BATIMENT 23 SOCIETE PAR
O. G MENUISIER AGENCEUR
Para as cinco tipologias de ocupação do solo urbano considerados para este benefício, foram avaliadas dez espécies de árvores: Prosopis juliflora; Leucaena leucocéfala; Was- hingtonia filífera; Azadirachta indica; Thespesia populnea; Phoenix dactylifera; Tama- rindus indica; Casuarina equisetifolia; Delonix regia; e Terminalia catappa.
Na Figura 25 – que corresponde à estimativa da quantidade de energia poupada nas ha- bitações para arrefecimento na ocupação do solo urbano tipo residência unifamiliar por cada indivíduo arbóreo de uma espécie – observa-se que a Prosopis juliflora é a espécie arbórea que mais contribui para essa poupança, pois para mesmos diâmetros de tronco ela é a que consegue poupar mais.Como exemplo pode-se referir a seguinte situação: um indivíduo da espécie Prosopis juliflora com um diâmetro de tronco de 45 cm consegue poupar por ano aproximadamente 210 Kwh de energia, enquanto que um indivíduo da espécie Tamarindus indica com o mesmo diâmetro, consegue poupar 150 Kwh aproxi- madamente. Em seguida na lista de espécies mais relevantes neste parâmetro temos a Azadirachta indica, o Tamarindus indica, e a Leucaena leucocéfala. Acredita-se que os motivos para tal efeito, deve-se ao facto de as suas copas serem cheias, permitindo-as assim fornecer maiores áreas com sombra e consequentemente, a diminuição da tempe- ratura local e menor consumo de energia para arrefecimento. Além do ensombramento, o índice de evapotranspiração torna-se também maior, pois a capacidade de se manterem húmidas é maior devido às suas extensas raízes que lhes permite realizar melhor as suas funções fisiológicas. Através da humidade das árvores, é possível diminuir também a temperatura local. Estas vantagens permitem garantir às residências unifamiliares e plu- rifamiliares um menor gasto de energia elétrica para o arrefecimento, caso as árvores fo- rem bem localizadas e selecionadas corretamente, pois árvores com folhas perenes não perdem as suas folhas e proporcionam melhores áreas com sombras durante todo o ano, já árvores com folhas caducas, estas perdem as suas folhas principalmente no Outono. No caso Cabo Verde, o preferível é ter árvores com folhas perenes, pois sente-se calor prati- camente o ano inteiro.
Em contrapartida, a Washingtonia filifera foi a espécie que menos desempenho obteve na poupança de energia, pois apesar de os seus exemplares se encontrarem bem desenvolvi- das, a sua copa não é nem muito cheia nem muito extensa. Devido a este facto, a passagem da luz solar é maior, expondo as residências unifamiliares de forma direta à radiação solar
73 e consequentemente, a um consumo maior de energia para arrefecimento. Em relação à Thespesia populnea (Bela-sombra), acredita-se que o valor presente é baixo devido ao número reduzido de indivíduos desta espécie.
Figura 25 – Estimativa da capacidade das espécies em diminuir o consumo de energia por ano para a
tipologia de ocupação do solo residências unifamiliares – Fonte: autor
Já na Figura 26 – que corresponde à tipologia de ocupação do solo urbano residências plurifamiliares – apesar de se ter inventariado números de indivíduos em relação ao diâ- metro de tronco bem inferiores aos da Figura 25 (residências unifamiliares), estimou-se que para esta ocupação de solo, a Prosopis juliflora, consegue oferecer melhores resulta- dos em termos de diminuição de energia consumida nas habitações do que a Phoenix dactylifera.
Figura 26 – Estimativa da capacidade das espécies em diminuir o consumo de energia para a tipologia de
ocupação do solo residências plurifamiliares – Fonte: autor
O mesmo cenário acontece para a ocupação do solo urbano do tipo lojas - Figura 27 – onde a Prosopis Juliflora, embora com número de diâmetro de tronco mais versátil do que a Phoenix dactylifera em relação aos resultados representados na Figura 26 (ocupação do solo por lojas), consegue sobressair-se à Phoenix dactylifera em termos do benefício
74 ‘diminuição do consumo de energia’. Observou-se que em ambos as Figura 26 e Figura 27, os resultados da quantidade estimada de energia poupada nas habitações para o arre- fecimento é praticamente o mesmo.
Figura 27 – Estimativa da capacidade das espécies em diminuir o consumo de energia para a tipologia de
ocupação do solo lojas – Fonte: autor
Relativamente aos resultados apresentados na Figura 28 – que representa a quantidade de energia poupada para a ocupação do solo do tipo superfície comercial - estimou-se que das quatro espécies avaliadas para este benefício e para esta ocupação do solo urbano, a Azadirachta indica teve melhor desempenho a nível de diminuição do consumo de ener- gia. Em contrapartida, a Washingtonia filífera obteve o menor desempenho. Acredita-se que esta estimativa se deve ao facto da Azadirachta indica ter uma copa mais densa/ampla do que a Washingtonia filífera, logo, a quantidade de radiação solar impedida de atingir de forma direta a superfície do solo localizada perto de uma árvore, provavelmente será maior.
Se compararmos os resultados da estimativa representados na Figura 25 – correspondente a quantidade de energia poupada para a ocupação do solo residências unifamiliares - com os da Figura 28 (ocupação do solo por superfície comercial) para as espécies Azadirachta indica e Tamarindus indica, veremos que a potencial diminuição do consumo de energia nas habitações para arrefecimento não se dispersa muito para diâmetros de tronco quase equivalentes. Ou seja, estes tipos de ocupação do solo urbano não influenciam muito os benefícios que uma árvore pode proporcionar.
75
Figura 28 – Estimativa da capacidade das espécies em diminuir o consumo de energia para a tipologia de
ocupação do solo superfície comercial – Fonte: autor
Na Figura 29 – correspondente à ocupação do solo urbano por parque/jardim -, observa- se uma maior variabilidade de espécies arbóreas inventarias para a ocupação do solo ur- bano tipo parque/jardim, do que as nas outras tipologias de ocupação já mencionadas. Contudo, mais uma vez a Prosopis juliflora se destaca como aquela que consegue contri- buir para uma maior quantidade de energia poupada. Comparando os resultados da esti- mativa representados na Figura 29 (parque/jardim) com os da Figura 26 (residências plu- rifamiliares) e da Figura 27 (lojas), constata-se que na ocupação do solo tipo parque/jar- dim, a quantidade de energia poupada é superior do que em ocupações tipo lojas e resi- dências plurifamiliares. Num primeiro momento, estes resultados parecem estranhos, mas se olharmos pela forma como as árvores se encontram organizadas em cada uma dessas tipologias de ocupação, percebe-se que nos parques/jardins as árvores se encontram agru- padas e não isoladas, como no caso residências plurifamiliares e lojas, e segundo Roter- mund (2012), as árvores organizadas em grupos fornecem muito mais benefícios do que as árvores isoladas, principalmente a nível microclimático.
Figura 29 – Estimativa da capacidade das espécies em diminuir o consumo de energia para a tipologia de
76 Como forma de melhor percepção dos resultados, a Tabela 1 do Anexo 3 mostra-nos de forma mais clara, a quantidade estimada para cada indivíduo arbóreo em relação à pou- pança de energia para arrefecimento que estas proporcionam às habitações por ano, tendo em conta as cinco tipologias de ocupação do solo urbano consideradas para este estudo (Residência Unifamiliar, Residência Plurifamiliar, Lojas, Superfície Comercial e Par- que/Jardim).
4.3.2. Diminuição da escorrência superficial das águas pluviais