CHAPITRE 3 : ETUDES EXPERIMENTALES ET NUMERIQUES D’UNE
II. D ESCRIPTIF EXPERIMENTAL DE L ’ INSTALLATION EXPERIMENTALE
II.2. Descriptif de l’installation solaire collective d’ECS
A notação muscial do Missale Bracarense de 1924 relativa à celebração do Domingo de Ramos, aí denominado «Dominica in Palmis» parece seguir o Missale de dom Baltasar Limpo. No cômputo da mesma celebração, o Missal que investigo contém
melodias relativas aos seguintes ‘momentos’: a) o «Præfatio»; b) o «Sanctus»; c) o Versum «Glória, laus» e seus versículos: «Israël es tu Rex»; «Cœtus in excélsis»,
«Plebs Hebrǽa»; d) finalmente, o cântico «Attólite portas, Príncipes, vestras», com os seus versículos. As partituras enquanto tal diferenciam-se na configuração das linhas: o MB 1558 toma um pentagrama (cinco linhas); a pauta do MB 1924 retoma a tradição do canto gregoriano, de quatro linhas.
2.7.1.1. «Præfatio Qui Gloriaris»
O «Præfatio» do Missal do Arcebispo Vieira de Matos para a Procissão do Domingo de Ramos, na verdade, não é um Prefácio Eucarístico, no sentido em que não é cantado durante a celebração da Missa.
O começo do cântico, no entanto, é igual ao de um Prefácio, daí o seu nome. O Sacerdote inicia, pela fórmula «Per ómnia sǽcula sæculórum», com a resposta, «Amen». Segue-se o diálogo: «v/. Dóminus vobíscum», «R/. Et cum spíritu tuo», «v/. Sursum
corda», «R/.Habémus ad Dóminum», «v/. Grátias agámus Dómino Deo nostro», «R/.
Dignum et justum est». A música relativa a esta parte corrobora com as seguintes figuras:
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De facto, as melodias são iguais, bem como o texto, o que ajuda a perceber influência do Missale Bracarense do Arcebispo Baltasar Limpo sobre o Missal reformado por dom Manuel Vieira de Matos. As diferenças são quase mínimas:
a) na resposta, «dignum et justum est», o MB 1558 mantém a nota («tum» + «est» iguais); no MB 1924, a nota correspondente a «est» desce um tom; b) o advérbio «vere», no MB 1558, mantém a nota, enquanto que, no MB 1924, as sílbas se desdobram («ve» + «re») e a nota da primeira sílaba («ve») está uma terceira abaixo; c) extamente o mesmo, se regista na frase «Domine sancte», mantendo-se, no MB 1558, a mesma nota, uma terceira acima em relação à nota inicial do MB 1924; d) a frase «Qui gloriaris», no MB
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1558, mantém-se na mesma nota quanto às sílabas «qui», «glo» e «ri», subindo uma terceira acima, ao entoar a sílaba «á»; o MB 1924 sobe a altura da nota, dentro do mesmo intervalo, mas logo na sílaba «glo».
2.7.1.2. «Sanctus»
O Rito Bracarense prevê, nos Missais de 1558 e de 1924, para a Procissão do Domingo de Ramos, o canto do «Præfatio», seguido da entoação do «Sanctus»598. Assim,
apresento as melodias destes mesmos livros litúrgicos, para verficar as semelhanças exactas.
MB 1558 MB 1924
Na verdade, como se pode ver pelos anexos599 da presente Dissertação, os Missais
com que comparo os Missales Bracarenses de 1558 e de 1924 prevêm, nas rubricas, que se cante o «Sanctus», mas não integram uma melodia, como acontece nos livros litúrgicos de Braga, a que me refiro.
2.7.1.3. O Versus «Glória, Laus»
O Versus «Glória, laus» acompanha o cortejo de entrada na igreja, no final da Procissão no Domingo de Ramos. A Procissão desta celebração havia sido já acompanhada por algumas Antífonas, a saber: «Púeri Hebræórum, portántes», «Púeri
598 Cf. «Dominica in Palmis», in Missale Bracarense, 148-149. 599Cf. ANEXO F, 278.
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Hebræórum vestiménta», «Cum appropinquásset Dóminus» e «Ave, Rex noster». [não têm notação musical própria no MB 1924]. No final, então, quando se começa a entrar na igreja, os cantores devem iniciar o canto do Versus «Glória, laus».
MB 1558 MB 1924
O cântico possui outros versículos, os quais apresento a seguir, mostrando apenas a primeira frase, com a notação musical correspondente aos Missales referidos acima.
2.7.1.4. «Israel es tu Rex»
MB 1558 MB 1924
As diferenças, neste caso, registam-se pelo seguinte: a) no incipit, «Israël», e na palavra «es», que, no MB 1924, oscila as notas, mas no MB 1558, as mantém; b) na palavra «Nómine», desdobrada na sílaba «mi», na secção do MB 1558, ao contrário do MB 1924; c) a preposição «in», desdobrada no MB 1924, ao contrário do registado no MB 1558, onde a nota é mantida e corresponde à altura (musical) da sílaba seguinte («Dó» de «Dómine»).
142 2.7.1.5. O Verso «Cœtus in excelsis»
MB 1558 MB 1924
[…] […]
No MB 1558, o incipit, «Cœtus», mantém as mesmas notas, subindo o grau apenas na sílaba «e» do vocábulo «excélsis», o qual desdobra na sílaba «cé». No MB 1924, por seu turno, o incipit desdobra na segunda sílaba («tus») e as notas de «ex» (desdobrada) não correspondem, à risca, ao registo do MB 1558. Depois, segue tudo igual.
2.7.1.6. O Verso «Plebs Hebrǽa»
MB 1558 MB 1924
Quanto ao Verso «Plebs Hebrǽa», difere, na pauta musical, entre os MB 1558 e o MB 1924. No primeiro, o incipit mantém a nota, subindo apenas uma terceira acima na sílaba «brǽ». No outro, a nota correspondente a «Plebs» desce um tom na sílaba «He», retomando a mesma nota na sílaba «brǽ», desdobrando a sílaba «a».
No MB 1558, quando se entoa a palavra «prece», a sílaba «ce» desdobra-se em três notras, em subida. Esta mesma sílaba, no MB 1924, desce, retomando a mesma nota na palavra «voto», que lhe segue. A sílaba «to» do termo voto desdobra, neste último Missal, em subida, desdobrando também as sílbas: «Hy» e «mnis» – de «Hymnis»; «ád» e «mus» – de «ádsumus»; «e» e «cce» de «ecce». Em contrapartida, o MB 1558, no referente a estas sílabas, somente desdobra «ád» e «mus» de «ádsumus», porém, não com as mesmas notas.
143 2.7.1.7. O Versus «Attólite portas»
O Versículo cantado, segundo o Rito Bracarense, no Domingo de Ramos, para a entrada na igreja após a Procissão, é o «Attólite portas». É, no fundo, um diálogo, de teor teológico pascal, entre o celebrante principal e o coro (e Assembleia). Assinalo-o aqui, no que respeita mais diretamente à notação musical registada no MB 1558 e no MB 1924. A música é praticamente a mesma, mas com algumas diferenças – no MB 1558 – que não se encontram no MB 1924.
MB 1558 MB 1924
Nesta primeira parte, percebe-se a divergência entre o MB 1558 e o MB 1924, designadamente no segundo pentagrama: a palavra «vestras», no Missal mais antigo, é separada pelo intervalo musical de uma terceira, entre as sílabas «ves» (tónica) e «tras». A edição mais recente separa as mesmas sílabas, mediante o intervalo de uma segunda (meio tom). Quanto ao restante, seguem os dois Livros em paralelo.
As respostas são idênticas:
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A resposta do Celebrante é igual em ambos os Missais:
MB 1558 MB 1924
Depois, o Celebrante bate com a Cruz na porta, cantando, uma segunda vez, o Versículo «Attólite», ao qual se responde: «Quis est iste Rex glóriæ?», ambos com a mesma intonação. E o Celebrante canta a segunda resposta, sem diferenças:
MB 1558 MB 1924
O terceiro «Attólite» é algo diverso, no MB 1558.
MB 1558 MB 1924
No MB 1558, regista-se uma alteração da música em relação à palavra «vestras». De facto, como já notei acima, o Versículo «Attólite portas príncipes vestras» regista, no princípio e na segunda vez, a descida da nota no intervalo de uma terceira abaixo entre as sílabas «ves» e «tras». Neste quadro, o intervalo é de uma quinta abaixo. Contudo, o MB 1924 mantém a mesma formulação, sem repetir esta variação.
Em seguida, canta-se, de novo, a resposta «Quis est […]?». E o Sacerdote canta o verso final, sem variações a apontar:
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MB 1558 MB 1924
2.7.2. Do «Ordo Missæ»