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Probabilistic Approach to Measuring Inconsistency .1 Measures of Inconsistency

Applications of Probabilistic and Related Logics to Decision Support in Medicine

2.4 Probabilistic Approach to Measuring Inconsistency .1 Measures of Inconsistency

ciências

Segundo Giordan (1993), investigações realizadas sobre como se ensina ciências na década de 70, em França, desencadearam estudos um pouco por toda a Europa sobre o modo como os alunos aprendem ciências e como o conhecimento científico pode ser transmitido.

“Cómo se pretende formar ele pensamiento Científico con métodos repetitivos imitativos donde hace del alumno un simple ejecutor o un espectador, por no decir um simple creyente? Cómo podemos pretender formar ele pensamiento científico cuando nosotros, professores de ciencias, nos contentamos con repetir un saber sin planearmos la más mínima pergunta?”.

(Giordan, 1993, p.20)

As questões levantadas por Giordan (1978) podem constituir o ponto de partida para que os professores possam iniciar um processo reflexivo sobre a forma como ensinam ciências aos seus alunos.

As conceções sobre o ensino das Ciências que se apresentam neste tópico tiveram por base as informações da professora fornecidas em entrevista e o registo, no diário de investigação, de situações que pudessem ser argumentativas, relativamente às questões analisadas, designadamente de que forma é que as práticas profissionais podem ser afetadas, tendo em consideração as diferentes conceções do ensino das ciências

.

Embora as informações que recolhemos através da entrevista apresentem um teor vago, pelo cariz particular do contexto onde foi desenvolvido o estudo, foi opção colocar o diálogo mantido com a professora. Assim, durante a entrevista, a professora de 2º ciclo quando questionada acerca do que pensava sobre como ensinar ciências destacou que:

“Ciências é mais fácil de ensinar comparado com a Matemática. Matemática... as contas. Muito difícil. Ciências só é preciso memorizar. Ciência é mais fácil porque só fala. Estuda bem e vê as imagens e depois já se sabe.”

(E1PA 19/06/2014)

A resposta dada pela professora estabelece uma comparação entre ensinar matemática e ciências, atribuindo, à primeira, maior dificuldade no seu ensino, referindo em particular os algoritmos. Relativamente ao ensino das ciências, a professora define-o como “mais fácil”, uma vez que só é “preciso memorizar” e, para isso, só “precisa de ler” e “ver algumas imagens”. Com efeito, para além das afirmações da professora na entrevista, os registos de observações realizadas ao longo do trabalho de campo, evidenciam que ensinar ciências, para esta professora, assentava numa perspetiva tradicional, centrada no professor, onde o mesmo é responsável pela transmissão dos conteúdos, seleção das atividades e fornecimento de materiais de apoio.

“No caso concreto da Didáctica das Ciências, é preciso ter em conta as tradições docentes (e sociais) extremamente enraizadas que consideram o ensino uma tarefa simples, para a realização da qual basta conhecer a matéria, ter alguma prática docente e ter alguns conhecimentos "pedagógicos" de carácter geral”.

(Cachapuz, Gil, Praia & Pèrez, 2001, p.157)

Observação 1 – Esclarecimento de dúvidas

Nesta aula, foram abordados os fenómenos relativos às transformações físicas da água no ciclo da água. A professora começou por realizar um esquema no

quadro do ciclo da água, semelhante ao que estava no manual, e explicou o circuito da água, fazendo pausas, em cada uma das transformações físicas (evaporação e condensação), seguindo a definição escrita que está apresentada no manual.

Figura: 3.5 Representação do ciclo da água

(Esboço plano de aula do dia 19/09/14)

Definição:

A passagem continuada da água pelos estados físicos da Natureza denomina-se Ciclo da água. Este processo ocorre em duas fases:

1ª fase – da superfície terrestre para a atmosfera: Por ação da energia solar, a

água existente na superfície terrestre (nos oceanos, mares, rios e lagos) passa para a atmosfera. Esta transferência processa-se do estado líquido para o estado gasoso, ou seja, evaporação.

Ao atingir camadas mais finas da atmosfera, o vapor de água arrefece e condensa-se, transformando-se em pequenas gotas de água mais leves do que o ar.

2ª fase – da atmosfera à superfície terrestre: O vapor de água da atmosfera

pode regressar à superfície terrestre numa das formas de precipitação (por exemplo, chuva, granizo ou neve).

Quando ocorre a precipitação em qualquer região da superfície terrestre, parte da água evapora-se novamente para a atmosfera, outra cai diretamente na litosfera. Quando o solo é impermeável, a água infiltra-se formando lençóis de água.

(Manual de 6º ano adotado pela RDTL, 2012, p.88)

No final da explicação segue-se a verificação da aprendizagem através do seguinte diálogo:

Professora (P): Perceberam? (pergunta dirigida a toda a turma)

Alunos (A): Sim (em coro, com prolongamento de som na tónica da sílaba) P: Perceberam ou não?

A: Sim (No mesmo registo que o anterior, mas com um aumento no volume) P: Então, agora vocês vão copiar isto para o caderno.

(DI 19/09/2014)

Os alunos iniciam a cópia e, entretanto, os mais rápidos vão terminando. Uma das alunas que se encontrava nas cadeiras da frente e que já tinha terminado coloca uma questão.

Aluna A: Professora eu não percebi evaporação, pode explicar outra vez?

P: Sim, posso. Então, evaporação é quando a água que está no mar, por exemplo,

(aponta para o esquema no quadro do ciclo da água) evapora e forma as nuvens, como está aqui. (Depois repetiu a explicação em língua tétum) Já compreende?

Aluna: Sim. Obrigada.

(DI 19/09/2014)

Neste diálogo a resposta sim (com o aumento de volume) por parte dos alunos foi suficiente para que a professora considerasse que os alunos tinham compreendido a explicação. A professora não solicitou a nenhum aluno para explicar, no caso de já ter percebido, e, também, não aproveitou o caso de um dos alunos ter dúvidas para que outros pudessem mostrar o que aprenderam. Neste cenário, a aprendizagem de conceitos é vista como algo que se aprende de forma estática, que se acumula, ao invés de se tornarem utensílios intelectuais, destinados a resolver uma família de problemas, que caraterizam uma disciplina como argumenta Astolfi (1992) (citado por Astolfi, Darot, Ginsburger-Vogel & Toussaint, 2002).

A visão apresentada parece distanciar-se dos pressupostos da didática das ciências, designadamente, a aquisição e mobilização de saberes científicos dirigidos para a resolução de problemas do quotidiano, e que suscite a curiosidade pela investigação científica, por parte dos alunos. Como afirmam Astolfi, Darot, Ginsburger-Vogel e Toussaint (2002):

“A Didática das Ciências tende a centrar-se nas dificuldades de apropriação dos conteúdos. Como prática de formação, alarga a paleta de interpretação e de intervenção dos docentes, reinsere os conteúdos no seu quadro de procedimentos e atitudes. Não obstante, a formação em didática das Ciências não é, por si só, a totalidade de uma formação para se ensinar ciências”.

(Astolfi, Darot, Ginsburger-Vogel e Toussaint, 2002, p.11)

Em conformidade com a afirmação anterior, McDermott (1990) e Viennot (1997), (citado por Cachapuz, Gil, Praia & Pèrez, 2001), mostraram as insuficiências de uma formação de professores que separa os conteúdos científicos dos pedagógicos-didáticos, argumentado sobre a necessidade de um tratamento global, integrado, de problemas específicos que se colocam no processo de ensino e aprendizagem das ciências.

Quando questionada sobre a forma como os alunos aprendem a professora referiu que:

“Há crianças que aprendem bem e outras não aprendem tão bem. Tem muitas crianças dentro da sala. Elas não compreendem o que estão a ler e então temos explicar em tétum. Só alguns alunos é que põem dúvidas, outros não. Algumas não aprendem tão bem. Uma pessoa só é difícil de controlar a sala.”

(E1PA 19/06/2014)

Nesta afirmação da professora parece estar subjacente que a aprendizagem dos alunos não depende da forma como o professor ensina ou como os conhecimentos são transmitidos aos alunos, pois “é sempre forte a tentação de atribuir as lentidões ou os insucessos a caraterísticas pessoais dos alunos, como a sua falta de esforços ou de motivação” (Astolfi, Darot, Ginsburger-Vogel & Toussaint. 2002, p.10). A professora sublinha, também, o facto de os alunos não compreenderem o que estão a ler. Com efeito, o ensino em Timor-Leste não é efetuado na língua materna dos alunos e, na maioria dos casos, também os professores possuem elevadas limitações relativas ao domínio oral e escrito da Língua Portuguesa. Um outro aspeto é destacado pela professora como

uma das razões das dificuldades de aprendizagem dos alunos que tem que ver com o número de alunos por turma, e que assume particular importância nas escolas timorenses. Tentar motivar e realizar questões desafiantes, quando há sessenta e nove alunos dentro de uma sala, parece ter dificultado a utilização de estratégias mais diversificadas que colocassem o aluno no centro da aprendizagem.

A professora parece dominar todos os conteúdos que são ensinados e parece não haver espaço ou possibilidade de desvios relativamente àquilo que a professora preparou para ensinar e o que efetivamente acontece na aula. No decorrer da observação de algumas aulas, dificilmente, foram registados desvios das atividades preparadas inicialmente ou de conteúdos selecionados, embora houvesse, como já foi referido, alteração na formulação das questões colocadas aos alunos em comparação com as registadas no plano, o diálogo entre a professora e os alunos circunscrevia-se aos temas da aula não parecendo haver espaço para a problematização de ideias ou o questionamento por parte dos alunos, de situações que pudessem divergir das apresentadas pela professora.

Ao longo da atividade profissional que desenvolvi em Timor-Leste, em diversos centros de estágio, e especificamente nesta escola, tive a oportunidade de analisar conceções dos professores estagiários e conceções dos professores titulares das turmas, onde era realizada a prática pedagógica, relativas ao ensino das ciências. No decorrer do processo de formação inicial de professores, os futuros professores tiveram no seu plano curricular um conjunto de unidades curriculares de didática específica para cada uma das áreas disciplinares.

Durante esse período, lecionei as disciplinas relacionadas com a didática das ciências e, previamente a estas, as disciplinas mais focadas no conhecimento científico, denominadas de ciências da natureza I e ciências da natureza II, constantes no plano de estudo em vigor, no curso de formação inicial de professores de ensino básico. Nestas últimas os alunos fizeram uma aprendizagem baseada na experimentação, na resolução de problemas e na

formulação de questões-problemas. No final, alguns dos futuros professores escolheram para as suas monografias de fim de curso o estudo das ciências, sendo visível nos percursos de aula apresentados na disciplina de didática uma aproximação às atividades que foram realizadas nas aulas, especificamente, na formulação de questões e no esforço para a realização de perguntas dirigidas a alunos de forma individualizada.

Durante as atividades de sala de aula que pressupõem correção das tarefas no quadro era frequente a professora questionar os alunos sobre quem sabia a resposta e, em função disso, os alunos poderiam ir ao quadro, ou seja, um dos critérios verificados com alguma regularidade era quem sabe a resposta vai ao quadro. Segundo Arends (2007) o termo equidade assume importância pela necessidade de se criarem condições de igualdade e imparcialidade dentro da sala de aula, embora também afirme que historicamente essa equidade nunca existiu. “Alguns alunos viram as suas oportunidades limitadas devido à sua raça, classe social ou capacidades” (Arends, 2007, p. 84).

A experimentação de diversas estratégias de ensino, a utilização de diferentes recursos e a preparação de aulas em conjunto com a professora, onde se discutiam ideias e se definiam possibilidades para ensinar um determinado conteúdo pareceram possibilitar momentos de aprender a ensinar. Como sustentam Silva & Vieira (2012),

“Aprender a ensinar antes de ensinar é uma tarefa complexa, para a qual não há fórmulas únicas e definitivas. As pedagogias da formação de professores devem ser construídas em função dos contextos em que se desenvolvem e dependem de inúmeros fatores, como as políticas educativas e de formação, os modelos de formação no ensino superior, as ideologias profissionais dos formadores, as culturas profissionais das escolas(...)”

(Silva & Vieira, 2012, p. 205).

3.5 Estratégias pedagógicas utilizadas nas aulas de