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7.3. Fichiers de configuration du serveur XFree86
Para entender melhor os ensejos dos educandos, fui observando cada aula de Língua Inglesa, no sentido de reconhecer os grupos e perceber de que forma os conteúdos poderiam ser trabalhados para que houvesse maior motivação. Para tanto, primeiramente, em conversas informais com os estudantes sobre o contexto em que vivem, fui percebendo, de uma forma geral, que a maioria deles tinha pretensão de estudar, trabalhar e prosperar. Os educandos que fizeram parte dos grupos de discussão moram nos bairros perto da escola, afastados do centro da cidade. Alguns deles moram em regiões com considerável índice de violência, tráfico de drogas e pobreza. Vivem com pais, avós ou outros parentes, sendo que nenhum/a mora sozinho/a ou com cônjuges. Nenhum/a tem filhos. Poucas famílias têm casa própria. Alguns poucos contam com carro, a maioria desloca-se para a escola ou para o centro da cidade a pé. Dois deles haviam perdido parentes próximos no ano de 2015 (de forma trágica). Alguns trabalham para ajudar no sustento da casa. Gostam de cinema, música e teatro, porém, salientaram que, muitas vezes, é difícil de participar das atividades culturais por dificuldades em pagar os ingressos. Os meninos apreciam e jogam futebol. Gostam de street dance (dança de rua), sendo que alguns frequentam um grupo que ensaia e se apresenta em eventos e festivais de dança. Estes admiram as músicas internacionais, principalmente as que têm alguma mensagem23. Muitos estudam também em outros cursos como, por exemplo, o técnico em secretariado. Alguns educandos gostariam muito de estudar inglês em cursos livres, porém, disseram não ter condições financeiras para tal.
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No dia de Natal do ano de 2015, este grupo fez uma apresentação em frente à Catedral de Santo Ângelo. Ao assisti-los, percebi que cada apresentação mostrava uma mensagem (contra o racismo, contra a homofobia, em favor do amor), contendo músicas em inglês, cuja letra retratava exatamente a mensagem passada nos passos de dança, nos cartazes e nas falas dos dançarinos. O que me faz pensar que os integrantes do grupo sabem inglês ou, pelo menos, pesquisam a tradução das músicas para as apresentações.
61 Como descrito anteriormente, foram realizados grupos de discussão (sob termo de assentimento e consentimento livre e esclarecido em anexo) no início das aulas de Língua Inglesa, em uma turma do ensino médio politécnico do Colégio Estadual Pedro II, em Santo Ângelo – RS. Além disso, na prática em sala de aula, foram observados conversas e debates dos educandos em relação à língua a ser aprendida e notou-se que, em sua grande maioria, desde o início do ano de 2014 até julho de 2015, mudaram/complementaram suas opiniões.
As questões que nortearam os grupos de discussão foram propostas por mim para iniciar os debates/discussões. Aqui, são apresentadas as conclusões e observações dos encontros, sem, entretanto, expor os nomes dos estudantes.
Para iniciar a conversa fora proposto o tema “a importância do aprendizado de Língua Inglesa”. Para tanto, sem a introdução do assunto, foi perguntado se acreditavam ou não ser importante aprender inglês e o porquê. Quanto às respostas, todos os educandos responderam que sim, aprender inglês é importante. Ao esclarecer o porquê foram evidenciadas respostas como: o inglês está presente no dia a dia das pessoas, em palavras de uso comum, estrangeirismos; para passar no ENEM; para conseguir um emprego melhor. Alguns estudantes apresentaram que o inglês é importante para a comunicação e para entender as músicas em inglês. Deve-se lembrar que durante um ano fora feito um trabalho de conscientização com os educandos, pois acredita-se que a motivação é mais efetiva se se trabalha por algo que julgam ser importante e necessário, como qualquer componente curricular, como diz Perrenoud que “nem sempre é necessário que o indivíduo esteja ‘motivado’ para se esforçar” (1995, p. 190), porém, “certamente que o fato de estar motivado impede o aborrecimento, mas é, ao mesmo tempo, um gasto de energia ou, até mesmo, um assumir de riscos” (ibid.).
Nos primeiros encontros com os estudantes, os mesmos não sabiam o propósito de aprender inglês. Mesmo o aprendizado de línguas na escola, o qual é mais leve ou superficial que os cursos livres pelo número reduzido de horas/aula e pelo número aumentado de educandos por turma, podem-se apresentar os objetivos do componente curricular. No início dos encontros na escola, os estudantes, pelo menos, a grande maioria deles, não gostavam do idioma e o que mais se ouvia nas aulas era: “Para que aprender inglês se eu nunca vou viajar para os Estados Unidos?”24; “Para que aprender inglês se a língua que eu falo é o português?”.
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Neste capítulo apresento várias falas dos estudantes participantes da pesquisa. Como, entretanto, não são individualmente identificados, e para dar maior fluência ao texto, uso apenas aspas para identificar as falas. Nas referências finais estas falas são nomeadas como “ESTUDANTES, 2015” (sob o termo CAAE 42648815.2.0000.5350).
62 Havia uma repulsa em aprender, não realizando as atividades e tendo sempre uma justificativa para isso. Contudo, após a cultura do aprendizado de línguas ser trabalhada, mostrando os reais motivos de aprender, as falas também foram sendo modificadas positivamente em favor das aulas.
Na continuação das conversas, investigou-se se gostam ou não de aprender o idioma. A maioria dos estudantes disse gostar de aprender. Algumas meninas falaram que “adoram” estudar inglês porque é divertido. Alguns poucos expuseram que não gostam de estudar inglês porque não entendem e acham a pronúncia das palavras muito difícil.
Ainda, foram abordadas as metodologias de ensino, percebendo de que forma aprendem melhor. Esta parte do debate foi bastante variada, com diferentes respostas. Muitos estudantes falaram que aprendem melhor com vídeos e músicas, principalmente nas aulas na sala multimídia. Outros falaram que aprendem praticando, porém, estes dois estudantes estudam em cursos de idiomas fora da escola e já possuem um vocabulário mais avançado, sabendo formular frases e pronunciar bem as palavras. Alguns falaram que preferem prestar atenção nas explicações da professora, anotar no caderno as regras gramaticais e fazer as atividades.
Quando falaram sobre a professora, de como esta deveria ensinar inglês, as estratégias que mais foram citadas foram atividades com músicas e filmes. Alguns disseram que poderia ter mais dinâmicas (atividades de conversação em grupos ou duplas) e alguns concluíram que “assim como está, está bom”.
Dando continuidade aos debates, falou-se no aprendizado em sala de aula. Todos os estudantes concluíram que somente o tempo em sala de aula não é suficiente para aprender inglês. Um período semanal de Língua Inglesa é pouco tempo para aprender. Muitos colocaram que quando tem aula em outro espaço, como a sala multimídia, laboratório de informática ou auditório, perde-se algum tempo para chegar até o local e o tempo de aula fica ainda mais reduzido. E, ainda, que não é possível trabalhar com seriados ou filmes em quarenta e cinco minutos, tendo que realizar as atividades em duas ou três semanas.
Então, questionou-se se, realizando as tarefas que a professora pede, buscando o significado das palavras desconhecidas, fazendo os temas, copiando o conteúdo quando falta aula, eles aprenderiam melhor, de forma mais efetiva. Nessa questão, todos os educandos disseram que sim, aprenderiam melhor se fizessem todas as tarefas. Acrescentaram que não aprenderiam tudo, mas aprenderiam mais se estudassem mais. Foi perguntado, após essa conclusão que tiveram, se todos realizam o que é proposto em sala de aula ou fora dela:
63 metade da turma admitiu que não estuda em casa (nem mesmo para as avaliações de Língua Inglesa) e não realizam os trabalhos de casa. Essa constatação é verdadeira, uma vez que eu, antes de corrigir os temas, faço um levantamento dos estudantes que realizam as tarefas e, para as avaliações escritas, proponho uma autoavaliação, questionando se o educando estudou, fez as atividades e entendeu (ou não) o conteúdo. Foi dito, por um estudante que: “Não estudo, professora! Em casa eu fico no facebook ou olhando filmes e nem mexo na mochila”. A partir dessa fala, aponta-se novamente a teoria de Perrenoud (1995), a qual diz que o aluno (educando) tem um papel na escola e fora dela: seguir as regras, realizar as atividades propostas e estudar para si, pois ninguém pode fazer isso em lugar dele.
Todos os educandos disseram que um período semanal para a componente não é suficiente. Acrescentaram que nos cursos livres, estuda-se duas horas e meia a três horas por semana, fora o período de tempo destinado à realização das atividades em casa.
A maioria dos educandos estudou inglês somente no Colégio Pedro II, pois nunca trocaram de escola e não fazem cursos. Alguns que vieram transferidos de outras escolas ou cidades declararam que as aulas eram com mais teoria, tinham apostilas ao invés de livros, faziam mais atividades escritas. Estes disseram que as aulas eram “chatas” ou “enjoativas” porque não eram aulas dinâmicas, porém, tinham mais tempo em sala de aula: dois períodos semanais.
Quanto ao tipo de música preferida, a maioria dos educandos prefere sertanejo universitário. Entre os cantores mais citados nessa preferência foram Marcos e Belutti, Lucas Lucco. Há vários educandos que disseram gostar de reggae, como do cantor Bob Marley e banda Magic. Alguns preferem rock e pop internacional.
Após, falou-se da cultura de assistir a filmes e/ou seriados legendados. Diversas foram as respostas para essa pergunta: cerca da metade da turma assiste a filmes ou seriados dublados, pois alguns não têm a opção da legenda por não dispor de canais por assinatura; outros assistem a programas dublados porque têm preguiça de ler e, ainda, alguns disseram que não conseguem prestar atenção nas imagens quando têm de ler. A outra parcela de estudantes falou que assistem a programas de tevê legendados porque não gostam da dublagem em português, acham artificial; alguns disseram que assistem a filmes e seriados legendados porque são originais e é uma forma de aprender a pronúncia das palavras em inglês e relacionar as palavras com a legenda.
Durante o trajeto de ensino-aprendizagem, faz-se mister que o educador conheça seus educandos, embora, admita-se que os profissionais da área, os quais ministram disciplinas,
64 trabalhem em várias turmas e talvez, várias escolas, com número reduzido de tempo trabalhado por turmas. Entretanto, é possível ter conversas com as turmas, fazer questionários escritos e jogos nos quais os educandos possam falar um pouco de si, do que gostam, do que almejam para suas vidas. Isso, com certeza, torna a preparação das aulas mais focada e, com motivação, a aula fica mais prazerosa e mais eficaz.
Vera Menezes Paiva (2012, p. 41) sugere que o professor investigue como seus alunos aprendem inglês, dando um modelo de questionário na mesma página. Isso serve para que, além do professor conhecer melhor seus educandos, os mesmos possam participar, dando sugestões de como aprendem melhor, que tipo de atividades mais gostam de fazer e a preferência por determinados vídeos ou músicas. Além de relacionar o conteúdo com o que mais chama a atenção dos estudantes, o professor pode tomar as ideias como sugestões, na medida em que seus materiais pedagógicos vão sendo utilizados.