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Première approche d’une modélisation de l’état hydrique d’un sol après irrigation

Os estados emocionais vivenciados durante as avaliações são importantes para compreender a mobilização das crenças de autoeficácia, já que emoções negativas podem indicar pouca confiança na própria capacidade e prejudicar o desempenho (BANDURA, 1997).

Na entrevista inicial (2013), quando nos referíamos à época anterior à EJA, perguntamos: “Muita gente me conta que se sentia nervosa nos dias de prova. Outros comentam que se sentiam tranquilos. E você, como se sentia quando tinha prova de Matemática?”. A maioria relatou sensações negativas em relação aos momentos de avaliação que tinham na infância ou adolescência:

“Nervosa. (...) Por que.. é uma matéria, eu acho que é uma matéria difícil” (Fernanda).

“Não, eu ficava assim, meio apreensiva... É porque por mais que você sabe, você fica na expectativa do que vai dar, do que vai dar, você fica ansiosa, então...” (Marlene).

“Eu ficava mais nervoso porque eu sabia que eu... não iria bem” (André).

“Ih! Me deu um calorão danado, só de você fazer a pergunta agora (riso) (...) É, fico, aí já não enxergo mais nada, seu eu ficar lendo muito, aí eu não enxergo mesmo, embaralha tudo, não sei se hoje é devido de ter enfraquecido as vistas né, a idade hoje já tá bem avançada, cinquenta e cinco anos, né, não é fácil”.

Diego afirmou enfaticamente que ficava “perdido”, Edna respondeu “ansiosa”. Adriano e Gustavo disseram que ficavam tranquilos, Francisco e Geovana responderam

188 que ficavam tranquilos se estudassem para a prova, e Vanda disse que não se importava, “eu nunca fiquei nervosa com prova”.

Sensações negativas foram relatadas mesmo no caso de alunos que em outras perguntas comentaram sobre não ter dificuldades com a Matemática, ou gostar da matéria, achar as tarefas fáceis, o que mostra um comportamento diferenciado na situação de prova.

“Ah, eu, de todo jeito ficava nervoso, né, falou que é prova aí a gente fica meio nervoso, mesmo sabendo alguma coisa, tinha hora que... né, as coisas você... ia ler, não entendia direito” (Amilton).

“Ah, inseguro” (Carlos).

Ainda nessa entrevista, perguntamos: “Na avaliação de vocês atualmente, o professor de matemática não usa provas. O que você acha disso?”. Quase todos os alunos consideraram haver pontos positivos na situação de não ter prova e as justificativas se referem principalmente à ideia de que a prova poderia provocar sensações negativas, mas também à importância da participação e à falta de tempo para estudar

“Todas as pessoas da sala têm tarefa, têm serviço, têm casa, têm um monte de coisa pra fazer, senão não estaria estudando à noite. Então eu acho, eu acho um método de ensino legal, porque assim também a gente aprende mais” (André).

“A participação é mais importante, eu acho” (Carlos).

“Ah, eu acho mais fácil quando... olha mais participação, visto no caderno, porque prova é difícil, matemática é uma matéria difícil de você guardar de cabeça... então a prova é complicada” (Diego). “Eu acho isso legal. Porque prova assim, deixa a gente nervosa, quando a gente não sabe, mas se a gente souber também, é tipo um exercício” (Geovana).

“Eu acho uma boa... não pra mim, porque eu até gosto de prova e tudo. Só que geralmente muitos alunos ficam... ficam com medo (...) é tipo uma prova que faz, só que faz uma avaliação individual na sala, só que fala que é uma atividade, mas na verdade é uma prova. Uma coisa só pra eles ficarem mais tranquilos” (Adriano).

Vanda declarou que se fosse fazer uma prova individual, “não ia sair muita coisa”. Para Marlene, a prova faz falta para o aluno ver o que aprendeu, mas que sem fazer prova é mais tranquilo:

“Assim sem nota, fica mais tranquilo, mesmo não sabendo, você... alcança o objetivo, né... que é passar (riso)”.

189 Meire havia comentado em outra pergunta que gostaria de fazer concurso e parece ter se referido a isso ao falar da prova:

“É igual eu tô te falando, eu tinha que aprender a fazer essa prova... ter certeza que eu sei fazer (...) Uai, se ele achar que eu tô aprendendo, fazer o que, não faz prova”.

Essa questão foi feita antes de acontecer o exercício avaliativo e os alunos pareciam tranquilos, confortáveis, com a ideia de que não haveria prova. Mas, no momento de realização da avaliação, mesmo que não fosse uma ‘prova’ (individual e sem consulta), as sensações indicam que, para os alunos, tinha esse significado e despertou emoções negativas relacionadas a isso.

No episódio “Exercício avaliativo” (p.150) referente à avaliação em 2013, os alunos ficaram agitados, pareciam preocupados com o resultado, não se mostravam tranquilos como acontecia nas outras aulas. As emoções vivenciadas nesse dia certamente foram diferentes e, para uma boa parte deles, provavelmente não muito agradáveis. Na tirinha respondida sobre esse exercício avaliativo (26-11-2013), na última pergunta63, as respostas foram muito variadas, mostrando mais uma vez um grupo heterogêneo. Sete alunos (Marlene, Diego, Edna, Fernanda, Francisco, Geovana, Amilton), ou seja, metade dos que fizeram a avaliação, marcaram somente opções de sensações negativas: ansioso(a), cansado(a), nervoso(a), estressado(a), desanimado(a). A opção “entusiasmado” foi marcada por apenas um aluno, assim como “desanimado”. Cada uma das opções “nervoso”, “satisfeito”, “confiante” e “nada diferente das outras aulas” foram marcadas por dois alunos. As opções “estressado” e “empenhado” tiveram três marcações cada, e “tranquilo” foi marcada por quatro alunos. As mais frequentes foram “cansado e “ansioso”, cada uma com cinco marcações. Em geral, esses dados estão um pouco distantes das respostas da entrevista inicial, em que os alunos pareciam ter gostado da ideia de não ter prova e sim um exercício avaliativo (em dupla com consulta), mas quando foram resolver pareciam ver naquele momento a situação de ‘prova’ e muitas sensações negativas vieram à tona. A ideia de fazer o exercício em dupla e com consulta parece ter contribuído, em alguns casos, para a expectativa de bom resultado, devido à ajuda externa (como descrito na p.137, sobre outra pergunta dessa tirinha). No entanto, as emoções negativas comumente associadas ao momento de prova perecem não ter sido amenizadas com a utilização desse estilo de avaliação.

63“Enquanto você estava resolvendo as questões, como se sentiu?” com as opções de resposta:

tranquilo(a), ansioso(a), cansado(a), nervoso(a), satisfeito(a), empenhado(a), confiante(a), estressado(a), com pressa, desanimado(a), entusiasmado(a), nada diferente das outras aulas.

190 No episódio “Avaliação individual” (p.151), referente à avaliação ao final do projeto, foi realmente a típica situação de ‘prova’. A decisão do professor de que a avaliação fosse realizada individualmente, sem consulta e sem uso da calculadora, diferentemente do que acontecia nas aulas, parece ter deixado boa parte dos alunos se sentindo incomodados ou inseguros. Como abordado no eixo anterior, as dificuldades encontradas na prova nem sempre foram superadas e houve certa insatisfação de muitos alunos com o próprio desempenho. A ideia de que para o aluno a realização da prova é uma tarefa bastante distinta da realização de atividades em sala, e assim pode se sentir mais capaz para fazer uma e não outra, está relacionada também com as sensações diferentes vivenciadas em cada uma dessas duas situações. As emoções e a autoeficácia influenciam-se mutuamente: estados psicológicos constituem informações para a formação ou mudança das crenças de autoeficácia, assim como o fortalecimento da autoeficácia tem papel importante na autorregulação de estados afetivos (BANDURA, 1997).

Na quinta tirinha (24-03-2014), referente a essa avaliação, foi perguntado como os alunos se sentiam antes, durante e depois da prova. Na pergunta: “Antes de começar a fazer a prova, como você se sentia?”64, seis alunos marcaram a primeira opção (confiante...), e os comentários foram:

“Porque a matéria foi bem explicada” (André).

“Estava confiante tentei fazer o possível para responder corretas as respostas” (Meire).

“Porque eu estava indo bem nas revisões e sabia a matéria” (Higor). “Porque fazendo as contas com calculadora fica mais fácil” (Amilton). “Eu sei a matéria” (Adriano).

Sete alunos marcaram a quarta opção (inseguro...), e comentaram: “Hoje não estou bem” (Carlos).

“Pois não sabia todas matérias” (Diego). “Porque eu não estudei” (Fernanda).

“Pelo fato de eu ter faltado muito nas aulas” (Gabriela).

“Porque prova sempre dá um medo quando se refere à palavra prova” (Geovana).

“Porque eu esqueço as matérias na hora da prova, porque não estudo em casa” (Gustavo).

André, Francisco e Vanda marcaram a opção ‘tranquilo’.

“Porque [pensei] que conseguiria resolver todas as questões sozinha” (Vanda).

64Essa pergunta teve as opções de resposta: “confiante, acreditando que iria saber como resolver as

questões; com medo; animado; inseguro, sem saber se ia dar conta de resolver as questões ou não; tranquilo” e perguntou também “Por quê?”.

191 Higor e Marlene marcaram ‘animado’ e Edna marcou ‘com medo’.

“Às vezes as contas confundem a minha cabeça a soma de tudo me confunde” (Edna).

As respostas a esta questão foram muito variadas, a turma ficou praticamente dividida em dois grupos, um em que os alunos estavam mais confiantes e outro no qual estavam mais inseguros. As explicações também foram muito diferentes, mas citaram, principalmente aspectos internos, relacionados à capacidade ou esforço: ir bem na revisão, saber ou não a matéria, esquecer, confundir, estudar, conseguir resolver.

Ainda nessa tirinha, foi perguntado sobre como os alunos se sentiram enquanto estavam resolvendo as questões65. Os alunos André, Higor e Meire marcaram somente opções de sensações positivas: tranquilo(a), confiante, entusiasmado(a), empenhado(a). Das sensações positivas marcadas pelo total de alunos, as mais frequentes foram ‘tranquilo’ (quatro) e ‘confiante’ (três). Adriano e Meire marcaram a opção ‘empenhado’ e apenas Adriano marcou a opção ‘satisfeito’. Os comentários associados a essas emoções foram:

“E as questões não estavam muito difíceis” (Adriano). “Porque eu conhecia a matéria” (André).

“Porque eu sabia a matéria e estudei bastante” (Higor). “Porque até o momento eram revisões” (Meire).

Oito alunos marcaram somente opções negativas: cansado(a), nervoso(a), desanimado(a), ansioso(a), estressado(a). Das sensações negativas marcadas pelo total de alunos, as mais frequentes foram ‘cansado’ (seis) e ‘nervoso’(cinco). Diego e Geovana marcaram a opção ‘desanimado’, e Edna e Gabriela marcaram ‘ansioso’. Os comentários desses alunos foram os seguintes:

“Porque deu um branco em algumas fórmulas de resolver” (Amilton). “Porque nas provas eu fico estressada” (Fernanda).

“Falta de confiança e por não lembrar direito uma questão” (Gustavo).

“Porque estava preocupada com outros problemas” (Marlene). Vanda não marcou nenhuma opção, explicou:

“Me senti confiante mas na hora deu branco. Porque nem sempre as coisas são como parecem”.

65 Essa pergunta trazia as seguintes opções de resposta: tranquilo(a), nervoso(a), confiante(a),

desanimado(a), ansioso(a), satisfeito(a), estressado(a), entusiasmado(a), cansado(a), empenhado(a), com pressa, nada diferente das outras aulas, outros (especificar).

192 As respostas a esta questão também foram diversificadas. Houve um grupo menor de alunos com respostas mais voltadas para emoções positivas, com comentários sobre suas capacidades e sobre as questões da prova. O outro grupo, que marcou uma ou mais sensações negativas, fez comentários no sentido de explicar por que se sentiram daquela forma e foi citado principalmente o esquecimento de algo da matéria.

Comparando as emoções vivenciadas pelos alunos nas duas atividades avaliativas, não houve mudanças significativas no grupo como um todo. Foram relatadas sensações agradáveis e desagradáveis, sendo que estas últimas tiveram frequência um pouco maior. Apesar de haver indícios de mudanças positivas em aspectos relacionados à autoeficácia, como as experiências de êxito e a persistência na superação de dificuldades, abordados nos eixos anteriores, isso parece não ter tido uma repercussão significativa nos estados emocionais durante as avaliações. Os alunos pareceram continuar tendo pouco autocontrole sobre estados psicológicos prejudiciais ao desempenho, como sentir nervosismo durante a prova. Além disso, sempre há o problema do cansaço, comumente enfrentado pelos estudantes da EJA, que muitas vezes trabalham durante o dia e estudam à noite. No entanto, considerando a mudança que houve no estilo da avaliação (primeiramente um exercício avaliativo em dupla com consulta e depois uma avaliação individual sem consulta), seria possível supor que os alunos piorariam seus aspectos emocionais na segunda situação. Contudo, isso não foi o que aconteceu, refletindo certa estabilidade em termos de comportamentos e emoções, mesmo que as condições do ambiente (características da prova) se tornassem menos favoráveis.

Considerando a primeira fase do processo do trabalho de campo, é perceptível que as aulas de Matemática, para a maioria dos alunos, não eram associadas a sensações desagradáveis. Apesar de haver o cansaço, o clima era de tranquilidade, com mais emoções positivas do que negativas, sendo que havia também, para uma parte dos alunos, a ideia de neutralidade, equilíbrio: não chegavam a ‘gostar’, mas também não ‘achavam ruim’. Ao longo do projeto desenvolvido, buscamos aprimorar aspectos positivos observados, como o clima tranquilo e também estimular algumas características novas que pudessem propiciar sensações positivas, e foi possível observar algumas mudanças nesse sentido: os alunos passaram a sentir mais satisfação e animação por conseguirem fazer as atividades propostas, mais curiosidade em relação aos temas e atividades trabalhados, mantiveram ou intensificaram seu interesse em aprender coisas novas, ficaram mais à vontade para fazer perguntas e comentários,

193 algumas vezes achavam que a aula estava ‘passando mais rápido’. Dessa forma, em relação às emoções vivenciadas nas aulas e à relação afetiva dos alunos com a Matemática, há indícios de contribuições positivas para o fortalecimento da autoeficácia. Essa questão também teve importância na pesquisa de Katz (2015): os sentimentos constituíram um tema que emergiu na análise realizada, no estudo com alunos do Ensino Fundamental, em que realizou uma intervenção buscando o fortalecimento da autoeficácia. Os sentimentos relatados pelos alunos em relação à preparação e realização das tarefas eram principalmente negativos antes da intervenção (como ansiedade e frustração) e se tornaram positivos, relacionados à autoconfiança, autorregulação e calma (KATZ, 2015).

Em relação aos aspectos emocionais relacionados aos momentos de avaliação, temos um ponto que precisaria de mais atenção e orientação para os alunos: melhor preparação para as situações de prova, tendo como foco a ideia de que a prova não deveria constituir a parte mais importante da etapa escolar. A avaliação é feita de forma contínua, processual, e os alunos precisam estar atentos a isso, para não depositar na prova um peso maior do que realmente ela tem. Além disso, precisam perceber que a atividade avaliativa é muito parecida com as atividades das aulas e, portanto, podem ter, na prova, comportamentos e desempenhos parecidos com os que comumente têm nas aulas, com mais autorregulação de emoções negativas que possivelmente possam surgir. Em geral, podemos identificar fatores com os quais se relaciona a relação afetiva dos participantes com a Matemática, e estes estão em consonância com outras pesquisas envolvendo afetividade e aprendizagem no contexto da EJA. A presença ou importância desses fatores variam de uma pessoa para outra e também de acordo com fases diferentes na vida da pessoa. Um deles é a apreciação ou valorização da Matemática enquanto conhecimento importante para compreender melhor a realidade e para resolver problemas práticos. Outro fator é avaliação feita pelo aluno da qualidade das aulas, das metodologias de ensino utilizadas, das experiências propiciadas nesses momentos que consideram facilitadoras da aprendizagem. Relaciona-se com isso outro fator que diz respeito às emoções e aos sentimentos vivenciados durante as aulas. Além disso, também há a forma como o aluno percebe o trabalho do professor, as características profissionais e pessoais deste e os aspectos afetivos envolvidos na relação professor- alunos. E um fator de grande importância são as experiências de sucesso nas atividades matemáticas, que fornecem informações para as crenças de autoeficácia, o que pode

194 afetar positivamente a forma como o aluno percebe a Matemática e como percebe a si próprio enquanto aprendiz dessa disciplina.