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2. Description de l’intervention

2.1 Politiques nationales

O Carro de 98, por ter mantido a parte mecânica, necessita de manutenção regular. A troca das madeiras do assoalho (folhas de madeirite) geralmente é inevitável, caso não haja a guarda adequada em local coberto. Para evitar gastos e maiores preocupações, a correta preservação e conservação do Carro é um trabalho ao qual o produtor deve investir esforços.

Com dimensões fora do padrão de veículos ordinários, para além das permitidas nas Leis de trânsito quando completamente montado, e ficando guardado a uma distância de 30 km do local do Desfile, uma das maiores preocupações do produtor é o transporte do Carro ao local do desfile, e sua volta.

Como - Para o seu transporte por vias públicas (com exceção durante o cortejo), se faz necessário transportar desmontadas as varandas laterais superiores, a cúpula e as rodas. Ao final todas as peças desmontadas devem ser guardadas com muito cuidado, a fim de que estejam facilmente disponibilizadas e utilizáveis para uma nova montagem. Para comportar adequadamente a estrutura principal sem danos, deve-se usar um guincho de caminhões com rampa, de forma que o Carro fique completamente suspenso. Guinchos que elevam apenas um dos eixos também podem ser utilizados, a depender de sua capacidade, desde que observado durante todo o reboque o cuidado com elevações/depressões da pista o que pode danificar seriamente a estruturas de madeira do Carro. No lugar das rodas, são utilizados pneus para a movimentação do Carro e colocação e retirada sobre o caminhão guincho.

As rodas do desfile são transportadas juntamente no guincho. Ao ser descarregar o Carro no local de início do desfile, o próprio caminhão guincho serve de macaco mecânico para a troca dos pneus pelas rodas do desfile. Esta é uma

operação um pouco demorada, devido à grandeza das rodas, e a que tem de se contar com a boa vontade dos operadores do guincho, visto que este serviço não está incluso no valor do transporte.

É necessária pesada mão de obra, portanto colaboradores devem estar a postos para esse serviço (4 homens com razoável força), sem esperar por ajuda do operador do Guincho no trabalho braçal.

Equipe do Carro - Com o passar do tempo alguns devotos desenvolveram afinidade com o serviço de montagem e desmontagem do Carro, e uma equipe, sempre sob a supervisão de Vamshivata Das (Armênio Luiz Bordim), se formou apenas para este serviço.

Quando - Devido a suas dimensões, o Carro só pode ser transportado à noite/madrugada, quando a equipe do Carro é acionada. Uma das preocupações é a guarda do Carro no local do desfile, o que também força a ter que fazer o reboque na noite anterior ao evento. Regularmente, considerando o risco de vandalismo ou de que qualquer peça fosse levada, o devoto Ângelo se predispunha a passar a noite vigiando o carro. Quando esta ajuda não era possível, procurava-se contratar um vigia para tal. Em 2013, foi pleiteado junto à Universidade Federal da Bahia - UFBA - a utilização de um espaço interno próximo à Portaria principal da Av. Ademar de Barros do Campus de Ondina, local onde havíamos iniciado o desfile no ano anterior, o que foi atendido. Com isso, foi possível contratar o guincho para três dias antes do evento, possibilitando uma janela de tempo maior para a montagem final do Carro.

Para a montagem final do Carro, uma vez já no local do desfile, é necessária uma manhã de trabalho pesado para 4 homens (sem contar o tempo para a decoração). Esse é um dos motivos do horário escolhido para o desfile ser pela tarde, conforme já mencionado. Fica a cargo da produção providenciar o fornecimento de água e alimentação para a Equipe do Carro. Esta preocupação é essencial para a satisfação dos voluntários desta equipe, novamente lembrando, levando em consideração o humor dos devotos que se encarregam deste serviço.

4.10.1 Pós-evento

Com a indesejável experiência de perder um recurso valioso já conquistado que era a cúpula de 1998, a produção do Ratha Yatra 2003 passa a se

responsabilizar particularmente pela guarda e manutenção da cúpula e de sua estrutura metálica entre as edições do RY. Assim que o tecido é desmontado de sua estrutura, ao final do evento, é limpo e hermeticamente embalado, de forma a preservá-lo por um ano até o próximo RY.

Este cuidado estende-se também a conservação dos itens possíveis de reutilização nos anos subsequentes, como as cordas de tecido que atam as Deidades de Jagannatha, Baladeva, Subhadra e Sudarshana ao Carro, peças de decoração não perecíveis, ferramentas, tecido usado para forrar os assentos do veículo usado para levar e trazer as Deidades ao desfile. Esse serviço, apesar de ser feito em um momento de estresse e sobrecarga do produtor (culminação do evento) indubitavelmente reduz a quantidade de serviço e recursos necessários para a próxima edição. Tornou-se, então, invariavelmente parte da rotina da produção do RY.

Em 1999 houve também outro episódio, inesperado, mas inevitável para o garantido sucesso das futuras edições: devido a não receber manutenção entre as edições de 98 e 99, após 200 metros do início do desfile, a circunferência metálica de duas das rodas começou a se desprender da madeira ficando desalinhada com o eixo e tornando impossível a continuação do desfile com o Carro do RY. Como solução, as Deidades foram passadas para o carro de som que acompanhava o evento, que possuía a estrutura de um pequeno trio elétrico e a mesma altura do Carro do RY, facilitando a transferência das Deidades, que foram alocadas sobre uma superfície elevada do novo veículo, e assim continuando o desfile. Foi um momento muito marcante: de ansiedade para os presentes, e frustração para os realizadores do evento ao terem que abandonar o Carro recém-restaurado (referente à limpeza e pintura) para trás... A partir daí a manutenção das rodas passou a ser revisada com cuidado nas edições subsequentes.

Também o Carro era deixado ao relento. Com a nova organização, foi providenciada a guarda em local coberto e manutenção do Carro e rodas (estrutura de madeira, mecânica, metálica e pintura), sob a responsabilidade do devoto Vamshivata Das. O que reduziu praticamente a zero a necessidade de trocas de madeiras e pintura (eram feitos apenas retoques e manutenção mecânica).

4.11 Decoração

O Carro deve ser decorado preferencialmente com flores e plantas naturais. Também são usadas guirlandas coloridas de tecido ou papel. Deve-se evitar o uso de materiais plásticos, ou derivados do petróleo. Decoração é um serviço que poucas pessoas se propõem a fazer, ou, quando se propõem, dificilmente conseguem realizar o serviço completamente - ou por não terminarem a tempo da chegada das Deidades, ou mesmo por não conseguirem chegar a tempo de fazer a decoração. É um serviço a ser feito poucas horas antes do desfile, após a montagem do Carro estar concluída. Mesmo que o Carro seja montado no dia anterior, as plantas naturais não podem ser colocadas muito cedo, pois o calor do meio-dia as faria murchar. Daí que um devoto precisa se sacrificar para fazê-lo, pois precisa chegar mais cedo, decorar e ficar direto para o evento, ou decorar rapidamente para dar tempo de ainda ir para casa se arrumar e voltar para o local do RY. Quando o devoto possui família, filhos, é mais complicado, e quase sempre inviável devido ao cuidado que a ela se dispensa neste dia de grande festa (como se arrumar para um casamento ou um outro evento importante da família). É pouca a mão-de-obra disponível entre os devotos nessa área de decoração com flores e folhas naturais, que geralmente está ocupada no serviço direto às Deidades (pujaris e ajudantes). Mesmo havendo pessoas chegando cedo ao local de concentração para a saída do cortejo, pouquíssimos se arriscam a serem os responsáveis pela decoração, ainda que todo o material esteja disponível. Por muita das vezes, percebendo que o responsável pelo serviço não chegará a tempo, o produtor teve de formar rapidamente uma força tarefa com quem estivesse presente e designar um líder (quase sempre ele próprio). As ajudas mais marcantes nas últimas edições foram de Purushottama Das (Josemar Salles) e sua esposa Krsna Yoga Devi Dasi (Cristiane Vitória), Ricardo “Bigode”, Sueli Lago, Palmiro Jorge, Mitzna Olegário, Presthali Devi Dasi (Alessandra Santos), Ângelo, e simpatizantes que estavam no local. Quase sempre é feito por pessoas que não estavam designadas para este serviço; sendo que sempre alguém estava designado para tal.

Na edição de 2013, Ângelo se destacou ao providenciar de última hora uma cobertura de folhas de coqueiro para a armação piramidal da Cúpula, que não havia sido achada até a manhã do evento por Vamshivata Das. Teria sido uma cúpula memorável, não fosse a cúpula de tecido ter sido llocalizada e, sem consulta prévia

da equipe de produção, a equipe do Carro ter desfeito o trabalho artesanal de Ângelo para realizar a substituição.