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Private sector participation

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D. Summary of key issues facing shipping in SIDS

3. Private sector participation

Nos simples atos do dia a dia, cada um de nós adota uma visão própria do mundo, em parte herdada do passado, em parte elaborada por outros, em parte construída por nossa conta. Da cultura clássica grega e romana, do cristianismo, do idealismo, do utilitarismo ou do marxismo temos compartilhado outras tantas visões de mundo, outros tantos modelos globais sobre cuja base interpretar a realidade e orientar os nossos comportamentos (DE MASI, 2001, p. 131).

A presente seção visa abordar as pessoas, especificamente os indivíduos. Com a lente da Abordagem Gestáltica, ou da Gestalt-terapia, espera-se entender como e o que leva as pessoas a se deslocarem ou se manterem em cidades do interior, das mais diversas formas, para exercerem suas atividades, e como elas se relacionam com esse ambiente. Entendendo o homem como um ser complexo e único, dividido nas cinco dimensões propostas pela Gestalt, quais sejam; física, afetiva, racional, social e espiritual, e que essas dimensões devem “conversar” entre si; com isso espera-se olhar o indivíduo não apenas como trabalhador, mas como um ser que se relaciona com o meio e com outras pessoas das mais diversas formas para satisfazer suas necessidades, sendo o trabalho apenas uma delas. Busca-se, com esse aporte, entender o que mantém as pessoas em cidades do interior e como equilibram as cinco dimensões de suas vidas, principalmente aqueles trabalhadores que se deslocam, mantendo suas estruturas familiares em lugares distintos do de trabalho.

A Abordagem Gestáltica é oriunda da aplicação do campo de atuação da Gestalt- terapia em outras áreas, como na educação, nas organizações, em grupos, em comunidade, na área hospitalar, recebendo assim essa denominação específica (ALVIM; RIBEIRO, 2005). A Gestalt-terapia foi criada por Frederich Salomon Perls e Laura Perls e tornou-se uma das principais psicoterapias utilizadas e é fundamentada filosoficamente pelo Humanismo, Existencialismo e Fenomenologia e teoricamente, pela Psicologia da Gestalt, Teorias Holística, Organística e de Campo. O termo Gestalt é utilizado por conta de uma de suas teorias basilares, a Psicologia da Gestalt (ALVIM; RIBEIRO, 2005; FITTIPALDI, 2007; HELOU, 2013). Os conceitos que serão utilizados da Abordagem Gestáltica são as funções de contato e fuga com o meio, a hierarquia de necessidades, e ainda as cinco dimensões de Ginger.

Segundo o construto da Gestalt-terapia:

Não faz sentido falar do homem isoladamente, mas sim de um homem que vive em um determinado meio que faz parte de sua existência e forma com ele uma totalidade. Seu foco não se encontra nem no sujeito nem no ambiente, mas na relação, no encontro organismo-ambiente (SILVA; BAPTISTA; ALVIM, 2015, p. 193).

A Gestalt é uma palavra alemã, sem tradução equivalente em outra língua. Alguns autores a correlacionam à configuração, forma, consciência, todo ou totalidade (ANDRADE, 2007).

A premissa básica da psicologia da Gestalt é que a natureza humana é organizada em partes ou todos, que é vivenciada pelo indivíduo nesses termos, e que só pode ser entendida como uma função das partes ou todos dos quais é feita (PERLS, 1988, p. 19).

A Gestalt vê o homem como um organismo unificado, onde corpo e mente são inseparáveis, assim como organismo e meio, pois o mundo existe para cada indivíduo pelas suas descobertas. Esse conceito, de ver o indivíduo como um todo, mente e corpo, indivíduo e meio, é fundamental para a Gestalt (PERLS, 1988; MAYER, 2002).

O comportamento do sujeito é uma função que inclui ele e o meio, ou como apontou Mayer (2002), indivíduo e meio são partes de um único campo, estando os dois em constante interação. “O meio não cria o indivíduo, nem ele cria o meio. Cada um é o que é, com suas características individuais, devido a seu relacionamento com o outro e com o todo.” (PERLS, 1988, p. 31). Ao se estudar como o ser humano funciona ou se comporta em seu meio, deve-se estudar a fronteira entre os dois. Para que o indivíduo ultrapasse essa fronteira, deve haver o contato, é esse contato que define a relação entre ambos.

Na Gestalt, mais importante do que o porquê dos comportamentos é conhecer o como. Como o indivíduo se relaciona com o meio e se consegue escolher como se relacionar, como lida com a fronteira e os sentimentos positivos e negativos (catexis) em relação ao meio ou aos objetos presentes nesse meio, seja estabelecendo contato, seja fugindo (PERLS, 1977; PERLS, 1988; MAYER, 2002). O contato com o meio e a fuga dele, ou seja, sua aceitação ou rejeição “são as funções mais importantes da personalidade global. São aspectos positivos e negativos dos processos psicológicos pelos quais vivemos.” (PERLS, 1988, p. 36). Nem toda fuga é ruim, e nem todo o contato é bom. Enquanto contatar leva a formação de uma Gestalt, afastar leva a seu fechamento.

Contatar o meio é, num certo sentido, formar uma Gestalt. Fugir é fechá-la completamente ou reunir forças para tornar o fechamento possível. [...]

Contato e fuga, num padrão rítmico, são nossos meios de satisfazer nossa necessidade de continuar os progressivos processos da vida (PERLS, 1988, p. 37).

Esses contatos e fugas, ou os comportamentos, são governados pela homeostase, ou adaptação, que é o processo pelo qual o organismo satisfaz suas necessidades, sejam elas fisiológicas, sociais ou psíquicas, mantendo o equilíbrio do organismo. Em relação a essas necessidades, como trata-se aqui do organismo como um todo, elas podem ser físicas ou psíquicas. “Quanto mais intensamente as sentimos como essenciais para o prosseguimento da vida, mais de perto nos identificamos com elas e mais intensamente dirigimos nossas atividades para satisfazê-las.” (PERLS, 1988, p. 22). Quando várias necessidades se originam simultaneamente e não podem ser satisfeitas ao mesmo tempo, o organismo faz uma escala de valores do que é mais importante em termos de sobrevivência.

Para que o indivíduo satisfaça suas necessidades, feche a Gestalt, passe para outro assunto, deve ser capaz de manipular a si próprio e ao seu meio, pois mesmo as necessidades puramente fisiológicas só podem ser satisfeitas mediante a interação do organismo com o meio. [...] Deve aprender a distinguir e identificar-se com suas necessidades; deve aprender como, a cada momento, ficar totalmente envolvido no que está fazendo, como manter uma situação de tempo suficiente para fechar a Gestalt e passar a outro assunto (PERLS, 1988, p. 24-33).

Na situação de necessidades, o indivíduo tem que ser capaz de tomar uma decisão clara. Se o faz, ou fica em contato ou foge; sacrifica temporariamente a necessidade menos dominante à mais dominante e pronto! Nem ele nem o meio sofrem qualquer consequência grave. Mas quando não pode discriminar, quando não pode tomar uma decisão, ou se sente satisfeito com a decisão que tomou, não faz um bom contato nem uma boa fuga, tanto ele como o meio ficam afetados (PERLS, 1988, p. 38- 39).

Ginger (2007) aponta que a Gestalt é vista como uma “terceira via”, se diferenciando da psicanálise e do comportamentalismo. Escapando de determinismos do passado e do ambiente, de forma a responsabilizar também o indivíduo por suas escolhas. Não nega a questões como a influência da hereditariedade, experiências da primeira infância ou da cultura; mas busca a coerência interna do indivíduo, ele é responsável por suas escolhas. Conforme Ginger (2007) parafraseando SARTRE (1966): “O importante não é o que se fez de mim, mas o que eu mesmo faço do que se fez de mim”.

Além disso, a Gestalt propõe o estudo dos indivíduos através de uma perspectiva unificante, considerando que este é formado por cinco dimensões de atividades que se inter-relacionam, como pode ser visto no Quadro 5:

Quadro 5 - Dimensões do indivíduo na Gestalt

Dimensão Abrangência Tipo de Relacionamento

Física Corpo, sensorialidade,motricidade, sexualidade Com o próprio corpo (solidão) Afetiva “Coração”, sentimentos, relação amorosa, o

outro Com uma pessoa privilegiada (casal)

Racional “Cabeça” (com seus dois hemisférios), ideias e

imaginário criador Trocas intelectuais (várias pessoas) Social Relação com os outros, o meio humano,

cultural

Trocas intelectuais mais amplas com grupos humanos (comunidade) Espiritual Lugar e sentido do homem no meio cósmico e

no ecossistema global Pertencimento ao Todo (Universo) Fonte: Elaborado a partir de Ginger e Ginger (1995, p. 115-116)

Essas cinco dimensões são representadas pelo Pentagrama de Ginger, como demonstrado na Figura 3.

Figura 3 - Pentagrama de Ginger

Ginger (2007, p. 28)

Na próxima seção será possível ver que uma das formas que os indivíduos tem dado sentido à sua vida e se relacionado com o meio e com outros indivíduos é por meio do trabalho. Atualmente, esse tem sido central na vida da maioria das pessoas, mediando as diversas áreas e necessidades de sua vida, ou as cinco dimensões do indivíduo, como proposto por Ginger (2007).

G 3 2 1 4 5 1 o corpo: polo físico e

material

2 o coração: polo afetivo e relacional

3 a cabeça: polo racional

4 os outros: polo social e organizacional

5 o mundo: polo espiritual ou meta-físico – posições ideológicas

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