2. Description de l’intervention
2.3 Objectifs de l’intervention
5.2.1 Voluntários, Tempo e Outros Recursos: o Panorama da Mudança
Todos os serviços de produção para o Ratha Yatra em Salvador pela ISKCON Bahia, tanto realizados pelos membros residentes como pelos “membros externos”, sempre foram feitos de forma voluntária, ou seja, sem nenhuma remuneração, ou qualquer característica de vínculo empregatício. A base filosófica e prática religiosa da ISKCON são a “Bhakti-yoga”, ou serviço devocional espontâneo e amoroso à Suprema Personalidade de Deus. E esta é a característica predominante do trabalho voluntário dos membros da Sociedade, a menos que haja contrato específico de remuneração, como para alguns serviços de tempo integral para o qual os membros da Instituição são formalmente contratados, ou serviço terceirizado a “não-devotos”, como serviços de contabilidade. Este serviço devocional espontâneo e amoroso é chamado de “seva”.
O financiamento da produção do Ratha Yatra acontece através de doações dos membros da Instituição, simpatizantes, e com recursos coletados pelo trabalho missionário dos monges residentes (principalmente a distribuição de livros nas ruas -
sankirtana). Não há grandes patrocinadores ou patronos, políticos ou particulares,
ou verbas públicas. Então essa movimentação social do Templo interferiu na entrada dos recursos coletados pelos monges residentes, que era majoritariamente destinada à manutenção do Templo e suas atividades missionárias (incluindo o RY).
A partir do momento em que houve a redução do número de residentes do Templo de Salvador, marcantemente no ano de 2003, a organização do RY passa então a contar apenas com os voluntários “externos”, que possuíam empregos fixos, o que não possibilitava uma mobilidade de horários para adequação à produção do RY, como o trabalho autônomo antes exercido pelos membros residentes. Devido à dispersão, a produção do RY passou a ser, quase que invariavelmente, centralizada em uma única pessoa, o organizador, ou produtor. A separação física, devido à maioria dos voluntários não mais residir no mesmo endereço – o Templo – demandou mais tempo, energia e recursos para manter uma boa comunicação com os colaboradores, e para captação financeira e demandas de serviços. Captação de recursos sempre é um trabalho exaustivo, mas os muitos residentes facilitavam ao possuírem tempo e local disponível para solicitar e receber doações dos membros da congregação.
Como um emprego paralelo, o trabalho voluntário de organização do RY concorre em tempo, disponibilidade, disposição e outros recursos com os trabalhos pessoais e profissionais do produtor-voluntário, visto que a sua atividade principal, fonte de seu sustento, não é passível de ser negligenciada. Os serviços que devem ser realizados em horário de seu trabalho, como solicitações públicas, entrega e recebimento de documentos, vistoria de equipamentos, ficam comumente à mercê de colaboradores esporádicos dispostos a isso, que também são membros externos com tempo corrido.
Com outros eventos que não possuem grande visibilidade social, nem retorno expressivo retorno financeiro ocorre o mesmo: sua base é construída através de trabalho voluntário, ou com o suporte de ajuda de custo.
5.2.2 Recurso Humano
O Recurso Humano, e consequentemente de Tempo, (principalmente o recurso humano qualificado), pode ser considerado o recurso mais importante do RY e eventos semelhantes.
Por ser de carácter religioso e beneficente, sem fins lucrativos, aberto a todos, a mão-de-obra que é oferecida quase nunca é especialista na área. Então os voluntários se dispõem aos serviços que desejam, mas, em seu tempo limitado. O que pode ser oferecido é aceito.
O humor particular dos colaboradores deve ser considerado a cada passo de ação no que se refere Às Deidades e cada seva relacionado ao RY. É de suma importância para o produtor respeitar a relação das Deidades com Seus servos, bem como o tempo necessário para isso. Há uma apropriação do RY por todos os devotos, e qualquer deslize nessa relação pode ter consequências perturbadoras, como na solicitude dos colaboradores e consequentemente na execução do evento (para nem recorrer aos méritos místicos associados).
Exemplo disso é a cúpula produzida por Ângelo, que, se fosse pela decisão da equipe de produção, seria a cúpula utilizada em 2013.
Mesmo com os colaboradores “não-devotos”: com o passar do tempo, a produção criou relacionamentos com os prestadores do serviço de guincho, e eles passaram a considerar a troca de rodas gentilmente como parte do serviço.
É essencial para o produtor construir bons relacionamentos. Com empatia e profissionalismo é possível conseguir muitos recursos antes não disponíveis em relação de ganha-ganha com todos os envolvidos.
5.2.3 Recursos Financeiros
Os recursos financeiros para o evento RY são oriundos de doações pessoais, dos devotos ou simpatizantes, ou através de confecção de material temático e sua troca por contribuições. Visto que a maioria dos devotos não é de uma classe econômica elevada, não é possível obter muito lucro com esses produtos, pois seus preços têm de ser populares. Inclusive, muitos desses produtos acabaram sendo feitos apenas para satisfação dos devotos, por vezes sobrando material (devido a quantidade mínima de produção), e/ou tendo prejuízo: além do risco inerente desta forma de coleta, é sempre uma escolha do produtor em realizar este investimento financeiro, para obter um retorno na realização pessoal dos participantes e devotos.
Dentre as produções temáticas, já foram confeccionadas: camisas, bonés, chaveiros, bottons, imãs, fitas de pulso (semelhantes às tradicionais do “Senhor do Bonfim da Bahia”, mas com a inscrição “Lembrança do Senhor Jagannatha da Bahia”), cartões com o maha mantra, sacolas.
Seguindo o padrão de blocos de Carnaval, também foi idealizado e confeccionado um carnê com o qual o colaborador contribuía mensalmente, com
diferentes valores que davam direitos a diferentes kits: camisa, camisa+boné, etc. Uma ideia lucrativa, mas que exige um periódico acompanhamento.
A coleta de todos recursos financeiros sempre foram registrados, mas poucas vezes organizados para serem apresentados à congregação da ISKCON (Prestação de Contas). Antes da participação de Madalena, 70% dos recursos financeiros eram oriundos de recurso particular dos produtores.
A busca por recursos públicos, de incentivo à Cultura, por exemplo, só não foi realizada até 2016 por falta de recursos: humanos e de tempo.
5.2.4 Apoios Públicos
Os apoios públicos são recebidos através das permissões para uso do solo, Largo do Farol, vias de trânsito, às vezes banheiros químicos, escolta da Polícia Militar, e Engenharia de Trânsito. Por ser um evento sem consumo de drogas (nem de bebidas alcoólicas pelos devotos), e pacífico, onde nunca houve ocorrência de distúrbios, os servidores da PM e da Transalvador sempre se mostraram favoráveis à sua realização. Os órgãos autorizadores, também reconhecendo o carácter sociocultural benéfico do RY, nunca se opuseram, com restrições apenas ao uso do som.
Por possuir Títulos de Utilidade Pública Estadual e Municipal, bem como por ser uma instituição sem fins lucrativos ou promoção particular, a ISKCON Bahia obtém facilidades, como isenções do pagamento de taxas públicas, para o evento.
5.2.5 Distribuição de Prasada - Alimentos Para a Vida
Como responsável pelo programa Alimentos Para a Vida, a produtora Madalena Koppe (Mandaracala Dasi) cuidou pessoalmente de todas as partes deste seva. Desde a coleta da matéria prima (bhoga), e recipientes de distribuição, passando pela preparação da prasada, transporte e guarda no local da distribuição, recursos humanos, com ou sem ajuda de custo, tudo é arrecadado ou doado por ela, graças a sua rede de contatos e com muito esforço e dedicação.
Quanto mais coesa for a equipe de produção, ainda que pequena, e com habilidades específicas, mais fluente será a produção de um evento.