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Principales conclusions

E. Coopération et migrations

1. Principales conclusions

As disciplinas de Mecânica e Gravitação, Metodologia de Prática de Ensino de Física I são oferecidas no quarto semestre do curso, enquanto que Metodologia II, no quinto semestre. As disciplinas de Metodologia e Prática de Ensino de Física I e Metodologia e Prática de Ensino de Física II trabalham em um sistema de colaboração, enquanto que, com a Mecânica e Gravitação trabalharam em cooperação. Definimos colaboração como um trabalho de apoio entre as disciplinas com liderança compartilhada, corresponsabilidade na condução das ações e objetivos comuns negociados pelo grupo; enquanto que cooperação consiste na ajuda mútua na execução de tarefas, cujas finalidades podem ou não resultar de negociações conjuntas (COSTA, 2005 apud DAMIANI, 2008).

O encontro dessas três disciplinas, assim como as suas configurações, foi o espaço utilizado para a produção dos dados da corrente pesquisa. É importante salientar que nem todos os alunos matriculados nas disciplinas participam da pesquisa. Pois alguns, naquele período letivo, estavam cursando a disciplina de Metodologia e Prática de Ensino de Física I ou II e não cursavam Mecânica e Gravitação.

Os relatórios gerados pelas disciplinas de Estágio I, Estágio II e Estágio III também foram utilizadas para coleta de dados. Apresentaremos as ementas destas disciplinas em anexo, mas não faremos aqui as suas descrições por acharmos desnecessárias.

Metodologia e Prática de Ensino de Física I e II

A disciplina de Metodologia e Prática do Ensino de Física I e Metodologia e Prática do Ensino de Física II estão divididas em dois semestres consecutivos e são desenvolvidas de forma colaborativa, com espaço de trocas presenciais e em ambientes virtuais entre os sujeitos das duas disciplinas.

De uma forma geral, o objetivo dessas disciplinas é desenvolver junto aos licenciados metodologias e prática docentes, construção de sequências didáticas,

análise e/ou criação de materiais didáticos, resolução de problemas, experimentos didáticos, recursos audiovisuais e bibliográficos de interesse ao ensino de Física, a partir da integração dos conteúdos, com metodologias de ensino de Física, tendo como pressupostos os principais resultados de pesquisas na área, assim como referências às políticas nacionais e internacionais ligadas ao ensino de Ciências.

Para uma efetiva colaboração entre as duas disciplinas, elas comungam de um encontro semanal de duas horas/aulas, integrando os estudantes das duas disciplinas para discussões em comum, principalmente, no que se refere a pequenos ensaios educacionais. Dentre esses ensaios, estão apresentações das miniaulas, dos planos de curso e das sequências didáticas. E por fim, tem-se como resultado a produção de reflexões na forma de artigos, ensaios ou resenhas.

Mecânica e Gravitação

Mecânica e Gravitação é a terceira disciplina da Física, na sequência da matriz curricular do curso de Licenciatura em Física, no campus Salvador do IFBA. Tem como finalidade habilitar os estudantes da licenciatura em Física para transpor o conhecimento científico em atividades compreensíveis no nível médio de ensino. A ementa dessa disciplina é equivalente à ementa de disciplina introdutória de Física, normalmente nomeada como Física I, dos cursos de graduação.

A base do conteúdo programático dessa disciplina se ocupa dos conceitos clássicos da Mecânica, ou seja, do conjunto de leis do movimento translacional e rotacional de partículas e de corpos rígidos, proposto pela teoria newtoniana para o movimento dos corpos. Normalmente ela é ministrada com um grande formalismo matemático e pouca discussão a respeito da natureza do conhecimento apresentado. Práticas como essas são alvos de grandes críticas, principalmente na formação de professores, porque tendem a se tornarem formatos reproduzidos nas aulas do Ensino Médio.

O planejamento da disciplina contemplou o esclarecimento da natureza do conhecimento físico, da sua ordem e da sua hierarquia conceitual. Salientou os princípios nucleares da disciplina e procurou relacioná-los às aplicações tradicionalmente utilizadas no ensino, conforme as ideias de Tseitlin e Galili (2005) para o programa de Física dos cursos de formação de professor. Com a proposta do desenvolvimento de um projeto interdisciplinar, procurou esclarecer a não

neutralidade da ciência, destacando que ela revela o mundo de uma ótica própria, diferente das outras ciências.

Esses autores também salientam que o planejamento da disciplina deve contemplar a apresentação dos elementos conflitantes que surgiram no processo de construção dessa ciência e ficaram à margem deste específico agregado de conhecimentos relacionados pelos seus defensores. Essas questões são discutidas em outras disciplinas, como Introdução à Física, Mecânica Clássica e Física Moderna. Portanto, atentou-se para uma breve exposição em aulas explanatórias com o objetivo de resgatar conhecimentos estudados previamente ou introduzir conceitos que seriam aprofundados em disciplinas que seriam oferecidas posteriormente.

Além disto, considerou-se o professor em formação, aluno desta disciplina, como alguém que está se familiarizando, em um curto espaço de tempo, com o corpo teórico estabelecido pela comunidade científica, ao longo de dois séculos. Ministrou-se a disciplina procurando favorecer a natureza dialógica e às leituras, visando conduzi-lo na busca de informações quanto aos conceitos a serem apreendidos.

A disciplina compreende uma carga horária de 90 horas, distribuídas em parte teórica (60 h) e parte de atividades de laboratório (30 h). A prática de ensino como componente curricular deve permear 30 horas da programação da disciplina. Dentre as atividades de práticas de ensino, foi desenvolvido um projeto interdisciplinar. Consideramos, para o planejamento dessa atividade, que o conhecimento científico do curso de licenciatura deve contribuir com a formação do cidadão e para a sua instrumentalização profissional, como professor de Física.

Devido a essa importância, foi planejado para as 30 horas de prática de ensino, como componente curricular dessa disciplina, realizar uma proposta de projeto interdisciplinar.

A metodologia descrita neste capítulo foi seguida com o intuito de construir dados que permitam a compreensão de como o licenciando em Física constitui um perfil de professor interdisciplinar. Para estabelecer este perfil, procuramos unir elementos presentes nas práticas de quem desenvolve atividades interdisciplinares às questões referentes à formação dos saberes do professor e à sua aprendizagem profissional no interior de uma comunidade de prática. Descrevemos esta construção no tópico que segue.