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O bem estar social (BESo) desenvolvido por Keyes (1998), seria o terceiro modelo de bem estar, e refere-se a avaliação funcional da vida social; indivíduos socialmente saudáveis vêem-se pertencentes a um grupo maior.

A análise da saúde mental positiva inclui os desafios e critérios sociais. Segundo o autor a vida poderia ser separada em duas dimensões, a pública e a privada na teoria da psicologia social; apesar destas separações, o conceito de bem estar estaria associado a um fenômeno pessoal.

Bem estar seria a ausência de condições e sentimentos negativos, bem como, o resultado da adaptação e ajustamento funcionais frente às adversidades. A prevalência de sentimentos positivos em relação aos negativos indicaria a presença de bem estar emocional, ou seja, o funcionamento psicológico seria o resultado da maior presença do positivo em relação ao negativo frente à percepção de suas características pessoais ou autoconceito durante as diversas fases de seu crescimento (KEYES, 1998).

Apesar da medida de bem estar ser subjetiva, a dimensão pública também faz parte da vida das pessoas, pois elas estão inseridas nas estruturas sociais e nas comunidades, com muitos desafios e tarefas sociais a serem enfrentadas ao longo do tempo.

Para Durkheim (1951 apud KEYES, 1998) entre as principais vantagens de uma vida socialmente saudável estariam: a integração e coesão social; o sentimento de pertencimento; as relações de interdependência; o senso de consciência social compartilhada e direcionada para o futuro. Estruturado nestas vantagens decorrentes da presença de saúde social, Keyes (1998) construiu um modelo para bem estar social e seus indicadores para medir a saúde social positiva; e, propôs cinco dimensões do bem estar social: integração social, aceitação social, contribuição social, realização social e coerência social.

O autor afirma que essas cinco dimensões deveriam ser entendidas como desafios sociais a serem conquistados coletivamente. Com base em estudos sobre duas amostras representativas, Keyes (1998) examinou e validou as escalas e cada dimensão de bem estar social.

Primeira dimensão de BESo – integração social

Bem estar social seria a avaliação da qualidade das interações relacionais do indivíduo com a sociedade e a comunidade, e se caracterizaria pela presença de sentimento de integração e pertencimento social.

45 Sua contrapartida seria um processo de clivagem (SEEMAN, 1959; 1983; 1991; MERTON, 1949 apud KEYES, 1998), ou seja, uma fragmentação social do indivíduo, que refletiria a rejeição social ou a sensação por parte do próprio sujeito de não pertencimento na comunidade ou grupo social. Poderia sentir-se diferenciado em relação a seus valores e estilo de vida. O colapso das relações interpessoais que dariam sentido e apoio para a vida refletiria a patologia desta dimensão com a manifestação do isolamento social (KEYES, 1998). O paralelo de saúde pessoal estaria relacionado à própria identidade e autoconhecimento, ao sentimento de adequação pessoal e social; à confiança nos vizinhos e à segurança no bairro onde mora.

A estrutura desta dimensão do bem estar social foi baseada nas concepções de coesão social de Durkheim (1951 apud KEYES, 1998); na alienação cultural e na consciência de isolamento social de Seeman (1959; 1983; 1991 apud KEYES, 1998); e na consciência de classe de Marx (KEYES, 1998) que entenderia integração social como o construto de adesão coletiva e destino. Níveis positivos de integração social refletiriam sentimentos por parte do indivíduo de pertencimento, afinidades e coesão com o grupo social ou com a comunidade.

Segunda dimensão de BESo – aceitação social

Seria a dimensão que mede o nível de aceitação, por parte do indivíduo, do seu grupo social. Bons níveis de auto-aceitação, autoconceito e auto-estima estariam presentes no indivíduo saudável. A aceitação social seria a expansão desta percepção individual e pessoal para o coletivo, onde este indivíduo teria também a capacidade de avaliar e perceber o grupo social de uma forma saudável e positiva da mesma maneira que a si próprio (KEYES, 1998).

Com a presença positiva da dimensão de aceitação social, o indivíduo seria capaz de reconhecer pessoas como confiáveis, acreditar que outras pessoas seriam capazes de ações gentis e bondosas, bem como, de que poderiam ser dinâmicas, produtivas e comprometidas com o bem comum. Entenderia e aceitaria, também, os aspectos positivos e negativos da vida de forma a lidar com eles funcionalmente, e com isto manifestariam saúde mental (KEYES, 1998). A contrapartida seria o isolamento social, dificuldades de inserção e interação social do indivíduo, ausência de confiança nos outros.

A aceitação social indicaria que o indivíduo teria a capacidade de reconhecer e perceber o ser humano de uma forma positiva e saudável (WRIGHTSMAN, 1991 apud KEYES, 1998), e como conseqüência deste processo, o sentimento de conforto na presença do grupo social seria manifestado.

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Terceira dimensão de BESo – contribuição social

2. Aceptación social .Esta dimensão mede o valor social que o indivíduo atribui a si

próprio perante a sociedade. Segundo Erickson (1950, apud KEYES, 1998), na meia idade compreendida entre a faixa etária de 30 a 50 anos aproximadamente, o indivíduo poderia desenvolver um desejo forte de contribuir socialmente para a preparação e formação da próxima geração com a perspectiva de integrá-los como membros produtivos da sociedade.

Este processo refletiria o conceito de generatividade, que seria a capacidade de desenvolver o sentido de altruísmo, isto é, a pessoa estaria predisposta a dedicar-se ao próximo com atenção direcionada ao futuro e bem estar das gerações seguintes (ERIKSON, E; ERIKSON, J.M., 1998 apud MAGALHÃES; GOMES, 2005).

Esta dimensão inclui a concepção de que o indivíduo acreditaria ser um membro significativo da sociedade, bem como, que teria a capacidade e valor para contribuir socialmente para um mundo melhor (KEYES, 1998). A alienação corresponderia à contrapartida econômica para a diminuição do valor percebido de uma vida e de suas atividades diárias. O paralelo de saúde pessoal estaria relacionado à responsabilidade social, auto-eficácia, produtividade e generatividade.

Contribuição social, portanto, seria uma dimensão que avalia em que grau as pessoas sentem que suas atividades são valorizadas e reconhecidas pela sociedade e que suas contribuições efetivamente auxiliam na construção e manutenção direcionadas para o bem- comum (KEYES, 1998).

Quarta dimensão de BESo – realização social

Esta dimensão do bem estar social estaria associada ao nível de avaliação do potencial de desenvolvimento e evolução da sociedade que seria realizado pelas instituições sociais e seus cidadãos (KEYES, 1998).

Níveis positivos de realização social refletiriam pessoas saudáveis, com esperança sobre as condições e a construção de um futuro melhor para si e seu entorno na sociedade, bem como, acreditariam que elas e seus semelhantes seriam contemplados com resultados benéficos no decorrer de suas vidas em conseqüência do desenvolvimento e evolução social. Poderiam sentir-se como herdeiros de todas as realizações conquistadas.

47 Níveis negativos de realização social poderiam sugerir processos de: (1) Anomia, que seria um desrespeito ou descrédito às normas sociais, que poderia levar a condutas desviantes (SROLE´S, 1956 apud KEYES, 1998). (2) Fatalismo, que seria a aceitação passiva de eventos a partir do pressuposto de que o indivíduo não teria poder de intervenção para modificação de determinada situação ou realidade. Keyes (1998) cita Lefcourt (1982) que desenvolveu estudos sobre locus de controle interno e externo e acredita que o fatalismo se manifestaria quando a pessoa tivesse atitudes motivadas por um referencial externo de conduta, aguardando soluções externas ou mágicas para seus problemas; ou ainda, quando ela acreditasse que o destino de cada um fosse inevitável. (3) Impotência, que para Seeman (1959) seria uma das variações da

alienação. Para o autor, em seus estudos no campo da sociologia, haveria cinco tipos de

alienação: impotência, powerlessness; falta de sentido, meaninglessnes;, disforme, formlessness; isolamento, isolation; e, auto-estranhamento, self-estrangement (SEEMAN,

1991, apud KEYES, 1998).

A realização social poderia ser descrita como o componente coletivo da autodeterminação e autorealização, seria o sentimento de que a sociedade controla seu destino. Níveis saudáveis desta dimensão trariam como conseqüência, pessoas com um sentido de evolução coletiva, disposição para mudanças e novas experiências, desejo e esforço contínuo para o crescimento e desenvolvimento (KEYES, 1998).

Quinta dimensão de BESo – coerência social

Seria a percepção da qualidade, organização e funcionamento do meio social incluindo um sentimento de interesse em saber sobre o que ocorre em seu entorno e no planeta. Seriam pessoas com um sentimento de confiança no progresso e nas mudanças sociais.

Pessoas saudáveis teriam as seguintes características: (1) preocupação com o que acontece ao seu redor, sem falsas idealizações de um mundo perfeito; (2) teriam um sentimento de que são capazes de entender o que acontece em seu entorno; (3) manteriam e alimentariam o desejo de ter um sentido para as suas vidas (KEYES, 1998).

Mirowsky e Ross (2003) afirmam que a contrapartida da coerência social poderia ser denominada como meaninglessness, que significa a ausência de sentido existencial. Estes autores sugerem que as pessoas precisariam ter senso de controle, comprometimento, apoio e significado em suas vidas. A ausência destes elementos traria distúrbios na área da saúde mental, como por exemplo, impotência, angústia, perda de controle sobre suas vidas.

48 Keyes (1998) afirma que a coerência social seria análoga à coerência pessoal, e cita dois autores: Antonosvsky (1994 apud KEYES, 1998) que entende que esta coerência pessoal seria um indicador de saúde mental na medida em que o indivíduo preservasse sua coerência, inclusive, diante de adversidades ou eventos traumáticos; e, Ryff (1989), que considera como um indicador de saúde mental a sensação de ter um propósito e sentido para a vida.

Portanto, a coerência social seria o paralelo coletivo da coerência pessoal. Indivíduos socialmente coerentes, também o seriam pessoalmente; suas vidas pessoais seriam mais previsíveis e controláveis e seriam pessoas mais sensíveis e compreensíveis. (KEYES, 1998).

Pode-se observar que todas as dimensões de BESo, revelam um forte movimento positivo de crescimento, integração e evolução. A abordagem proposta por este autor pode sugerir que BESo contemple em um paralelo coletivo os domínios do bem estar subjetivo (BES) e do bem estar psicológico (BEP). Keyes (1998), portanto, propõem um modelo de bem estar social, e através de seus estudos desenvolveu e validou uma escala com as cinco dimensões de BESo apresentadas anteriormente, baseadas em teorias dos campos da sociologia e da psicologia.

Os resultados que obteve, sugerem: (1) que os desafios sociais são múltiplos e de diferentes níveis e classificações (coerência, integração, atualização, participação e aceitação); (2) os dados indicam que o nível de bem estar social aumenta gradativamente com a educação que, logicamente, se relaciona com a idade, e também, sugerem que os recursos, habilidades e experiência decorrentes de sua formação intelectual e suas experiências durante seu processo de envelhecimento são instrumentais para enfrentar os desafios da vida social; (3) indivíduos envolvidos com suas comunidades durante os últimos 12 meses da pesquisa, indicaram um sentimento de integração e contribuição social maior do que aqueles que nunca haviam se envolvido; (4) que existe forte correlação entre o envolvimento na comunidade e anomia, ou seja, quanto menor o envolvimento na comunidade maior seria o nível de anomia; (5) correlação entre a saúde nas relações sociais com a vizinhança, generatividade e restrições percebidas. Para os itens 4 e 5 as escalas utilizadas se correlacionaram com indicadores globais de satisfação com a vida, felicidade e disforia. Segundo Keyes (1998) isso significa que essas escalas somam-se e contribuem às já existentes para uma análise mais aprofundada de bem estar.

O autor faz uma reflexão sobre a questão dos campos de estudo da sociologia e da psicologia. Quais seriam as fronteiras entre elas como objeto de estudo? E as fronteiras entre bem estar psicológico e bem estar social? Para exemplificar a questão, refere-se à anomia, que se classifica como ausência de saúde social, e insere-se no campo da sociologia. Acredita que

49 os pesquisadores destas áreas deveriam investigar as relações entre as medidas em saúde mental positiva e bem estar, que segundo o autor, pertencem a construtos teóricos diferentes. Seu argumento principal refere-se à questão da divisão da vida em duas partes: pública e privada (KEYES, 1998).

Csikszentmihalyi (1992), autor da teoria do fluxo, que será apresentada mais adiante na subseção sobre bem estar no trabalho (BET), menciona que o conceito de fluir foi considerado pertinente por estudiosos da psicologia, antropologia e sociologia; e afirma que os sociólogos entendem o fluir como o oposto da anomia e da alienação.

Damásio (2000, p. 29) coloca que “tanto a sabedoria como a ciência da mente e do

comportamento humano baseiam-se nessa incontestável correlação entre o privado e o público – mente de primeira pessoa, de um lado, e comportamento de terceira pessoa, de outro.”

Keyes (1998) levanta algumas questões: As medidas de bem estar psicológico são realmente diferentes das medidas de bem estar social? Se a vida pública e privada são as fontes das dimensões de bem estar, quais seriam as medidas das relações sociais e psicológicas vinculadas à cultura? Quais são os mediadores e as diversas fontes estruturais de cada tipo de bem estar? O autor acredita que o avanço desses estudos, depende do desenvolvimento e utilização de modelos de bem estar que criassem medidas para a matriz das funções humanas; além dos estudos atuais dos aspectos positivos e negativos, seria necessário estudar as interações entre os aspectos psicológicos e sociais.

Aristóteles afirmava que as virtudes que caracterizariam a pessoa feliz, seriam conceituadas como estados da alma que se manifestariam das inter-relações dinâmicas do indivíduo com o seu meio social (CARSON, 2009). Seligman (2002) também compartilha desta visão, quando afirma que a psicologia positiva possui três pilares que a estruturam: as emoções positivas, as forças e virtudes pessoais e as instituições positivas. Entende que as emoções positivas só se manifestariam pelo exercício pessoal das forças e virtudes e estas necessitariam de ambientes facilitadores para que isso ocorresse. Menciona Katheleen Jamieson que propõe uma sociologia positiva que tem como foco as instituições que possibilitem o florescimento das comunidades e a potencialização do crescimento de forças e virtudes pessoais (SELIGMAN, 2002). A seguir será apresentada a Figura 6 para uma visualização sistêmica de BESo. Poderá ser observado que além do construto de bem estar social com suas cinco dimensões, foi apresentado nesta figura dois paralelos de análise com base em saúde social positiva: saúde pessoal positiva, e outro, com ausência de saúde social ou patologia social, ambos mencionados pelo autor (KEYES, 1998).

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Figura 6 - Bem estar social (BESo)

Fonte: (KEYES,1998; RYFF, 1989; ANTONOSVSKY, 1994; SEEMAN, 1991; SROLE,1956; DURKHEIM,1951; MERTON, 1949 apud KEYES, 1998; SEEMAN,1959; LEFCOUR, 1982; MIROWSKY; ROSS, 2003) Elaboração gráfica feita pela autora baseada em vários autores.

Alienação Anomia Fatalismo Impotência Isolamento social, dificuldades de inserção e interação social. Clivagem, isolamento, anomia, colapso das relações sociais. Falta de sentido existencial, impotência, angústia.

AUSÊNCIA

DESAÚDE

SOCIAL

(PATOLOGIA) BEM ESTAR SOCIAL

(BESo)

(Avaliações funcionais da vida social, indivíduos socialmente saudáveis, vêem-se pertencentes a um

grupo maior). Sentimento de integração e pertencimento com a sociedade e comunidade. Contribuição Social Realização Social Aceitação Social Integração Social Coerência Social Auto-eficácia, responsabilidade social, produtividade, generatividade. Realização pessoal, autodeterminação, crescimento pessoal, esperança sobre um futuro melhor. Auto-aceitação, autoconceito e auto-estima positivas. Identidade, adequação pessoal e social; confiança nos vizinhos

e segurança no bairro onde mora, trabalhos

voluntários.

Coerência pessoal, propósito e sentido para

a vida, entendimento e preocupação sobre os fatos ocorridos no entorno. Sentimento de valorização e reconhecimento em decorrência

de suas contribuições para o bem-comum.

Sentimento de evolução coletiva, disposição para mudanças e novas experiências,

desejo e esforço contínuo para o crescimento e desenvolvimento social.

Sentimento de confiança no progresso e nas mudanças;

percepção da qualidade, organização, funcionamento e

interesse pelo meio social.

SAÚDE

SOCIAL

POSITIVA

SAÚDE PESSOAL POSITIVA

Sentimento de conforto no grupo social decorrente de uma visão positiva do ser humano. Estaria correlacionado com uma visão positiva que o indivíduo teriade

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6. Bem estar no trabalho (BET)

Para o entendimento sobre o processo de desenvolvimento de bem estar no trabalho (BET) dois elementos serão mencionados inicialmente neste estudo. O primeiro deles seria o de que, em sincronia aos pressupostos da Psicologia Positiva proposta por Seligman (2002) e Peterson (2000), que apresenta uma escala de sanidades, estruturada em seis virtudes e sub- estruturadas através de vinte e quatro forças pessoais que levariam ao florescimento dessas virtudes (vide Quadro 1, p.20); Siqueira (2003), em sua tese de doutorado concluída em 1995, que teve como tema: “Antecedentes de Comportamentos de Cidadania Organizacional: a

análise de um modelo pós-cognitivo”, já estudava o que Seligman (2002) classificou,

posteriormente, como uma força pessoal de cidadania, incluída no grupo da virtude Justiça. Siqueira (2003) desenvolveu um modelo de cidadania organizacional, que apresenta cinco dimensões comportamentais: atividades de cooperação com os demais membros do sistema; ações protetoras do sistema ou subsistema; sugestões criativas para melhoria organizacional; autotreinamento para maior responsabilidade organizacional; criação de clima favorável para a organização no ambiente externo.

Baseado nos pressupostos da teoria cognitiva, o modelo de cidadania organizacional, proposto por Siqueira (2003), seria composto por variáveis cognitivas (comprometimento

COGNIÇÕES CIDADANIA AÇÕES DE

ORGANIZACIONAL AFETOS COOPERAÇÃO COM OS COLEGAS DE TRABALHO PROTEÇÃO AO SISTEMA SUGESTÕES CRIATIVAS AUTOTREINAMENTO DIVULGAÇÃO DE IMAGEM POSITIVA NA EMPRESA NO AMBIENTE EXTERNO PERCEPÇÃO DE RECIPROCIDADE ORGANIZACIONAL PERCEPÇÃO DE SUPORTE ORGANIZACIONAL COMPROMETIMENTO ORGANIZACIONAL CALCULATIVO SATISFAÇÃO NO TRABALHO ENVOLVIMENTO COM O TRABALHO COMPROMETIMENTO ORGANIZACIONAL AFETIVO

Figura 7 - Modelo pós-cognitivo para comportamentos de cidadania organizacional Fonte: Siqueira (2003, p.168-169)

52 organizacional calculativo, percepção de suporte organizacional e percepção de reciprocidade organizacional); e, afetivas (satisfação no trabalho, envolvimento com o trabalho e comprometimento organizacional afetivo). Estas variáveis seriam as determinantes para a manifestação do comportamento de cidadania organizacional, em outras palavras, os trabalhadores com níveis positivos das variáveis cognitivas e afetivas, teriam maior predisposição para ações de cidadania.

Conforme se observa na Figura 7,apesar de Siqueira ter proposto um modelo teórico de bem estar no trabalho (BET) apenas em 2008 com Padovan, pode-se observar que as dimensões de BET já estavam constituídas em 1995.

O segundo elemento a ser mencionado neste estudo refere-se ao bem estar subjetivo (BES), apresentado anteriormente nesta seção, e que está relacionado a uma avaliação geral da vida. O BES possui duas dimensões principais, emoções e cognições, abaixo deste nível, haveria quatro componentes centrais: inseridos na dimensão de emoção, afetos positivos e afetos negativos; e, na dimensão de cognição, satisfação geral com a vida e satisfação em domínios específicos (DIENER, 2000). Este autor em suas conclusões sobre o estudo de BES sugeriu que seria necessário dar continuidade às pesquisas sobre os níveis inferiores dos domínios específicos para o estudo da felicidade.

Siqueira e Padovam (2008) propuseram um quarto modelo teórico de bem estar: o bem estar no trabalho (BET), com o objetivo de contribuir para a ampliação dos estudos sobre estes níveis inferiores de BES; em particular, o campo de pesquisas sobre o trabalho que estaria inserido no componente de satisfação em domínios específicos de BES. Devido à complexidade e abrangência sobre este campo de estudos, bem como, pela riqueza de literatura focada na Psicologia Organizacional e do Trabalho, esta área necessitava de um construto que atendesse a essa demanda para suprir a falta de estruturas conceituais bem elaboradas para o estudo da saúde positiva dos trabalhadores.

Alicerçado neste modelo, Siqueira e Padovam (2008) propõem que bem estar no trabalho (BET) seria um construto multidimensional e composto por três dimensões afetivas representadas por indicadores do ambiente organizacional de trabalho: satisfação no trabalho e envolvimento com o trabalho, que seriam vínculos afetivos positivos do indivíduo em relação ao seu trabalho; e, comprometimento organizacional afetivo, que seria um vínculo afetivo positivo que o indivíduo estabeleceria com a organização para a qual trabalhasse. Esta estrutura tridimensional de BET, na qual se insere esses três construtos teóricos clássicos e já consagrados no campo da Psicologia Organizacional e do Trabalho, referem-se a vínculos

53 afetivos positivos como elementos psicológicos cognitivos, ou seja, este construto não é composto por emoções positivas como propõe Freedrikson (1998; 2001).

As autoras partem do conceito que Damásio propõe ao termo “sentimento”, que seria a

“representação mental de experiências com conteúdo emocional quais sejam, aquelas que ocorreram com alguma intensidade de emoção.” (SIQUEIRA, 2009, p. 251). Em outras

palavras, o sentimento seria a cognição da emoção, seria o como o sujeito pensa e descreve as sensações vivenciadas.

Para a teoria cognitiva, o pensamento desencadearia uma resposta emocional; a emoção não seria o agente de origem dos processos cognitivos, como propõe Fredrickson (1998; 2001). Apesar das diferenças entre os pressupostos teóricos sobre se esses elementos seriam de

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