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Pratiques dans le domaine de l’éducation et la formation

B. Insertion de l’Afrique du nord dans l’économie de la connaissance

3. Pratiques dans le domaine de l’éducation et la formation

Ao fazer um levantamento das pesquisas sobre a formação de professores, procuramos conhecer, especificamente, como a interdisciplinaridade está inserida na formação do professor. Concordamos com Silva (2014) quanto à influência da Educação Básica na construção de alguns dos projetos de formação de professores, portanto, olhamos também, trabalhos dessa área, desenvolvidos na Educação Básica. Analisamos artigos e trabalhos apresentados em eventos, entre o período de 2002 e 2015, em revistas da área do Ensino de Ciências, focando, de modo particular, no Ensino de Física. E no Simpósio Nacional de Ensino de Física (SNEF), evento nacional, patrocinado pela Sociedade Brasileira de Física (SBF), que reúne trabalhos de graduandos, professores da Educação Básica, professores em formação e professores universitários dessa área.

No que diz respeito à interdisciplinaridade na Educação Básica, percebemos uma aproximação da disciplina Física com diversas disciplinas, tais como Química, Matemática, Artes, História. Algumas das atividades tinham como objetivo contextualizar o ensino da Física ou melhorar a aprendizagem. Citamos, como exemplo, Medina e Braga (2010) que nas suas pesquisas realizaram uma experiência didática, utilizando o teatro como eixo motivador e integrador de disciplinas científicas, das humanidades e das artes.

Ainda dentro do período acima citado, em revistas da área de Ciências2, analisamos artigos relativos à formação de professores (LISBOA; BEJARANO, 2013). Encontramos propostas de sequência didática, balizadas pelos temas geradores Ciência, Tecnologia e Sociedade; História da Ciência e, Práticas de laboratórios didáticos. Além disso, havia propostas de trabalhos desenvolvidos nas disciplinas de estágio e estudos das concepções do termo interdisciplinaridade entre os professores em formação e professores em serviço.

Fizemos também o levantamento nos anais do SNEF. Pesquisamos os trabalhos inscritos no período entre 2003 e 2013. Muitos dos trabalhos consultados faziam

2 As revistas utilizadas para a investigação foram: Caderno Brasileiro de Ensino de Física, Ciência & Educação,

Investigações em Ensino de Ciências, Revista Brasileira de Ensino de Física e Revista Brasileira de Pesquisa em Educação em Ciências.

referência a propostas, sem relato de efetivação, de atividades interdisciplinares ou do desenvolvimento de material didático para aplicação no Ensino Médio. Outros relataram trabalhos desenvolvidos nas disciplinas de estágio, os quais mobilizaram os conteúdos tratados nas disciplinas do núcleo de formação científica do curso.

As investigações na literatura das duas últimas décadas nos revelam discussões em disciplinas de ensino (RICARDO; ZYLBERSZTAJN, 2007; PIERSON; NEVES, 2001) e experiências de atividades interdisciplinares em disciplinas de Estágio (PIERSON et al., 2008; ALVES FILHO; PINHEIRO; PIETROCOLA, 2001). Com relação à interdisciplinaridade nas disciplinas específicas das licenciaturas em Física, encontramos propostas como as expressas nos trabalhos de Godoi e Figueirôa (2008) e Rocha Filho e colaboradores (2009). Mas não identificamos relatos de experiência que demonstrassem a abordagem prática da interdisciplinaridade nas disciplinas específicas de Física, nos cursos de formação de professor.

A ausência de atividades interdisciplinares nas disciplinas específicas pode estar relacionada à prática do ensino da Física nos cursos de licenciatura, que tendem a se aproximar dos cursos de bacharelado ou Engenharia. Segundo alguns autores, essas práticas são centradas em um conhecimento de Física focado na resolução de problemas matemáticos, com discussões conceituais, limitados devido à organização dessa tarefa. (UMPIERRE, 2015; SIN, 2014; MENDONÇA, 2011, DUARTE et al, 2009)

Existe um distanciamento entre a teoria presente nas disciplinas de formação do professor e as efetivas metodologias existentes nas disciplinas das ciências de referência. A inexistência da obrigatoriedade de uma formação pedagógica para os professores universitários e o desprezo pelas teorias educacionais constituem um forte aliado para esse fato (ODA; BEJARANO, 2007). Isto contribui para que as organizações das disciplinas sejam direcionadas por livros didáticos, organizados com poucas aplicações contextuais para a própria vida do estudante de graduação e para futuras aplicações na vida profissional.

Desses estudos, compreendemos que o núcleo pedagógico da comunidade que forma o professor de Física apresenta a interdisciplinaridade como um instrumento metodológico a ser aplicado dentre as suas futuras práticas profissionais. Ela não aparece como um elemento formativo que possibilite o licenciando compreender as

disciplinas específicas ou a vivenciar uma discussão da Física inserida em questões diversas da dimensão humana, tais como as culturais, sociais ou econômicas.

Um projeto interdisciplinar pode ser desenvolvido, usando-se temas geradores com o objetivo de ensinar ciências, tendo como pontos de partida problemas surgidos no interior da comunidade escolar, ou seja, no interior da comunidade de prática (DELIZOICOV; ANGOTTI; PERNAMBUCO, 2002). Para tanto, a interação entre as disciplinas terá a finalidade de responder às lacunas de responsabilidade de especialidades diversas.

Trata-se de um tema surgido com considerável frequência nos eventos e periódicos da área, em diversas ocorrências do Ensino de Ciências, destinados tanto ao Ensino Médio quanto à formação de professor, com maior ocorrência para a última etapa da Educação Básica. No trabalho de Feistel e Maestrelli (2012), foram analisados 170 artigos, 29 teses e 141 dissertações no período de 1987 a 2010, sendo encontrada apenas 8 investigações com discussões sobre interdisciplinaridade na formação inicial de professores de Ciências. Lapa, Bejarano e Penido (2011) encontraram, em periódicos nacionais, 29 artigos publicados entre 2000 e 2010, os quais estabeleciam alguma relação entre o Ensino de Ciências e a interdisciplinaridade. Dessas 29 publicações, 24 ocorrências tinham a disciplina Física nas discussões e 9 ocorrências tinham abordagens relacionadas à formação de professores, sendo que 6 trabalhos faziam referência à formação de professores de Física.

Lisboa e Bejarano (2013), em estudos feitos entre 2000 e 2012, em periódicos nacionais considerados de relevância para o Ensino de Física, encontraram 11 artigos abordando o tema interdisciplinaridade na formação do professor de Física, representando 6% do total. A maioria daqueles artigos consistia em projetos desenvolvidos nas disciplinas de estágios ou futuras propostas a serem desenvolvidas na sala do Ensino Médio. Não sendo trabalhada, nem discutida nas disciplinas específicas de Física, ela fica como algo complementar ao ensino dessa disciplina. O perfil do professor interdisciplinar pode se iniciar com a adoção de estratégias didáticas que auxiliem o licenciando na resolução de situações-problema. A interdisciplinaridade deve aparecer na graduação tanto como abordagem teórica, quanto como atividade prática. Existem trabalhos na literatura especializada em Ensino de Ciências que relatam experiências interdisciplinares nos cursos de

licenciatura, com abordagens diversas, muitas delas nas disciplinas relacionadas a Estágios ou a Metodologia e Prática de Ensino.

Esses relatos aparecem como propostas que promovem vivências dos licenciandos de disciplinas diferentes na atuação em sala de aula da Educação Básica (VILANI; FRANZONI; VALADARES, 2008; PIERSON; FREITAS; VILLANI; FRANZONI, 2008), nas discussões em fóruns, visando a apropriação do tema numa perspectiva teórica ou teórico-prático (REZENDE; QUEIROZ, 2009) ou na aplicação de metodologia interdisciplinar, como a de Gerard Fourez (1997) que se adapta a um contexto disciplinar (PIETROCOLA; ALVES FILHO;PINHEIRO, 2003). Essas experiências indicam ações que objetivam direcionar os estudantes da licenciatura para uma atuação disciplinar, no seu campo profissional.

De uma forma geral, observamos que as experiências citadas ocorrem nas disciplinas chamadas de pedagógicas: Instrumentação para o Ensino, Metodologia e Prática para o Ensino ou Estágio. Nos trabalhos relativos aos cursos de Licenciatura em Física, especificamente, não encontramos o envolvimento das disciplinas específicas da Física. Este é um problema antigo e recorrente. Pernambuco (2009), discutindo os 20 anos da atualidade da tese defendida por João Zanetic, em 1989, concorda que a dificuldade de se inserir temas contemporâneos como a interdisciplinaridade, na Educação Básica, pode estar, também, relacionada à formação do professor.

Encontramos propostas que podem ser levadas para disciplinas de graduação. Rocha Filho e colaboradores (2009) propõem uma técnica didática para a medição da carga elementar, por meio da eletrólise da água, que pode ser aplicada nas disciplinas de Química e Física de cursos do Ensino Médio ou Superior. Há também a sugestão de uma aproximação entre Ciência e Arte, através da busca de elementos da Física Moderna nas obras de Salvador Dali (ANDRADE; NASCIMENTO; GERMANO, 2007).

Assim, este levantamento indica que existe uma preocupação quanto à interdisciplinaridade nos cursos de formação inicial de professor de Física, demonstrada pelo núcleo de formação pedagógica. A abordagem que fazia referência às disciplinas específicas de Física se manifestou no campo das propostas possíveis de serem realizadas por tais disciplinas. Esta lacuna pode resultar numa dificuldade

futura para os professores em formação, quando forem desafiados a adotar ou a aceitar metodologias que proponham interações com diferentes disciplinas.

Portanto, no curso de licenciatura onde atuamos, pensamos em promover tanto a discussão, como a prática de atividade interdisciplinar em uma disciplina específica da Física, Mecânica e Gravitação. Trata de um componente curricular que compõe o conjunto das físicas básicas. O desenvolvimento dessa atividade gerou dados para um dos objetivos específicos. Naquela etapa, procuramos conhecer como a participação dos licenciandos naquele projeto contribuiu na composição do seu perfil de professor.

Para compor o perfil profissional do professor, buscamos compreender quais saberes o constituem. Procuramos, também, entender como esses saberes são constituídos e como emanam nas atividades de práticas de ensino enquanto componente curricular. No próximo capítulo, faremos uma explanação a respeito dos saberes profissionais do professor e da formação desses saberes no interior de uma comunidade de prática.