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Chapitre 11 Une profession comme les autres ?
3.2.1 Discussão Sobre o Conceito de Espaço
As primeiras investigações sobre a natureza e as qualidades do espaço estão situadas no século IV A.C., no Egito e Babilônia, onde se fundou e desenvolveu a antiga geometria , a qual seria, mais tarde, sistematizada e generalizada nos elementos de Euclides através do estudo do ponto, da reta e do plano.
Na Grécia, a filosofia mais primitiva separava espaço da matéria. Onde Pitágoras caracterizava que todas as coisas estavam no espaço. No entanto o espaço nunca estaria em outra coisa, pois o limite do espaço seria infinito, o próprio vazio. Com Platão, o corpo físico é apenas uma porção de espaço limitada por superfícies geométricas que contém espaços vazios, separando assim espaço de matéria.
Muitas teorias sobre o espaço surgiram, no entanto é Aristóteles que começa a conceituar espaço a partir da percepção e observação do mundo material. O espaço aqui possui, em si, uma organização natural, mas é uma espécie de recipiente imóvel, com certas dimensões espaciais – portanto um espaço finito e anisótropo (pois muda de propriedades físicas, conforme aplicação de determinado fenômeno físico).
No princípio do séc.XX, a teoria da relatividade de Einstein e Alexandrov ensina a necessária relação entre espaço e tempo, sob a forma da união quadrimensional espaço-tempo, a relatividade da duração temporal dos processos e a dimensão extensiva dos corpos em sistemas móveis. Tem-se, desta maneira, a vinculação entre as características métricas do espaço e a distribuição da matéria nas respectivas zonas do universo. A estrutura da união espaço-tempo afirma-se pela interação e o movimento dos sistemas materiais, ao mesmo tempo que fornece a unidade da estrutura causal e espaço - temporal do mundo (Kohlsdorf, 1996).
Para efeito deste trabalho, nos interessa os estudos de Castells (1974) apud Kohlsdorf (1996) onde o autor formula, como ponto de partida, que o espaço é uma forma social articulada com outras formas e processos historicamente dados. Entendendo-se por forma não necessariamente um conceito físico, mas uma maneira. Em função da sua definição social, o espaço, para o mesmo autor, adquire, das relações sociais contraídas pelos homens,
indispensavelmente, uma forma física, uma função de atividade, e um significado social, que são parâmetros através dos quais o espaço é analisável.
3.2.2 Espaço Arquitetônico
Embora o conceito de arquitetura tenha uma noção abstrata, através do plano da idéias e das imagens mentais, mas antes de tudo, a arquitetura é um fenômeno do mundo concreto, e apresenta uma exteriorização visível, material e tangível. Além da exteriorização concreta, a arquitetura apresenta uma expressão abstrata, que se refere não ao produto em si, mas ao processo que conduz à materialização da obra arquitetônica, e também ao reflexo produzido pela concretização do espaço elaborado.
Kohlsdorf (1996) procura reunir as diversas contribuições à conceituação do espaço arquitetônico em torno ao seguinte postulado:
“Arquitetura é espaço socialmente usado”(Kohlsdorf, 1996)
1. O espaço arquitetônico é um objeto real, concreto e singular, que existe de maneira geográfica, histórica, e independente do sujeito que o observa.
2. O espaço arquitetônico é um objeto conceitual sempre que for o resultado de um trabalho de colaboração teórica, que operando sobre noções e informações, por meio de conceitos mais abstratos, tiver como efeito a condução ao conhecimento de espaços arquitetônicos reais, concretos e singulares.
3. O espaço arquitetônico é um fenômeno social, onde se expressa:
“uma estrutura específica de diversas estruturas e práticas” (Poulantzas,1971 apud Kohlsdorf,1996) envolvendo todo o complexo das relações de uma determinada formação social, historicamente situada.
4. O espaço arquitetônico possui uma natureza física específica: é um espaço artificial, no sentido de construído e resultante de um processo de transformação da natureza, no qual se adaptam espaços naturais às necessidades das várias atividades sociais; é um espaço onde se desenvolvem, necessariamente, atividades humanas.
5. O espaço arquitetônico possui, sempre, características de uso, aparência e significado, segundo as quais pode ser definido e em cujo complexo específico de relação reside a singularidade do mesmo: portanto, as características de certa formação social, historicamente dada, expressam-se no uso, na aparência e no significado do espaço arquitetônico que lhe corresponde.
6. O espaço arquitetônico não é um produto nem um objeto estático, mas possui uma natureza dinâmica. Esta deve-se à sua correspondência aos processos sociais (em transformação, por definição) e, em termos micro, às atividades que, em se desenvolvendo no mesmo, alteram-no. Entretanto, as estruturas espaciais são mais rígidas do que as sócio-econômicas e geralmente sobrexistem, temporalmente, às mesmas.
7. O espaço arquitetônico não é neutro nem isótropo, mas caracteristicamente dialético na sua relação com as estruturas sociais – ora reage aos estímulos desta, ora comporta-se como responsável por certos efeitos naquela. Isto porque o espaço é uma parte da totalidade social inter-relacionada às demais, e não uma resultante passiva das mesmas. 8. As características de determinada formação social, expressando-se no espaço
arquitetônico, são, nele, perceptíveis: o espaço arquitetônico é por isso um espaço de percepção, qualificado como:
a) Pragmático para orientação imediata;
b) Existencial para fixação de imagens ambientais, ou memória;
c) Cognitivo, admitindo processos de conhecimento a partir de dados sensíveis.
9. O espaço arquitetônico é, portanto, passível de conhecimento porque é um objeto real, concreto e singular, e oferece, como manifestações externas, suas características de uso, aparência e significado. Tomando tais manifestações como início do processo de conhecimento, tal espaço admite caracterizações (como, por exemplo, espaço geométrico, matemático, topológico) vivenciado apenas na medida que estas forneçam subsídios à determinação das relações essenciais do mesmo.