D. Linkages to agriculture
VII. ADDRESSING THE CHALLENGES AND HARNESSING THE OPPORTUNITIES
Nessa seção é feita uma revisão com alguns trabalhos que falam sobre deslocamentos e expansão e interiorização da rede federal de ensino, na ótica de servidores.
Mann (2012) investigou os impactos positivos e negativos gerados pela mobilidade geográfica que ocorre no exercício da profissão de docentes de curso de pós- graduação lato sensu em Administração que se deslocam pelo país. Como resultado, constatou que as dificuldades trazidas por essa situação exigem que se faça uso de uma série de capacidades/qualidades pessoais que, se o indivíduo não possui, precisa desenvolver.
Cada pessoa, ao deslocar-se espacialmente, desdobra ou produz suas próprias estratégias de adaptação no novo local, procurando, de diversas maneiras, se sentir pertencente ao território de chegada, interagir e integrar-se mediante estabelecimento de relações sociais. Graças a esses deslocamentos, há um acúmulo de experiências; vivências; territorialidades e sociabilidades adquiridas; e possibilidades de convívio social que, em outro formato, não seria possível de ser experimentado.
Por outro lado, leva o profissional a abdicar de momentos com a família; a expor-se a situações de alta demanda física e mental, como: fadiga (frequência dos deslocamentos, as distâncias percorridas, o tempo gasto no transporte, a intensificação do trabalho, más condições de alojamento), dificuldade de construção de coletivo (em relação à família, amigos e sociedade) e fragilização psicológica. Pinheiro (2013) pesquisou o trabalho docente no contexto da interiorização da rede federal de ensino, tomando como perspectiva principal o território, ou seja, o lugar onde o(a) professor(a) realiza suas atividades, os vínculos que mantém com este
espaço, suas estratégias de sociabilidade, reconhecimento e pertencimento ou não nestas cidades.
Verificou que, para os docentes, o lugar importa e que a mobilidade entre territórios produz impactos variados. Percebeu que a maioria dos professores dividia seus territórios em: territórios de trabalho (cidade onde a faculdade que trabalha está situada) e território em que se vive (cidade de origem onde família, amigos e demais estruturas estão presentes).
Assim, o fato de os docentes terem optado por cidades interioranas lhes trouxe implicações pessoais, sociais e profissionais, sejam elas positivas e/ou negativas. Questões como a estrutura urbana, a oferta e qualidade dos serviços como lazer, educação dos filhos, saúde, dentre outros são reveladoras da importância de se discutir o lugar de trabalho e a expansão dos equipamentos universitários para determinadas cidades. Concluiu que o lugar de trabalho é importante, mesmo que ignorado no início
ao ponto de o professor desconhecer seu lugar de destino (da atividade profissional), mas posteriormente tornando-se tema e preocupação central no que condiz às relações familiares, às estratégias de sociabilidade, às condições e organização do trabalho, ou seja, a toda uma dinâmica paralela de vida que, aparentemente, é posta em “segundo plano” quando comparada à estabilidade profissional, à realização de se tornar professor universitário e de todas as aspirações e possibilidades que a função sugere (PINHEIRO, 2013, p. 184).
Santos, Souza e Ventura (2015), partindo do princípio que a política de interiorização do ensino provocou grande oferta de empregos públicos no interior do Brasil, tornando assim as organizações bem miscigenadas, buscaram identificar os pontos positivos e negativos percebidos no clima organizacional de uma das unidades também escolhidas na presente pesquisa (campus Ibatiba, Ifes) à luz de duas consagradas teorias sobre a motivação humana: a Teoria das Necessidades de Maslow e a Teoria dos Dois Fatores de Herzberg. Verificaram que, à luz da teoria de Maslow, há necessidades de nível superior e inferior não satisfeitas. Em relação ao nível inferior, apesar dos salários, benefícios e fatores de segurança parecerem satisfatórios, as necessidades sociais e fisiológicas são comprometidas pelos deslocamentos realizados pelos colaboradores. Perceberam também não haver identificação dos servidores com o município.
Se por um lado as cidades de interior ganham desenvolvimento com a chegada dos institutos, por outro, o servidor advindo de uma cidade mais desenvolvida se depara com um cenário em que as características estruturais do município, além de outras razões pessoais, podem estimular a busca por opções de remanejamento de unidade, resultando em um maior índice de rotatividade e possível desmotivação entre os servidores. As unidades, então, tendem a atrair recursos humanos de diferentes lugares, desejos e culturas, o que pode ser um desafio para a gestão do clima dessa organização (SANTOS; SOUZA; VENTURA, 2015, p. 111). Cardoso e Ribeiro (2016) investigaram os impactos na saúde dos docentes no processo de migração decorrente da expansão/interiorização do Instituto Federal do Maranhão (IFMA) utilizando-se do materialismo histórico como método e a psicodinâmica do trabalho como teoria. Verificaram dificuldades dos docentes no percurso, por ser feito de barco, e pelos horários limitados dessas viagens; por outro lado, essa questão do deslocamento apresentou-se como boa, quando vista por outro ângulo, tendo em vista que para alguns docentes, a viagem de barco e a ida para o campus é o momento que se distanciam da correria da cidade, não pegam engarrafamento, e não há poluição na cidade do IFMA. A maior parte dos docentes reside na capital, organizando a vida entre as duas cidades.
Alugam imóveis que, para uns, são moradias improvisadas, para outros, são casas, enquanto terceiros se hospedam em pousadas. Percebemos, dessa maneira, o vínculo que cada um estabelece com a cidade e com o seu trabalho (CARDOSO; RIBEIRO, 2016, p.31).
Os autores apontam ainda que os docentes acabam por não investir muito em conforto, vivendo como em “acampamento”, o que se reflete em seu bem-estar e qualidade de vida. Há também um grande sofrimento gerado pelo distanciamento familiar, e pela tentativa de participação na rotina da família, por telefone, ou internet. Por outro lado, o trabalho no interior possibilitou a alguns docentes
outras vivências, outras rotinas que se estendem para além do trabalho, construindo distintas possibilidades de convivências importantes para fixar o docente no local de trabalho e gerar também prazer. É como se o sujeito conseguisse estabelecer duas rotinas bem diferentes: a vida em Alcântara e a vida em São Luís (CARDOSO; RIBEIRO, 2016, p.32).
Dentre as demais vivências desses docentes nessa realidade, os autores destacaram que os deslocamentos dificultam a criação de vínculo com o novo local de trabalho e que a rotatividade acaba causando enfraquecimento dos grupos de trabalho e o não conhecimento da cultura local.
Uma vez que a maior parte dos docentes escolheu o trabalho no interior, longe de suas famílias, mais por questões financeiras do que por desejo de trabalhar em outra cidade, outro fator que dificulta o vínculo do docente é a ausência de incentivos financeiros, pois eles acabam arcando com duas moradias e com os deslocamentos.
Dias, Teixeira e Zamprogno (2016) buscaram verificar a relação entre a distância derivada do deslocamento pendular diário e o nível de satisfação laboral dos servidores de uma instituição de ensino federal, devido ao processo de expansão e de interiorização da rede federal. Os resultados apontaram que não há evidências de relação entre o nível de satisfação do trabalhador e a distância decorrente do deslocamento pendular diário.