No que diz respeito aos benefícios dos observatórios, Gusmão (2002) destaca os seguintes:
• medir e avaliar o estado da arte dos esforços em C&T, tanto em nível macro (região, país, zonas) quanto em nível micro (um laboratório, uma empresa ou grupo individual);
• conhecer melhor os sistemas nacionais de pesquisa e inovação de determinada região e seu posicionamento no panorama mundial;
• identificar as principais forças e fraquezas dos esforços nacionais e internacionais em P&D;
• oferecer elementos para a produção de diagnósticos;
• apontar as principais tendências em determinado setor, em nível nacional e internacional;
• oferecer informações para o monitoramento de novas oportunidades e empreendimentos nos setores público e privado da P&D, além da inclusão de programas internacionais de cooperação técnico-científica.
Ordóñez (2002) apresenta como benefícios dos observatórios: fomentar o conhecimento e fundi-lo tanto em âmbito nacional quanto internacional; dar maior visibilidade à produção científica nacional; fortalecer a capacidade investigativa nacional; contribuir para a elaboração de metodologias de pesquisa e estudo em inovação; contribuir para a elaboração de indicadores de C,T&I.
Oferecer informações que propiciem o desenvolvimento de estratégias que convertam as informações em oportunidades para fortalecer o sistema de C,T&I do país, incentivar a inter-relação e participação do setor público e privado, tanto em
âmbito nacional quanto internacional são os benefícios de um observatório, segundo De La Vega (2002).
Outro benefício dos observatórios, de acordo com Gusmão (2005), é a montagem de uma infraestrutura de apoio à formação de redes de experts em temas específicos, reunindo representantes em função dos diferentes ministérios, institutos de pesquisa, agências, setores empresarial e acadêmico.
Antunes e Mangueira (2005) ressaltam os seguintes benefícios da existência de um observatório:
• facilitar a interação entre as universidades e o setor produtivo;
• identificar demandas das empresas e novas oportunidades de trabalho para o desenvolvimento econômico e social do pais;
• considerar a inovação como um processo dinâmico e cumulativo;
• operar de maneira sistemática por meio de ações de curto, médio e longo prazos;
• conscientizar e mobilizar o conhecimento para o desenvolvimento sustentável por meio de fóruns temáticos e/ou setoriais e;
• acompanhar o processo dinâmico da inovação tecnológica.
Siqueira e Carvalho (2003), em estudo realizado para identificar observatórios na área de saúde, constataram que a principal característica destes observatórios está relacionada ao fato de funcionarem como centros de informação. As atividades destes observatórios se referem à coleta, tratamento e difusão de informações, relacionadas à saúde. Os autores salientam ainda, que estes observatórios podem funcionar como uma rede de pessoas, que partilham agendas políticas e metas, desenvolvendo ações direcionadas a mudanças políticas, sociais, tecnológicas e outras, em nível regional, nacional e internacional. Salientam que as experiências identificadas são resultado de iniciativas governamentais e não-governamentais.
Em se tratando da função dos observatórios, De La Vega (2002) destaca a coleta e análise de informação estatística que permita conhecer a capacidade do país em períodos determinados, a prestação de serviços de informação com valor agregado e a produção de indicadores que auxiliem na tomada de decisão dos diferentes atores envolvidos (universidades, governos, empresas etc.).
Segundo Vessuri (2002), são várias as funções dos observatórios de C&T, destacando-se o monitoramento do tamanho, crescimento ou diminuição da comunidade científica e tecnológica do país e o desenvolvimento de indicadores, que servem para auxiliar nos processos de tomada de decisão e nas análises estratégicas. Produzir indicadores significa estar constantemente atento aos debates e intercâmbios entre os atores, e também ter conhecimento das análises e reflexões à respeito das políticas de pesquisa. Os observatórios de C&T coincidem com a tendência generalizada das instituições e centros de pesquisa, porém, são mais pragmáticos e orientados por metas. E caracterizam-se por uma concepção de trabalho dirigido a produtos, assuntos e serviços específicos, que afetam não somente as formas através das quais os dados são distribuídos e divulgados, mas também as maneiras por meio das quais devem ser coletados e analisados.
Estabelecer bases de informação para permitir o surgimento de atividades em C,T&I em níveis local, regional, nacional e internacional, produzir informações para contribuir com a difusão do conhecimento e das atividades do sistema de inovação, gerar indicadores qualiquantitativos do sistema de inovação, produzir notícias com base nos indicadores, propiciar o fortalecimento da capacidade dos atores do sistema de inovação para estabelecer redes e alianças são as funções de um observatório, destacadas por Testa (2002).
Segundo Ibarrondo e Sánchez (2001), o observatório tem como função observar, analisar e difundir informações para auxiliar nas tomadas de decisão com maior nível de eficácia possível.
Gusmão (2002) entende como a função principal dos observatórios, a produção de indicadores em C,T&I, mais precisamente, a seleção daqueles considerados mais pertinentes para identificar e analisar determinados fenômenos.
Barré et al. (1995) também defendem esta ideia, salientando a produção de indicadores como uma das missões do observatório. Estes indicadores contribuem para identificar os pontos fortes e fracos do sistema de inovação e de setores específicos, oferecendo uma visão de conjunto, capaz de estimular as discussões e debates políticos em torno de ações estratégicas.
Para Santana et al. (2006), o observatório deve se encarregar de investigar e analisar um seguimento de mercado, suas inovações e seu desenvolvimento, além de estabelecer relações entre instituições públicas e privadas, para compartilhar as sinergias e experiências desenvolvidas.
Na visão de Nascimento (2006), o observatório tem a função de observar, acompanhar, antecipar e monitorar o desenvolvimento de áreas de conhecimento, com olhar atento aos aspectos considerados críticos, num determinado período de tempo, ou de modo cíclico, em países, regiões ou empresas. Podem ainda, atuar na concepção e produção de indicadores relativos às atividades científicas, tecnológicas e de inovação, possibilitando a sua interpretação em termos de posicionamento do país ou da região, identificando tendências e visões sobre futuros, a curto, médio e longo prazos.
Os observatórios podem ser mais passivos ou mais informativos, ou mais analíticos e disseminar informação mais detalhada, transformando-se num local de referência, desde que valorize a realidade do setor e permita que sejam feitas sugestões e recomendações. Em todos os casos, devem ser cautelosos, já que não há informação neutra e qualquer observação sobre a realidade vem determinada por quem a contempla. Neste sentido, é importante extremar as preocupações, ser o mais objetivo possível e manter-se distante das posições partidárias. Isso garante a legitimidade e longevidade do próprio observatório (ESTIVILL, 2007).
Na visão de Albornoz e Herschmann (2006), a função do observatório está associada as seguintes atividades:
• compilação e elaboração de bases de dados;
• metodologias para codificar, classificar e categorizar informações; • conexão entre pessoas e organizações que trabalham em áreas
similares;
• aplicações específicas de novas ferramentas técnicas; • análise de tendências e publicações.
Para o CGEE (2006), os observatórios desempenham um papel relevante de subsidiar os processos de tomada de decisão, tanto nos setores públicos quanto privados, por meio de:
• abordagens baseadas em evidências e em percepções do futuro provenientes do conhecimento explícito disponível e do conhecimento tácito de especialistas;
• articulação entre indivíduos e organizações, bem como o estímulo à participação efetiva dos principais interessados;
• construção de visões de curto, médio e longo prazos em assuntos nos quais a ciência, a tecnologia e a inovação são elementos centrais.
Conforme Yu et al. (2006), o perfil assumido por um observatório deve considerar o estado-da-arte do sistema nacional e dos sistemas locais de inovação no qual ele opera, além dos aspectos socioeconômicos e culturais de determinada região ou país. São estes aspectos que explicam a diversidade, em termos funcionais e formatos institucionais encontrados nos observatórios em operação.
Para Gusmão (2005), além do que já vem sendo feito em boa parte dos observatórios em operação, são necessários estudos que abordem a nova dinâmica de produção de conhecimento e suas formas organizacionais alternativas, como por exemplo, os novos mecanismos de transferência de conhecimentos e interações entre academia e empresas, tentando estabelecer formas de medir empiricamente o alcance das grandes transformações em curso.
Por fim, Vessuri (2002) enfatiza que as funções dos observatórios de C&T que se multiplicam em diversos países refletem a consciência das necessidades de fortalecer ativamente os sistemas de pesquisa e inovação.
Verifica-se, diante do exposto, que um observatório tem como função principal transformar dados em informações, trabalhando essencialmente com indicadores, oferecendo produtos/serviços (relatórios, análises periódicas, análises prospectivas, dentre outros), atendendo a demandas específicas do público a que se destina. São estas condições que irão garantir o seu sucesso e a sua sobrevivência.
Não cabe ao observatório definir políticas, mas sim disponibilizar as informações necessárias para auxiliar na tomada de decisão. Ele não cria estruturas novas, e sim, utiliza os mecanismos de produção de informação existentes.