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Le potentiel de Gibbs

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De acordo com Novaes (2013), a definição de juventude pode ser compreendida como um período da vida, uma categoria social ou uma faixa etária. No Brasil, o Estatuto da Juventude, em vigor desde 2014, representa uma grande conquista para a institucionalização da juventude enquanto categoria e determina como jovem o indivíduo entre quinze e vinte e nove anos. No entanto, juventude configura uma categoria extremamente plural e heterogênea. É fundamental romper com a ideia de juventude como categoria singular e estática; é necessário considerarmos a pluriatividade e a diversidade da juventude, para que, assim, possamos apreender de maneira mais congruente as relações e as dinâmicas que perpassam tal categoria.

Nesse sentido, a juventude, por definição, é uma construção social, ou seja, a produção de uma determinada sociedade originada a partir das múltiplas formas como ela vê os jovens, produção na qual se conjugam, entre outros fatores, estereótipos, momentos históricos, múltiplas referências, além de diferentes e diversificadas situações de classe, gênero, etnia, grupo etc. (ESTEVES; ABRAMOVAY, 2007, p. 23).

Portanto, é necessário compreendermos o jovem enquanto um ator político e social, inserido em uma complexa configuração social. Analisar a multiplicidade de conjunções da juventude brasileira nos permite perceber as condições distintas desse segmento social e as situações dadas a partir da faixa etária, sem restringir a esta a fundamentação para sua conceitualização. Nesse sentido, há necessidade de ampliar a noção de juventude através da termologia "juventudes", mais adequada para se referir aos diversos segmentos juvenis, inseridos em diversos contextos sociais. Pensar a noção de juventude à luz dessas diversidades nos permite compreender a categoria juventude não mais como homogênea, mas inserida em diversas esferas de pertencimento.

Insistir na ideia insuficiente do jovem apenas enquanto indivíduo pertencente à determinada definição etária ou até mesmo na ideia de juventude

enquanto período transitório da vida entre a fase da infância e da vida adulta reduz a categoria “juventude” a uma representação que, por muito tempo, foi prevalecente na sociedade contemporânea. Essa representação traz o jovem como um ser apático as dinâmicas sociais e políticas, e à espera do momento em que chegará ao mundo do trabalho e demais compromissos da "vida adulta".

A concepção de juventude corrente na sociologia, e genericamente difundida como noção social, é profundamente baseada no conceito pelo qual a sociologia funcionalista a constituiu como categoria de análise: como um momento de transição no ciclo de vida, da infância para a maturidade, que corresponde a um momento específico e dramático de socialização, em que os indivíduos processam a sua integração e se tornam membros da sociedade, através da aquisição de elementos apropriados da “cultura” e da assunção de papéis adultos (ABRAMO, 2005, p. 29).

As frações entre as idades (o conceito que divide as idades dos indivíduos) são parciais, que estão imersas em configurações distintas em cada campo. Para Bourdieu (1983), a fronteira entre a juventude e a velhice é um objeto de disputas em todas as sociedades. O autor defende que as classificações por idade não somente impõem limites práticos, como também produzem uma ordem social. Um exemplo disso é visto quando Bourdieu (1983) assinala que os limites da juventude servem historicamente para manutenção do poder das classes dominantes, ao depositar sobre os jovens pressupostos de natureza irresponsável e rebelde.

Esses limites podem ser percebidos através dos entraves e desafios que o jovem enfrenta cotidianamente na sociedade. Seja o jovem do campo, da cidade, estudante, da classe trabalhadora, nos mais diversos espaços de sociabilidade, é perceptível a presença de barreiras que impedem o jovem de exercer tanto seus direitos como também suas vontades. É necessário desvincular os estudos acerca de juventude dessas representações tradicionais e compreender a diversidade presente nos segmentos juvenis, atentando-se para as múltiplas conjunções em que se apresentam na realidade da juventude contemporânea.

Neste momento, trataremos, especificamente, da juventude brasileira, que está inserida em diversos espaços de sociabilidade, tais como família;

trabalho, escola ou faculdade; e grupos religiosos, sociais e políticos. Ao mesmo tempo em que essas instâncias são resultado, ajudam a construir social e historicamente a realidade juvenil brasileira, construindo ainda espaços de pertencimento e ferramentas de engajamento das juventudes na vida social e política. Tais espaços são de fundamental importância para a construção das identidades dos jovens e explicam, em boa parte, suas trajetórias.

Na concepção da sociedade, como também no olhar do Estado, a juventude por muito tempo foi compreendida, de maneira geral, como uma categoria aspirante, em que o jovem representava a figura de um adulto em potencial, sempre limitado pela barreira da vida não-adulta. A irresponsabilidade provisória depositada na juventude remetia a ideia de que o jovem enquanto indivíduo detentor de determinada idade biológica não possuía compromissos, deveres e responsabilidades, estes apenas destinados a vida adulta. Nesse sentido, as capacidades econômicas, sociais e legais, que representam fatores constitutivos na vida do jovem, foram historicamente negadas, seja no âmbito familiar, educacional ou social.

A transitoriedade que permeia a categoria juventude não pode ser encarada como invisibilidade, a juventude enquanto categoria analítica detém seus próprios dilemas, anseios, direitos e vontades. Com a redemocratização do país em 1988, o jovem enquanto ator social, que antes era invisível aos olhos do Estado, passa a adquirir maior visibilidade no que tange as políticas públicas sociais, estudantis e de trabalho. Essa visibilidade conquistada através do engajamento e participação social dos jovens militantes do movimento estudantil nos anos antecessores à redemocratização do Brasil em conjunto com a expansão nos estudos acadêmicos sobre a categoria possibilitou que o Estado e a sociedade passassem a compreender o jovem como sujeito de direitos.

Nesse sentido, a academia passa a abandonar a visão do jovem enquanto delinquente ou adulto em processo. A produção acadêmica, que antes se detinha em relacionar o jovem com temas problemáticos, passa a se aprofundar em questões acerca da participação social, do mercado de trabalho, da diversidade da juventude, entre outras. Esse processo de mudança na

concepção de juventude perpassou a academia e o Estado, e adentrou na sociedade.

O jovem passa a ser público alvo tanto do mercado, como de políticas públicas. Essas transformações na sociedade e a mudança na relação do jovem com o Estado, não asseguraram em sua totalidade as demandas da juventude brasileira. Nesse sentido, os jovens do país continuaram se organizando coletivamente, a fim de influenciarem seu campo social através de ações coletivas. O processo contínuo de organização coletiva sucedeu uma pujança no surgimento de grêmios estudantis, grupos de bairro, coletivos de cultura, grupos de jovens organizados em sindicatos, associações, entre outros.

Um novo modelo institucional de políticas públicas, proposto através das conferências nacionais, conselhos gestores, fóruns e outros, possibilitou uma maior inserção e atuação da juventude nos processos decisórios e nas formulações de políticas públicas voltadas para sua categoria em questão, o que resultou em uma maior organicidade juvenil em todo o país e nos demais segmentos juvenis nesses espaços institucionalizados de participação.

A partir dos anos 2000, o acúmulo desse processo de organização política e social da juventude teve impacto direto na agenda governamental, como também no fortalecimento das identidades juvenis, ampliando, com isso, sua organização e incidência nas políticas públicas e espaços de tomada de decisão. Exemplos da ampliação da juventude enquanto categoria política foram a criação da Secretaria Nacional de Juventude (SNJ) em 2005 e a criação do Conselho Nacional de Juventude (Conjuve), além de políticas públicas e avanços institucionais no âmbito federal. No âmbito federal, essas ações ficaram conhecidas como Política Nacional de Juventude.

Tal processo possibilitou avanço significativo no processo de emancipação da juventude, através da inserção dos jovens nos processos de elaboração, implementação e gestão de políticas públicas no campo da juventude. “A produção estatal de ‘juventude’ como categoria social pode ser reconhecida, por exemplo – embora não exclusivamente – no âmbito das

institucionalização da juventude por parte do Estado, por meio de políticas públicas, representa um marco no processo de consolidação da juventude enquanto categoria.

Alguns delimitadores sociais passam a adentrar o debate da juventude, contribuindo para novas teorias e percepções do que é ser jovem atualmente. Superando as ideias de juventude enquanto período transitório, os fatores de raça, classe social, gênero, entre outros, passam a incidir de maneira propositiva no debate que envolve toda a discussão de juventude.

A sociedade atual permite que o jovem ocupe profusos espaços de socialização, exercitando o senso de coletividade e agregando grupos, identidades, aproximações e reconhecimentos ao seu corpo social. Essa ampliação de possibilidades de vivências e relacionamentos possibilitou uma expansão no pensar e no refletir acerca das subjetividades presentes nas dinâmicas juvenis. Se antigamente os jovens tinham hábitos, posições e costumes já pré-estabelecidos e impostos no ordenamento social, a expansão dos espaços socializadores através das famílias, dos grupos políticos e culturais, melhoria na oferta educacional e profissionalizante etc., despertou nos jovens uma reflexão crítica sobre si mesmos enquanto categoria.

Essa reflexão pode ser vista através da atuação e da organização juvenil em diversos grupos e espaços, pautando demandas sociais e políticas públicas. Esses engajamentos ampliaram o horizonte para os diversos segmentos existentes dentro da categoria juventude, compreendendo que os lugares de fala, os locais onde vivem, sua classe social, o gênero, a raça e outros fatores são de extrema relevância para entender suas distintas demandas. Por essas razões, os jovens passaram a se reconhecer enquanto grupos específicos.

Em um longo processo de construção coletiva de identidades, os segmentos juvenis vão superando a concepção simplista de geração e passam a abarcar especificidades presentes em contextos distintos. Com a contribuição da teoria dos novos movimentos sociais, esses segmentos foram se constituindo no Brasil até se fortalecerem e ganharem espaço e força no espectro político e social. A abordagem clássica sobre movimentos sociais,

surgida nos Estados Unidos, tinha como objetivo principal compreender os comportamentos coletivos através da teoria da ação social, os quais eram resultados de tensões sociais (GOHN, 1997). A abordagem tradicional acerca dos movimentos sociais foi substituída pela teoria dos Novos Movimentos Sociais devido à necessidade de compreender a atuação dos movimentos sociais dentro de um contexto social altamente plural.

A juventude brasileira passou a se organizar de forma mais incisiva nessas novas lutas sociais. Agrupamentos juvenis pautando demandas do movimento negro, movimento LGBT, movimento feminista, entre outros, se tornaram cada vez mais presentes na cena política do país. Nesse sentido, segmentos que configuram forte sentimento de pertencimento, muitos já existentes, foram se fortalecendo cada vez mais. É nesse processo que a subjetivação revelada através de paradigmas e normas sociais constitui instrumento vital para a manutenção da organicidade de agrupamentos identitários.

Ao pesquisar as mobilizações e agrupamentos juvenis, Vázquez (2013) destaca que as especificidades da categoria juventude produzem um capital político – a partir de simbolismos – que configura fator decisivo na identificação dos jovens enquanto categoria social e política e assim, estimulando sua mobilização coletiva.

As especificidades da juventude são produzidas simbolicamente como um valor ou capital político, como uma geração, como um princípio de recrutamento de militantes, de reconhecimento ou de identificação, entre outros dos sentidos explorados (VÁZQUEZ, 2013, p. 22)

A concepção juvenil acerca de fatores distintos que permeiam suas práticas e realidades está diretamente ancorada em profusas condições estruturais da sociedade e afluem de maneira expressiva na percepção da imagem que a juventude têm de si mesmo ao “Reconhecer a existência de múltiplas culturas juvenis, formada a partir de diferentes interesses e inserções na sociedade” (ESTEVES; ABRAMOVAY, 2007, p. 24). Os agrupamentos e segmentos de jovens que consideram a multiplicidade da juventude representam campos que cooperam com a asseveração das identidades juvenis influenciando suas variadas relações nas práticas cotidianas.

Nesta perspectiva, os aspectos subjetivos enquanto motores na construção de novas formas de coletividade influenciaram na reflexão da juventude acerca do que é “ser jovem” e do seu lugar na estrutura social e na consolidação e construção de novas formas de socialização. Através dos processos efervescentes de agrupamentos, a juventude passa a se organizar coletivamente e a se reconhecer em segmentos sociais plurais e, assim, problematizar acerca de questões até então abafadas pelo padrão de ordem social historicamente estipulado para os jovens.

Mesmo com toda a organicidade da juventude enquanto categoria política e social que luta por demandas específicas, não se pode negar que devido a fatores como faixa etária, relações de trabalho e vida, a juventude constitui uma categoria geracional, marcada, mas não definida apenas, pela transitoriedade. Se no caso dos movimentos que discutem raça ou gênero, por exemplo, o sentimento de pertencimento a esses grupos é permanente, quando se trata de juventude estamos falando de uma organização passível de mudanças, dadas as diferenças sócio-históricas, o que interfere diretamente nas percepções sobre o que é ser jovem, quais as demandas da juventude e quais os desafios da categoria.

Bourdieu (1983) afirma que as determinações etárias não somente impõem fronteiras práticas, como também produzem uma ordem social. Exemplo disso, é que, para Bourdieu os limites da juventude servem historicamente para manutenção do poder das classes dominantes, ao depositar sobre os jovens pressupostos de natureza irresponsável e rebelde.

Esses limites podem ser percebidos através dos entraves e desafios que o jovem enfrenta cotidianamente na sociedade. Seja o jovem do campo, da cidade, estudante, da classe trabalhadora, nos mais diversos espaços de sociabilidade, é perceptível a presença de barreiras que impedem o jovem de exercer tanto seus direitos como também suas vontades.

A representação ideológica historicamente dada acerca do jovem o coloca em distinção ao conceito de velhice, seja por hábitos, costumes ou deveres socialmente produzidos. Bourdieu (1983) afirma que as noções de juventude e de velhice não são dadas, mas construídas socialmente na luta

entre os jovens e os velhos. Essa luta, para o autor, nos permite compreender a relação entre os jovens e os velhos como disputas sociais em torno de relações de poder simbólico.

A idade é um dado biológico socialmente manipulado e manipulável; e que o fato de falar dos jovens como se fossem uma unidade social, um grupo constituído, dotado de interesses comuns, e relacionar estes interesses a uma idade definida biologicamente já constitui uma manipulação evidente (BOURDIEU, 1983, p. 113).

Os entraves e desafios advindos da diferenciação de idades são refletidos nas formas como os jovens são tratados historicamente (silenciados, subestimados etc.). Isso é continuamente repetido em diversas gerações; e, mesmo com todos os avanços, essas formas continuam presentes na sociedade contemporânea. As sociedades ao logo do tempo reproduzem fortemente a "adultocracia" nas diversas instituições sociais: escola, família, trabalho, entre outras.

A nova forma da juventude se reconhecer, através de pautas identitárias, possibilitou uma reorientação na forma de organização política e social, na qual os indivíduos jovens ligados por clivagens sociais como locais de moradia, gênero, classe social e raça passam a abandonar o viés da individualidade, para reconsiderar uma nova percepção do que é ser jovem numa sociedade contemporânea altamente plural. A pujança no surgimento de novas formas de sociabilidade, ancorada na perspectiva mais subjetiva do que é “ser jovem”, comprovou a insuficiência da percepção erudita e dicotômica do jovem enquanto indivíduo vanguardista ou problemático.

De acordo com Severine (2018)3​, a emergência das políticas públicas

faz com que os jovens rurais se organizem e busquem essas políticas, ao mesmo tempo em que isso fortalece a organização social, configurando, assim, um movimento de mão dupla.

3Fala retirada da palestra de Severine Macêdo durante mesa redonda “A emergência de novas

identidades sociais nos territórios rurais e a luta por reconhecimento, conquista e preservação de direitos de cidadania” no VIII Encontro da Rede de Estudos Rurais realizada em agosto de 2018 no auditório da Universidade Federal de Santa Catarina. Severine já foi dirigente da Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura Familiar (FETRAF), secretária nacional de juventude e militante dos movimentos do campo.

As relações entre campo e cidade se traduzem na dicotomia presente entre o rural e o urbano. As diferenças nas atividades econômicas predominantes, as relações sociais, os modos de vida, a integração entre mercados são alguns dos aspectos que ajudam a construir uma percepção mais específica do que é o rural. Nesse sentido, entendemos o rural como um espaço de relações socioeconômicas e culturais com meios urbanos, mediados por mecanismos de poder. Segundo Castañeda (2011, p. 01), a “juventude rural” configura um campo analítico a partir de uma análise dos “jovens rurais” como agentes que travam as lutas geracionais, bem como as armas que utilizam e as estratégias que praticam nessas lutas.

A organicidade da juventude rural ajuda a pautar política pública, contribuindo, dessa forma, com o fortalecimento das identidades presentes dentro da própria categoria “juventude rural”. A execução e elaboração das políticas públicas para juventude, em que pesem seus limites, possibilitou um ensejo na construção da categoria “juventude rural” a partir de novas formas de organização, ocupação de espaços importantes nos territórios rurais, predisposição ao associativismo e um novo modelo de representação juvenil, distanciando dos modelos tradicionais de participação política e social que a juventude esteve historicamente inserida.

Enquanto a academia pautou por muito tempo os estudos acerca de juventude nas problemáticas da violência, da criminalidade e da cidadania, os estudos sobre juventude rural eram fortemente marcados pelo debate do êxodo rural, onde se discutia, e ainda discute, a problemática que os jovens enfrentam em relação à permanência e os motivos de saída do meio rural para o urbano.

Se a categoria “juventude” é marcada pela heterogeneidade, a categoria “juventude rural” apresenta ainda mais particularidades nas tentativas de construção de uma definição. Ao se falar de jovens rurais, é necessário compreender a diversidade de indivíduos que essa categoria representa: o jovem quilombola; o jovem indígena; o jovem que reside em área rural, mas que trabalha em área urbana; o jovem agricultor; o jovem assentado que não exerce atividade agrícola etc. É indispensável analisarmos a juventude rural de maneira abrangente, de modo a compreender a diversidade que a categoria representa.

De acordo com o Censo Demográfico 2010 do IBGE, a juventude rural no Brasil é composta por 8,5 milhões de pessoas, sendo o maior grupo etário do território rural brasileiro, representando 27% da população do campo (IBGE, 2010). O Estatuto da Juventude determina a população jovem como sendo aqueles indivíduos que possuem idade entre 15 e 29 anos. Entretanto, movimentos sociais do campo apresentam a ponderação de que a juventude rural, devido às suas particularidades e dinâmicas presentes nos espaços familiar, escolar e de trabalho, abrange os indivíduos com até 35 anos; e que vivam em comunidades rurais, assentamentos da reforma agrária, comunidades tradicionais e pequenas cidades que sejam marcadas pelas relações sociais características do meio rural.

Com certo avanço institucional, como o Estatuto da Juventude 4 e outras

políticas públicas5​, a juventude rural no Brasil passou a se organizar de forma

mais atuante nos espaços de participação, criando a consciência de si mesmo como agentes sociais, reivindicando diversas pautas que são fundamentais para a permanência do jovem no rural no campo, dentre elas, uma educação contextualizada com a realidade do campo, acesso a políticas públicas voltadas para os jovens rurais, luta pela terra por parte dos filhos de assentados da reforma agrária, cursos profissionalizantes na área agrária, entre outros. Os movimentos sociais do campo e a igreja se configuraram ao longo da trajetória da democracia brasileira como protótipos de organização social e aglutinação de capital social juvenil no meio rural.

Para compreender de fato a diversidade da categoria “juventude rural”, é necessário abandonar as definições genéricas que permearam por muito tempo o debate na academia. Considerar os problemas e expectativas do jovem é ponto relevante, porém é indispensável atentar para a diversidade que a juventude rural revela através de contextos etários, comportamentais, locais e culturais. As multifacetadas realidades, interesses e barreiras fazem da

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