3.4 Synth`ese et conclusion de l’´etat de l’art acad´emique et commercial
4.1.1 Prise de d´ecision lors de la gestion de risque `a la NASA
A ideia de que o sucesso está vinculado a altos ganhos financeiros não se sustentou na nossa pesquisa. Ao cruzarmos os dados entre se autoconsiderar bem-sucedido e o ganho salarial, observamos a existência de um aumento gradual na atribuição ao sucesso, de acordo com o aumento da renda, com duas quedas, no grupo de 6 a 8 salários mínimos, e, depois, no grupo acima de 15 salários mínimos. Entretanto, entre aqueles que realmente não se consideraram bem-sucedidos encontramos a maior porcentagem no grupo que recebe entre 6 e 8 salários mínimos. Esses dados permitiram-nos observar que, mesmo nas remunerações mais baixas as pessoas, ainda assim, se consideravam bem-sucedidas, em parte, ou ainda tinham uma alta esperança de se tornarem bem-sucedidas, em algum momento. A resposta “ainda não me considero pode ser considerada positiva, como a pesquisadora Carol Dweck (TED, 2014) explica na sua palestra do TED. De acordo com essa pesquisadora, compreender que ainda não foi possível realizar algo, ou conseguir um resultado, ou terminar uma tarefa, pode indicar uma propensão a um mindset de crescimento, que, de acordo com ela, seria muito produtivo para a aprendizagem e crescimento pessoal, o que provavelmente contribuiria para o “sucesso” futuro, numa concepção de sucesso como bons resultados e bom desenvolvimento. Baseando-nos nessas evidencias, podemos concluir que, do quadro demonstrado, as duas atribuições mais positivas e funcionais seriam “me considero bem-sucedido” e o “ainda não me considero bem-sucedido”. Veremos, posteriormente, na apresentação dos nossos resultados, que essa ideia se confirma por meio de de outros resultados, por nós coletados.
Apesar de a porcentagem daqueles que se compreendem bem-sucedidos aumentar, de acordo com o aumento do ganho salarial, ainda assim, quase metade das pessoas (48,89%) que recebem até dois salários mínimos, consideravam-se bem-sucedidos, o que demonstra que a ideia de sucesso não, necessariamente, está relacionada à dinheiro, pois se fosse esse o caso, não teríamos um número tão elevado de pessoas que concordam com essa afirmativa. Além disso, tivemos 20% de pessoas, dessa faixa salarial, que não se consideraram bem- sucedidos ainda, o que significa que eles ainda têm esperança em atingir esse objetivo.
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Tabela 6.3: sucesso X salário
Outro ponto importante refere-se às pessoas com os salários mais altos. A porcentagem daquelas pessoas que se consideraram mais bem-sucedidas e que recebem entre 8 e 15 salários foi de 80, 39%, contra 60,53% das que recebem mais de 15 salários. Esse grupo mais bem remunerado, entretanto, só se autoconsiderou mais bem-sucedido que o grupo que recebe até 2 salários. Esse resultado se mostra bem interessante, pois o grupo que possui o melhor nível salarial da pesquisa, não apresentou um nível mais alto de pessoas satisfeitas com seu sucesso pessoal, como era de se esperar, muito pelo contrário, apresentou o segundo pior resultado de auto-atribuição. Existem, alguma hipóteses que podemos levantar para explicar tal comportamento: 1) a noção de sucesso dessas pessoas pode estar mais vinculada com uma noção de sucesso mais rígida e de expectativas extremamente elevadas, é possível que tenhamos muitos perfeccionistas neste grupo, por isso temos uma porcentagem menor de pessoas que se consideram bem-sucedidas neste grupo; 2) quanto maior o nível salarial, maior a cobrança; 3) o tempo gasto para se conseguir um maior poder aquisitivo pode estar prejudicando outras áreas da vida, fazendo-os experimentar algum tipo de sofrimento.
Esse resultado, portanto, mostra que não é somente a remuneração que contribui para alguém se autodenominar bem-sucedido, pois temos pessoas com baixos salários e bom
135 autoconceito de sucesso e temos pessoas com alto ganho salarial e baixo autoconceito de sucesso. Considerando que, na nossa pesquisa, emoções positivas e relacionamentos apareceram como relevantes para ser bem-sucedido, podemos nos basear na pesquisa Seligman e Ed Diener (Ed Diener, 2004 apud Selligman, 2011: 242), que questiona a concepção de que países com maior PIB (produto interno bruto) são necessariamente países com maior capacidade de propiciar bem-estar. Para esses autores, a riqueza não é determinante para a qualidade de vida, apesar de várias pesquisas demonstrarem uma certa relação entre riqueza e felicidade. Isso significa que a riqueza ajuda a aumentar a satisfação com a vida, mas a rápida ascensão pode provocar uma queda da satisfação, uma vez que, em alguns momentos, existem coisas mais satisfatórias a fazer do que somente produzir dinheiro. Caso isso se relacione com a ideia de sucesso, podemos explicar esse nosso resultado com a terceira hipótese, por nós levantada. De acordo com o gráfico demonstrado pelo trabalho de Seligman e Ed Diener, é possível observar que o Brasil em 2003, na época de sua pesquisa , apresentava um nível de satisfação com a vida um pouco maior que Taiwan, Japão e Emirados, que são países com um PIB per capta duas, três e quatro vezes maior que o PIB brasileiro. Ou seja, não é somente o dinheiro que conta para a felicidade. A satisfação com a vida pode subir com o aumento do ganho financeiro, mas o humor de uma nação não, o humor tem relação com a resiliência. Podemos dizer, portanto que o equilíbrio do tempo, atividades que promovam a saúde e escolhas que promovam a qualidade de vida são tão relevantes quanto o ganho financeiro que, por si só, não sustenta a felicidade, como acabamos de comprovar. Outro fator a ser considerado diz respeito ao aumento excessivo do uso de antidepressivos, nos países ricos, como os próprios pesquisadores mencionados chamam a atenção.
A nossa pesquisa, então, põe em evidência o facto de que, para se perceber bem- sucedido, não é obrigatório ser rico ou ter boas condições financeiras. A associação entre dinheiro e sucesso não se comprova, por si só. É claro que o dinheiro contribui com essa auto atribuição, mas não é determinante. Além do mais, mesmo que o sucesso esteja vinculado com a felicidade, ainda assim, não se pode acreditar que somente a riqueza é capaz de promove-la, apesar de reconhecermos que o aspecto financeiro possibilita maior satisfação com a vida.
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