste trabalho, ao longo do qual me ‘saltou’ à vista a proximidade do Missal reformado ao Missale Romanum de 1921. Como disse, o MB 1924 depende do Missale de Baltazar Limpo, mas este representou, na sua época – como diz Joaquim Oliveira Bragança – uma exemplar ‘abastardado’, isto é: «o Arcebispo não fez senão transtornar e subverter uma tradição com mais de três séculos de vida, mas o dramático é que a história legitimou o bastardo, e de tal modo que o Missale Bracarense de 1924 ainda dele depende»603.
Consequentemente, o Missale Bracarense de Dom Manuel Vieira de Matos, na minha opinião, acaba por romanizar o já ‘demais’ romanizado MB 1558. Os estudos que fiz atestam-no, pois, mesmo nas Orações em que o MB 1924 segue o esquema do Missale de 1558, há alterações de vocábulos, expressões, pronomes e verbos. Ainda que não se tenha alterado o sentido global, abre-se a porta a uma dependência progressiva e a uma cedência cada vez mais evidente, à tradição a romana – cuja influência, afinal, nem sempre fora tão distante. Com efeito, tendo a Liturgia Bracarense um fundo romano desde
602António Garcia Ribeiro de Vasconcelos, “A Reforma do Rito Bracarense no Século XX”, in Actas
do Congresso, 35.
603Joaquim O. Bragança, “A reforma litúrgica de D. Frei Baltasar Limpo”, in III Congresso Histórico
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os primórdios604, ela encontra, não só com o MB 1924, mas também com o Breviário
Bracarense de 1920-1922 (que assumiu a reforma do Breviário Romano de Pio X) – para além da legitimação – uma autêntica aproximação desse mesmo ‘fundo’.
604 Cf. Pedro Romano Rocha, “Introdução”, in Breviário Bracarense de 1494: Reprodução em fac-
155 Conclusão geral
O caminho percorrido ao longo da presente investigação incluiu três grandes momentos, representados nos seus três Capítulos.
No Capítulo I, expus elementos da vida e pessoa do frei António de Santa Maria Correia. Os passos da sua existência revelaram um homem dedicado à Igreja, mas também muito experiente. Tendo estudado em Roma, de regresso a Portugal integrou o número dos frades que restaurou a vida franciscana no país. As suas responsabilidades, na vida missionária em Moçambique, revelaram a sua personalidade, bastante tenaz. Poucos anos volvidos, foi eleito Definidor Geral da Ordem, partindo, uma vez mais para Roma. Regressa ao país em 1907, mas os trabalhos da reforma do Rito Bracarense levam-no para a cidade eterna em 1916, tendo passado, com seus confrades, desde 1910, os flagelos da Primeira República. Nunca mais regressou à sua Pátria, mas deixou um rasto de serviço e de decicação à Igreja.
No Capítulo II, tive a oportunidade de estudar a parte histórica da reforma do Rito Bracarense, contextualizada no Movimento Litúrgico em Portugal, nomeadamente pelo Congresso Litúrgico de Vila Real (1926) e o Congresso Litúrgico Nacional Romano- Bracarense (1928), sendo que, destes, estudei mais pormenorizadamente o último. A seguir, pude fazer o levantamento de alguns estudos realizados entre os finais do século XIX e os princípios do século XX no âmbito do mesmo Rito. Os pontos 3, 4 e 5 foram dedicados ao desenvolvimentos dos trabalhos da reforma, desde os esforços primitivos do Arcebispo Baptista da Cunha, até à intervenção de Dom Manuel Vieira de Matos, desde 1915 até 1924 – de que destaco os seguintes passos: 1) a assinatura do contrato com a Tipografia Polyglota Vaticana, em abril de 1916, a instâncias do frei António de Santa Maria, OFM; 2) o Sínodo Bracarense, em 1918; 3) a aprovação papal (Bento XV) do Rito Bracarense, pela Bula Sedis Hujus, em 1919; 4) a Edição Típica do Breviarium Bracarense em 1920; 5) a Edição Típica do Missale Bracarense em 1924, juntamente com a Bula Inter Multiplices (de Pio XI).
No Capítulo III, estudei a) quatro partes do Breviarium Bracarense de 1920-1922; b) nove secções do MB 1924; c) analisei também o Kalendarium e os Officia Metropolitana do tempo do Arcebispo Dom Manuel Baptista da Cunha, no que se referia às Leituras (Bíblicas e Patrísticas) dos Ofícios e aos Hinos. Da análise e das comparações de tais secções e partes fui percebendo uma progressiva romanização do Rito Bracarense,
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conservando este, no entanto, elementos ‘próprios’. Desta opinião é António Ribeiro de Vasconcelos, o qual, no Congresso Litúrgico Nacional Romano-Bracarense, confessou a sua preocupação face às novas edições do Breviário e do Missal. Temendo leituras apressadas sobre os mesmos, chega, enfim, à conclusão de que «não, graças a Deus. Da moderna reforma o Rito bracarense surgiu incólume, com os traços característicos da sua individualidade respeitados, bem vincados, sem alteração que os prejudique». E acrescenta: «E’ notavel o cuidado e escrúpulo que houve nesta reforma, para não apagar nenhuma [das] feições características do Rito bracarense»605.
O Breviário, de facto, correspondeu às afirmações do Papa Bento XV sobre a necessidade de se incluirem mais leituras da Sagrada Escritura, se conformar o Saltério à reforma de Pio X e à eliminação das narrativas hagiográficas pouco críticas, ao nivel histórico.
O MB 1924, por seu turno, revelou a interdependência dos MB 1558 e do MR 1921, seguindo o último, nas partes em que divergia com o MB 1558. Não foi introduzido, portanto, por frei António de Santa Maria qualquer elemento dito seráfico. Estas conclusões percebi-as através da análise (entre os MB 1558, MR-S 1886, MR 1921, MB 1924): 1) das Orações de Preparação da Missa e de Ação de Graças após a Missa; 2) das Celebrações de Domingo de Ramos e da Purificação de Nossa Senhora; 3) das melodias existentes no MB 1558 e no MB 1924 – com algumas divergências, mas não significativas.
Assim, o trabalho da presente Dissertação acaba por resultar num conhecimento maior da história mais recente do Rito Bracarense e também da história da minha Província Franciscana – restaurada há 127 anos – e da vida de um dos seus membros, portanto, meu confrade, frei António de Santa Maria, OFM.
Contudo, seria bom ainda proceder-se ao estudo mais aprofundado dos antecedentes da reforma litúrgica em Braga, pelo Arcebispo Baptista da Cunha. Refiro-me aqui diretamente às ditas bases para a reforma do Missale e do Breviarium, cujas datas aponta o monsenhor José Augusto Ferreira. Na verdade, procurei informação relativa a estas bases aprovadas pela Santa Sé, nos documentos publicados pela Acta Sancta Sedis e pela Acta Apostolicæ Sedis. Mas tais documentos não integram quaisquer dados a respeito das mesmas bases. Estas, então, poderão constar no arquivo da Sacra Rituum Congregatio,
605António Garcia Ribeiro de Vasconcelos, “A Reforma do Rito Bracarense no Século XX”, in Actas
do Congresso, 34-35. O autor temia, portanto, a possibilidade de «as pessoas encarregadas da revisão e reforma dos livros bracarenses […] vissem o Missal e o Breviário […] sem atentar minuciosamente nas suas belezas». E, «ao saber que em Roma se estava procedendo à revisão e reforma dos livros bracarenses, um receio […] se apoderou de mim. ¿O que sairia dêsse trabalho?»
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hoje com o nome de Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, cujos arquivos não se encontram, atualmente, no edifício de outra Congregação.
Além disso, apesar da matéria reunida em torno da figura do frei António de Santa Maria neste trabalho, a partir do APPOF, poder-se-ia reunir mais elementos junto do Arquivo do Pontifício Ateneu Antonianum (onde veio a falecer) ou mesmo no Arquivo da Cúria Geral da Ordem dos Frades Menores, o qual, não tendo conseguido visitar, acabei por contactar por email, inteirando-me de que existem lá alguns documentos relativos ao mesmo franciscano.
Finalizando o meu discurso com uma apreciação mais ‘pessoal’, reconheço a importância da presente Dissertação para o desenvolvimento de uma abordagem mais científica da Liturgia, ou até da própria noção de ritualidade. Frequentemente, a ‘discussão’ sobre o Rito Bracarense (e outros similares, que não o Romano) baseia-se em apreciações ou convicções desprovidas de conhecimento, sem ferramentas suficientemente abalisadas para o tratamento desta questão. Do mesmo modo, o trabalho levou-me a aprofundar a história da minha Província Franciscana – restaurada há 127 anos – e a vida de um dos seus membros, portanto, meu confrade, frei António de Santa Maria, OFM. A sua obra litúrgica consistiu num contributo à Igreja de Braga e a toda a Igreja em Portugal, pois cumpriu bem o encargo que se lhe confiou: devolver à fé o seu sustento, a oração.
ANEXO A