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A bacia hidrográfica do rio Paraná apresenta uma dinâmica climática diversificada, influenciada pelas particularidades das regiões do País que seu território compreende. A estimativa da variabilidade na área de estudo foi eficiente e possibilitou identificar importantes contrastes no regime de chuvas do período estudado.

O material e métodos instituídos na análise dos resultados foram eficazes na estimativa da variabilidade na bacia hidrográfica do rio Paraná e trouxeram à tona uma dinâmica climática que respeita as particularidades das três regiões do Brasil contempladas pela área da bacia, obedecendo às estações do ano e à influência de sistemas sinóticos diversos.

As massas de ar tropical atlântica, tropical continental, equatorial continental, polar atlântica e polar pacífica são as de maior influência na área de estudo, interferindo no regime e variabilidade da precipitação e atuando diretamente na construção de uma dinâmica climática diversificada, marcada por períodos mais secos e outros mais úmidos em um nítido contraste na concentração das chuvas de norte a sul da bacia.

Ao norte, as chuvas estão mensalmente concentradas e seguem um padrão de distribuição que obedece à sazonalidade. Nesse setor da bacia hidrográfica do rio Paraná, os fenômenos meteorológicos de maior incidência são a Zona de Convergência Intertropical e a Frente Polar Atlântica, atuando em consonância com a massa Tropical atlântica, no inverno e com a massa Tropical continental e massa Equatorial continental, no verão.

Ao sul da bacia hidrográfica do rio Paraná, as chuvas são mais uniformes e bem distribuídas ao longo do ano, com elevada concentração diária, que pode esconder extremos de precipitação e acarretar situações de desastres, como inundações e deslizamentos de terra.

O principal fenômeno meteorológico atuante nessa área da bacia é o El Niño- Oscilação Sul, que interfere diretamente no regime e variabilidade das chuvas, sendo responsável pelas elevadas anomalias positivas de precipitação encontradas. Além do El Niño, o regime de chuvas no sul da bacia hidrográfica do rio Paraná está condicionado, no verão, pela incidência da massa Tropical atlântica e massa Tropical continental; no inverno, pela massa Polar atlântica.

O setor mais central da bacia se consubstanciou como uma região de transição, que sofre influência das massas de ar e dos sistemas sinóticos incidentes nas áreas circundantes, como a Frente Polar Atlântica, a massa Polar atlântica e massa Tropical atlântica. Essa área apresentou, em todas as análises, precipitação dentro da “normal”

climatológica esperada, com chuvas distribuídas de acordo com as estações do ano, isto é, inverno frio e seco e verão quente e úmido.

O trabalho desenvolvido por Rebouças (1976) sobre a bacia hidrográfica do rio Paraná destacou que as maiores variabilidades relativas se manifestam na área compreendida entre o rio Paraná e a linha que passa por Londrina, Bauru e São José do Rio Preto até o rio Grande. Essa área, foi identificada, praticamente em todas as análises, com elevado potencial hídrico e precipitação uniforme.

A precipitação na bacia hidrográfica do rio Paraná pode ser produzida de forma intensa dentro de reduzido intervalo de tempo ou através de chuvas mais fracas durante maior número de dias, com consequências muito diferentes ao abastecimento e manutenção dos recursos hídricos.

A aplicação do IC e do IPC permitiu identificar que a frequência de chuvas intensas é maior na porção sul da bacia hidrográfica do rio Paraná, com concentração diária acima de 0,61, destacando que 70 % da precipitação total ocorrem em 25 % dos dias mais chuvosos.

Se a intensidade da precipitação for superior à capacidade de infiltração do solo a água da chuva escoa pela superfície, ocasionando enchentes dos rios e, algumas vezes, inundações e deslizamentos de terra. Entretanto, se a frequência das chuvas é baixa e elas caem espacialmente mais distribuídas, como o IPC denotou para o norte da bacia hidrográfica do rio Paraná, grande parte da água infiltrada vai alimentar o solo e os reservatórios subterrâneos, estruturando relevante manutenção dos recursos hídricos e dando suporte, especialmente em períodos de estiagem.

A análise das tendências permitiu identificar certa uniformidade na concentração das chuvas na bacia hidrográfica do rio Paraná e uma tendência maior de concentração diária das precipitações, com significâncias entre 99,9 % e 95,0 %. A significância das tendências de concentração mensal não ultrapassou 95,0 % e apareceu em apenas duas estações pluviométricas, sendo uma delas, classificada em tendência negativa, isto é, decréscimo da concentração mensal da precipitação.

De maneira geral, a bacia hidrográfica do rio Paraná não apresentou tendência significativa da concentração das chuvas diárias e mensais, uma vez que esta restringiu-se a apenas alguns setores da área de estudo, especialmente, ao centro-sul da bacia.

A análise trimestral permitiu verificar que a bacia hidrográfica do rio Paraná apresenta um período mais seco, concentrado na estação do inverno, isto é, no trimestre junho, julho, agosto. Essa percepção é marcada, especialmente no setor norte da bacia, contemplado pela região Centro-Oeste do Brasil.

O setor sul da bacia hidrográfica do rio Paraná segue um padrão uniforme em todos os trimestres, tanto em relação ao volume de chuvas, como ao número de dias nos quais a precipitação ocorreu.

O trimestre dezembro, janeiro e fevereiro foi o que concentrou mais dias com chuvas e as maiores médias de precipitação pluvial diária, seguido pelo trimestre setembro, outubro, novembro.

Em junho, julho e agosto, as médias de precipitação pluvial diária foram mais baixas e os dias com chuva quase inexistentes. Em março, abril e maio essa escassez identificada na estação do inverno começa a aparecer na bacia hidrográfica do rio Paraná, quando as médias seguem um padrão de distribuição que irradia volumes semelhantes, partindo do setor central em direção ao norte a ao sul. Nesse período, os dias com chuva também começam a diminuir, especialmente no setor sul da área de estudo.

O IPC sazonal, calculado para os anos 1972, 1982, 1985, 1989, 1997 e 2010, analisados nas quatro estações do ano: inverno, outono, primavera e verão na bacia hidrográfica do rio Paraná, se concentrou entre 8 (uniforme) e 24 (fortemente sazonal), na estação do inverno, ambos os extremos no setor norte da bacia e de acordo com a Tabela 1, de Michiels et al. (1992).

Na estação do outono, a concentração sazonal das chuvas foi um pouco menor que no inverno, entre 8, no setor norte da bacia e 16, também no setor norte, denotando uniformidade e sazonalidade em um mesmo setor da bacia hidrográfica do rio Paraná.

Na primavera, os valores do IPC sazonal foram inferiores aos das demais estações do ano, concentrando-se entre 5 e 15, indicando, respectivamente, uniformidade e sazonalidade moderada na área de estudo.

A estação do verão foi a última a ser analisada e, de maneira geral, apresentou concentração sazonal da precipitação uniforme a moderadamente sazonal.

O período da primavera e do verão foram os que apresentaram maior uniformidade na distribuição das chuvas e, em alguns anos, sazonalidade moderada. De maneira geral, a sazonalidade forte ficou restrita ao setor norte da bacia e foi mais marcada na estação do inverno, especialmente no ano de 1997, quando o IPC sazonal foi igual a 24. O setor sul da bacia, seguiu um padrão uniforme praticamente em todas as estações do ano e o

setor central, se configurou como uma área de transição, que abrange a uniformidade e a sazonalidade moderada.

Considerando-se que a precipitação é um elemento do clima indispensável na manutenção e desenvolvimento de todas as atividades humanas, uma vez que consiste, junto com a infiltração, no principal mecanismo de funcionamento do ciclo d’água e abastecimento dos recursos hídricos, acreditou-se ser importante estimar a variabilidade da precipitação em uma área tão importante do território brasileiro como a bacia hidrográfica do rio Paraná, pensando nas transformações desencadeadas pelos indivíduos nesse ambiente natural.

A bacia hidrográfica do rio Paraná está consubstanciada no conceito de “ambiente natural”, porque atua como um valioso suporte físico para o estabelecimento e manutenção das relações entre sociedade e natureza, manifestadas através das transformações na paisagem.

A ocupação da bacia hidrográfica do rio Paraná e o consequente desenvolvimento dos principais ciclos econômicos brasileiros apresentam relação direta com os processos desencadeados no escopo de sua dinâmica natural, como os extensos derrames basálticos que deram origem ao latossolo roxo, também conhecido por terra roxa, muito fértil e avermelhado, caracterizado por ser o resultado da decomposição de rochas basálticas, pertencentes à Formação Serra Geral, originadas em intenso derrame vulcânico.

Além do solo, a rede hidrográfica da bacia hidrográfica do rio Paraná também é muito rica, uma vez que faz parte do sistema fluvial do rio da Prata, um dos maiores do mundo. A estrutura e a variabilidade da precipitação identificadas trouxeram para o cerne dos resultados da pesquisa, um cenário de abundância hidrológica mantido por um regime de chuvas bem distribuídas espacialmente, que seguem um padrão de contraste de norte a sul e que permitiram a ocupação humana e o desenvolvimento dos principais centros agrícolas e urbanos do Brasil.

Diante das considerações acima, acredita-se que a estimativa da variabilidade da precipitação na bacia hidrográfica do rio Paraná foi eficiente e evidenciou a importância do regime das chuvas como um parâmetro físico necessário na organização do espaço, uma vez que interfere, direta ou indiretamente na viabilidade do desenvolvimento das atividades humanas e nos modos como os indivíduos organizam sua própria vida.

Todas as atividades e grupos populacionais estruturadas sobre a bacia dependem da manutenção dos recursos hídricos, por meio da incidência da precipitação e consequente disponibilidade de água. O conhecimento do regime e da variabilidade das chuvas se faz necessário e se firma como uma ferramenta de respaldo à organização dessas

atividades e grupos, oferecendo suporte à outras pesquisas em Climatologia e Meteorologia que abordem essa área como objeto de estudo e a profissionais do campo agrícola ou energético que necessitem melhor conhecê-la para o desenvolvimento de novas atividades e a manutenção das já existentes.