5 Méthode générale
5.4 Procédure de sécurité
A análise da bibliografia é um levantamento da bibliografia de design, dos assuntos mais abordados pelo designer no âmbito profissional e educacional, seguido de análise dos conteúdos bibliográficos para identificação da relação com conteúdos de psicologia presente direta e/ou indiretamente nos mesmos. Foi feita a análise porque não há relatos ou estudos específicos que explicitem tal relação.
Nesta pesquisa foi investigada na bibliografia de design a existência de conteúdos que contivessem ligação com a psicologia, note-se que sem intenção de realizar crítica a bibliografia. O objetivo da análise foi detectar, através de conteúdos do design, a ligação do design com a psicologia, para a partir desta identificação sugerir conteúdos específicos de psicologia que possibilitem
ao designer um entendimento do funcionamento psíquico dos indivíduos e de como aplicar tais conteúdos na sua prática profissional.
Etapas do processo
1 - Levantamento dos assuntos mais utilizados pelos designers 2 - Levantamento dos livros que contêm os assuntos
3 - Averiguação, de presença direta ou indireta, de conteúdos de psicologia, nos livros escolhidos.
4 - Identificação dos assuntos específicos de psicologia
5 - Identificação de como os conteúdos específicos de psicologia estão ligados ao design. Tabela 2.01 - Etapas do processo
O levantamento dos assuntos e a escolha dos livros foram realizados através de indicações informais feitas por professores de design, sendo estes, cinco doutores e um mestre, todos da Universidade Federal de Pernambuco, os quais sugeriram os assuntos e livros mais utilizados como referência em sala de aula. Este levantamento também foi feito através de pesquisa em bibliotecas da Universidade Federal de Pernambuco, onde partindo dos assuntos sugeridos, foram escolhidos livros que são encontrados disponíveis para os alunos.
A busca pelos assuntos mais freqüentes utilizados pelos designers também se deu através da análise de 52 grades curriculares dos cursos de design de faculdades brasileiras.
Os assuntos são: Design de interação; ■ Ergonomia; ■ Gestão de design; ■ Usabilidade; ■ Semiótica; ■ Design Industrial; ■ Design Gráfico; ■ Estética. ■
Nos livros escolhidos realizou-se uma averiguação da presença ou ausência de conteúdos de psicologia com objetivo de identificar assuntos que tivessem relação direta, indireta, ou nenhuma relação com estes conteúdos de design.
Foi feita uma tabela de demonstração dos assuntos, livros, capítulos dos livros que contêm relação com psicologia, conteúdos específicos de psicologia utilizados na relação design e psicologia, e, a situação da relação: se é direta (quando contém explicitamente assuntos de psicologia), indireta (quando contém implicitamente assuntos de psicologia) ou nenhuma. O levantamento completo pode ser visualizado no anexo 1 deste trabalho.
[ Apresentação dos resultados ]
Foram verificados nove (9) livros, onde seis (6) têm assuntos diretamente ligados à psicologia, dois (2) têm assuntos ligados indiretamente a psicologia e um (1) não apresenta assuntos ligados a psicologia, conforme apresentado na tabela 2.02.
Situação de interação dos conteúdos bibliográficos de design e psicologia.
Livros analisados
Diretamente ligados
Ligados
indiretamente Não apresenta assuntos ligados
PREECE J.; ROGERS y.; SHARP H., 2005. Design de Interação: além da interação homem-computador.
MARTINS, N., 2005. A Imagem Digital na Editoração: manipulação, conversação e fechamento de arquivos.
LOBACH, B., 2001. Design Industrial: bases para a configuração dos produtos industriais.
KAMINSKI, P. C., 2000. Desenvolvendo produtos com planejamento, criatividade e qualidade.
LAVILLE, A., 1977. Ergonomia. PALMER, C., 1976. Ergonomia.
COLEÇÃO, DESIGN, TECNOLOGIA E GESTÃO, 1997. Manual de Gestão de Design.
NOTH, W. Panorama da Semiótica: de Platão a Pierce
NORMAN, D. A. O design do dia-a-dia; traduação de Ana Deiró. Rio de Janeiro; Rocco, 2006.
Tabela 2.02- Situação dos livros pesquisados.
É possível verificar na tabela nos anexo 1 que quase todos os livros apresentam conteúdos de psicologia mesclados com os conteúdos de design, o que explicita a interdisciplinaridade entre estes dois campos do saber. Na tabela 2.03 é possível verificar, mais sucintamente, a maneira como estes conteúdos estão interligados.
Capítulo do livro Interdisciplinaridade com psicologia Entendendo os Usuários.
A elaboração de interfaces que atendam às
necessidades dos usuários, bem como facilitem seu uso.
Conceitos Usados:
Percepção, cognição e emoção.
Tal teoria defende que é fundamental conhecer o que se “passa na mente das pessoas (como funcionam psicologicamente) para elaborar projetos que apresentem resultados satisfatórios no que se refere à interação entre o homem e a interface.
Compreendendo como as Interfaces Afetam os Usuários.
Segundo Preece; Rogers; Sharp (2005), “refere-se ao crescente interesse dos designers em projetar produtos interativos que provoquem tipos específicos de respostas emocionais nos usuários, motivando-os a aprender, jogar, ser criativos e sociáveis.
Conceitos usados:
Emocionais: o que são afetos e seus aspectos; princípios de frustração e como lidar com a frustração dos usuários.
Como criar interfaces expressivas.
A Cor na Imagem Digital
Trata da percepção das cores e das características das cores na imagem digital.
Conceitos usados: Percepção das cores.
Estética do Design Industrial.
Refere-se à estética como sendo a percepção e o significado da aparência dos objetos.
Conceitos usados: Percepção;
A relação da emoção e da intelectualidade com a percepção.
Configuração Simbólico-funcional de produtos industriais.
Trata de questões referentes a quando e como as funções simbólicas e estéticas são preponderantes à função prática
Conceitos usados: Função simbólica
Pierce e as Bases Semióticas do Paradigma
Cognitivo Conceitos usados:Ciência Cognitiva.
É questionado se a semiótica e a cognição são irmãs. Pois o autor afirma que todo pensamento é um signo que deve se dirigir a outros signos, sendo esse o processo de construção e utilização de modelos mentais.
Principais Elementos do Trabalho.
Trata da questão de que operador e tarefa não podem ser dissociados, devendo ser estudados em conjunto.
Conceitos usados:
Percepção: como os indivíduos recebem os estímulos.
Obs.: este assunto é colocado de forma muito indireta.
Sistema Humano.
Refere-se a importância de se conhecer as capacidades físicas e mentais do ser humano, para melhor trabalhar a relação homem-máquina (artefatos).
Conceitos usados: Sistema nervoso
Motivação
Objetiva o entendimento dos aspectos presentes no ajustamento do trabalhador à ocupação e da ocupação ao trabalhador.
Conceitos usados: Psicologia ocupacional.
Comunicação entre pessoas.
Trata da questão da necessidade da boa comunicação para aumentar o nível de desempenho da força de trabalho.
Instrumentos e pessoas.
Este capítulo trata de questões de adaptação conjunta entre homem-máquina.
Conceitos usados:
Influência do ambiente na percepção
Percepção.
Refere-se à quantidade de informação recebida e como o cérebro às recebe e processa.
Conceitos usados: Percepção
Psicologia Ergonômica ou ergonomia psicológica. Trata de questões pertinentes a como a psicologia é vista e utilizada na ergonomia,
Conceitos usados: Psicologia cognitiva,
O Design do Dia-a-dia. (Todo o Livro) Conceitos usados:
Psicologia cognitiva, percepção.
O autor relaciona a importância de usar conceitos sobre os modelos mentais das pessoas e de como as mesmas percebem os objetos tendo em vista o uso dos modelos para decodificação. Afirma que se forem utilizados tais conhecimentos serão realizados projetos com um ‘bom design, já que este será centrado também no usuário.
Tabela 2.03 - Interligação dos conteúdos bibliográficos de design e psicologia.
[ Comentários sobre o resultado da análise da bibliografia de design ]
Foi verificado que há uma estreita e importante relação entre design e psicologia nas bibliografias de design. Esta relação foi constatada nos conteúdos dos livros verificados, uma vez que os assuntos de psicologia estão inseridos e mesclados com conteúdos de design. Este resultado suscita a seguinte questão: até que ponto uma compreensão e uso adequado dos conteúdos de psicologia inseridos no design são realizados sem acesso prévio aos fundamentos da psicologia? Isto sugere que o designer, para compreender e fazer uma boa aplicação dos conteúdos da psicologia no seu trabalho deveria ter um conhecimento básico de tais conteúdos de psicologia.
Ao identificar a interação direta e/ou indireta na relação design e psicologia, foi percebido que esta aconteceu sempre nos assuntos que tratam da interação entre o indivíduo e o artefato, ou seja, a relação do design com a psicologia está ligada, basicamente, ao uso do artefato depois de pronto (com exceção do autor Donald Norman) não havendo explicitamente uma preocupação em aplicar os conhecimentos sobre o funcionamento psíquico dos humanos na metodologia do design. A preocupação em relação aos humanos está mais voltada para questões acerca da estrutura física, que é um ponto da preocupação da ergonomia. Mesmo quando se trata da ergonomia cognitiva, a preocupação é centrada na interação do usuário com o artefato depois deste pronto, onde se verifica como as pessoas percebem e interagem com o artefato.
Mediante os resultados apresentados é deflagrada uma necessidade de conhecimentos básicos sobre psicologia para se realizar um estudo satisfatório dos assuntos, dentro do design, que exigem o entendimento do funcionamento psíquico humano.