6.4 Validation expérimentale et traitements thermiques après soudage en laboratoire
6.4.2 Planification de la trajectoire et des paramètres de chauffe
As plantas, tal como outras amostras de origem natural, são constituídas por uma ampla diversidade química de compostos antioxidantes. Por essa razão, é irrealista separar cada componente antioxidante e estudá-lo individualmente. Além disso, os níveis de um único antioxidante não refletem necessariamente a capacidade antioxidante total, devido às possíveis interações sinérgicas existentes entre os diferentes compostos. Atualmente são vários os testes existentes para avaliar a capacidade antioxidante. Contudo, não existe um método universal capaz de avaliar com precisão a capacidade antioxidante de todas as amostras quantitativamente (Magalhães et al. 2008).
Os resultados da atividade antioxidante, baseados na capacidade de captação de radicais livres, no poder redutor e na inibição da peroxidação lipídica dos extratos hidrometanólicos obtidos a partir das variedades vermelha, branca e rosa de G.
Capítulo 4 – Material e Métodos
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Tabela 8. Propriedades antioxidantes (valores de EC50) das três variedades de G. globosa estudadas.
Perpétua-vermelha Perpétua-branca Perpétua-rosa
Atividade captadora de radicais DPPH 1,19 0,06b 1,36 0,03a 1,02 0,01c Poder redutor 0,88 0,01b 1,38 0,03a 0,84 0,02c Inibição da descoloração do β-caroteno 1,30 0,04b 1,47 0,04a 0,98 0,06c Inibição de TBARS 0,41 0,01b 0,57 0,01ª 0,25 0,03c
Os resultados da atividade antioxidante estão expressos em valores de EC50: concentração de amostra
que promove 50% de atividade antioxidante ou 0,5% de absorvância no poder. Em cada linha, letras diferentes significam diferenças estatisticamente significativas (p <0,05).
Entre as 3 variedades estudadas, a perpétua-rosa foi a que apresentou a maior atividade antioxidante, com os valores de EC50 mais baixos (0,25 a 1,02 mg/mL), seguida da perpétua-vermelha (0,41 a 1,30 mg/mL) e, por fim, a perpétua-branca (0,57 a 1,47 mg/mL).
Que seja do nosso conhecimento, não existem ainda estudos científicos que foquem a atividade antioxidante das variedades em estudo. No entanto, existem estudos em extratos metanólicos (Roriz et al. 2014) e em infusões (Silva et al. 2012) obtidos a partir da variedade roxa de G. globosa, também proveniente de Portugal, mas de diferentes distribuidores. Relativamente à capacidade de captação de radicais DPPH em infusões, Silva e seus colaboradores (2012) descreveram valores de EC50 de 0,47 mg/mL e, no que respeita aos extratos metanólicos estudados por Roriz e seus colaboradores (2014), a atividade antioxidante foi mais fraca (1,47 a 4,87 mg/mL) relativamente à atingida nos extratos hidrometanólicos das amostras analisadas no presente estudo (0,25 a 1,38 mg/mL), com exceção da inibição da descoloração do β-caroteno.
A atividade antioxidante revelada pelas amostras em estudo pode também ser devida aos ácidos orgânicos detetados, sendo, por isso, a sua presença uma mais- valia para a ocorrência de diferentes bioatividades, levando a processos fisiológicos benéficos distintos.
A contínua exposição a vários tipos de stresse oxidativo, a partir de diversas fontes, leva as células e os organismos a desenvolverem mecanismos de defesa,
Capítulo 4 – Material e Métodos
53 diretos e indiretos, contra estes metabolitos reativos. Abordagens indiretas envolvem o controlo da produção endógena de ROS (Kohen 1999; Kohen e Gati 2000) através, por exemplo, da alteração da atividade das enzimas, as quais produzem, indiretamente, metabolitos de oxigénio (Atanma et al. 2000). Moléculas com a capacidade de doar átomos de hidrogénio a moléculas danificadas são também consideradas compostos de reparação, como acontece quando o ascorbato ou um tocoferol doam um átomo de hidrogénio a um radical de um ácido gordo, previamente atacado por outro radical que perdeu um átomo de hidrogénio.
Os antioxidantes exercem, deste modo, um efeito protetor ao neutralizarem os radicais livres, que são subprodutos tóxicos do metabolismo celular. Embora o corpo humano produza naturalmente antioxidantes, estes não são 100% eficazes em casos de sobrecarga na produção de radicais livres, diminuindo também a sua eficácia com o aumento da idade (Sies 1991; Goldfarb 1993).
4.4. Atividade anti-inflamatória e hepatotoxicidade
As plantas medicinais tornaram-se populares devido à sua baixa toxicidade e efeitos secundários, relativamente aos medicamentos alopáticos, desempenhando um papel fundamental no desenvolvimento de novos e potentes agentes terapêuticos. Baseado nos eventos moleculares que levam à inflamação é, portanto, sugerido que o processo de inflamação sustentada que acompanha várias doenças crónicas pode ser melhorado e até mesmo prevenido por fitoterápicos (Iwalewa et al. 2007). As suas propriedades anti-inflamatórias provêm da sua composição em fitoestrogénios, flavonóides e seus derivados, fitoesteróis, tocoferóis, ácido ascórbico, entre outros, que podem inibir alvos moleculares de mediadores pró-inflamatórios.
Deste modo, foi também testada a capacidade das variedades vermelha, branca e rosa de G. globosa de inibir a produção de óxido nítrico por macrófagos RAW 264,7 (linha celular) de forma a avaliar o potencial in vitro anti-inflamatório das amostras. Sendo extratos hidrometanólicos, considerou-se também importante avaliar a sua citotoxicidade em células normais de fígado. Os resultados da atividade anti- inflamatória e da hepatotoxicidade são apresentados na Tabela 9.
Capítulo 4 – Material e Métodos
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Tabela 9. Propriedades anti-inflamatórias (valores de EC50 em µg/mL) e hepatotoxicidade (valores GI50
em µg/mL) das três variedades de G. globosa estudadas.
Perpétua-vermelha Perpétua-branca Perpétua-rosa Atividade anti-inflamatória Produção de NO 136 4b 198 5a 133 7b Hepatotoxicidade Inibição do crescimento PLP2 >400 >400 >400
Os resultados da atividade anti-inflamatória estão expressos em valores de EC50: concentração de amostra
que fornece 50% de produção de NO em relação ao controlo negativo. Os resultados da hepatotoxicidade estão expressos em valores de GI50: concentração de amostra que fornece 50% de inibição do crescimento
celular. Em cada linha, letras diferentes significam diferenças estatisticamente significativas (p <0,05).
Como mostra a Figura 14 os extratos hidrometanólicos das amostras em estudo revelam uma atividade anti-inflamatória dependente da concentração, com um decréscimo acentuado na produção de NO, mesmo na presença de baixas concentrações dos extratos (até 400 µg/mL). As variedades vermelha e rosa apresentaram os valores de EC50 mais baixos (133 e 136 µg/mL, respetivamente), com a perpétua-branca a revelar uma atividade mais baixa (198 µg/mL).
Para as concentrações em que foi detetada atividade anti-inflamatória verificou- se a ausência de toxicidade dos extratos, quando testados na linha celular PLP2 (estabelecidas como cultura primária a partir de fígado de porco), mesmo para a concentração mais elevada estudada (400 µg/mL) (Tabela 9).
Capítulo 4 – Material e Métodos
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Figura 14. Efeitos anti-inflamatórios dos extratos hidrometanólicos obtidos a partir das diferentes variedades de G. globosa. Os níveis de NO foram determinados pelo método de Griess, através do sobrenadante da cultura da linha celular RAW 264,7 (macrófagos), tratadas com LPS (1 µg/mL) durante 24h.
Moléculas provenientes de organismos hospedeiros ou de patogénios tais como os lipopolissacáridos (LPS) estimulam os macrófagos a regularem positivamente mediadores inflamatórios tais como o NO, a PGE2 e as ROS, bem como mediadores pro-inflamatórios, nomeadamente a iNOS e a ciclogenase-2 (COX-2) (Korhonen et al. 2005). Ocorre uma superprodução de NO endógeno pela iNOS, induzida em resposta às citocinas pro-inflamatórias e ao LPS. Assim, a inibição destes mediadores inflamatórios é uma importante via alvo no tratamento de doenças com componentes anti-inflamatórios (Surh et al. 2001; Murakami e Ohigashi 2007).
Que seja do nosso conhecimento, este é também o primeiro estudo que incide nas propriedades anti-inflamatórias das variedades de G. globosa em estudo e, pelos
Capítulo 4 – Material e Métodos
56 resultados obtidos, estas plantas devem ser consideradas pelo seu potencial anti- inflamatório.
Nas principais propriedades farmacológicas das plantas do género Gomphrena estão envolvidas as respetivas folhas e flores, utilizadas como um medicamento popular para a oligúria, indigestão, hipertensão, como antimicrobiano e antioxidante (Upadhyaya 2011), no tratamento da tosse, rouquidão, bronquite, entre outras doenças respiratórias, funcionando principalmente como expetorante, na diabetes, problemas renais, e problemas reprodutivos (Arcanjo et al, 2011; Azam et al, 2012; Hamiduzzan e Azam 2012). Na América Latina e no Caribe, para além de serem usadas como plantas ornamentais, os seus efeitos benéficos foram verificados no tratamento de icterícia, hipercolesterémia e problemas urinários (Lans 2006; Hasnain
et al. 2006). Na América do Sul, a decocção da planta inteira é aplicada no
tratamento de feridas gangrenadas (Bhat et al. 1985). As flores desta espécie contêm também betacianinas, que funcionam como corantes alimentares, antioxidantes e em problemas de próstata (Kuroda et al. 2006). Entre as suas propriedades farmacológicas destacam-se também a sua atividade anti-inflamatória (Andrade et al. 2012; o presente estudo), os seus efeitos como coagulante natural do sangue (Upadhyaya 2011) e como analgésico (Hamiduzzan 2013). No que respeita às suas atividades antioxidantes e anti-inflamatórias, bem como à sua composição em compostos secundários, os nossos resultados reforçam estas afirmações, dado terem sido revelados resultados bastante relevantes na análise das suas bioatividades. No entanto, estes resultados são decorrentes de análises realizadas em extrações metanol:água (80:20 v/v) das plantas em estudo e, por isso, os mesmos apenas podem ser aplicados na indústria farmacêutica, por exemplo, pela sua inserção em formulações químicas na produção de novos medicamentos, sendo que na medicina tradicional/popular os seus efeitos poderão ser mais demorados e com uma eficácia mais reduzida.
Capítulo 5 – Conclusão
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5. CONCLUSÃO
Com a realização deste trabalho pretendeu-se avaliar os parâmetros químicos e diferentes bioatividades de três variedades de perpétua (género Gomphrena): perpétua vermelha, perpétua branca e perpétua rosa. Para tal, analisaram-se os seus compostos nutricionais (macronutrientes, açúcares, ácidos orgânicos, ácidos gordos e tocoferóis), determinou-se o valor energético, procedeu-se à análise de não-nutrientes (compostos fenólicos), e avaliaram-se as atividades antioxidante e anti-inflamatória das três variedades de Gomphrena. As propriedades antioxidantes foram avaliadas pelo efeitos de captação de radicais DPPH, poder redutor, inibição da descoloração do β-caroteno na presença de radicais linoleato e inibição da formação de TBARS em homogeneizados cerebrais. A atividade anti-inflamatória foi avaliada de acordo com a inibição da produção de NO em macrófagos RAW 264,7 induzidos com LPS.
Concluiu-se que as amostras em estudo apresentavam um elevado potencial nutricional e antioxidante sendo, neste caso, a perpétua-rosa a variedade que apresenta valores de EC50 mais baixos. Vários estudos têm demonstrado que existe uma relação inversa entre a ingestão de alimentos ricos em antioxidantes e a incidência de doenças humanas.
Relativamente à atividade anti-inflamatória, verificou-se uma ação dependente da concentração, sendo as variedades vermelha e rosa as que apresentaram valores de EC50 mais baixos, não tendo sido detetada toxicidade dos extratos para as concentrações em que foi verificada atividade anti-inflamatória.
Tendo em conta a informação disponível na literatura, esta é a primeira caracterização detalhada destas variedades do género Gomphrena. Os resultados obtidos dão suporte técnico e científico aos usos tradicionais destas plantas na medicina como anti-inflamatórios, destacando-as como fonte de compostos bioativos que podem ser incorporados em bebidas, alimentos funcionais ou outras formulações com potencial anti-inflamatório e propriedades relacionadas com o stresse oxidativo, com consequentes benefícios para a saúde dos consumidores.
Este trabalho entrelaça, assim, o saber empírico com o conhecimento científico, contribuindo para a divulgação destas espécies localmente utilizadas para fins medicinais e estimulando a reflexão em torno de uma estratégia que vise a gestão, conservação e utilização destes recursos naturais locais numa perspetiva de desenvolvimento sustentável. Mais ainda, é de salientar a importância do estudo do
Capítulo 5 – Conclusão
58 conhecimento e uso tradicional das plantas medicinais, pois os usos populares podem ser otimizados através do desenvolvimento de formulações farmacêuticas de baixo custo e ser utlizadas em processos de desenvolvimento tecnológico (Pereira 2011).
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