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Forensic Binary Images

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Ryan e Deci (2001) entendem bem estar na área da psicologia classificadas em dois grupos, o primeiro teria como ponto central de pesquisa o estado subjetivo da felicidade, denominado de bem estar hedônico ou bem estar subjetivo (BES); e o segundo grupo denominado de bem estar eudaimônico, eudemônico ou bem estar psicológico (BEP), que teria uma visão mais filosófica.

Os construtos sobre bem estar, portanto, têm em suas raízes duas correntes filosóficas, hedônico e endaimônico ou eudemônico. O primeiro grupo, bem estar hedônico, ou bem estar subjetivo (BES) seria definido como a busca do prazer e o afastamento da dor. A palavra hedônico, deriva de hedonismo, uma palavra que se origina do grego “hēdonē” e significa prazer. Segundo o dicionário de Psiquiatria a definição de hedonismo seria “... a tendência a

buscar o prazer imediato, individual, como única e possível forma de vida moral, evitando tudo o que possa ser desagradável.” (PSIQWEB, 2009). Outra tradução para hedonismo, seria derivada da palavra grega hedonai, que significa, eu me deleito (SANTOS, 2009).

O hedonismo surgiu na Grécia, no período pós-socrático, e o filósofo Aristipo de Cirene, foi um dos seus principais precursores; a idéia central dessa teoria seria a de que todas as ações poderiam ser medidas em relação ao prazer e a dor vivenciadas. Seria a arte de “ser para ter” e “não ter para ser”. A arte de ser se manifestaria através da conquista da liberdade, autonomia e independência e de despojar-se da vida do consumo, da posição social e financeira, bem como, de falsos valores ou virtudes (honras, riquezas, poder e glória). O hedonismo seria o oposto da prática consumista, o remédio para a idéia de um hedonismo liberal e capitalista, que busca de forma disfuncional o prazer imediato e entende a felicidade como a realização de se adquirir bens materiais para ser valorizado como ser humano. O desenvolvimento da bem-aventurança humana seria originada no prazer (PSIQWEB, 2009).

Ryan e Deci (2001), mencionam que o segundo grupo buscaria compreender o funcionamento integral dos recursos e potenciais humanos (capacidade de pensar, raciocinar e utilizar o senso crítico); teria como ponto central de estudo o significado e a autorealização, denominado de bem estar eudaimônico, eudemônico ou bem estar psicológico (BEP). A visão eudaimonica da felicidade entende o conceito de bem estar como o “grau ao qual a pessoa

está em pleno funcionamento” (RYAN; DECI, 2001, p. 141).

Eudaimonia em grego significa felicidade, para Aristóteles essa expressão refere-se ao que o indivíduo tem de melhor; sentimentos de expressividade pessoal e de autorrealização seriam seus componentes principais (PASCHOAL; TAMAYO, 2008). Segundo Carson

31 (2009), o termo eudaimonia seria a tradução da expressão grega correspondente a prosperidade, boa fortuna, riqueza ou felicidade. No campo da filosofia, este termo tem sido traduzido apenas por felicidade. A palavra tem em sua composição, o prefixo “eu” que significa “bem” e pelo substantivo “daimon” que significa “espírito”, por este motivo muitos estudiosos e tradutores têm optado por expressões como “viver bem” ou “florescimento” (CARSON, 2009). A vasta literatura apresenta também o termo eudemonia, derivado de eudemonismo, para traduzir a palavra grega eudaimonia. Santos (2009) em seu dicionário de filosofia on-line, apresentou a seguinte definição para eudemonia: “tem como fim a felicidade

espiritual, o estado de contentamento da alma”. Devido ao fato de que os principais autores e

publicações que alicerçam esta seção utilizam eudaimonia como padrão, este termo será adotado nesta revisão a partir deste momento.

Segundo Carson (2009), Aristóteles afirmava que eudaimonia seria o bem principal para os seres humanos e que haveria unanimidade entre os estudiosos sobre isso, entretanto, as atribuições dadas a este conceito eram divergentes entre eles. Este autor afirma que, para Sócrates, eudaimonia seria viver uma vida justa e que para tanto seria necessário o conhecimento, como se fosse um tipo de previdência que, por sua vez, segundo Ferreira (1988), poderia ser definida como antevidência ou como a qualidade de ser cauteloso, prevenido, precavido.

Aristóteles entendia que a virtude seria algo básico para a manifestação de eudaimonia, mas defendia que apenas ela não seria o suficiente para sua realização. Eudaimonia não se relacionaria apenas com ocasiões específicas da vida, mas sim, com a maneira integral como o indivíduo a experenciou. Este filósofo, acreditava que uma vida feliz seria a que estivesse envolvida de forma profunda com o exercício da cidadania (CARSON, 2009).

As virtudes foram dividas em duas partes por Aristóteles: em dianoéticas (intelectuais) e em éticas (morais), ambas seriam partes da alma. As virtudes intelectuais estariam relacionadas ao aspecto racional da alma; e, as morais ou éticas, à sua parte sensitiva. Para Aristóteles a ciência prática estaria direcionada a investigar dois pontos específicos, o que trataria do desenvolvimento do homem individual e outro que cuidaria da felicidade coletiva, através da ética e da política (SILVA, 2008).

Seguindo a idéia de Platão, Aristóteles entendia que a abordagem hedonista não considerava as principais missões da racionalidade humana, o autocontrole e a moderação dos apetites e desejos humanos; através do exercício destes dois aspectos, o florescimento humano poderia se manifestar (CARSON, 2009).

32 Csikszentmihalyi (1992) afirma que o estado de felicidade seria alcançado pelo aprendizado do controle da vivência interior, pois este processo capacitaria o indivíduo a definir e intervir na qualidade de sua vida e de suas experiências. Para Albuquerque e Trócoli (2004), o termo bem estar estaria associado ao estudo científico da felicidade. Atualmente pode-se perceber um desejo crescente da sociedade, dos meios de comunicação em massa, das pessoas de forma geral por facilidades e soluções rápidas, mágicas e instantâneas. A felicidade seria idealizada como a conquista de objetivos para fortalecer o “ter” e não o “ser”.

Para Seligman (2002), a elevação dos níveis de felicidade do ser humano, principal objetivo da Psicologia Positiva, não se restringiria apenas a buscar apenas estados subjetivos de prazeres momentâneos; seu conceito é muito mais abrangente. Felicidade também integraria a “...idéia de uma vida autêntica. Este não é um julgamento meramente subjetivo, e

autenticidade descreve o ato de obter gratificação e emoção positiva através do exercício das próprias forças pessoais, que são caminhos naturais e permanentes para a gratificação.” O

autor considera as gratificações como o mapa que leva a pessoa a uma “vida boa”, que segundo a sua definição seria a “utilização das suas forças pessoais para obter gratificação

abundante nos principais setores da vida” (SELIGMAN, 2002, p.288).

Segundo este autor a felicidade e o bem estar poderiam relacionar-se a dois aspectos: aos sentimentos e a atividades em que não haveria a presença de nenhum sentimento. As emoções positivas dividem-se em três grupos: aquelas voltadas para o passado (“satisfação,

contentamento, orgulho e serenidade”); as voltadas para o futuro (“otimismo, esperança, confiança e fé”); e, aquelas voltadas para o presente, que se subdividem em prazeres

momentâneos e gratificações. Os prazeres momentâneos podem ser (1) físicos, emoções positivas decorrentes dos cinco sentidos: “cheiros e gostos deliciosos, sensações sexuais, uma

boa movimentação do corpo, visões e sons agradáveis”; (2) ou, aqueles com uma abrangência

mais ampliada, são mais complexos que os sensoriais, e, definidos por sentimentos que manifestam: “êxtase, enlevo, emoção, regozijo, alegria, encantamento, júbilo, divertimento,

entusiasmo, conforto, graça, relaxamento e outros do gênero.” (SELIGMAN, 2002, p.287-

288).

A gratificação seria o correspondente a eudaimonia, “é parte integrante da ação

correta” (SELIGMAN, 2002, p.132). Ela não decorreria do prazer físico, bem como, não

poderia ocorrer através de induções químicas ou através de qualquer tipo de condução ou manipulação. A eudaimonia ou gratificação seria vivenciada apenas através de ações que estejam alinhadas a propósitos nobres. Os prazeres estariam associados aos sentidos e às emoções, porém, as gratificações estariam entrelaçadas às forças e virtudes pessoais.

33 A eudaimonia ou gratificação seria a outra subdivisão das emoções positivas relacionadas ao tempo presente, refere-se às atividades prazerosas, enquanto que a subdivisão de prazeres relaciona-se a sentimentos prazerosos. Essas atividades seriam, por exemplo, ler, escalar montanhas, brincar, dançar, conversar, jogos esportivos ou coletivos, viajar, fazer amor, comer, beber.

O conjunto dos prazeres e gratificações do presente, das emoções positivas do passado e do futuro é o alicerce dos sentimentos subjetivos. O autor afirma que os testes desenvolvidos para medir e avaliar esses estados de ânimo são precisos e rigorosos e excelentes instrumentos de uma “ciência respeitável” (SELIGMAN, 2002).

Seligman (2002) cita Ryan e Deci (2001) e Ryff (1995), que também classificam o bem estar em duas abordagens, as hedonistas (seus estudos concentram-se na emoção) e as eudemonistas (que focam na atuação total do indivíduo). O autor afirma que os estudos de Ryff (1995) têm contribuído significativamente para os estudos nas abordagens eudemonistas, pois buscam teorizar o processo de crescimento ao longo da vida de forma integral. Entretanto, tem certas questões divergentes em virtude do entendimento dado a “potencial” humano e “atuação total” (SELIGMAN, 2002, p.317), pois entende que estes termos estariam embasados em conceitos culturais e imprecisos para suas definições. Seligman (2002) adotou o conceito de prazer eudaimonista/eudemonista ou gratificação como aquele que geraria um crescimento psicológico.

Por muito tempo o indivíduo e os grupos sociais foram treinados, através de estruturas de pensamento pessimistas e derrotistas, a como evitar sentir a dor, o desprazer, a doença, o sofrimento e os problemas; muitas vezes desenvolvendo comportamentos individualistas e competitivos em momentos em que, talvez, o mais funcional seria aprender a trabalhar em grupo, com união, espírito de solidariedade e cooperação (SELIGMAN, 2002). Este autor defende a idéia de que as pessoas poderiam aprender a ser felizes através de atitudes de busca de gratificações e emoções positivas exercendo e intensificando suas forças e virtudes pessoais. A Figura 2 apresenta um esquema sobre as emoções positivas e suas três divisões, passado, presente e futuro.

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Para Seligman (2002), o estudo de bem estar está correlacionado às virtudes e forças pessoais, pois são estas que promovem o sentimento positivo autêntico. Existiriam quatro componentes em todas as emoções: um de sentimento, um sensorial, um de raciocínio e um de ação. Em suas pesquisas, comparou emoções negativas e positivas visando responder a questão do porque a evolução fez com que o ser humano desenvolvesse estados emocionais. Emoções negativas (medo, tristeza e raiva) fazem parte do sistema de proteção contra situações externas de ameaça ou perigo.

Figura 2. Esquema das emoções positivas segundo Seligman.

Fonte: Material elaborado com base em (SELIGMAN, 2002, p.17-122; 287-289)

VIDA BOA “utilização das suas forças pessoais para obter gratificação abundante nos principais

setores da vida.” p.288 SENTIMENTOS SUBJETIVOS

São estruturados nos prazeres e gratificações do presente, e das emoções

positivas do passado e do futuro.

GRATIFICAÇÕES (EUDAIMONIA)

Absorvem completamente, bloqueiam a consciência - exceto quando são lembrados: “Nossa, como foi gostoso!”. Muitas vezes as sensações naturais não estão presentes. Criam a experiência de fluxo (há ausência de emoção durante o fluxo). A duração da gratificação é maior do que a do prazer. Envolve raciocínio e interpretação. Devem ser vivenciadas muitas

vezes para serem automatizadas (hábitos). Estão alicerçadas nas forças e virtudes pessoais. As gratificações são a passagem para

a boa vida.

¾ Atividades Prazerosas, não são sentimentos (ler, escalar montanhas, brincar, dançar, cantar, conversar, jogos esportivos ou coletivos, viajar, fazer amor,

comer, beber, outras). PASSADO Satisfação Contentamento Orgulho Serenidade PRAZERES MOMENTÂNEOS

Envolvem pouco ou nenhum raciocínio. ¾ Físicos – ocorrem quando há a presença de emoções momentâneas

positivas (cinco sentidos: cheiros e gostos deliciosos, sensações sexuais, movimentação do corpo, sons ou visões

agradáveis e bonitas).

¾ Sentimentos maiores – são mais

ampliados do que os sensoriais (despertam êxtase, enlevo, orgasmo, deleite, exuberância, emoção, regozijo,

alegria, encantamento, júbilo, divertimento, entusiasmo, conforto,

graça, relaxamento, outros afins).

FUTURO Otimismo Esperança Confiança EMOÇÕES POSITIVAS (três classes) PRESENTE Alegria, êxtase, calma, entusiasmo, animação, prazer e

35 Segundo o autor, o medo seria o sinalizador de perigo ou ameaça iminente; a tristeza poderia ser entendida como uma constatação de ameaça de perda ou propriamente a realização da perda física, material ou afetiva; raiva indicaria uma regra interna violada, uma ameaça de invasão ou efetivamente, uma invasão. A sobrevivência, dentro do processo de evolução, seria preservada pelos sinalizadores do perigo, da perda e da invasão. A aversão seria o componente de sentimento de todas as emoções negativas (desgosto, medo, repulsa, ódio e outras emoções afins). Estes, como as imagens, sons e cheiros envolveriam a consciência e a dominaria, como um mecanismo adaptativo automático para resolução de problemas; funcionaria como um sinalizador de que algo deveria ser corrigido. O tipo de raciocínio seria focado e específico para atender a questão e ação resultante de luta, fuga ou proteção.

Os processos competitivos, em virtude da relação de ganha versus perde, desencadeariam o predomínio de emoções negativas, quanto maior o desejo ou interesse pelo resultado de determinada ação ou projeto, mais as emoções seriam de forte impacto sobre o sujeito. Seligman (2002) ilustra esta idéia com o exemplo de uma luta até a morte, que ativa as emoções negativas como resposta adaptativa de sobrevivência. Coloca como hipótese provável ser esta a causa da prevalência de emoções negativas e de sua manutenção, através da herança genética, na história de evolução.

O autor afirma que a estrada para a felicidade seria percorrida pela prática e desenvolvimento das forças e virtudes pessoais, a tentativa de vivenciar o bem estar de forma mágica resultaria em um empobrecimento espiritual. “Emoção positiva desligada do exercício

do caráter leva ao vazio, à inverdade, à depressão e, à medida que envelhecemos, à corrosão de toda realização que buscamos até o último dia de vida.” (SELIGMAN, 2002, p. 22).

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