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Para Diener (2000) o estudo do bem estar subjetivo (BES) é uma área de pesquisa da psicologia positiva, que compreende a avaliação cognitiva e emocional que as pessoas fazem da vida. O autor coloca que os avanços nos estudos de BES poderiam contribuir para a construção de indicadores nacionais de felicidade nos Estados Unidos.

Bem estar subjetivo (BES) tem como foco principal em suas pesquisas entender as percepções que as pessoas fazem de suas vidas. Centra seus estudos na felicidade e satisfação diante da vida, dentro do campo cognitivo (DIENER, 2000; DIENER et al., 2009). Níveis saudáveis de BES indicariam que o sujeito estaria consciente de seu alto nível de satisfação geral com a vida, alta freqüência de afetos positivos (emoções e estado de humor agradáveis) e baixas freqüências de afetos negativos (emoções e estado de humor desagradáveis) (DIENER, 2000, p.34).

Suh, Diener, Oishi e Triandis (1998 apud DIENER, 2000) em uma pesqisa realizada com 7.204 universitários de 42 países, sobre felicidade e satisfação com a vida, constataram que estas duas variáveis estão no topo da escala de importância para estes jovens. Foi constatada também uma maior tendência de importância para BES nos países ocidentais e média elevada de preocupação com a felicidade em todos os países pesquisados. A Figura 3 apresenta maiores detalhes desta pesquisa.

FELICIDADE E SATISFAÇÃO COM A VIDA

Pesquisa com 7.204 universitários de 42 países.

(Suh; Diener; Oishi; Triandis, 1998 apud Diener, 2000, p.34)

• Tendência maior de importância para BES em nações ocidentais.

• Média elevada de preocupação com a felicidade em todos os 42 países pesquisados. • RESULTADO DA AMOSTRA DE PESQUISA SOBRE ESCALA DE IMPORTÂNCIA:

1. Felicidade no topo da escala de importância = 69%

2. Satisfação com a vida no topo da escala de importância = 62%. 3. Dinheiro mais importante do que felicidade = 6%

4. Relataram nunca ter pensado neste assunto. = 2%

• Entendem que BES se tornaria uma meta cada vez mais valorizada pelas pessoas para que tenham uma vida boa.

Figura 3 - Pesquisa sobre felicidade e satisfação com a vida Fonte: Diener (2000, p. 34) – Elaboração gráfica feita pela autora.

37 Houve uma mudança na teorização do BES. Anteriormente era apenas compreendido como efeito de todas as experiências positivas e agradáveis do indivíduo em vários domínios específicos da vida, como: trabalho, família, lazer; sendo as situações cotidianas os preditores do BES. Atualmente, novas teorias propõem o construto de BES como causa, e entendem que há uma tendência global do indivíduo para vivenciar os acontecimentos de maneira positiva, pois experimenta emoções positivas e prazer em conseqüência de sentir-se feliz (JESUS; REZENDE, 2009).

Diener (2000) considera o ser humano com capacidade para autonomia, sendo autor e organizador da sua experiência de vida. Para o autor a pessoa faria a avaliação da sua qualidade de vida, e isso seria caracterizado como democrático na medida em que ela exerceria o direito de decidir se sua vida vale à pena. Não seria a realidade, a situação em si que determinaria se a experiência seria ou não prazerosa, agradável ou desagradável; e, sim, a interpretação do indivíduo frente ao que vivenciasse. Isso vem de encontro aos pressupostos do modelo cognitivo que propõe que “as emoções e comportamentos das pessoas são

influenciados por sua percepção dos eventos”, em outras palavras, sua resposta emocional é

mediada pela percepção da experiência (BECK, 1997, p.29).

BES seria um conceito que se apoia totalmente na percepção e avaliação do próprio indivíduo, naquilo que ele observa e como ele entende a sua vida (DIENER, 2000). Diener et al. (2009) compartilham da visão da psicologia positiva da mesma forma que Seligman e Csikszentmihalyi (2000), não incluindo estados psicológicos negativos ou adoecidos como objeto de estudo. Suas metas seriam medir o nível de bem estar que as pessoas alcançam em suas vidas, estudar a existência pessoal de forma integral, e contribuir para o entendimento de estados positivos (SIQUEIRA; PADOVAM, 2008).

Segundo Diener (2000) as pessoas vivenciariam abundantemente o bem estar subjetivo (BES) quando sentissem muitas emoções agradáveis e poucas desagradáveis, quando estão envolvidas em atividades interessantes, quando sentem muitos prazeres e poucos desprazeres ou dores, bem como quando estão satisfeitos com suas vidas. Segundo o autor haveria outros aspectos que também integrariam o conceito de uma vida de valor ou de uma boa vida e de saúde mental, mas o campo de BES estuda apenas as avaliações das próprias pessoas sobre suas vidas.

A principal característica de BES é medir o resultado da orientação geral positiva do indivíduo para as experiências que tem na vida, e não apenas aferir a soma da quantidade de momentos de satisfação do sujeito (JESUS; REZENDE, 2009). O BES seria composto por duas dimensões, a cognitiva e a emocional. A cognitiva seria referente aos julgamentos globais

38 sobre a satisfação do indivíduo com a sua vida, e a emocional, às respostas do indivíduo que correspondem a emoções e humores; que em conjunto são compreendidos como afeto que representa as suas avaliações e reações frente às vivências que experimenta (PASCHOAL; TAMAYO, 2008).

A dimensão cognitiva de BES: satisfação com a vida

Segundo Siqueira e Padovam (2008) atualmente este conceito ainda é compreendido como uma dimensão subjetiva de qualidade de vida, juntamente com felicidade e bem estar, que estaria relacionado a avaliações individuais para a percepção de seu padrão e qualidade de vida, incluindo-se aspectos específicos das diferenças culturais. Apesar das origens de satisfação com a vida serem decorrentes de conceituações sobre qualidade de vida, pesquisadores do campo da psicologia o redirecionaram para compor o conceito de bem estar subjetivo.

A partir da década de 80 diversos estudiosos como Stones e Kozna; George e Bearon; e, Stull já reconheciam satisfação com a vida como um componente do conceito de BES (SIQUEIRA; PADOVAN, 2008). Este reconhecimento potencializou o estudo de BES em virtude de que foi possível diferenciar os componentes cognitivos dos emocionais; viabilizou o estudo empírico da estruturação e avaliação de fatores culturais e sociodemográficos entre amostras distintas, bem como, a construção de modelos teóricos psicológicos mais consistentes e escalas mais adequadas de mensuração de seus componentes.

Siqueira, Gomide Jr. e Freire (1996) desenvolveram e validaram a Escala de Satisfação Geral com a Vida (ESGV). Esta escala é unidimensional e é composta por 31 frases com uma abrangência de avaliação dos aspectos como amigos, aparência física e nível de instrução. Seu foco é o de avaliar o nível de satisfação global que o indivíduo percebe ter com a sua vida. Esta escala não possibilita a mensuração dos níveis de satisfação em domínios específicos da vida.

A dimensão emocional de BES: afetos positivos e negativos

Segundo Keyes, Shmotkin e Ryff (2002) o balanço positivo entre duas dimensões emocionais, emoções positivas e emoções negativas, é o componente emocional de BES. Salienta que a característica essencial deste componente relaciona-se à presença de maiores vivências de emoções positivas do que das negativas durante a vida. Em outras palavras, o

39 balanço entre as experiências vivenciadas com emoções prazerosas e com sofrimento, indicaria a presença ou ausência de satisfação com a vida na dimensão afetiva. Relaciona-se à visão hedônica da filosofia, pelo fato de que os aspectos afetivos são o ponto central da avaliação.

Para Diener e Lucas (2000) a satisfação com a vida no domínio afetivo, estaria mais relacionada à periodicidade com que se vivenciam as emoções positivas, do que propriamente com as suas intensidades, o motivo desta questão estaria relacionado à escassez de emoções extremamente intensas, bem como, pelos custos de vivenciá-las. Bradburn (1969) introduziu a hipótese de que este construto seria separado por dois sentimentos distintos e relativamente independentes, afetos positivos e afetos negativos; pois os resultados dos estudos sobre este tema revelaram fraca correlação entre eles; correlações altas entre os itens de cada escala, e diferentes índices de correlação com outras variáveis. Com estas evidências foi comprovada a estrutura bidimensional do componente afetivo de BES.

Segundo Diener, Scollon, e Lucas (1995), BES é um construto com quatro componentes: (a) avaliação global da vida: satisfação com a vida, sucesso, sensação de preenchimento e significado da vida; (b) satisfação em domínios específicos; inclui casamento, trabalho, saúde e lazer; (c) afetos positivos: alegria, contentamento, amor, dentre outros; (d) afetos negativos: tristeza, raiva, preocupação, estresse, dentre outros. Compondo o conceito multidimensional de BES, que formam um fator global de variáveis inter-relacionadas, têm-se satisfação geral com a vida, afetos positivos e afetos negativos. Os pesquisadores chegaram a seis variáveis que são preditores de BES: auto-estima positiva, sentido de controle percebido, otimismo, sentido de significado e propósito na vida, extroversão e relações sociais positivas (COMPTON, 2005).

Segundo Jesus e Rezende (2009), algumas dessas seis variáveis se assemelham com as seis dimensões do instrumento “Scales of Psychological Well-Being” (SPWB) de Ryff (1989), que avalia o bem estar psicológico ou subjetivo: aceitação de si, relações positivas com os outros, autonomia, domínio do ambiente, sentido da vida e crescimento pessoal. Os pesquisadores Ferreira e Simões (1999) adaptaram a escala de 84 itens desenvolvida por Ryff, para a aplicação em Portugal, e a nomearam como: “Escala do Bem estar Psicológico” (EBEP).

Observa-se também, que estas seis variáveis vão de encontro ao que Seligman (2002) afirma sobre a necessidade do indivíduo ter autonomia, sentido e significado para a sua vida, para que então, possa vivenciar a felicidade. Este autor considera uma vida significativa como:

“utilização das suas virtudes e forças pessoais a serviço de algo muito maior” (SELIGMAN,

40 Csikszentmihalyi (1992) entende que para uma experiência ser considerada como significativa na vida do indivíduo ela deveria atender a três requisitos básicos: (1) quando estivesse relacionada às suas metas de forma positiva; (2) quando os esforços fossem coerentes e justificáveis para alcançar essas metas; (3) quando essa experiência fosse organizada.

No Brasil, Siqueira, Martins e Moura (1999) desenvolveram e validaram a Escala de Ânimo Positivo e Negativo (EAPN), que é composta por 14 afetos que se classificam em duas sub-escalas: a de afetos positivos composto por seis itens (feliz, alegre, animado, bem, satisfeito e contente) e a que mede afetos negativos com oito itens (irritado, desmotivado, angustiado, deprimido, chateado, nervoso, triste e desanimado). BES é definido como a vivência preponderante de afetos positivos e poucas de afeto negativo e a satisfação com a vida de forma geral (ALBUQUERQUE; TRÓCOLLI, 2004).

Para um melhor entendimento, na seqüência, apresentaremos a Figura 4 com um esquema gráfico sobre BES, pode-se observar que ainda estão em desenvolvimento os estudos sobre satisfação em domínios específicos (casamento, trabalho, saúde e lazer). Segundo Diener (2000) seria necessário dar prosseguimento às investigações destes domínios específicos para uma melhor compreensão e mensuração dos níveis de bem estar. Siqueira e Padovam (2008), em sincronia a esta afirmação, desenvolveram o quarto modelo teórico de bem estar, bem estar no trabalho (BET), uma das variáveis desta dissertação; e, que vai ao encontro de satisfação no domínio específico trabalho de Diener (2000), e que será abordado mais adiante nesta seção.

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Figura 4- Bem estar subjetivo (BES)

Baseado em Diener (2000) – elaboração gráfica feita pela autora.

Fonte: (DIENER, 2000; SIQUEIRA et al.2006; SIQUEIRA; PADOVAM, 2008).

Para que BES seja manifestado, as emoções

positivas devem prevalecer em relação às

negativas, e o sujeito deve vivenciar satisfação

geral com a vida. Diener (2000)

Casamento

Trabalho

Saúde

Lazer

BES – CONCEITO MULTIDIMENCIONAL FATOR GLOBAL DE VARIÁVEIS INTER-

RELACIONADAS Satisfação Geral com a Vida

Afetos Positivos Afetos Negativos Bem Contente Satisfeito Animado Alegre Feliz Angustiado Deprimido Chateado Triste Nervoso Desanimado Satisfação com a vida Sucesso Sensação de Preenchimento Significado da Vida Irritado Desmotivado DIMENSÃO COGNITIVA DE BES Escala de Ânimo Positivo e Negativo (EAPN) – Desenvolvida e validada por Siqueira, Martins e Moura (1999) DIMENSÃO EMOCIONAL DE BES SATISFAÇÃO GERAL COM A VIDA AFETOS POSITIVOS (AP) AFETOS NEGATIVOS (AN)

BEM ESTAR

SUBJETIVO - (BES)

Diener (2000)

SATISFAÇÃO EM DOMÍNIOS ESPECÍFICOS Variáveis preditoras de BES:

auto-estima positiva; sentido de controle percebido; otimismo;

sentido de significado e propósito de vida; extroversão;

relações sociais positivas.

Observação: Satisfações em domínios específicos ainda não foram estudados.

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