Chegado o fim do processo e como forma de entendimento do mesmo é necessário um momento de autoanálise do processo e do próprio projeto.Trata-se de um procedimento essencial para a aprendizagem e, acima de tudo, para a tomada de consciência das decisões tomadas.
Desde o primeiro ano da disciplina de projeto da FAUP somos confrontados com as perguntas “porquê?”, “por que razão é assim?”, “quais as fundamentações para o caminho escolhido?”, “como se justifica?”.
O mais pequeno traçado tem de ter uma razão de ser. É nessa procura de resposta aos porquês que agora, em última análise, reflito acerca da proposta assim como das decisões tomadas.
Para o desenvolvimento do projeto apresentado a rua atualmente existente é tida como um elemento de grande importância. A rua segregada e descaraterizada, assim como as casas contíguas, são condicionantes consideradas no projeto, que não podem ser, em momento algum, deixadas de parte.
Tendo em conta os alinhamentos dos edifícios presentes e a falta de uniformidade, o projeto desenvolvido assume uma relação direta com o existente, propondo-se uma postura de integração relativamente à situação atual e às possíveis alterações que possam ocorrer no futuro.
Com a alteração desta casa, o lugar modifica-se e ganha um novo significado, sendo neste sentido que se procura estabelecer relações com os elementos já presentes no lugar. Apesar da falta de regra ou ordem na realidade presente, a opção tomada passa por não ignorar as condicionantes dadas nem marcar uma ruptura com a nova intervenção, mas sim fazer do novo mais uma pequena parte que, quando somada às outras pequenas partes, compõem a realidade e a cidade.
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UMA CASA NA ZONA POMBALINA EM VILA REAL DE SANTO ANTÓNIO
CIRCULAÇÃO ESPAÇOS DE ESTAR ESPAÇOS DE DORMIR INSTALAÇÕES SANITÁRIAS ESPAÇO EXTERIOR ESPAÇOS DE CIRCULAÇÃO ESPAÇOS ESTÁVEIS
ESQUELETO DO PROJETO - ELEMENTOS PREDOMINANTEMENTE OPACOS
CIRCULAÇÃO INTERNA / ESPAÇOS ESTÁVEIS
EVOLUÇÃO DOS ESPAÇOS DE HABITAR
planta da casa - versão 1 (década de 50)
planta da casa - versão 2 (década de 90)
planta da casa - versão 3 (projeto proposto)
CIRCULAÇÃO ESPAÇOS DE ESTAR ESPAÇOS DE DORMIR INSTALAÇÕES SANITÁRIAS ESPAÇO EXTERIOR ESPAÇOS DE CIRCULAÇÃO ESPAÇOS ESTÁVEIS FIG. 85 FIG. 86 FIG. 87
141 O PROJETO
Atendendo à morfologia e à tipologia que acompanham esta casa de largos anos, é reconhecida desde início a necessidade de transmitir uma relação muito familiar e acolhedora entre o homem e o espaço. Desta forma importa salientar diferentes modos do homem se relacionar com esse mesmo espaço - desde o momento da entrada na casa, a passagem pelo pátio do piso inferior, até à chegada ao terraço no piso superior.
A relação e forma do homem se identificar com o espaço é representada de diferentes modos nestes três momentos: o primeiro momento suscita uma noção familiar entre o homem e o edifício, o segundo uma relação estreita e linear que une o mundo interior e exterior num só, e o terceiro uma relação clara com o mundo exterior que se mantém ao mesmo tempo privado, abrindo-se para o mundo mas fechando-se para si.
O programa do projeto é dividido em dois momentos: sociais e privados. O primeiro momento representado no piso térreo, estende a área desde o interior até ao exterior e limite do lote, e o segundo momento revela-se nos primeiro e segundo pisos. É importante referir que esta solução resulta do vazio entre os limites já existentes, deixando que o plano da parede ganhe uma grande importância como configurador de limites de clara barreira e distinção.
Os dois momentos são compostos, para além do tabuado de madeira que cobre o chão, por um volume central que integra os acessos verticais - este, revestido por paineis móveis e fléxiveis, permite, mediante o desejo do utilizador, organizar o espaço de diferentes formas. Estes paineis desenham e transformam a casa, criando um alagardo campo de possibilidades e variantes na utilização do espaço.
Assim, de forma sintetizada, este projeto pode ser traduzido em dois elementos principais: o volume central/elemento vertical fixo, que nos guia e conduz aos diferentes ambientes da casa, e os painéis móveis/ elementos flexíveis, que transformam a interioridade do espaço.
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UMA CASA NA ZONA POMBALINA EM VILA REAL DE SANTO ANTÓNIO
VARIANTES NA UTILIZAÇÃO DO ESPAÇO
FIG. 88
143 O PROJETO
É ainda importante considerar dois aspetos fundamentais neste projeto - a luz e os materiais. A decisão de um material altera o sentido que pode ser dado a um espaço. Um mesmo lugar, com a mesma largura, comprimento e altura altera-se completamente pelo material que o revestir; a escolha de três materiais diferentes como o vidro, o betão ou a madeira atribuem a três lugares iguais três atmosferas diferentes.
Para este projeto, símbolo de abrigo, calor, família e apoio, pretende-se que seja transmitida a essencialidade do espaço casa. Dessa forma, e com o objetivo de transmitir conforto, as paredes revestidas a branco dão enfâse ao tabuado de madeira que nos conduz no sentido longitudinal da casa. Ainda com o propósito de ler claramente o volume central vertical, este elemento presente em todos os pisos é revestido por painéis de correr, brancos, que sobressaem sobre a madeira do chão, e que ao serem fechados se unem com as paredes que limitam o edificado.
A luz natural presente em todos os espaços juntos da fachada deixa que ao longo do dia sejam vividas diferentes sensações, de acordo com a posição solar: a manhã ilumina a cozinha e o fim da tarde acompanha o pátio exterior do piso superior.
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145 O PROJETO