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Por Gour Govinda Maharaja

Para ver se Ela ainda está respirando, as amigas de Radharani seguram um pouco de algodão diante de Suas narinas. Restam esperanças? Krishna virá salvá-lA da saudade, ou

ali é Seu leito de morte?

Os Gosvamis compartilham conosco uma história que é praticamente desconhecida. É muito confidencial. Krishna está sempre pensando em Srimati Radharani e sentindo forte aflição devido a estar com saudades dEla. Quer dormindo, quer desperto, Ele chama por Ela: “Radhe! Radhe! Radhe! Radhe!”. Assim como as gopis desmaiam, Krishna também desmaia algumas vezes; especialmente quando Ele pensa em Radharani.

Certa vez, Krishna estava pensando profundamente em Radharani. Sentindo as dores severas da saudade, Ele desmaiou. Krishna está completamente

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inconsciente agora. Transcorrido algum tempo, como se por arranjo providencial, Narada Rishi e Uddhava apareceram ali e viram Krishna deitado sem consciência. Narada e Uddhava são muito queridos a Krishna. Eles sabem tudo, em virtude do que compreenderam o porquê daquela situação. Aqueles que são premi-

bhaktas podem compreender o que Krishna está fazendo. “Ele revelará

alguma lila muito misteriosa, daí Ele estar em semelhante situação. Isso se deve à intensa e dolorosa saudade de Radha, radha-viraha-vidhura”.

Agora, Narada e Uddhava estão ansiosos. Como podem trazer Krishna de volta à consciência? Nesse instante, Balarama chegou ali, e os três pensaram no que fazer. Concluíram que, se Narada Muni cantasse as glórias de Vrajabhumi com seu vina-yantra – narada muni bhajaya vina radhika-ramana name – Krishna recobraria Sua consciência e Se colocaria de pé.

Narada disse: “Tudo bem. Concordo. Porém, tenho uma apreensão. Assim que Krishna acorde, o que acontecerá? Não sabeis? Ele imediatamente correrá para Vrajabhumi. Ele está louco agora. Ele não esperará por ninguém. Uma quadriga, então, deve estar preparada”. Eles, então, chamaram por Daruka, o quadrigário de Krishna, e solicitaram-lhe que preparasse a quadriga de Krishna.

Nesse momento, Uddhava revelou-se muito grave. Depois de deliberar cuidadosamente, disse: “Tens razão. Contudo, até onde vai meu entendimento, a condição de Vrajabhumi é tão calamitosa que, se Krishna for lá agora e ouvir o choro comovente dos vrajavasis, não será capaz de tolerar tal coisa. As consequências, então, serão ainda mais incertas. Não conseguiremos trazer Krishna de volta. Não haverá esperança alguma”.

Então, Narada disse a Uddhava: “Ó Uddhava, és o excelente mensageiro de Krishna. És queridíssimo a Ele. Julgo, então, que deves ir a Vrajabhumi primeiro e simplesmente informar a todos osvrajavasis que Krishna está voltando de Dvaraka. Eles, destarte, preparar-se-ão para dar-Lhe as boas-vindas”.

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Missão Fracassada

Ouvindo isso, Uddhava ficou melancólico. Ele disse: “Eu aceito plenamente tudo o que me disseste; não tenho quaisquer objeções. Quando devotos vaishnavas elevados me solicitam algo, não sou capaz de recusar. Todavia, tenho algo a dizer. Isso talvez já seja do vosso conhecimento. Meu amigo, o Senhor Krishna, quando estávamos em Mathura, enviou-me certa vez a Vrajabhumi. Fui até lá como mensageiro e permaneci por três meses. Eu fora de modo a consolar Nanda Maharaja, Yashoda-mata, as gopis e Radharani. Estão sentindo as dores intensas da saudade de Krishna. Todavia, que consolo eu poderia oferecer-lhes? Minhas palavras falharam, minha missão falhou”.

Uddhava continuou: “Estão chorando por Krishna dia e noite, vinte e quatro horas por dia. Se alguém aqui no mundo material perde aqueles que são próximos e queridos, ou seu dinheiro duramente conquistado, ele chora dia e noite. Ninguém chora por Krishna. Nesse caso, alguém talvez diga: ‘Por que estás chorando? No mundo material, tudo é temporário, anityam. Jatasya hi dhruvo mrtyuh: quem nasce tem um dia de morrer. Assim, a morte é certa; ninguém a pode deter’. Todas essas palavras são palavras de consolação. No entanto, que palavras de consolo eu poderia dar aosvrajavasis? Estão chorando por Krishna. E se alguém quer chorar por Krishna, que é o objeto do amor, como podes dizer ‘não chores’? Isso seria uma ofensa. Meu coração, ao contrário disso, dizia: ‘Dize-lhes que chorem mais, chorem mais, chorem mais!’. Assim, minha missão fracassou. Eu não pude lhes consolar de modo algum”.

Uddhava disse ainda: “Por fim, falei-lhes: ‘Voltarei para Mathura e farei tudo dentro de meus poderes para enviar Krishna de volta a Vrajabhumi imediatamente’. Dei-lhes a minha palavra, mas, até o momento presente, isso não aconteceu. Agora, após tantos meses e tantos anos, se eu for a Vrajabhumi e falar assim, jamais depositarão fé em minhas palavras. ‘Não, és um mentiroso, Uddhava. Tu nos prometeras isso anteriormente, mas Krisha não voltou’. Jamais terão fé em minhas palavras, senão que me repreenderão como um enganador. Como, então, posso ir?”.

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Considerando todas essas questões de diferentes pontos de vista, Narada e Uddhava solicitaram a Bararama: “É melhor Tu ires”.

Procrastinação

Então, Balarama, sentindo uma dor penetrante em Seu coração, falou em uma voz cheia de indizível tristeza: “Narada, Eu poderia ir a Vrajabhumi. Eu o faria sem aguardar por ninguém. Não obstante, por favor, considera este ponto. Teu Senhor, Krishna, sempre diz: ‘Irei, irei, irei’. Porém, Ele não vai de fato. Ele está sempre procrastinando. Eu estive em Vrajabhumi e vi a condição lastimável dosvrajavasis. Permaneci lá por dois meses e também não consegui consolá-los. Tentei falar com eles nestas palavras: ‘Por favor, tende paciência. Não vos aflijais excessivamente. Krishna virá em breve’. Malgrado isso, a situação deles é como a de um peixe fora d’água. Entendi claramente que, sem a presença de Krishna, nada os consolaria. Eles não conseguem nem mesmo sobreviver. É como se estivessem morrendo, sentindo as dores da saudade de Krishna. Apesar disso, Krishna não foi lá”.

“A presença de Krishna atuaria sobre eles como um bálsamo suavizante, trazendo-lhes de volta à vida”, Balarama prosseguiu. “Yashoda-mata está em uma condição especialmente terrível. Ela está sempre chorando. Eu toquei os pés de lótus dela e disse: ‘Mãe, tão logo eu chegue a Dvaraka, farei tudo o que Me seja possível para enviar Krishna para cá. Por favor, aguarda alguns dias, mãe’. Dei minha palavra a mãe Yashoda. Todavia, o que aconteceu? Solicitei: ‘Meu querido irmão, Krishna, por favor, vai a Vrajabhumi de imediato. Se não o fizeres, todos morrerão. Abandona todos os Teus afazeres aqui. Suspende tudo e vai para Vrajabhumi’. Pedi a Krishna muitas vezes. ‘Por favor, ajuda-os a viver. Tua presença será como um bálsamo calmante; o remédio para salvar-lhes a vida. De outro modo, a vida deles partirá’. Insisti muitas e muitas vezes”.

Balarama continuou: “Anteriormente, todo pedido que Eu fazia, Krishna atendia de pronto. No entanto, não atende essa solicitação Minha. Ele apenas diz: ‘Sim, irei. Irei’. Até agora, entretanto, não o fez. Ó Narada, tudo sabes. Portanto, por

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favor, dize-me: se Eu fosse a Vrajabhumi, o que Eu poderia dizer a mãe Yashoda? Eu já prometi a mãe Yashoda que Krishna iria para Vrajabhumi. O que direi? Mãe Yashoda confiará em Meu verbo? Jamais. Ao contrário, ela dirá: ‘Balarama, és desleal’”.

Pensando na condição dos vrajavasis, Balarama sentiu grande pesar em Seu coração. Ele disse: “Ai! Ai! Meus amados vrajavasis, ainda estais vivos?”. Disse também: “Ó Meu querido Krishna, Meu irmão, Teu coração é tão macio quanto manteiga, navanita-hridaya. Como é estranho que esse coração tão macio tenha se tornado tão duro quanto rocha”.

Boas Novas

Tendo dito isso, Baladeva não Se viu mais capaz de suprimir Seus sentimentos e começou a chorar. Nesse momento, Subhadra chegou ali. Ela é muito inteligente. “Tudo bem, irei a Vrajabhumi. Irei primeiro”, ela disse. “Todos vós, por favor, sede pacientes e abandonai vossa ansiedade. Irei a Vrajabhumi e me sentarei no colo de mãe Yashoda. Enxugarei as lágrimas em seus olhos e direi: ‘Ó minha mãe, Krishna já está vindo. Meus dois irmãos e eu partimos de Dvaraka juntos, mas, no meio da estrada, muitas pessoas se ajuntaram para saudar Krishna. Eles construíram grandes portões. Muitíssimos reis, maharajas, estão às margens das estradas. Inumeráveis pessoas estão carregando pratos de arati simplesmente para oferecer puja a Krishna. Em razão de tudo isso, Ele vai chegar um pouco mais tarde. Vim na frente apenas para te dar essa boa notícia: Ele está vindo! Krishna está vindo!”.

Subhadra continuou: “Similarmente, irei a cada uma das gopis, enxugarei as lágrimas em seus olhos e as consolarei. Dir-lhes-ei: ‘Homens são um pouco desonestos. Nós mulheres, por outro lado, somos muito simples’. Eu sou mulher. Então, quando ouçam de mim que Krishna está vindo, depositarão sua fé em minhas palavras. Nesse momento, todos os vrajavasis ficarão deveras jubilosos e farão arranjos para o acontecimento de um grande festival de boas-vindas para Krishna”.

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Uddhava, Narada e Balarama concordaram unanimemente. “Sim, essa é uma proposta estupenda!”. Subhadra disse: “Por favor, preparai minha quadriga”.

Uma quadriga já fora preparada para Krishna, e, agora, outra quadriga foi preparada para Subhadra. Baladeva tem grande afeição por Vrajabhumi, motivo pelo qual, quando viu que Subhadra estava pronta para subir em sua quadriga, Ele disse: “Como posso deixar que meu irmão, Krishna, vá sozinho? Não. Terei de ir também. Como Subhadra está indo, acompanhá-la-ei”.

Uddhava concordou: “Tudo bem. Vós dois ireis. Quando comeceis vossa jornada, não faremos nenhuma parada. Tão logo partais, Narada Muni cantará vraja-

lila kahani com seu vina-yantra. Krishna, então, recobrará Sua consciência, e nós O

enviaremos junto imediatamente”.

Balarama e Subhadra subiram em suas quadrigas e partiram para Vrajabhumi. Primeiramente, Balarama; em seguida, Subhadra. Na ocasião do Ratha- yatra, o ratha de Baladeva vai primeiro, seguido pelo ratha de Subhadra. Esse é o procedimento. Três rathas são decorados, e Krishna vai por último.

Alcoolizado

Tão logo os dois rathas partiram, Narada começou a tocar seu vina-yantra e a cantar preme-lila kahani. Quando essa vibração sonora transcendental alcançou os ouvidos de Krishna, Ele ficou consciente mais uma vez e de pronto Se levantou em uma postura curvada em três pontos,tribhangima thani. Essa forma não aparece em Dvaraka, mas só em Vrajabhumi. Em Dvaraka, Krishna é um rei, e traja vestes reais. Ele não assume a postura curvada em três pontos, nem toca flauta ou usa pena de pavão. Isso acontece apenas em Vrajabhumi. Porque agora tudo em que Ele está pensando é Vrajabhumi, Ele imediatamente assumiu a postura tribhanga. Isso é tudo com o que Ele sonha e tudo no que Ele pensa; não há pensamentos em Dvaraka.

Então, Krishna imediatamente disse: “Onde está a Minha flauta? Onde está a Minha flauta?”. Não há flauta em Dvaraka. “Onde está Minha flauta? Quem roubou

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Minha flauta? Ah! Isso só pode ser coisa daquelas gopis! Elas roubaram Minha flauta!”.

Depois de ter dito isso, começou a correr para encontrar Sua flauta. Nesse momento, viu Uddhava e disse: “Ei, Uddhava! Por que estás em Vrajabhumi?”. No instante seguinte, viu Narada: “Ó Narada! Estás aqui em Vraja?”. Nesse momento, caiu em si: “Aqui não é Vrajabhumi?”.

Tanto Uddhava quanto Narada disseram: “Ó meu Senhor, sabíamos que correrias para Vrajabhumi, em razão do que já Te prepararmos uma quadriga. Por favor, sobe na mesma”. Então, Krishna, Ele que está sempre pensando em Radharani, tornou-Se como um louco. Krishna estava intoxicado como um bêbado. Ele está pensando somente em Radha, radha-rasa madira. A doçura de Radharani é como uma bebida alcoólica, madira. Ele está balançando como um louco intoxicado. Com muita dificuldade, Narada e Uddhava seguravam-no dentro da quadriga.

Assim, quando Jagannatha chega à quadriga durante o festival de Ratha- yatra, Ele está em uma condição intoxicada, balançando. Em Jagannatha Puri, é possível ver como Ele é levado para a quadriga nessa condição.

Então, Narada ordernou a Daruka que conduzisse a quadriga até Vraja, e Daruka o fez tão velozmente quanto o vento. Nesse meio tempo, a quadriga de Baladeva e a quadriga de Subhadra haviam chegado a Vrajabhumi. Ao chegar a Vraja, Baladeva viu que todos os habitantes de Vrajabhumi estavam como se estivessem mortos, sentindo as dores intensas da saudade de Krishna. Baladeva pensou muito profundamente: “Ó vrajavasis, estais sobrevivendo?”.

Um humor extático avassalador manifestou-se no corpo de Baladeva, asta-

sattvika-bhava; pulaka-asru, kampa, sveda, vaivarnya, isto é, lágrimas, transpiração,

arrepio dos pelos corpóreos. Porque não há diferença entre deha e dehi – o corpo de Balarama e aquele que reside no corpo –, a disposição dentro do coração dEle manifestou fora. Essa é a forma de Baladeva em mahabhava- prakasha. Essa forma vocês verão em Nilachala Dhama. Então, a mesma transformação se deu em Subhadra tão logo ela viu a condição dos residentes de Vrajabhumi. Em

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consequência de estar em completo êxtase, mahabhava-prakasha, Subhadra não pôde ir ter com Yashoda-mata. Agora, ela está completamente esquecida. É como se essas duas formas estivessem se afogando no oceano devraja-rasa madhurima. A doçura dos relacionamentos em Vraja é como um oceano, e essas duas formas estão se afogando nesse oceano.

Enquanto tudo isso acontece, a condição de Radharani está piorando cada vez mais. O que aconteceu com Radharani? Ela está completamente sob a vertigem incontrolável conhecida comoudghurna. Esse adhirudha mahabhava, esse estado altamente avançado de amor extático, é como uma condição de morte. Todas as Suas sakhis estão em dúvida se há vida ou não no corpo de Radharani. Toda a Vrajabhumi está em completa ansiedade: “Radharani está abandonando Seu corpo. Ela não conseguirá sobreviver”.

O kunja de Radharani fica em Nidhuvana. Ela está deitada lá com Sua cabeça repousada sobre as palmas das mãos de Lalita. Suas asta-sakhis estão todas sentadas em torno dEla. Elas não sabem o que fazer. Lalita e Vishakha estão muito inquietas. Algumas vezes, cantam o nome de Krishna nos ouvidos de Radha; outras vezes, pegam um pouco de algodão e colocam na frente de Suas narinas para verem se Ela ainda está respirando.

Ayana Gosh

Nesse ínterim, toda a Vrajabhumi chegara ali, pois a notícia de que Radharani estava prestes a morrer havia se espalhado. Primeiro, chegou Ayana Gosh, Abhimanyu, que é conhecido como “o esposo de Radha”. Isso é apenas externo; não é verdade. O verdadeiro esposo de Radharani é Krishna. Chorando copiosamente, com lágrimas nos olhos, Abhimanyu chegou correndo. Colocando sua cabeça nos pés de lótus de Radharani, banhou os pés de lótus dEla com suas lágrimas e disse: “Ó Sarvaradhya Radhe, todo-adorável Radha. Jamais toquei Teu corpo”. Como ele poderia tocar o corpo de Radha? Apenas Krishna pode tocar o corpo dEla.

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Ele, então disse: “Jamais toquei o Teu corpo, mas hoje experimento grande fortuna. Estou pegando um pouco da poeira de Teus pés de lótus e colocando-a sobre minha cabeça. Minha vida tornou-se bem-sucedida neste dia. De qualquer forma, é de Teu conhecimento que sou pujari de Katyayani Devi e que minha deusa adorável também é Paurnamasi Devi. Ó Radhe, o desejo de Krishna é desfrutar de parakiya-rasa, o amor de amante. Por conseguinte, para realizar o desejo dEle, Paurnamasi Devi manifestou esta lila. Teu verdadeiro esposo é Krishna, e Tu és esposa dEle. Sois eternamente marido e mulher. Entretanto, para realizar o desejo de Krishna de desfrutar deparakiya-rasa, Paurnamasi ordenou a Vrindadevi que realizasse a nossa cerimônia de casamento. Isso é apenas externo; não real. Krishna é Teu verdadeiro esposo, e Tu és Sua esposa. E és a deusa de meu coração. Casei-me com a chaya, a sombra, de Radharani, e não com a Radharani real. Agora que estás em uma condição moribunda, o que acontecerá conosco?”. Depois de falar dessa maneira, exclamou: “Que todos saibam hoje que me casei com a chaya-radha!”.

Esse é o siddhanta do vaishnavismo gaudiya. Quem é capaz de compreender isto? Por exemplo, Ravana raptou Sita. Todavia, raptou a Sita real? Não. Levou a sombra de Sita, chaya-sita, maya-sita. Como Ravana, um demônio, poderia tocar Sita? Isso não é possível, pois Ela é a energia interna do Senhor. Então, quem ele raptou? Raptou chaya-sita. Similarmente, esse Ayana Ghosh casou-se com a sombra de Radha, para que Krishna possa desfrutar de parakiya-rasa. Assim é a Vraja-lila.

Febre de Sannyasa

Então, veio Kutila, a irmã de Ayana Ghosh. Ela é a cunhada de Radharani. Gritando e derramando lágrimas, Kutila colocou sua cabeça sob os pés de lótus de Radharani. Ela pegou um pouco da poeira dos pés de lótus de Radha e colocou em sua testa. Mulheres casadas, que não são viúvas, colocam cinabre na parte em que o cabelo é partido, sinthi. Nesse dia, então, Kutila colocou um pouco da poeira dos pés de lótus de Radha como o cinabre em seu sinthi.

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Com uma voz embargada, ela disse: “Ó Radha, minha fortuna hoje é imensa. Obtive a oportunidade de colocar um pouco da poeira de Teus pés de lótus em meu sinthi. Hoje, de fato tornei-me sati, uma mulher casta. Eu tinha um grande orgulho. Sim, um orgulho grande como um arranha-céu,akasa-chumbi. Eu estava sempre proclamando: ‘Eu sou a única mulher casta! Não existe outra mulher casta em Vrajabhumi! Todas são prostitutas!’. Eu costumava dizer isso, e tentei no melhor de minha capacidade provar que és uma grande prostituta e que não tens absolutamente nenhuma castidade. Embora tenhas Te casado com meu irmão, estás sempre atrás de Krishna. Perante isso, tentei ao máximo provar que és a mais incasta e que eu sou a mais casta. Uma vez, contudo, algo muito misterioso aconteceu. Um dia, Krishna manifestou uma lila, jvara-lila, como se Ele estivesse sofrendo de uma febre alta.

Krishna fora tomado por uma doença, sannyasa-roga. Ele disse: “Abandonarei tudo e aceitarei sannyasa”. Essa febre veio. Todos ficaram ansiosos. Perguntaram-lhe: “Como se cura essa doença? Qual é o remédio que devemos trazer a ti?”. Krishna disse: “Se houver uma sati-sadhvi, uma moça que seja muito casta e pura, ela – e somente ela – poderá fornecer o medicamento. Ela deve ir até o Yamuna levando consigo um cântaro com centenas de furos. Se ela puder trazer água do Yamuna nesse cântaro, sem que nem mesmo uma só gota de água vaze, esse será o remédio. Se passardes isso em Meu corpo, serei curado desta febre”.

Discutindo, todos concordaram que Kutila é a dama mais casta. Ela está sempre tocando tambores e proclamando: “Eu sou a mulher mais casta! Todas as outras são incastas!”. Então, disseram: “Tudo bem. Chamai-a e dai-lhe esse cântaro com centenas de furos. Que ela traga a água do Yamuna sem derramar uma só gota”. No entanto, quando Kutila tentou fazê-lo, toda a água foi derramada. Isso provou que ela não era em nada casta. Kutila admitiu: “Provou-se isso, e meu orgulho foi completamente destruído. Eis o porquê de Krishna ter manifestado essa jvara-lila: esmagar meu orgulho”.

No momento seguinte, Radharani foi chamada: “Demos esse cântaro a Radharani. Que Ela traga a água”. Quando Radharani foi para o Yamuna buscar

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água, ela voltou com ele cheio, apesar de o mesmo ter centenas de furos, sem derramar uma só gota.

Kutila continuou: “Nesse momento, então, provou-se ao mundo inteiro que és a verdadeira mulher casta, e não eu. Yogamaya criou essa lila simplesmente para arruinar o meu orgulho. Ó Radha, meu orgulho foi arrasado, mas hoje tenho muito orgulho de ter oportunidade de pegar um pouco da poeira de Teus pés de lótus. Minha vida, neste dia de hoje, tornou-se exitosa”.

Acusações

Então, de outra direção, Chandravali chegou correndo. Ela estava acompanhada de suas sakhis, encabeçadas por Saibya. Chandravali chegou e se estirou no chão, colocando sua cabeça sob os pés de lótus de Radharani. Lavando os pés de lótus de Radharani com as lágrimas de seus olhos, ela disse: