BATIMENT 23 SOCIETE PAR
Z. A. DE LA PETITE CROIX 44680 ST HILAIRE DE CHALEONS
De modo a minimizar a escassez do arvoredo, proporcionar a maximização da sua biodi- versidade e benefícios no bairro, oferecer uma base de dados atualizada do arvoredo, e como forma de contribuir para um melhor planeamento da floresta urbana e incentivo para futuros estudos, propõe-se de uma forma geral, as seguintes estratégias de interven- ção para o bairro de Ribeira Bote/Torrada:
5.1.1. Intervenção social
Acredita-se que o primeiro passo a ser dado deve iniciar-se com uma intervenção a nível social, consciencializando a população da importância da presença arbórea dentro do meio urbano. Para tal, propõe-se que a consciencialização seja feita através de campanhas via rádio, televisão, escolas, palestras, entre outros meios de comunicação, dando-as a conhecer os benefícios que as árvores podem proporcionar. Ao longo do bairro verificou- se casos de maus tratos em árvores, pedidos de abate, entre muitos outros aspetos que podem impedir o bom desenvolvimento das árvores e consequentemente, a não sustenta- bilidade da estrutura da floresta urbana. Por essas razões, defende-se que antes de qual- quer intervenção física, deve-se intervir primeiro a nível social, pois não adianta fazer
92 todo um trabalho de requalificação arbórea para posteriormente ser vandalizada e destru- ída pela população;
5.1.2. Melhorar o Planeamento da Floresta Urbana
Uma vez analisada a floresta urbana do bairro tanto a nível quantitativo como também a nível qualitativo, sendo que foram averiguados, até à data da realização deste estudo, dé- fices de informações relacionadas com a estrutura arbórea da floresta e a sua respetiva manutenção, propõe-se então uma reestruturação do planeamento da floresta, assente em bases de dados com toda a informação do arvoredo, como forma de monitorizar e avaliar o desempenho da floresta urbana. Através de um planeamento bem estruturado e execu- tado, facilmente se consegue perceber se a floresta urbana funciona de forma sustentável ou não.
Baseando na proposta feita por Clark et al. (1997) sobre planeamento de uma floresta urbana, propõe-se assim os seguintes pontos para o melhoramento do planeamento da floresta urbana do bairro Ribeira Bote/Torrada:
a) Realização de inventários da estrutura arbórea - a realização de inventários arbóreos representa um fator relevante no planeamento de uma floresta urbana, pois através dela obtém-se informações importantes sobre a estrutura da floresta urbana, tais como: idade das árvores; altura das árvores; taxa de longevidade; to- lerância das espécies a certos poluentes; diâmetro de tronco e de copa; cobertura arbórea, entre outros;
b) Utilização de programas de avaliação da floresta urbana – a avaliação da flo- resta urbana através de modelos de avaliação, tais como STRATUM, permite-nos verificar o sucesso ou insucesso de uma floresta urbana. A realização de avalia- ções dos serviços prestados pelas árvores, permita-nos então verificar: se as espé- cies escolhidas foram as mais adequadas em termos de qualidade ambiental e bem-estar da sociedade; quais os espaços mais adequados para uma determinada espécie; se houve um aumento de benefícios ou não; e principalmente, se a floresta oferece mais custos ou benefícios;
c) Formação de uma equipa de profissionais multidisciplinar - acredita-se que não basta plantar árvores para que uma floresta urbana seja sustentável. Requer também a presença e junção de equipas que possam olhar para além disso, tais como engenheiros paisagísticos, geólogos, silvicultores, arboristas, engenheiros
93 civis, engenheiros urbanísticos, entre outros profissionais capazes de olhar para todos os aspetos e esferas essenciais para o crescimento saudável das árvores sem que estas apresentem conflitos com o meio urbano;
d) Construção de espaços adequados para a arborização – caso as infraestruturas verdes forem consideradas e inseridas nos planos urbanísticos, os desserviços cau- sados pela estrutura verde diminuirão. A criação de espaços adequados para a ar- borização urbana, permitirá assim que as árvores cresçam e desenvolvam em me- lhores condições sem que estas causem conflitos com as infraestruturas urbanas, tais como, levantamento de calçadas e corte de fiações elétricas. Por essas razões, é importante que a floresta urbana faça parte dos projetos de urbanização; e) Contabilização dos custos de manutenção – é necessário contabilizar os custos
que uma floresta urbana oferece, tais como: custos relacionados com podas; ferti- lização; plantio; rega, entre outros, de modo a que seja possível avaliar a relação custo-benefício, ou seja, avaliar se a floresta urbana traz mais custos para a enti- dade responsável, ou se traz mais benefícios;
f) Reestruturação das medidas de proteção e conservação – as medidas de pro- teção e conservação permitirão garantir melhores condições para o desenvolvi- mento das árvores, maior longevidade, menor quantidade de COVBss emitidos para a atmosfera, maiores benefícios proporcionados, menores custos de manu- tenção e automaticamente, maior sustentabilidade;
g) Fortificação de stock dos viveiros com novas espécies arbóreas – apostar em novas espécies de árvores, para além de trazer para a floresta urbana maior biodi- versidade de espécies arbóreas, trará também novas espécies de aves;
h) Seleção criteriosa de espécies de árvores – a realização de uma seleção criteriosa de espécies de árvores para a arborização urbana, permitirá atenuar os desserviços causados pelas árvores, como por exemplo, ataques de alergias causado pela pro- dução de pólen.
5.1.3. Aumento da cobertura arbórea
Uma vez que o bairro apresenta uma forte carência arbórea e pouca biodiversidade, pro- põem-se então o aumento da cobertura vegetal através de:
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5.1.3.1. Criação de anéis para a formação de corredores ecológico s
Uma vez que a introdução de novas espécies arbóreas gera custos, propomos então que se opte principalmente para o reforço da estrutura arbórea com espécies nativas, pois estas encontram-se já adaptadas às condições climáticas da cidade. Contudo, é importante apli- car primeiro a regra dos 30-20-10 mencionada no capítulo anterior de modo a evitar baixa de biodiversidade. Os corredores ecológicos dentro de uma malha urbana, para além de contribuírem para paisagens urbanas mais agradáveis e maximizarem os benefícios que as árvores podem trazer para um meio urbano, contribuem ainda para a preservação da fauna selvagem.
Na Figura 1 do Anexo 4 encontra-se ilustrado os três exemplos de corredores ecológicos propostos para o bairro, sendo estes divididos em três cores. A primeira (anel amarelo), inicia-se na Rotunda da Ribeirinha e segue-se em direção a Avenida Alto Sentina até a interceção desta com a rua Ponto XXV. Posteriormente segue-se pela rua Ponto XXV até ao cruzamento desta com a Avenida Capitão Ambrósio. Da Avenida Capitão Ambrósio, segue-se até à interceção desta com a Avenida Cidade Invicta e desta última com a Ro- tunda da Ribeirinha. Já a segunda (anel violeta) inicia-se da anterior interceção da Av. Capitão Ambrósio com a Av. Cidade Invicta em direção à rotunda de Ribeira Bote. Da rotunda, segue pela Av. 12 de Setembro até ao cruzamento desta com a rua Domingos Ramos. Em seguida, segue-se pela rua Domingos Ramos até a interceção desta com a Av. Capitão Ambrósio. Do cruzamento destas duas ruas, segue por esta mesma Avenida em direção a escola Salesiana até o cruzamento desta com a Av. Cidade Invicta. A Terceira (anel laranja) inicia-se do cruzamento da rua Domingos Ramos com a Av. 12 de Setem- bro. Segue posteriormente pela Av. 12 de Setembro até à rotunda de Ribeira Bote, e desta para a rua Teodoro Gomes, sentido Monte Sossego até ao cruzamento desta com a rua Jonas Wanon. Da rua Jonas Wanon segue até ao cruzamento com a rua Domingos Ramos e fechando desta forma o último anel.
5.1.3.2. Criação de novos espaços públi cos arborizados
Verificou-se que no bairro existiam poucos espaços públicos arborizados. Segundo Ro- termund (2012), em termos de melhoria do microclima, proteção à biodiversidade e as- petos sociais e estéticos, as áreas verdes apresentam melhores vantagens do que indiví- duos isolados, pois as áreas verdes conseguem proporcionar maior convívio e áreas de lazer para as pessoas e ainda, proporcionam uma melhor imagem para a cidade.
95 Procurando responder a esses benefícios, propõem-se três novos espaços no bairro cor- respondentes a pequenos e grandes parques florestais, transformando esses espaços num grande pulmão verde não só para o bairro, mas também para toda a cidade. Para uma melhor perceção, na Figura 2 do Anexo 4 são ilustrados esses três espaços, que se consi- deram ideais para a definição de novos espaços arborizados. Sendo assim, as três propos- tas referem-se a:
a) Antiga placa desportiva – situada ao lado do Hospital Dr. Baptista de Sousa, mais
precisamente na Avenida Capitão Ambrósio, esta área seria excelente para a cri- ação de um pequeno parque florestal. Por ser um espaço vazio, abandonado e em avançado estado de deterioração, a construção desse parque perspetiva-se viável, pois não implicaria grandes obras. Por ser um espaço que se encontra enquadrado numa das principais entradas do bairro, tendo uma interligação com uma das prin- cipais ruas da cidade (rua de Lisboa e rua Domingos Ramos), proporcionaria grande vitalidade para esta zona da cidade, tornando-a mais atrativa e convidativa. Para além disso, iria melhorar certamente a qualidade de vida dos moradores e dos pacientes do Hospital Baptista de Sousa;
b) Bacias de retenção da Vila Nova – localizadas entre o bairro de Ribeira Bote e o
bairro da Vila Nova, ou seja, entre a rotunda de Ribeira Bote e da Ribeirinha, esta área também seria uma grande proposta para a construção de um parque florestal. Ao longo das quatros bacias de retenção existentes nessa região, existem algumas arbóreas, como é o caso da palmeira-leque (Washingtonia filifera) e o Cuxim (Azadirachta indica) e por sinal, bem estruturadas e alinhadas;
c) Campo descampado - situado entre a Escola da Torrada e o armazém COPA,SA,
este espaço encontra-se ocupado por camiões pertencentes ao referido armazém. A construção de um pequeno jardim neste terreno também traria maior visibili- dade à zona pois próximo da mesma, além do armazém, existem duas escolas.