2. Service Examples
2.16. Call Pickup
Todas as bactérias cresceram nos meios estudados e de acordo com a análise das reações, foi observado que nenhumas das estirpes testadas apresentaram capacidade em produzir ácido indol acético (AIA) ou solubilizar fosfato. Estes resultados corroboram com os achados de Hameeda et al. (2006), que testando Bacillus (B. licheniformis (EB 13 e CDB 47) e B. circulans (EB 35) também não encontraram bactérias positivas para ambos os testes. Sobral (2003), estudando BPCPs endofíticas e epifíticas na cultura da soja, relatou que os grupos bacterianos mais freqüentes, apresentando estas duas características, foram
Pseudomonadaceae e Enterobacteriaceae. Mendonça (1995), avaliando algumas das estirpes
de Bacillus e Brevibacillus estudadas neste trabalho encontrou resultados positivos quanto à produção de proteases, evidenciando assim que outros testes não avaliados neste experimento podem demonstrar outras qualidades de interesse benéficas à planta como produção de quitinase, citocininas, giberelina, dentre outros metabólicos.
A maioria das pesquisas com BPCPs utiliza grande número de isolados em seleções preliminares, principalmente porque menos de 1% das rizobactérias são capazes de promover crescimento em plantas (Chen et al., 1996).
No experimento de viabilidade da co-inoculação com Bacillus, Brevibacillus e
Paenibacillus na simbiose Bradyrhizobium-caupi, não foram encontradas diferenças
significativas na altura das plantas (Tabela 1), entretanto a co-inoculação do Bradyrhizobium sp. (BR3267) com as estirpes de Paenibacillus brasilensis (172), P. polymyxa (S21) P.
durus (RBN4) e Bacillus sp. (451) obtiveram médias superiores ao tratamento controle
(inoculado apenas com a estirpe de Bradyrhizobium sp. (BR 3267)estes dados corroboram com os encontrados por Figueiredo et al. (2008b) e Pereira (2008). As plantas atingiram uma altura máxima de 184,50 cm, valor este bem superior ao descrito por Silva (2003), em estudo semelhante de co-inoculação de Bradyrhizobium sp. (BR-2001) com BPCPs. Neste trabalho a maior média apresentada foi de 156,70 cm aos 45 dias de plantio. Este dado indica que a estirpe de Bradyrhizobium sp. (BR 3267), tem maior eficiência simbiótica com a cultura do
caupi. O tratamento com a estirpe B. pumilus – 448 (122,6 cm) reduziu em 42,6% a altura das plantas.
Com relação ao comprimento da raiz (CR) (Tabela 1), não houve diferença significativa (p<0,05) pelo teste de Tukey entre os tratamentos. Duas hipóteses podem ser lançadas para explicar este resultado. A primeira é que a unidade experimental (vaso) é limitada, afetando CR em profundidade e a segunda seria devido a não produção de AIA pelas estirpes co-inoculadas, já que este hormônio atua principalmente no crescimento radicular.
Quando o tratamento foi co-inoculado com Paenibacillus brasilensis (24), P.
brasilensis (177), P. durus (RBN4) e B. megaterium (462) as plantas apresentaram maiores
médias de MSPA em relação ao controle Bradyrhizobium sp. (9,55 g) (Tabela 1). Esse incremento sugere maior efeito sinérgico destas bactérias junto à estirpe de Bradyrhizobium sp. (BR 3267) nas plantas de caupi. Entretanto, o mesmo não ocorreu com o tratamento co- inoculado com B. pumilus – 444 (5,56 g), evidenciando que o uso dessa bactéria inibiu a eficiência simbiótica. Mantovanello & Mello (1994), utilizando rizobactérias do gênero
Pseudomonas obtiveram aumentos de matéria seca da parte aérea (138,5%) e raízes (119%)
de plântulas de tomateiro, em solo autoclavado.
Em relação à matéria seca da parte aérea/raiz (MSPA/MSR) e número de nódulos (Tabela 1), não houve diferença significativa (p<0,05) entre os tratamentos. Entretanto podem-se observar um aumento superior a 23% dos tratamentos co-inoculados com Bacillus
subtilis (455) na relação MSPA/MSR e Brevibacillus brevis (447) no número de nódulos em
relação ao controle Bradyrhizobium sp. (BR 3267).
Para a matéria seca dos nódulos (MSN) nas plantas de caupi (Tabela 1), os tratamentos co-inoculados com Paenibacillus brasilensis (24), P. graminis (MC 22.13) e Bacillus subtilis (438), superou em quase 22% o tratamento inoculado apenas com Bradyrhizobium sp., corroborando com o resultado encontrado por Araújo & Hungria (1999) e Miranda (2001). Zhang e colaboradores (1996) observaram que algumas BPCPs podem diminuir a MSN, como ocorreu com o tratamento co-inoculado com Bacillus sp. (449), evidenciando assim que algumas BPCPs podem proporcionar competição na colonização das raízes da planta hospedeira em busca dos sítios de infecção, restringindo o acesso para o rizóbio.
Em relação ao tamanho do nódulo (Tabela 2) os resultados revelaram diferença significativa (p<0,05) entre os tratamentos co-inoculados com Bacillus sp. - 449 (2,57) e B.
subtilis – 441 (9,20). Silveira et al. (2001), mostram que efeitos ambientais nos nódulos, após
com tratamentos co-inoculados com Bacillus sp. (449) e Bacillus cereus (440) respectivamente.
Segundo Dobereiner (1966) há correlação positiva entre a massa nodular e a quantidade de N acumulado em leguminosas, e essa correlação positiva foi encontrada por Wadisirisuk & Weaver (1985) em feijão-caupi. Isso sugere que plantas com maior número de nódulos fixam mais N, embora, de acordo com Hansen et al. (1983), essa correlação não seja linear e, portanto, é necessário não só muitos nódulos, mas nódulos grandes, com maior eficiência relativa.
Na Tabela 2 pode-se observar que o teor de nitrogênio nas plantas de caupi inoculadas apenas com Bradyrhizobium sp. e co-inoculadas com Bacillus, Brevibacillus e/ou
Paenibacillus não apresentaram diferença significativa (p<0,05) pelo teste de Tukey. Estes
dados corroboram com os achados de Silva (2003). Segundo Silva et al. (2007) existem limitações dependentes de BPCPs para fixação do N2. Trabalhos conduzidos por Zhang et al.
(1996) relatam que a inoculação com Pseudomonas putida em soja aumentou em até 25% estes teores de nitrogênio em plantas.
Em relação ao nitrogênio acumulado na MSPA do caupi (Tabela 2), a co-inoculação
Bradyrhizobium – BR 3267 e Paenibacillus brasilensis (24) apresentou a maior média
(423,40 mg N vaso-1), superando em até 11,5% o tratamento inoculado apenas com Bradyrhizobium sp. BR 3267 (379,66 mg N vaso-1) e em mais de 75% para o tratamento co-
inoculado com Bacillus pumilus – 444 (241,98 mg N vaso-1).
No que se refere à eficiência da fixação do N2 (EFN2) (Tabela 2) a co-inoculação Bradyrhizobium sp. e Bacillus sp. – 449 (818,24 mg N g MSN-1) superaram em mais de 100%
o tratamento inoculado apenas com Bradyrhizobium sp. – BR 3267 (403,39 mg N g MSN-1). Quanto à nodulação especifica (NE) (Tabela 2) não houve diferença significativa (p<0,05) entre os tratamentos, entretanto o tratamento inoculado apenas com Bradyrhizobium sp. (BR 3267) quando comparado ao co-inoculado com Bacillus cereus (440) diminuiu 95,30% a nodulação específica enquanto o B. subtilis (455)aumentou em 35% a média desta variável.
A co-inoculação Bradyrhizobium sp. + Bacillus sp. (449), apresentou menores médias de biomassa e tamanho do nódulo, entretanto foi o tratamento com melhor eficiência na fixação de N2 (Tabela 2) indicando assim a importância da eficiência relativa, descrita por
Xavier (2007). O número, a biomassa e o tamanho dos nódulos (Tabela 1 e 2) são indicadores usuais de nodulação (Ferreira & Castro, 1995), e constituem critérios frequentemente utilizados para avaliação da simbiose rizóbios-leguminosas, fazendo parte, inclusive, do
protocolo para avaliação da eficiência agronômica de estirpes no Brasil pela RELARE (Rede de Laboratórios para recomendação, padronização e difusão de tecnologia de inoculantes microbiológicos de interesse agrícola) (Xavier et al., 2006).
Como exemplos dos efeitos de BPCPs na produção podemos citar aumento de até 37% na produção e nodulação do amendoim com a inoculação de Bacillus subtilis (Turner & Backman, 1991). Li & Alexander (1988) conseguiram incrementar a colonização e a nodulação de soja, através da co-inoculação de Bradyrhizobium. japonicum com bactérias do gênero Bacillus spp., produtoras de antibióticos. Outros relatos demonstram efeitos positivos na nodulação pela co-inoculação de rizóbio com diversas espécies de bactérias (Stamford et al., 2003; Silva et al., 2007; Figueiredo et al., 2008a; 2008b). Essa contribuição foi relacionada com a produção de fitohormônios, pectinase ou sinais moleculares por Bacillus
cereus (Halverson & Handelsman, 1991) e outras espécies de microrganismos (Dakora,
2003).
Segundo Catellan (1999) existe um sinergismo entre bactérias promotoras de crescimento em plantas e bactérias fixadoras de nitrogênio em leguminosas, corroborando assim com os resultados apresentados neste trabalho, observando-se efeito positivo da co- inoculação Bradyrhizobium sp. vs BPCPs na MSPA, MSN, Nac, EFN2 e tamanho de nódulo
em relação ao controle. Sindhu et al. (2002) estudando a interação entre microrganismos relatam que Bacillus sp. co-inoculado com Bradyrhizobium sp. melhora a nodulação e o crescimento das plantas de grama verde (Vigna radiate [L.] Wilzeck.). A simbiose entre
Bradyrhizobium e caupi, juntamente com as RPCP (Loutit (L) e LBF-410, estimula a
nodulação e pode promover melhor eficiência na fixação do N2 (Silva, 2007).
Gomes et al. (2003) testando inoculação de Bacillus pumillus e B. thuringiensis subvar, kenya em mudas de alface, observaram incremento na matéria fresca da parte aérea e raiz por estas bactérias. E em estudo in vitro, não encontrou nenhuma bactéria capaz de produzir AIA ou solubilizar fosfato, sugerindo que esses mecanismos não foram responsáveis pela promoção de crescimento nas plantas.
Estudos desenvolvidos por Cardoso (1999), mostram que para um microrganismo ser denominado de BPCP só precisa ter atuação positiva no desenvolvimento e produção vegetal, que pode ser resultado de vários mecanismos fisiológicos, tais como produção de hormônios. Segundo Min-Ryu et al. (2005) e Araújo (2008), o modo de ação e a própria ocorrência do benefício de BPCPs variam com a espécie de planta e/ou bactéria. Por isso, se fazem necessários estudos para o reconhecimento de mecanismos de ação das bactérias promotoras
de crescimento em plantas, os quais definirão a melhor utilização dos isolados para cada interação planta-bactéria.
CONCLUSÕES
1. As estirpes de Paenibacillus, Brevibacillus e Bacillus nas condições testadas não apresentaram capacidade para produzir ácido indol acético (AIA) e nem solubilizar fosfato.
2. Ocorreu sinergismo entre as estirpes de Bacillus e Paenibacillus co-inoculados com a estirpe de Bradyrhizobium sp. (BR 3267) no caupi.
3. A estirpe de Paenibacillus brasilensis (24) foi superior em relação às demais estirpes avaliadas na produção de nitrogênio acumulado na matéria seca da parte aérea do caupi proporcionando uma melhor peformance simbiótica.
4. A co-inoculação das estirpes de Bradyrhizobium sp. e Bacillus cereus (440) inibiu a nodulação específica no caupi.
5. A co-inoculação das estirpes de Bradyrhizobium sp. e B. pumilus (444) inibiu a promoção do crescimento no caupi.