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Fait divers

Dans le document Le pied : revue littéraire ; hiver 2015 (Page 40-44)

O objetivo central do presente capítulo foi realizar uma sistematização (no sentido definido na seção de método da presente pesquisa) da crítica de Skinner à cultura contemporânea. Nove textos do autor serviram de “matéria prima” para a realização dessa empreitada (Skinner, 1972a; 1973; 1975; 1976a; 1976b; 1982a; 1985; 1986). Todos esses textos foram citados como referência em um artigo que trata exatamente desse tema: Andery (1997b). Um artigo de Skinner, que não aprece no texto de Andery, foi acrescentado ao conjunto: Skinner (1979). O texto foi mencionado em uma disciplina do curso de Graduação de Psicologia na PUC-SP como uma abordagem do controle aversivo nas práticas culturais do Ocidente contemporâneo.

Dois vetores nortearam a tarefa de sistematização: um de organização do material lido, e outro de fundamentação da organização desse material.

No que se refere à organização, o tratamento que esse material sofreu foi o seguinte: de sua leitura, extraíram-se trechos que descrevessem práticas sociais que, segundo o autor, ameaçam a sobrevivência das culturas humanas (critério caracterizado, no capítulo anterior, como suficiente para dizer que uma dada prática social é criticada pelo autor). Tal tratamento deu origem a um conjunto enorme de informações, compostas por todos os trechos que obedeciam a esse critério.

De modo a organizar esse amálgama de informações, foram dados “títulos” e “subtítulos” que indicassem a temática sobre a qual cada trecho versava, acompanhados, em alguns casos, pelos argumentos desenvolvidos no trecho. Tal procedimento facilitou o manejo das informações. Os nomes dos títulos, subtítulos e, quando fosse o caso, argumentos formaram o que, aqui, será chamado de “tópico”. Por exemplo, em Skinner (1986a), os seguintes tópicos foram formados (dentre outros):

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Tópico 1

- Divisão e especialização do trabalho: alienação do trabalhador

- Produtos diretos do trabalho não mantêm o comportamento de trabalhar

Tópico 2:

- Difusão do comportamento governado por regras: empobrecimento do repertório - Ações são geradas em contextos em que suas conseqüências não são

eficazes

Tópico 3:

- Reforçamento de poucas classes de respostas: perda da inclinação para agir

- A alta disponibilidade de reforçadores, na cultura contemporânea, impede a variabilidade de respostas

Em seguida, foi feita uma lista com todos os tópicos. A lista ainda foi caracterizada por apresentar certa dispersão: muitos tópicos eram semelhantes, se relacionando intimamente entre si. Portanto, alguns tópicos puderam ser aglutinados a outros, já que gravitavam em torno de uma mesma temática (p. ex., os tópicos “práticas de ajuda àqueles que podem ajudar a si mesmos: inibição do desenvolvimento de repertórios comportamentais” e o “alienação do trabalhador: repetição sistemática das mesmas respostas”, em última análise, se referiam a um mesmo tema: “empobrecimento do repertório”).

De modo a imprimir maior coerência, unidade, a essa lista de tópicos, o tratamento seguinte consistiu na operação de agrupamento da lista de tópicos em unidades temáticas, construídas pelas operações de junção, aglutinação, e, por tabela, de discriminação, separação, entre os grupos de tópicos, de modo que as unidades temáticas abraçassem tópicos semelhantes entre si e, desse modo, se diferenciassem das demais. Foi exatamente essa operação que deu origem às unidades temáticas. No entanto, ainda que essas unidades começassem a emprestar coesão aos conjuntos de

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informações, ainda apresentavam uma carga de dispersão: os tópicos aglutinados estabeleciam quais relações entre si? Isto é, se cada unidade temática consistia em tópicos relacionados, restava, ainda, identificar que tipo de relações esses tópicos unidos dentro de uma mesma unidade temática guardavam entre si. Isso exigiu uma segunda operação para organizar a lista de tópicos.

Para integrar os tópicos de cada unidade, outra operação foi feita na sequência, consistindo em uma tarefa de articulação desses tópicos, vinculando-os por relações de determinação (o tópico X explica, ou ajuda a explicar, o tópico Y) e de pertencimento/hierarquia (o tópico W faz parte do tópico Z: abrange um tema que é uma ramificação de Z). Isto é, foram desvendados os tipos de relações entre cada tópico que pertencia a uma mesma unidade temática. O agrupamento (primeira operação) e articulação (segunda operação) consistiram, portanto, nas operações básicas que foram aplicadas à lista de tópicos e que organizaram as informações extraídas do material selecionado. A primeira operação deu origem às unidades temáticas; a segunda operação organizou os componentes das unidades temáticas (os tópicos) de modo a já começarem a esboçar, ainda que esquematicamente, o texto relativo a cada unidade temática. Desse modo, formadas as unidades temáticas e identificadas as relações entre seus componentes, a redação do texto que compõe esse capítulo ficou facilitada.

Cinco grandes unidades temáticas foram formadas seguindo esses procedimentos: 1- Internalização dos principais determinantes do comportamento

2- Negligência em relação ao futuro remoto 3- Empobrecimento do repertório comportamental 4- Difusão do controle aversivo

Todas elas se caracterizavam por tratarem de práticas sociais, ou agruparem sob um mesmo rótulo um conjunto de práticas sociais que tinham um produto em comum. Tanto as práticas, como os produtos delas, deveriam, de algum modo, estar relacionadas à ameaça da sobrevivênicia da cultura contemporânea, critério último que viabilizou dizer que uma prática social foi alvo de crítica da Skinner. Mais do que isso, a caracterização de tais práticas sociais, ou de produtos de práticas diversas, dariam conta de explicar todos os conteúdos da crítica de Skinner à cultura, extraídos dos nove textos mencionados acima e listados no primeiro tratamento em que os textos de Skinner foram submetidos (ou seja, na formação dos tópicos). Em suma, a caracterização de cada unidade temática abrangeria muitos tópicos que compuseram a

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primeira lista; mais do que isso, tal caracterização relacionaria cada tópico (abrangidos na mesma unidade temática) por relações de determinação e hierarquia/pertencimento.

Uma vez formadas as unidades temáticas, restaria, por fim, identificar que tipos de relações elas estabeleciam entre si: as relações entre tópicos de uma mesma unidade temática já haviam sido desvendadas; no entanto, restava estabelecer relações entre as unidades temáticas. Essas últimas relações foram úteis para ordenar as unidades temáticas, orientando a caracterização de cada uma a partir da outra: foi esse procedimento que deu origem à sequência entre as unidades temáticas descritas nesse capítulo.

Outro procedimento norteou a redação de alguns textos correspondentes a cada unidade temática, procedimento esse que serviu ao propósito de fundamentação da crítica de Skinner à cultura. Como apontado na seção de método da presente pesquisa, muitos dos argumentos de Skinner em textos que tratam da análise da cultura requerem, para sua compreensão, resgatar outros argumentos do autor que lhe fundamentem. São argumentos de cunho conceitual e filosófico e que, em muitos casos, não estão presentes nesses textos voltados para a análise da cultura. Assim, alguns elementos da crítica de Skinner a algumas práticas sociais exigiram fundamentação. Nesse sentido, a caracterização de algumas unidades temáticas demandou mais do que acumular e relacionar conteúdos empregados nesses nove textos (operação característica do que se está chamando de organização): exigiu também o desenvolvimento de outros argumentos que lhe fundamentariam, que exerceriam alguma contribuição para lhe oferecer inteligibilidade. A busca desses argumentos com função de fundamentação contou com a colaboração do material selecionado para a pesquisa (não necessariamente selecionados para confecção deste capítulo), bem como os textos dos capítulos anteriores.

A redação correspondente a cada unidade temática seguiu mais ou menos essa trajetória que deu origem às unidades temáticas. Para cada uma delas, o texto se iniciou com citações de Skinner que atestam o fato de ele ter considerado as práticas sociais que compõem cada unidade ameaças à sobrevivência da cultura. Em seguida, foram levantados alguns elementos dessas citações (os principais argumentos que versavam, bem como os conceitos indispensáveis para compreendê-los) cuja compreensão permitiu fundamentar a crítica de Skinner circunscrita ao tema da unidade. O passo seguinte foi desenvolver esses argumentos e definir tais conceitos

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que se mostraram críticos para entender a análise de Skinner a respeito de algumas práticas sociais. Por fim, exploraram-se as razões pelas quais tais práticas constituem ameaças à sobrevivência da cultura. Assim, o texto de cada unidade contem três divisões:

1. Seleção das citações e levantamento de conteúdos

2. Fundamentação ou aprofundamento dos argumentos levantados

3. Razões para a prática em questão constituir uma ameaça à sobrevivência das culturas

É importante apontar que as etapas 2 e 3 foram fundidas em um subitem. Isso porque, conforme os conteúdos indispensáveis para se entender as críticas de Skinner à cultura foram fundamentados, os elos que justificavam as razões pelas quais a prática em questão foi alvo de crítica foram se elucidando automaticamente. Criar uma nova seção para retomar tais conteúdos poderia comprometer a fluência do texto, tornando-o maçante e, possivelmente, fragmentado – algo dissonante no que se refere aos propósitos desse trabalho, que se constituem, essencialmente, numa tarefa de sistematização.

INTERNALIZAÇÃO DOS PRINCIPAIS DETERMINANTES DO

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