Os Centros RVCC de 1ª geração que nasceram com a preocupação de valorizar instâncias/entidades mediadoras da relação formação/empregabili- dade nos territórios estão, na fase actual da Iniciativa Novas Oportunidades,
confrontados com um desafi o de grande envergadura que deve motivar uma refl exão em profundidade acerca do seu posicionamento futuro no que é, em grande medida, um novo formato para as actividades RVCC.
Com efeito, existe um conjunto de entidades (Associações Empresariais, Associações de Desenvolvimento Local, ...) que emprestaram ao processo uma componente de inserção territorial e de relação entre públicos/destinatários alvo e metodologias de intervenção que deve ser representada numa fase em que a polaridade das iniciativas se desloca para os estabelecimentos de ensino, por um lado, e para os empregos/entidades empregadoras, por outro lado, ou seja, para al- gumas das entidades parceiras das AAEE e ADL, a título de exemplo (Esdime, 2007). Trata-se, então, de refl ectir o novo posicionamento no sistema de enti- dades como a Esdime que até ao presente, desenvolveram trabalho, que se comprova/reconhece como meritório, na base de dois argumentos-chave:
• Relação de parceria com entidades dos sub-sistemas de formação escolar e profi ssional, facilitadora da mobilização de recursos educativos para operacionalizar as metodologias de aprendizagem veiculadas pelo processo RVCC;
• Relação de proximidade territorial às condições favorecedoras do recru- tamento de “clientes” e da sua actual/posterior empregabilidade.
Neste passo da refl exão, importa recordar que a Rede de Centros RVCC nasce como uma vertente de aproximação aos destinatários-alvo, ou seja, aos contextos de residência e de local de trabalho sendo estes, naturalmente, marcados por características sócio-económicas específi cas decorrentes do respectivo padrão de actividades e de empregabilidade, ou seja, do quadro potencial de valorização de competências dos adultos, objecto de acções RVCC/Cursos EFA/Formação Modular.
Em nosso entender, a afi rmação do Centro Novas Oportunidades da ESDI- ME passa justamente por valorizar a inscrição territorial da sua vocação e actividades, o que pressupõe dinamizar as parcerias existentes e suscitar a estruturação de outras, norteadas pela preocupação de ampliar as condições de efi cácia dos diagnósticos e encaminhamentos quer para outras ofertas quer para processo RVCC e das propostas formativas complementares, de- signadamente na óptica da reconversão de competências.
A afi rmação do papel da Esdime, como condição para a ampliação das con- dições de efi cácia dos processos RVCC, pressupõe um conjunto de actuações de carácter operacional relativamente expressivo e que, no contexto territorial da zona de intervenção da Cooperativa, reforça a necessidade de aprofundar o trabalho de parceria institucional estabelecido desde 2001 (ESDIME, 2007).
Por outro lado, tem-se revelado da maior importância cooperar com todas as instituições que representam os interesses das populações. A constitui- ção de parcerias, de confi anças sólidas na base de projectos práticos e de sínteses consensuais, também com os poderes locais, é, portanto, condição indispensável ao êxito de um plano de acção. Importante também tem sido a exploração das complementaridades e sinergias entre as diferentes iniciati- vas locais, no sentido da permuta sempre enriquecedora de experiências, know-how adquirido, solidariedade e mesmo um olhar crítico sobre o que andamos a fazer, já que podemos, assim apercebermo-nos das formas de actuação dos outros.
Os campos da educação de adultos e do desenvolvimento local têm reve- lado ao longo deste percurso uma conciliação que, na maioria dos casos, se revelou frutífera e promissora. A mais-valia desta aliança reside, sobretudo, nas metodologias centradas na concepção e execução de processos parti- cipados e integrados, e assentes numa abordagem global eminentemente educativa e não tecnocrática.
Na procura de combinação entre desenvolvimento pessoal e colectivo, as organizações de desenvolvimento local têm desempenhado um papel determinante pelas estratégias de intervenção adoptadas e pelas dinâmicas criadas nos seus territórios. A proximidade estabelecida com o tecido social dos seus territórios de implantação e a capacidade para gerar empowerment das populações para quem e com quem trabalham constitui por si só, um aspecto de vantagem que não deve ser desvalorizado. Pelo Contrário, deverá merecer atenção por parte do Estado que nelas deverá depositar confi ança e focalizar apoios, de modo a qualifi car a sua intervenção no domínio da educação de Adultos e, em particular no funcionamento de Centros Novas Oportunidades.
A Casa do S@ber + que projectámos para o futuro imediato, assume a forma de um centro de qualifi cação e formação multidisciplinar, munido da valência de certifi cação escolar, que oferece respostas adequadas a diferentes necessidades, de diferentes públicos, de distintas organizações, para variados interlocutores, potenciando à posteriori o “almejado” desenvolvimento local. Estamos certos que o know-how adquirido em mais de 20 anos de projec- tos e experiencias pioneiras na área da educação, formação e qualifi cação de jovens/adultos, permitir-nos-á continuar a desenvolve-los, adaptando-nos, sempre que necessário, às politicas de crescimento e desenvolvimento da “nossa” região.
Bibliografi a
ESDIME (2007). Cadernos de Práticas Interventivas – Dinâmicas de Integração Social. Messejana: Esdime.
ESDIME (2007). Estudo sobre o Impacto da Certifi cação de Competências na Vida das Pessoas: A Experiência da Esdime. Camarate: IEFP.
Cavaco, Cármen (2009). Adultos Pouco Escolarizados – Políticas e Práticas de Formação. Lisboa: Educa e UI&DCE.