Le système X Window
7.4. Polices
Nos capítulos anteriores foi apresentado que a aprendizagem pode ser trabalhada a partir de algumas demandas dos educandos. Suas motivações dependerão do interesse que os conteúdos irão despertar. Para tanto, entende-se que, se a escola conhecer melhor seus pupilos, no sentido de buscar referências sobre sua historicidade e situação cultural, poderá relacionar alguns conteúdos ou temas de aula. Assim foi feito em Língua Inglesa.
Primeiramente, ouviu-se a opinião dos estudantes sobre os objetivos de aprender um novo idioma e apresentou-se a importância do aprendizado da Língua Inglesa. Acredita-se que os educandos precisam entender essa importância, mesmo para aqueles que não gostam. Dentre os vários itens, os estudantes puderam perceber que o idioma serviria de alguma maneira ou de outra, relacionando com a teoria de Perrenoud em que o sentido do trabalho escolar pode ser construído pelo diálogo, pela investigação, pelo debate, pela negociação com o educando (1995, p. 194-195).
Como citado anteriormente, cada pessoa pertence a um determinado grupo social, vivendo de certa maneira, seguindo determinadas regras, cultuando algumas tradições e realizando certas ações que aprenderam com outras pessoas. Isso, segundo Bourdieu (1977), chama-se habitus. A partir dessa ideia, percebe-se, grosso modo, que os sujeitos já vão para a escola com experiências, com certas vivências. Não se pode começar a ensinar a partir do zero, como se o estudante fosse uma “tábula rasa”.
65 O habitus particular em que uma criança nasce determina o tipo de interações sociais que terá, o tipo de objetos físicos que estarão à sua disposição, o tipo de experiências de aprendizagem e de oportunidades que encontrará e o tipo de inferências que poderá fazer sobre o modo de vida que as rodeiam (2003, p.110).
Infelizmente, algumas vezes, esse modo de vida vivenciado pelos educandos não é o modo de vida “da pessoa feliz”, no sentido de que têm uma família desestruturada, drogadição, relação de familiares com o crime, prostituição, violência, miséria, doenças, etc. Essas experiências, na maioria das vezes, são sentidas pelos educadores dentro das salas de aula e não devem ser ignoradas. Assim, segundo Tomasello, “uma das dimensões mais significativas da cultura humana é, portanto, a maneira como os adultos instruem ativamente os jovens” (2003, p.112), seja essa instrução de acordo com a ética ou não.
Após o contato com estas teorias, as quais salientam a importância do reconhecimento da historicidade, do ambiente sócio cultural dos indivíduos (que Tomasello, Arroyo, Perrenoud, Vigotski, Nóvoa, de certa forma, concordam), é de suma importância conhecer e ouvir os educandos, seja em debates, nos grupos de discussão, ou nas autoavaliações. É necessário conhecer e reconhecer as necessidades e dificuldades dos aprendizes para reforçar o elo entre eles e o professor, buscando suas motivações a partir daquilo que já adquiriram anteriormente, nas primeiras formas de aprendizagem cultural que assumiram na infância, tornando-se membro de uma cultura, que, segundo Tomasello, “significa aprender algumas coisas novas de outras pessoas” (2003, p.113).
Assim, na medida do possível, buscou-se proporcionar atividades em que os educandos pudessem interagir, perceber o conteúdo, reforçar o que foi aprendido, utilizar as tecnologias disponíveis e divertir-se, percebendo suas culturas e suas vontades.
Sob essas afirmações, de acordo com a prática, pode-se constatar que o professor, primeiramente, deveria apresentar a importância de se aprender a língua inglesa; mostrar aos aprendizes, como já anteriormente enfatizado, que é uma língua universal, não somente dos negócios, mas da internet, alguns eletrônicos, dos jogos, das letras de músicas, olimpíadas, Copa do Mundo, etc. Atenta-se para a importância de enfatizar que eles (os estudantes) utilizam palavras em inglês no cotidiano, por causa dos estrangeirismos, como já exemplificado no primeiro capítulo. Assim, quando eles percebem que utilizam o inglês no dia a dia, passam a perceber, também, alguma motivação em aprender.
66 Desta forma, seguem algumas sugestões de atividades que foram feitas em sala de aula, em Língua Inglesa, em mais de uma turma e em diferentes escolas (municipais e estaduais), nas quais eu trabalho. Todas essas sugestões tiveram resultado positivo e podem servir de exemplo para outras ideias, inclusive para outras componentes curriculares.
O Memory game (jogo da memória) pode ser feito com o vocabulário que está em pauta. No caso da turma em questão, foram os verbos irregulares (infinitivo e passado simples). Foi feito em grupos de seis pessoas. Cada jogo continha diferentes verbos, que puderam ser trocados entre os grupos. As peças foram postas ao contrário, nas mesas e cada integrante vira uma peça de cada vez, tentando formar o par (nesse caso o verbo em inglês no infinitivo e no passado simples – ex. see – saw). As peças foram feitas por uma turma do ensino fundamental, em outra ocasião.
O jogo do Uno engloba grupos de três ou até quinze estudantes. Distribuem-se sete cartas para cada participante (devem-se separar três ou quatro baralhos completos do jogo Uno, dependendo do número de participantes). Os estudantes vão jogando de acordo com a carta colocada (vale a cor ou o número da carta), assim que baixar a carta, o jogador pega um papel com pronomes ou nomes de pessoas, e outro papel com uma expressão em inglês. O objetivo é falar a frase, conjugando o verbo corretamente.
A Mega senha é um jogo que foi feito várias vezes porque os educandos pediam e porque servia para reforçar o vocabulário aprendido nas aulas. A professora já deve ter a lista de palavras pronta. Joga-se em duplas. A professora escreve uma palavra no quadro em inglês e um integrante da dupla, dando três dicas, uma de cada vez, tenta fazer com que seu companheiro(a) tente adivinhar a palavra também com três chances. Se o inglês da turma for de nível intermediário, é possível que ao final, quando adivinharem a palavra, possam dizer/escrever uma frase contendo a palavra em inglês adivinhada.
Uma atividade que é praticada desde muito tempo nas salas de aula, o Dictation (ditado), funcionou nas aulas para aprender a pronúncia ou escrita das palavras em inglês. Em uma folha, os estudantes escrevem as palavras ou frases que a professora dita. A professora pode ditar em inglês, para eles escreverem em inglês ou pode ditar em português, para que escrevam em inglês. É uma atividade individual que, após a conclusão, pode ser corrigida pelo próprio colega, que vai escrever corretamente ao lado do item com algum erro de grafia.
A motivação, como visto anteriormente, é uma forma de fazer com que a aprendizagem tenha resultados positivos. Uma atividade que pode causar motivação em aprender inglês, é uma visita a um curso livre. Os educandos/as, juntamente com a professora
67 de Língua Inglesa conheceram um curso de idiomas da cidade, onde receberam estratégias de leitura em inglês e dicas para realizar a prova do ENEM. Também fizeram jogos em inglês na tela interativa e ganharam brindes. Certamente que essa atividade foi uma estratégia de marketing para o curso visitado, entretanto, os educandos tiveram uma aula de inglês divertida, por outros professores e em outro ambiente diferente da sua sala de aula.
Ainda pensando em uma aprendizagem mais efetiva, podem-se incluir no trabalho escolar, aulas interdisciplinares. Dependendo dos textos dos livros didáticos (no caso dessa turma: Way to go – Ensino Médio, de Kátia Tavares e Claudio Franco), há textos em inglês para a compreensão que podem ser relacionados com várias disciplinas. Nessa coleção, pode- se explorar a sustentabilidade com as aulas de Biologia; algumas obras de arte e seus autores, com as aulas de Literatura; alguns períodos históricos, principalmente dos Estados Unidos da América e Inglaterra, com as aulas de História, etc. Foi feito um trabalho interdisciplinar de História – Línguas Estrangeiras, em que os educandos pesquisaram a cultura de massa norte- americana e criaram pôsteres com imagens, desenhos e fotos, descrevendo o trabalho em inglês e espanhol. Os trabalhos foram expostos no corredor, pendurados com barbantes. Ainda, o filme Contágio foi trabalhado nas disciplinas de Língua Inglesa e Biologia no 3º ano do ensino médio, relacionando o tema do filme (doença viral que exterminou com parte dos Estados Unidos) com as doenças causadas pela dengue e chikungunya e a gripe H1N1, focando nas melhores formas de combatê-las. O filme foi visto em inglês e os sintomas dessas doenças foram trabalhados em inglês, enquanto a Biologia trabalhou com a transmissão de doenças por vírus.
Apesar de o Folclore Halloween não ser oficialmente comemorado no Brasil, em outros países essa cultura é fortemente difundida. Explicar a origem da data e trabalhar o vocabulário, utilizando atividades divertidas como caça-palavras, cruzadinhas e adivinhações, pode funcionar como atividades de motivação. Para a festa de Halloween na escola, tudo dá certo quando os demais professores engajam-se na decoração e no túnel do terror, feito com lonas usadas e tecido de TNT. Há o desfile da melhor fantasia e a gincana voltada à tradição Halloween. O prêmio para os finalistas? Balas e chocolates! Nessas atividades, busca-se a autonomia do educando para a pesquisa de atividades e realização da decoração. Pode-se incluir o Grêmio Estudantil, ou deixar a organização a cargo dos líderes das turmas.
As atividades incluindo o tema Halloween são sempre motivadoras, pois introduzem a história do Halloween que geralmente é conhecida somente como o Dia das Bruxas aqui no Brasil. Ainda, os educandos participam ativamente, como em uma escola municipal em que
68 trabalho, onde os educandos prepararam uma festa com fantasias, decoração e brincadeiras. Cartazes foram escritos em inglês, o outono do hemisfério norte foi representado com folhas no chão e abóboras e a decoração foi feita com materiais recicláveis como garrafas pet. Até os familiares de alguns educandos participaram na confecção de objetos decorativos e a festa foi aberta à comunidade, em um sábado extraclasse. Saliento a autonomia dos educandos na organização, produção e realização desse evento e a participação dos familiares. Além do conhecimento cultural, houve participação e diversão de uma comunidade que possui muitos problemas econômicos e sociais como pobreza e violência.
O jogo do hot potato é um dos mais divertidos e a turma inteira participa, fazendo um círculo. A professora fica dentro do círculo com um aparelho de som ou um apito. Em um potinho de plástico com tampa, são feitas várias perguntas sobre o conteúdo (para falar em inglês, para escrever no quadro, para responder pedindo ajuda a um amigo...). Os estudantes, em círculo, passam o pote e, quando a música parar ou quando a professora apitar, quem estiver segurando o pote tira uma pergunta e responde. Se não souber, outro colega pode responder. Esse jogo é divertido e faz com que os educandos prestem atenção nas perguntas e respostas do colega, fazendo um feedback do conteúdo e reforçando a aprendizagem.
O objetivo das atividades com músicas é praticar o listening, ou seja, atividades de ouvir. A professora prepara a letra da música, retirando palavras, retirando frases ou embaralhando frases ou parágrafos. Primeiramente, assiste-se ao vídeo musical e, após, somente a música, sem o vídeo, para que os aprendizes prestem atenção na letra da música e nas palavras em inglês. A música é repetida de duas a três vezes para que concluam a atividade. A correção é feita pela professora, no quadro ou com a própria letra da música no vídeo. Pode-se, também, trabalhar a tradução da música, a interpretação ou a gramática.
Na mesma linha de pensamento das atividades com músicas, encontram-se as atividades com seriados e filmes. Entretanto, apesar dos estudantes gostarem muito, é difícil de trabalhar com filmes em um período de aula por semana. O que se pode fazer é trabalhar com seriados, que são curtos, ou com partes de filmes. Nessas atividades, trabalha-se o vocabulário, gramática, pronúncia, compreensão. A escolha do seriado depende do perfil dos educandos. Em algumas turmas, trabalhamos com Everybody hates Chris, em outras com The Middle e com o ensino médio, The Big Bang Theory. Todos os episódios assistidos foram legendados e, apesar dos estudantes reclamarem no início, acabam acostumando-se com a legenda. Trabalhei com vocabulário e frases em inglês, em que eles tinham que ouvir e escrever em inglês e, pela legenda ou pelo contexto da história dos personagens, escrever a
69 tradução. É interessante e motivador ver o progresso que os educandos apresentam no aprendizado de LI nesse tipo de atividade.
Quando há oportunidade, podem-se fazer palestras ou conversas com intercambistas. Atualmente, mesmo em cidades menores, o intercâmbio faz parte de associações ou organizações (como Rotary e Lions Club, por exemplo) e podem dispor de pessoas de outros países que estejam fazendo intercâmbio na cidade. Convidar esses estrangeiros para fazer uma visita na escola e contar suas experiências dos países de origem, pode fazer parte dos temas de Língua Inglesa, já que trata de diferentes culturas e, mesmo que não forem nativos estadunidenses ou ingleses, podem ter o inglês como segunda-língua e, assim, ter muito a ensinar. Como exemplo, essa experiência foi feita com algumas turmas com jovens da Nigéria, Alemanha, França, México. Ainda, pode-se contar com as falas de um senhor chinês que trabalhava em uma empresa da cidade de Santo Ângelo (desta vez, os educandos estiveram mais interessados nos símbolos do mandarim, do que propriamente na língua inglesa). E, ainda, algumas experiências foram realizadas, via Skype, com uma americana, em que os educandos, na aula de Língua Inglesa, puderam fazer perguntas simples (como: What’s your name? How old are you? What do you do? Where do you live? What’s your favorite song?). Essas interações serviram, mesmo para aqueles estudantes mais tímidos, para que pudessem perceber que a comunicação em outras línguas é importante, atentando para a diversidade de culturas e a existência de tantos outros países, com seus progressos e problemas, fazendo com que os estudantes percebessem que, talvez, suas experiências boas ou ruins não seriam as únicas vivenciadas no mundo, e que, se partilhadas, podem aliviar a dor ou espalhar a alegria, pelo menos por alguns instantes.
Na gincana pedagógica, incluindo todos os componentes curriculares, os conteúdos de Língua Inglesa podem ser aprendidos ou revisados em forma de perguntas de múltipla escolha, fazendo parte de uma gincana na escola. Além de perguntas sobre o conteúdo, vocabulário em inglês, traduções, letras de músicas ou cantores internacionais, nomes de filmes em inglês, pode-se também incluir questões de conhecimentos gerais sobre os países que têm o inglês como língua oficial.
Se a escola possui este recurso, pode-se trabalhar no laboratório de informática. Além dos vários sites em que se pode trabalhar com atividades e jogos online para aprender inglês (<www.esl.com; www.bbclearning.com>; <http://canaldoensino.com.br/blog/site-oferece- mais-de-600-aulas-de-ingles-gratis>; <www.italki.com>; <www.solinguainglesa.com.br>; <https://www.britishcouncil.org.br/atividades/ingles/sites-aplicativos>;
70 <http://www.inglesonline.com.br/exercicios-de-ingles/>), os educandos podem pesquisar, traduzir, jogar com jogos em inglês, realizar atividades de gramática e vocabulário. Em uma escola, os estudantes são skatistas e pediram para traduzirem os movimentos que podem ser feitos com o skate, já que também é um esporte. Assim, foram vistos vídeos de campeonatos de skateboard e vídeos de movimentos de skate como lazer. Os estudantes pesquisaram e traduziram o nome dos movimentos e também fizeram uma tabela do ranking internacional de ganhadores desse esporte. Em outra escola, os estudantes são filhos de agricultores e pesquisaram sobre a tradução das máquinas agrícolas em inglês. Também, perceberam que muitas embalagens de insumos agrícolas têm palavras em inglês.
Partindo de algumas atividades em que o educando ou educanda possa participar, talvez até formular outras atividades, torna as aulas mais prazerosas, torna os estudantes mais ativos e participantes. Assim, eles passam a desempenhar suas funções na escola. Ainda, o conteúdo pode ser melhor trabalhado e os(as) estudantes participam, ocupando seu tempo escolar de forma adequada, desprezando até, em certas turmas, a indisciplina que se estabelece por causa da preguiça e do tempo livre, que têm porque não realizam as atividades.