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Pr´eparation du journal des ´ev´enements

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7.4 Module d’aide `a la d´ecision : Aide `a la d´ecision globale et locale

7.4.2 Pr´eparation du journal des ´ev´enements

O meu percurso desde a escolha do projeto até à sua consecução não foi linear, porque a partir do momento que me capacitei que não queria novamente trabalhar com adolescentes, como tinha pretendido quando o decidi realizar, de modo a continuar o projeto de investigação já iniciado anteriormente, passei a procurar outra forma de a conseguir levar avante. Experimentei o Second Life a conselho de um amigo e devido às insistências deste, que não se coibiram com as minhas desculpas, mas só meses mais tarde me apercebi das potencialidades do metaverso, de modo a ter decidido deixar de lado o meu objetivo inicial e analisar a mesma temática num mundo virtual. A escolha deste em vez de outro qualquer deveu-se a ser na altura o mais conhecido e mais evoluído, o que possivelmente deixará de suceder nos próximos anos.

A primeira vez que acedi ao Second Life fui parar a um local estranho, frequentado principalmente por americanos, em que nasciam muitos outros avatares e andavam aos encontrões uns aos outros ou ficavam pasmados durante horas. Mais tarde fui várias vezes ao local de entrada no metaverso para portugueses, em Lisboa, para conseguir entender como é que os avatares reagiam a essa entrada num mundo virtual.

Demorou uns tempos para conseguir perceber como se saía daquela ilha, mas todas as ilhas para as quais me consegui teleportar a seguir à primeira pareciam semelhantes, dedicadas ao comércio, em locais que representavam uma espécie de junção entre armazéns do povo e centro comerciais, pois vendiam imensas coisas, principalmente roupa78, num espaço mais ao menos comum, como se fosse uma fábrica abandonada ocupada por lojistas clandestinos.

Cheguei à conclusão que tinha de trabalhar para poder deixar lindens aos músicos quando assistia a concertos ao vivo, dos quais passei a ser uma espectadora assídua, mas também para poder mudar de roupa ou de aparência. Então comecei a ir para locais onde se ganhava dinheiro por estar a dançar, o que permitia adquirir bens básicos e comprar os produtos mais baratos. Como não tinha casa, decidi procurar uma ilha onde pudesse albergar-me, até que encontrei um local onde só viviam sem abrigos e resolvi ficar lá a viver também e quando me cansava de explorações ia para lá observar a entrada de avatares, lia as conversas deles e de vez em quando também falava com um ou com outro. Foi assim que conheci o Geo Meek, que tomava conta do local e que ganhava lindens a filmar casamentos no Second Life.

Para além disso, descobri que havia imensas festas e locais para dançar, mas o que mais me passou a atrair foram as ilhas ou as zonas dedicadas à arte, real ou virtual, de todos os géneros, desde as artes plásticas às artes cénicas. Até que um dia vi brasileiros a conversarem e mais tarde portugueses, o que me fez procurar no mapa por Portugal e começar a comunicar com falantes de língua portuguesa. As primeiras amigas que tive no Second Life foram a Guerreira, a Martinne e a Sophialan, mas também a Merck, que entretanto emigrou para uma ilha paradisíaca com o seu namorado americano, onde acabou por constituir família. Estas amigas, tal como todos os outros que fui encontrando, permitiram que a inserção social se processasse de forma pacífica e conseguiram criar-me o sentimento de pertença.

78 O estilo de roupa de muitos avatares no Second Life pode ser incluído na moda seguida pelos cyberpunks e cybergoths. Os primeiros vestem-se usualmente de negro e os segundos juntam o negro a

cores fluorescentes, utilizam acessórios no cabelo feitos de materiais utilizados usualmente para outros efeitos, como fios elétricos, para além de usarem máscaras, alertando contra a poluição. Tanto uns como outros defendem o pessimismo relativamente ao futuro, considerando que o mundo até agora existente está perto do seu final.

Nesta época, o deslumbramento com este mundo ainda fazia com que passasse horas a explorar, quer locais desconhecidos quer o comportamento das pessoas. Entretanto, aluguei uma loja de artesanato virtual ao Alma, que na altura tinha como objetivo principal encontrar artesãos que replicassem peças de artesanato português no metaverso, mas que se tornasse simultaneamente um local de troca de informações e também de encontros, como na realidade muitas vezes se tornou, sem nunca ter tido a função de vender seja o que for. Durante algum tempo, foi também esse um local de encontro entre amigos, como o Frapau e a Maria, o Fernando e o Sil, para além das que já referi e de muitos outros. Foi aqui que se realizou a primeira tertúlia sobre um tema polémico, o Sexo Virtual, posteriormente retomado numa das Conversas às Quartas, nas Imagens da Cultura, com o tema Encontros e Desencontros.

Figura 5 – Bankinha e CarmindaProenca, no Café Livraria Nova Águia

Apesar de durante meio ano, mais ao menos, ter tido uma vida social virtual bastante intensa, passando uma parte muito significativa do meu tempo em frente ao computador, consegui delinear os passos que deveria seguir para a consecução do

projeto que estava ainda a imaginar. Quando comecei a conhecer avatares com uma vida alternativa, como o Genius e o Jazz, que raramente iam ou se mantinham a dançar numa festa, por exemplo, também deixei gradualmente de passar tantas horas em atividades de suposto divertimento, dedicando-me a outras tarefas. Foi nessa altura que surgiram as

Conversas Vadias, realizadas no Café Livraria Nova Águia79, atividade em que apoiei a CarmindaProenca Magic, sendo a partir daí que passei a frequentar eventos organizados em ilhas portuguesas e por portugueses.

Também decidi, juntamente com os meus colegas de doutoramento e com o meu orientador, criar um edifício no Second Life para as Imagens da Cultura, originalmente parte do nome de um seminário que já existia na vida real, mas que aqui passou a ter uma função completamente diferente. A ilha onde se encontrava o edifício passou entretanto para as mãos da Linda, que posteriormente a decidiu trocar pela Costa de Aveiro, levando parte dos moradores com ela. Assim, este edifício e a loja virtual de artesanato foram também para um novo local, até que essa ilha desaparecesse e que os seus habitantes ou turistas se dispersassem. Foi nesta última ilha que, em 2010, surgirem os primeiros eventos nas Imagens da Cultura.

O Genius foi quem construiu os dois edifícios das duas lojas de artesanato e os três primeiros edifícios das Imagens da Cultura, que na atualidade se encontra no Minho, uma ilha agregada a Portugal Center, mas numa casa minhota, construída pelo JoaoLuis5858, também o construtor da ilha mãe. Desde a Gaia do Alma e da Costa de Aveiro da Linda, até a passagem, sempre incentivada pela Cleo e pela Marga, por Portucalis e a paragem definitiva no Minho, com o apoio incondicional da Ana Varghon, o meu percurso no grupo da comunidade portuguesa que pretendi estudar pautou-se pela empatia com a maioria dos frequentadores das ilhas mencionadas, o que não foi forçado nem premeditado, mas como aconteceu, acabou por condicionar a escolha da comunidade a estudar, assim como a sua delimitação.

79 De acordo com a própria Carminda:

«A Livraria era uma homenagem ao Agostinho da Silva e por isso passava as palestras dele na TV e e no prédio ao lado estava a casa dele no 3º andar e no 1º e 2º andares, a sedes do Movimento Internacional Lusófono - MIL (http://movimentolusofono.wordpress.com/) e da Revista NOVA ´AGUIA (http://novaaguia.blogspot.pt/2012/05/17-19-de-maio-no-acores-iv-coloquio-de.html).»

Figura 6 - Genius à porta da Gatafunhos, na Alma Land

Entretanto, ainda como moradora da Costa de Aveiro, passei a assistir a aulas, dadas por brasileiros ou portugueses, a conferências e seminários internacionais, para além de começar eu própria a organizar eventos, desde concertos de música ao vivo, exposições, até tertúlias e noites de poesia, que no entanto também já existiam anteriormente na comunidade portuguesa, tendo sido originalmente organizados pela Ana Varghon, o que aliás continua a fazer esporadicamente. Este envolvimento ativo exige sempre que se despenda algumas horas semanais no Second Life, para que o público se mantenha informado sobre os eventos e neles participe, mas com a consciência de que os participantes podem desaparecer de um momento para o outro, os grupos desagregarem-se e a ilha esvaziar-se.

No meu caso, o objetivo é que este envolvimento se mantenha e que possa continuar, neste ou noutro mundo virtual, a participar em encontros que nos permitam continuar a aprender, a dialogar, a experienciar e a explorar o metaverso. O seguinte quadro demonstra o meu percurso neste ambiente virtual, em que dediquei parte do tempo à socialização, acabando por me inserir numa faixa relativamente restrita da comunidade portuguesa, que reside ou participa assiduamente nos eventos realizados em ilhas portuguesas, que comunica usualmente na própria língua quanto está online e que demonstra outros interesses na permanência no metaverso para além do simples divertimento.

2008 2009 2010 2011 2012-2013 .Entrada no Second Life, a 19 de Junho .Adaptação e exploração do ambiente virtual .Noções básicas acerca da mudança de aparência .Início da socialização e primeiros contatos, assim como amizades .Organização da loja Gatafunhos e do edifício das Imagens da Cultura, numa das ilhas da Utopia, em Alma land, Gaia Portugal

. Conversas Vadias no Café Livraria Nova Águia, numa das ilhas da Utopia Portugal .Habituação ao Second Life .Início do Trabalho de Campo .Participação na peça de teatro I Wanna Be Uploaded .Organização de exposições e apresentações temáticas, na Costa de Aveiro e em Portucalis .Participação nas Noites de Poesia, realizadas na Costa de Aveiro, em Portugal Center, no Alentejo e em Portucalis .Utilização dos grupos do Facebook como apoio às atividades do Second Life .Organização de exposições e apresentações temáticas, em Portucalis .Noites de Poesia no SL, realizadas no Minho e em Portugal Center, no Alentejo e em Portucalis .Apoio dos informantes e entrevistados na consolidação das conclusões .Organização das Conversas às Quartas, em Peace, no Minho e em Portugal Center .Noites de Poesia no SL, realizadas em Peace, no Minho e em Portugal Center.

E depois desta deambulação pelo mundo virtual, terei de tecer um comentário à seguinte listagem das comunicações e conversas, sessões de poesia e de yoga do riso, aulas e testemunhos, albergadas nas Imagens da Cultura nestes dois últimos anos, pois a aprendizagem realizada com as pessoas que nelas participaram proporcionou-me a reflexão acerca das próprias questões colocadas inicialmente, assim como acerca dos pressupostos deste projeto de investigação. Para além de todas as que contribuíram para que pudesse entender o funcionamento do metaverso, assim como a possível dissociação entre mundo real e virtual, foi com estas pessoas e com as que já participaram ou ainda participam das Conversas às Quartas, mas também nas Noites de

Poesia no SL, que fiz este percurso, desde a entrada num mundo virtual completamente

estranho até sentir que fazia parte desse mundo e que ali posso colaborar com todos os outros participantes no desenvolvimento de projetos lúdico-educativos.

2010 Abril

7- CampwAter Piek e Kamal Verino - Inauguração do seminário no SL 14 - Genius Bikcin - Evolução na construção SL

21 - Spyvspy Aeon - Machinima

28 - Jazz62 Masala - Mostra de fotografia em WEB 3D Reviriato Merlin - Fotos RL no universo Metaverso

Maio

5 - Winter Wardhani - Solidariedade e Discriminação

VMNF Korpov - Aprendizagem no Second Life suportada pelo LMS Moodle 12 - Ana Varghon - A importância do design no dia a dia

PaulaJ Galicia - Corpo e identidade no Second Life 19 - Rafaela Avedon - Second Life: uma perspetiva pessoal Sophialan Bandler - Aventuras da Sophialan no SL

26 - Lena Bettencourt - Uma primeira abordagem sobre o SL como ambiente virtual de Aprendizagem

Afrodite Ewry - Arte, cultura e comunicação em ambientes virtuais Junho

2 - Andabata Mandelbrot - SLACTIONS;

Ams Rain - Da Aprendizagem Colaborativa à Comunidade de Prática 9 - Frapau Kling - A Projeção do Individuo e o retorno em emoções Guerreira Xue - Preconceitos na Rl versus imaginário no SL

16 - Palup Ling - Ideias sobre o património cultural nacional em Second Life CapCat Ragu - De Maria, de Mariana, de Madalena - arte e género no Second Life 24 - Eggy Lippmann - PLAYER: Play and Learn As Young EntrepreneuR

Zoree Jupiter - My Real Life art in Second Life

30 - Morgen String - Aprendizagem real no mundo virtual do Second Life Fidalgo Falta - Sombras de Luz, um olhar sobre o SL e a RL

Julho

7- CampwAter Piek - O jogo na era da interação digital: participação e alteridade Kamal Verino - Second Life: primeiros passos, primeiros contactos, primeiros olhares Outubro

13 – Arménio Pessoa - Divagações de uma pessoa-avatar no Second Life 20 – Amadeu Gazov – Second Life: 3 anos a navegar na costa…

27 – Eggy Lippmann – Como desenterrar o país da crise com empreendorismo inteligente Novembro

5 – Eunice Galaxy – Yoga do Riso parte I 10 – Silvanaf Demina - A minha segunda vida! 12 - Eunice Galaxy - Yoga do Riso parte II

17 - Fredyribeiro Writer - O Mundo Virtual também é Real Dezembro

8 – Hugo Morais - Artesanato real, artesanato virtual

2011 Janeiro

19 – Noite de Poesia nas Imagens da Cultura - Ousadia Fevereiro

2 - Hugo Morais - Conversas sobre artesanato

17 – Conversas às Quartas - Memórias do Second Life Março

2 – Conversas às Quartas – Amizades Virtuais 9 – Fejocama Ubble - Religiões no Second Life 16 – Conversas às Quartas - Atividade Física e Saúde

23 – Kamal Verino - Trabalho de campo em Antropologia no Second Life

30 - Ams Rain; Campwater Piek; Eunice Galaxy; PaulaJ Galicia - A utilização das Tic e do SL em contextos lúdico-educativos

Abril

6 - Campwater Piek - Os princípios de aprendizagem nos videojogos 13 - Genius Bikcin - Um mundo chamado SL: Criar e Construir 27 – Conversas às Quartas - Arte Real e Virtual

Maio

4 – Conversas às Quartas - Moda e massificação 11 - Conversas às Quartas - Porquê uma segunda vida? 18 - Betina Astride - eTICtar

25 – Conversas às Quartas - Infidelidade e paixões virtuais Junho

1 e 8 – Natem Andel - Noções Básicas de Construção no SL

15 – Amitaf Citron - Abordagem de aspectos fundamentais para o início de uma boa construção

22 – JoaoLuis5858 Foden - Aspectos fundamentais para o início de uma boa construção parte I

Julho

6 – JoaoLuis5858 Foden - Aspectos fundamentais para o início de uma boa construção parte II

28 – Eunice Galaxy - Yoga do Riso parte III Setembro

22 - Beto Sabretooth - Encontros e desencontros no mundo virtual Outubro

6 – PaulaJ Galicia - My life in Second Life Novembro

9 – Lena Lastchance - O poder das Imagens: Cinema, Internet e Televisão 23 – CapCat Ragu e Meilo Minotaur - Projecto Meta_Body

Dezembro

14 - Mysa Randt - Comunicação e Aprendizagem no Ensino Superior à Distância 29 – Jazz62 Massala - Anti Natal, disparatar com música de fundo

2012 Janeiro

17 - Eggy Lippmann e Miguel Rotunno – OpenSim: Osgrid and others 25 – Fejocama Ubble - The use of Second Life in the teaching of religion Fevereiro

1 – Butler2 Evelyn - Senses Places and Embodied Mixed Reality Interfaces 23 – Hugo Morais - As Máscaras da nossa Identidade

Março

7 – Andabata Mandelbrot - Uma Grid nacional de OpenSim

28 - Isor Portland - Ensino Baseado em Projetos: uma atividade pedagógica no Second Life

Abril

4 - Eunice Galaxy – Yoga do Riso parte IV

11- Vladimiro Renoir – Osgrid: cria a tua própria ilha

18 - Anemolif Petrovic - Um percurso, muitos encontros e um mundo de aprendizagens: como virtual e real se cruzaram na construção de um PLE

Maio

2 - Mirror Amorosi - Prazer e paixões no SL

16 – Eros Reinard - Role Playing Game: no reino da fantasia 30 – Eros Reinard -Role Playing Game: as Raças I

Junho

7 e 28 – Natem Andel - Alho Porro e Martelo de São João Julho

11 - Winter Wardhani - A igualdade da diferença

25 - Lena Lastchance - Behind every Avatar is a RL Human (parte I) Agosto

8 - Lena Lastchance e Sophialan Bandler - Behind every Avatar is a RL Human (parte II) Setembro

5 - ҒIԼIPє CѳßAԼT - Role Playing Game: as Raças II

19 - Sophialan Bandler e PaulaJ Galicia - Thinking as an Avatar Outubro

3 - Betina Astride e Bia Dreamstime - Take a TP to eTwinning 31 – Conversas às Quartas - Noite de Bruxedos e Bruxarias Novembro

28 - Janjii Rugani – A construção do avatar: interculturalidade, transnacionalismo e género (parte I)

Dezembro

5 - Janjii Rugani – A construção do avatar: interculturalidade, transnacionalismo e género (parte II)

2013 Janeiro

23 - Bia Dreamstime - CDU ou como arrumar o conhecimento Fevereiro

6 – Wan Laryukov - Perspetivas acerca da Arte no Metaverso (parte I) 20 – Butler2 Evelyn - Perspetivas acerca da Arte no Metaverso (parte II) Março

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