5.3 Synth`ese et conclusion
6.1.1 Introduction : pourquoi avons-nous besoin de mod´eliser ?
Quando as perguntas focam a ideia de futuro, otimismo e capacidade de assumir riscos e enfrentar desafios as respostas em geral demonstraram que os que se autoconsideram bem-sucedidos e os que ainda não se consideram bem-sucedidos têm uma vantagem maior sobre os demais grupos em relação a otimismo, felicidade e capacidade de enfrentar as adversidades, como era de se esperar. Como muitos dos respondentes da pesquisa fizeram alguma menção à felicidade com o significado de bem-sucedido cruzar a afirmação “de modo geral eu me considero feliz” com a auto-atribuição de sucesso torna-se muito relevante. Entretanto, podemos observar que a grande maioria dos respondentes se considerou feliz. A porcentagem de pessoas que marcou não se aplica ou se aplica pouco, para essa afirmativa foi mínima, entre os bem-sucedidos foi apenas de 3,3%, dos ainda não bem-sucedidos foi de 6,25%, dos bem-sucedidos em parte foi de 10,53% e dos não bem- sucedidos foi de 22,22%. Podemos observar que os bem-sucedidos se veem significativamente mais felizes do que os outros grupos, confirmando a relação felicidade e
157 sucesso, observada nas respostas sobre o significado de bem-sucedido, que relacionam o sucesso ao ser feliz. Isso denota que, quanto mais se considera bem-sucedido, maior é a tendência a se considerar feliz. Contudo, as respostas não foram suficientemente relevantes para se considerar a felicidade como sinónimo de sucesso. Sabemos que, quanto se diz “ainda não” é porque se tem esperança, o que contribui para a ideia de felicidade, assim como os que dizem “em parte” se sentem capazes de alcançar o sucesso, em pelo menos alguma área, o que, de alguma forma, os torna mais satisfeitos que os “não bem-sucedidos”. Entretanto, o alto número de pessoas felizes entre os não bem-sucedidos sugere que o sucesso e a felicidade não estão tão relacionados, quanto parecem, numa situação de causa e efeito, ou que, talvez os respondentes foram mais flexíveis nessa afirmação. De qualquer forma, insucesso não é sinónimo de infelicidade.
Na afirmação “Sou otimista com relação ao meu futuro” feita pelos que se consideraram bem-sucedidos, somente 7,73% consideraram que não se aplicava ou se aplicava pouco, contra 23,68% dos bem-sucedidos em parte, 25% dos ainda não bem- sucedidos e 33,33% dos não bem-sucedidos. Como essa afirmativa refere-se ao otimismo futuro e não ao facto de se considerar uma pessoa otimista ou não, a intenção aqui é compreender a esperança em relação ao futuro, no momento presente.
Já na afirmativa sou pessimista queremos avaliar a intensidade desse autoconceito e se a pessoa se compreende pessimista ou não. Essas duas afirmativas sobre o otimismo e pessimismo, apesar de serem parecidas são diferentes, pois quando se fala sobre o otimismo a pergunta refere-se a uma visão de futuro, de acordo com o que se tem no presente e não a uma forma de “ser” e a outra se refere a uma tendência a fazer interpretações sob um viés negativo. É como se o otimismo aqui se referisse a boas expectativas quanto ao futuro e o pessimismo fosse um comportamento que fizesse parte da sua visão sobre si mesmo. Quanto ao pessimismo observamos que apenas 9,39% dos bem-sucedidos se autoconsidera dessa forma, contra 21,88% dos ainda não bem-sucedidos, 30,56% dos não bem-sucedidos e 39,47% dos bem-sucedidos em parte. Comparando os dois resultados, podemos observar que nos dois casos os bem-sucedidos se saíram melhor que os demais e que mesmo assim as porcentagens, entre os que não se consideraram otimistas e os que se consideraram pessimistas, estavam aproximadas, com exceção dos bem-sucedidos em parte que se apresentaram muito mais pessimistas, e cuja diferença foi bastante significativa. Apesar de somente 23,68% dos bem sucedidos em parte terem considerado que o otimismo não se
158 aplicava ou se aplicava pouco, nesse mesmo grupo, 39,47% consideraram-se pessimistas, marcando as opções se aplica, se aplica muito e esse aplica totalmente, o que deu quase o dobro. Isso exemplifica que uma pessoa que se considere pessimista, pode ainda assim ter boas expectativas com relação ao futuro. Isso denota que esses que se consideram em parte bem-sucedidos são os mais pessimistas no geral, até mais que os não bem-sucedidos, mas apesar disso eles têm mais otimismo em relação ao futuro quando comparados com os não bem-sucedidos e os ainda não bem-sucedidos. Talvez, neste caso a noção de sucesso seja moderada exatamente devido a essa tendência pessimista, que pode comprometer a auto- avaliação que fazem de si mesmos. Ou talvez eles sejam mais realistas e menos idealistas do que os outros. Na afirmativa, encaro as dificuldades como oportunidades e desafios, as respostas dos quatro grupos equipararam-se, com uma pequena vantagem para os bem- sucedidos, mas, nesse caso, os não bem-sucedidos apresentaram uma percentagem maior no se aplica, se aplica muito e se aplica totalmente. Além disso os que menos concordaram com essa afirmativa foram os ainda não bem-sucedidos, o que é algo surpreendente, uma vez que essa afirmativa parecia encaixar-se com o mindset de crescimento que o grupo do ainda não sugeriria, de forma que o provável seria uma percentagem maior desse grupo nessa afirmativa, entretanto como foi aventado anteriormente, é possível que façam parte desse grupo alguns otimistas irrealistas. Por outro lado, na afirmativa: encaro as dificuldades como problemas impossíveis de serem solucionados, o grupo do ainda não foi o que menos concordou com essa afirmativa, superando inclusive os bem-sucedidos, voltando a relacionar os resultados desse grupo à teoria dos mindsets.
O equilíbrio emocional e a capacidade de se recuperar de situações adversas pode ser observado nas respostas da seguinte afirmativa: “quando as coisas dão errado em minha vida, geralmente levo muito tempo para voltar ao normal”. Nesse caso, mais uma vez, os bem-sucedidos demonstraram uma maior habilidade emocional, pois apenas 19,89% concordaram com essa frase, contra 28,13%, do grupo do ainda não sou bem-sucedido, 42,11%, dos bem-sucedidos em parte e, por fim,, 50%, dos não bem-sucedidos.
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Tabela 7.2: Otimismo/ Pessimismo/Riscos
A maior surpresa do grupo de afirmativas deu-se com a afirmativa: “Gosto de me arriscar, experimentar e tentar coisas novas”. Uma ideia geralmente associada ao sucesso é a capacidade de arriscar e de empreender, entretanto o grupo que mais concordou com essa afirmativa foi o não bem-sucedido com 83,33%, seguido do ainda não bem-sucedido com 75%, bem-sucedido com 72,93% e o bem-sucedido em parte com 71,05%. Levando em conta que, nas outras perguntas sobre arriscar-se e sobre a forma de compreender os problemas como oportunidades, os bem-sucedidos e os ainda não bem-sucedidos se saíram melhor do que o não bem-sucedido, podemos interpretar essa resposta supondo que esses bem- sucedidos que não gostam do risco, talvez se arrisquem menos e enfrentem as dificuldades de forma mais tranquila e segura, não por procurarem esse tipo de situação, mas aproveitando-se desse tipo de situação. Neste caso, parece que os não bem-sucedidos
160 apresentam um maior gosto pelo risco que pode estar demonstrando uma tendência a impulsividade para o risco, lida desta forma pelo facto deles se considerarem não bem- sucedidos. Whitmore (2012) chama a atenção para a autoconsciência e a responsabilidade para se ter “sucesso”. Claro, que o sucesso aqui referido por ele é no sentido do sucesso económico, mas independente disso a falta de habilidade para avaliar riscos e o imediatismo são prejudiciais. Esse resultado pode estar apresentando que os não bem-sucedidos têm uma tendência a um otimismo irrealista, até porque esse grupo na sua maioria se autoconsiderou otimista. Talvez por essa característica impulsiva aliada a falta de ações responsáveis e organizadas eles possam acabar se frustrando e se considerando não bem-sucedidos.
Entretanto, em relação à frase: “Preso a segurança e tenho dificuldade de me arriscar”, encontramos 37, 5% dos ainda não bem-sucedidos que concordam com essa afirmativa, seguidos pelos bem-sucedidos, com 47, 51%, pelos não bem-sucedidos e pelos em parte bem-sucedidos, ambos com 50%. O grupo dos não bem-sucedidos, no entanto, que gosta de se arriscar, valoriza a segurança, o que pode sugerir que exista, nesse grupo, pessoas paralisadas pelos insucessos anteriores, que já se arriscaram porque gostavam, mas que, após o fracasso, se mostram mais preocupados com a segurança. Pode haver também aqueles que nunca se arriscaram ou se arriscaram pouco e, por isso, permanecem paralisados. Isso demonstra que os ainda não bem-sucedidos têm menos dificuldades em assumir riscos, do que os outros grupos. Cabe aqui reforçar que não tivemos acesso a pesquisas que confirmam as vantagens e desvantagens de assumir riscos e que as hipóteses aqui aventadas se baseiam em suposições, amparadas nas respostas coletadas. No caso dos riscos, é importante lembrar que riscos são inevitáveis, em muitos momentos, e que a capacidade de enfrentá-los ajuda a vencer desafios, a crescer e a desenvolver-se, entretanto, a coragem sem responsabilidade tornar-se perigosa.
7.3 As crenças e comportamentos com relação aos relacionamentos e a interação com