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5. PROCESS AND METHODOLOGIES FOR SELECTION OF AFR FACILITIES

5.4. Problem solving techniques

Respostas a algumas destas questões estão intimamente relacionadas ao debate sobre a crise do Estado e a falência do padrão de financiamento da economia brasilei­ ra implantado com o golpe de 64. Padrão de financiam ento é um conceito complexo, regularmente confundido com o próprio sistema financeiro, conforme GOLDSTEIN

(1994). Significa, genericamente, a forma como os recursos são mobilizados na eco­ nomia. Portanto, o padrão de financiamento depende

“de como se dá a articulação do conjunto de agentes responsáveis pela mobilização dos fundos. Ou seja, resulta, antes de mais nada, das re­ lações de poder existentes entre o Estado e o setor privado nacional, o Estado e o resto do mundo, o setor privado nacional com o resto do mundo, e entre os diferentes segmentos do setor privado doméstico entre si - setores produtivo, bancário e agrário - além das relações entre estes três agentes - Estado, capital nacional e capital internacional - e os dife­ rentes segmentos da classe trabalhadora” (GOLDSTEIN, 1994, p. 58).

O padrão de financiamento do crescimento econômico delineado pelos gover­ nos militares foi, em seus aspectos mais significativos, dependente do Estado e de empréstimos do exterior. O desenvolvimento industrial tardio exigiu recursos em vo­ lume e em prazo de maturação altos demais para o nível de risco apreciado pelo em­ presariado privado. “Em outras palavras, o empresariado era “fraco” para, sozinho, liderar o processo de industrialização do país” (GOLDENSTEIN, 1994, p. 62). A pre­ sença do Estado na implantação da infra-estrutura industrial e no fomento à industria­ lização não afetou as relações de poder tradicionais estabelecidas entre as elites urba­ nas e rurais - pelo menos, não a ponto de eliminar setores economicamente atrasados e historicamente abençoados por privilégios decorrentes do domínio do aparelho de Estado8.

O movimento de concentração, centralização e internacionalização do sistema financeiro nacional, resultante da Reforma Bancária de 1964, não trouxe como conse­ qüência o incremento da poupança bancária em níveis suficientes para o fomento da economia. O sistema financeiro privado atuou como peça secundária do modelo de desenvolvimento implantado no período do “milagre econômico”, intermediando cré­ ditos provenientes do exterior. “A diversificação e ampliação da intermediação finan­ ceira (...) propiciou uma formidável expansão do setor de bens de consumo durável, especialmente a indústria automobilística e a construção civil - [mas] nunca se conse­ guiu viabilizar uma estrutura privada de financiamento de longo prazo que garantisse 41

8 F i o r i (1995a e 1995b) desenvolve seu conceito de "fuga para a frente” a propósito das estratégias adotadas pelas elites para escapar dos desafios que, im postos pelo crescim ento econôm ico, poderiam afetar interesses de segm entos do empresariado (rural ou urbano) representado pelas coalizões que têm ocupado o poder no país.

a captação e os empréstimos no montante necessário aos empreendimentos de maior escala e prazos de maturação”(GOLDENSEiN, 1994, p. 69-70). O “milagre” ampliou algumas contradições entre os banqueiros e empresários não-financeiros, porque o crédito, na opinião do empresariado brasileiro, era direcionado preferencialmente às transnacionais9

O segundo choque do petróleo e a elevação das taxas de juros do crédito inter­ nacional rarearam a migração de recursos fundamentais para a manutenção das taxas elevadas de crescimento econômico no Brasil, a partir do início dos anos 8010. A crise no padrão de financiamento da economia mergulhou o país na “década perdida”, em boa parte graças às dimensões modestas dos haveres bancários. Entre outras conse­ qüências, a economia viu-se envolta em inflação crescente e no constante aprofunda­ mento do déficit público.

Os banqueiros privados haviam se endividado no exterior nos anos 70, o que permitiu o crescimento de sua vocação para a especulação financeira, consolidada na < década seguinte. (Minella, 1988, p. 451). Elevadas as taxas de inflação, os bancos se especializaram nos mecanismos que multiplicam o dinheiro sem a exigência de agregar valores a bens de consumo. O resultado foi um crescimento brutal da importância do setor em relação ao resto da economia: os bancos alcançaram os anos 90 com uma participação incomparável na renda nacional. Se em 1960 o sistema financeiro movi­ mentava 3% do PIB, em 1989 este índice chegava ao pico de 24,1%.

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9 Da necessidade de financiam ento do desenvolvim ento decorreu a m ultiplicação do número de ban­ cos públicos estaduais e federais nas décadas de 5 0 e 60, e seu fortalecim ento em paralelo às fases de crescim ento econôm ico (Co e l h o, 1993, p. 38). Mas esse "sistema financeiro público descentralizado não tem alavancagem suficiente para financiar a industrialização, e, sujeito à m anipulação política, referenda os esquem as de poder existentes, contribuindo para "salvar” certos setores” (Go l d e n s t e in, 1 9 9 4 , p. 6 4 ).

10 N os anos 70, o Brasil absorvia cerca de 10% do crédito disponível no mercado mundial. Em 1993, o percentual caiu para 1,1%. Folha de S. Paulo. 19/03/95, p. 1-18.

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Tabela 2 - Participação do

setor financeiro no PIB (%)

Ano Percentual 1980 8,3 1981 10,9 1982 10,9 1983 13,1 1984 12,4 1985 12,4 1986 8,0 1987 15,4 1988 15,4 1989 24,1 1990 12,3 1991 8,1 1992 9,0

Fonte: IBGE/Revista Trevisan, G azeta M ercantil, 14-16/10/94, p. 17

Os banqueiros foram estigmatizados como “sócios da inflação”, uma imagem pública relacionada ao dinheiro fácil obtido com as taxas inflacionárias que martiriza­ vam outros setores produtivos. “Os banqueiros têm uma imagem terrível no Brasil. A Febraban deveria ter um porta-voz ligado à imprensa para provê-la de informações sobre o papel dos bancos e dos banqueiros na sociedade. Os problemas de imagem se originam da falta de unidade entre os banqueiros”, afirmou um empresário financeiro em 1989 ( Ma k l e r, 1992, p. 17).

V Em conseqüência da nova legislação que permitiu a criação de bancos múltiplos, a partir de 1989 o número de instituições financeiras voltou a crescer. Foram criadas empresas especializadas na gestão de portfolios financeiros destinados a aplicações especulativas. Grupos econômicos de origem industrial ou de serviços também cria­ ram pequenos bancos, como parte de políticas para enfrentar taxas elevadas de infla­ ção. Os grandes bancos apostaram no “floating’’ - remuneração obtida com a aplica­ ção dos depósitos à vista mantidos pelos clientes em contas-correntes -, que chegou a representar um ganho mensal equivalente a 30% do faturamento do sistema. Por isso, investiram também na “capilaridade” da rede de agências (ou seja, na sua distribuição para alcançar o maior número possível de depósitos).

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Tabela 3 - Evolução das sedes bancárias no Brasil (1980-93)

A no Bancos com erciais Bancos m últiplos Bancos de desenvolvimento Caixas econômicas Total da área bancária 1980 112 - 13 5 130 1981 111 - 13 5 129 1982 115 - 13 5 - 133 1983 112 - 13 5 130 1984 110 - 13 5 128 1985 107 - 13 5 125 1986 105 - 13 5 123 1987 103 - 13 5 121 1988 106 - 13 5 124 1989 66 113 12 5 196 1990 50 166 10 3 229 1991 45 180 9 2 236 1992 36 198 9 2 245 1993 37 206 8 2 253

Fonte: Banco Central do Brasil

v O Plano Cruzado, em 1986, alertou os bancos para a necessidade de realizarem ajustes para o caso de haver estabilidade econômica e inflação baixa. Desde então, não contiveram seus haveres nos cofres e na ciranda financeira. O lucro dos anos de inflação alta foi convertido em propriedade de bens na economia real. Os bancos mul­ tiplicaram os investimentos sob a forma de participação acionária em empresas de diversos setores da economia, constituindo poderosos grupos financeiros. Os seis maiores grupos controlados por capital bancário estavam entre os 20 maiores grupos econômicos do país em 1993 (três deles entre os dez maiores) - e esta participação tendia a se ampliar.

Tabela 4 - Os maiores grupos financeiros do Brasil em 1993

Nome Pai. Líq. (US$ mi) Pos. entre os maiores grupos

Itaúsa 2.877,9 2o Bradesco 2.750,2 3° Garantia 1.255,9 9° Bamerindus 888,6 15° Real 800,8 18° Bozano, Simonsen 670,7 19° Unibanco 639,3 22° Nacional 561,3 28° Finasa 522,2 31° Econômico 518,2 j 32°

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No início dos anos 90, os bancos detinham, em escala significativa, ações em ramos tão distintos quanto agroindústria, textil, mineração, metalurgia, desenvolvi­ mento de hardware e software. A presença significativa dos bancos desde o. princípio do processo de privatização de empresas estatais, em outubro de 1990, foi uma res­ posta à demanda por diversificação dos ativos. Era bom negócio comprar empresas que, em geral, haviam acabado de receber investimentos, aumento dos preços dos bens e serviços e reestruturação operacional, incluindo incentivo a demissões. Mas também uma aposta de caráter ideológico, coerente com o apoio explícito concedido pelo empresariado à nova agenda de política econômica proposta pelo candidato vito­ rioso na primeira eleição direta à Presidência, Fernando Collor de Mello, em 1989, cujos itens principais permaneceriam referência durante os governos que sucederam seu breve mandato - privatizações e reforma do Estado, e abertura do mercado inter­ no às importações.

Tabela 5 - Empresas controladas pelos grupos financeiros

Cinco maiores bancos privados brasileiros em

liderados pelos

1993

G rupo Em presa S etor ou ram o Pat. Líq.

(US$ mi)

Tipo de con trole

Bradesco P irelli Pneus Autopeças 169,9 Minor. (10,08% )

Bradesco Brasm otor SA Holding (Motores,

eletrodom ésticos)

293,9 Major. (3 1 % )a

Bradesco São Paulo Alpargatas SA Têxtil 226,5 Minor. (1 7 ,8 % )b

Bradesco N itroclor Prod. Q uím icos SA Química/Petroq. (15) Minor. (5 % )0

Bradesco Policarbonatos do Brasil SA Química/Petroq. 11,4 Minor.

Bradesco M oinho Flum inense SA Inds. Gerais

A lim entos 127,5 Minor. (10,53% )

Bradesco M oinho Santista Inds. Gerais A lim entos 161,6 Minor. (11,40% )

Bradesco M anah AS Adubos 66,0 Minor. (10,06% )

Bradesco Cia. Hansen Industrial Holding 230,0 Minor. (15,25% )

Bradesco Cia. Siderúrgica Belgo- Mineira

Metalúrgica (A ços não planos)

924,3 Minor. (10,63% )

Bradesco B a sf da A m azônia SA Eletroeletrônicos 12,2 Minor. (20%)

Bradesco D igilab - Lab. Digital Ltda. Informática (periféri­ cos)

n/d Major. (75%)

Bradesco Scopus T ecnologia SA Informática (com puta­

dores)

86,1 M a jo r .d

Bradesco Artex SA Fábrica de Artefatos Têxteis

Têxtil 50,3 Minor. (9 ,9 4 % )e

Bradesco Tupv AS H olding (M etalúrgico) 74,3 Minor. (23,8% )

Bradesco Pátria Cia. Bras. Seguros Gerais

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Itausa Cia. do Jari Holding (Metalúrgico) 181,6 Minor. (2 ,7 2 7 % )g

Itausa Serasa- Centralização de Ser­ v iços Bancários SA

Serviços diversos 4,1 Minor. (12%) h

Itausa P hilco da Am azonia SA Eletrodom ésticos (som e im agem )

51,9 Major. (97,7% )

Itausa Prod. Quím. Elekeiroz SA Química 53,0 M a jo r.1

Itausa A lcatel AS Telecom unicações

(centrais telef.)

38,5 Minor. (3 1 ,8 7 % )J

Itausa Duratex AS Laminados e com pen­

sados

405,9 Major.

Real A ços M inas Gerais SA - A çom inas

Metalurgia (aços sem i­ acabados e planos)

2.792,3 Minor. (3 ,2 3 % )!

Real Cia. de A ços Especiais Itabira - Acesita

Metalurgia (aços espe­ ciais)

435,5 Minor. (5,35% ) m

Real Cia. Transamérica de Hotéis - São Paulo/Nordeste

Hotéis 61,4 Major.

Real C im ento Portland Itaú SA Cimento 388,4 Minor.

Bam erindus lnpacel - Ind. de Papel Ara- poti AS

Celulose e Papel (36,6) Major.

Bam erindus Umuarama Partie. S/C Ltda Holding 234,3 Major.

Bam erindus Quatro Rodas Hotéis do Nord­ este AS

Hotéis 12,6 Minor.

Bam erindus Cia. Siderúrgica Nacional Metalúrgica (Aços semi-acab. e planos)

3.777,1 Minor. ( 9 , i r / o ) n

Bam erindus Copesul - Cia. Petroquímica do Sul

Petroquímicos básicos 7 77,0 M inor (2,65% ) Bam erindus Fertilizantes Fosfatados SA

Fosfertil

M inerais fertilizantes 261,3 M inor (5,72% )

U nibanco Sul Am érica Unibanco Segu­ radora

Seguros e previdência 61,2 Minor. (36,4)

U nibanco Cia. Siderúrgica de Tubarão Metalúrgica (aços sem i­ acabados e planos

1.832,2 Minor. (1 0 % )0

Unibanco Credicard SA Admra. de Cartões de Crédito

Cartões de crédito 20,8 M inor (1/3) p

U nibanco Prever SA Seguros e Previ­ dência

Previdência privada 11,4 M inor (1/3) q

U nibanco Itaparica SA Empr. Turísticos Hotéis 46,2 M inor (30%)

Fontes: Balanço Anual, Gazeta Mercantil, 94/95. Guia Intermvest, 1994. a . Itaú 9,03%; Unibanco 5,32%

b. Brasmotor 22,9%; Itaú 5,3% c. Unibanco 5%

d. Controle da Digilab

e. Controle do Grupo Garantia (2/3)

f. A Bradesco Seguros era líder do setor etn que a Patria ocupava a sétima posição em 93 g. 20 cotas iguais divididas entre varios investidores, incluindo Unibanco e Bamerindus h. Controle dividido em varios bancos

i. Controle da Philco

j. Controle da Unifina Imob. e Part. Ltda.

1. BCN 10%; Económico 10%; Bemge 4,19%; Credireal 3,23%; Bradesco 2,69% m. Banco do Brasil 2,30%; Safra 8,36%; Bancesa 4,05%; Bamerindus 0,15%. n. Bradesco 7,66%; Real 2,47%; Nacional 4%

o. Controle do Bozano, Simonsen p. 1/3 Citibank; 1/3 Itaú

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