2. STORAGE CONDITIONS, METHODS, AND SERVICES
2.2. Technical options for storage
2.2.4. Dry storage
Buscou-se o status do enunciador (FISCHER, 2001), isto é, o lugar institucional, o campo de saber em que os sujeitos estão inseridos, suas competências, como se relacionavam, hierarquicamente, com outros poderes. Neste sentido, sem intenção de averiguar a história, os acontecimentos e enunciados aparecem casualmente e não têm finalidades gerais ou específicas, nem mesmo definições prévias.
Os discursos dos participantes, entendidos como sujeitos, que participaram da pesquisa, proferiram discursos e ocuparam posições à respeito deles – sujeito no sentido de “posição” a ser ocupada (FICHER, 2001).
Começando pelos seis educadores que realizaram três encontros de um grupo focal: sujeitos com cargos ou funções de professores e vice-diretores (equipe gestora), funcionários públicos brasileiros de uma rede municipal de ensino vivendo em uma época em que a sociedade sofre mudanças com relação à globalização, informatização, valores morais e sociais. Há falta de valorização do trabalho escolar (professor e diretor), sendo mal remunerados e com pouca formação inicial e continuada para lidar com as novas gerações ligadas às tecnologias e internet. Nesta conjuntura, tudo que estes docentes e diretores falaram nos encontros do grupo focal, correlaciona-se à época, ao lugar e a própria profissão.
Os docentes e vice-diretores falaram à respeito da sua profissão, como o caso do Interlocutor 2, que logo de início desabafa:
Falta de respeito! Em casa ele não faz! Mas na escola ele faz! Tem regras em casa que ele cumpre e na escola ele não cumpre! No serviço ele vai cumprir! Por quê? Porque no serviço se ele não cumprir ele vai embora. Mas aqui ele não faz. E outra coisa que nós temos aqui na escola: aqui nós somos obrigados a aceitar muitas coisas que nós não conseguimos resolver, certo? Vem uma ordem judicial e você aceita, ou você aceita! Só que detalhe: NINGUÉM está aqui para nos ajudar! Na hora em que necessitamos de ajuda, nós não temos! (Interlocutor 2, grupo focal 1).
O discurso é de vitimização, sendo que ambos: profissão docente e escola, não têm prestígio social. Isto possibilitou ao Interlocutor 2 referendar uma situação de desrespeito de regras, ou talvez de indisciplina, visto que ele afirma que dentro da escola o estudante pode
fazer o que quiser. Esse Interlocutor possui um discurso que provém de acontecimentos vivenciados na escola:
Você aprontou naquela escola? Então você é um mau aluno! Você tem que ir pra outra escola! E você outro? Você vai pra OUTRA escola! O que ele fez? [referindo-se ao diretor] Ele deixou os dois aqui! E pra segurar estes alunos depois? NÃO É FÁCIL! Daí só começou a acalmar quando nós começamos a bater o pé na Secretaria, e os transferimos! Daí começou a acalmar, porque os caras [referindo-se aos alunos] viram que poderia acontecer alguma coisa! (Interlocutor 2, grupo focal 1 – Grifos nossos).
Em relação aos três funcionários, cada um participou de uma entrevista semiestruturada, sujeitos que compõem o sistema municipal de educação, com funções específicas – às vezes, realizam outras funções não estipuladas pela legislação – de jornadas extensas de trabalho. Esses sujeitos, muitas vezes, não são vistos como parte integrante da equipe escolar – não deliberam e nem participam de decisões – apenas cumprem regras preestabelecidas pelos educadores.
Os seis familiares, que realizaram a entrevista semiestruturada, em sua maioria, provinham de classe média baixa, pais, mães e responsáveis que possuíam emprego e demostraram atribuir importância à escola. Da mesma forma que os funcionários participantes, não participam ou deliberam sobre ações que ocorrem dentro do contexto escolar.
Ao interligar acontecimentos sociais relacionados à realidade da educação brasileira, percebe-se a falta de investimento na educação pública; o descuido com a formação do professor e a ausência de tempo para refletir sobre o que está acontecendo na escola, tem propiciado os conflitos.
Segundo Castro (2009), na obra de Foucault existe a distinção de quatro sentidos para o termo acontecimento: “ruptura histórica; regularidade histórica; atualidade e trabalho de acontecimentalização”. Neste caso, entendeu-se que a história é constituída do “acontecimental” e do “não acontecimental”; pois existem coisas que acontecem, porém não há discursos sobre elas, assim o acontecimento faz emergir enunciados que, apoiados na mesma formação discursiva, formam o discurso.
Desta maneira, vários estudos na área da Educação já foram realizados para compreender como são e quais são as relações dos sujeitos que fazem parte da escola (aluno/professor-equipe gestora/ família). No dia-a-dia da escola, as formas de relacionamentos entre os sujeitos são complexas, e segundo Abramovay (2006), as relações entre discentes, docentes, funcionários e gestores servem como indicadores para medir e/ou
classificar o ambiente escolar, na medida em que esse convívio influencia para melhor, ou para pior, as atitudes da comunidade escolar.
Para Sacristan (1998), refletir sobre a relação professor e aluno, dentro da sala de aula, significa identificar um discurso de docentes que esperam manter a disciplina dos estudantes e a aceitação das ordens comandadas por eles. Na realidade, durante o tempo de aula acontecem inúmeras interações, trocas de ideias explícitas ou disfarçadas que mostram a complexidade do processo educativo. Este discurso disciplinador está enraizado nas ações, falas de docentes, em que o controle é algo dado para uns – no caso eles mesmos – e a obediência não deve ser discutida, e sim aceita, por outros – no caso, os alunos.
Para Alves (2016), os educadores veem alunos de determinados contextos sociais, sobretudo, em meios sociais e culturais desfavorecidos, como aqueles que possuem comportamentos naturalmente violentos, indisciplinados. “Este tipo de convicção tem incorporado a violência e o bullying como atos inevitáveis e incontroláveis” (ALVES, 2016, p. 600).
Existe um discurso que tem se propagado entre docentes e, também, diretores de escola, isto é, que alunos em situações de pobreza ou pobreza extrema não conseguem ter comportamentos compatíveis com os exigidos pela escola e seus educadores. Na perspectiva foucaultiana, isso se revela como um acontecimento atual e contínuo, desde a democratização da educação básica, ou desde que a escola tornou-se acessível a todos.
5.3 O fato do enunciado não existir isolado: contextos sociais, culturais, médicos,