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Perspectives

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6 Calibration sur des essais numériques

7.3 Perspectives

Nessa perspectiva construtivista, os indivíduos constroem seus conhecimentos por meio da reflexão dos significados de suas experiências dentro de um contexto temporal-sócio- cultural no qual elas ocorrem.

Um dos grandes expoentes no estudo da aprendizagem pela experiência é o autor Dewey (1976), cujas idéias formaram a base da chamada educação progressiva, na qual é dada ênfase à experiência, experimentação, aprendizagem motivada e liberdade. Contudo, ele afirma que tanto a educação tradicional quanto a progressista serão falhas, quando não considerarem a relevância da experiência no processo de aprendizagem.

O modelo é denominado de aprendizagem pela experiência por duas razões — está atrelada aos trabalhos desenvolvidos na psicologia social de Kurt Lewis na década de 40 e em outros trabalhos realizados ente 1950 e 1960; enfatiza o papel da experiência no processo de aprendizagem. Tal ênfase diferencia o enfoque das teorias cognitivas que tratam da aprendizagem (KOLB, 1984). Nessa perspectiva, a experiência ocorre dentro de um mundo temporal-sócio-cultural. É nele que as pessoas existem, têm experiências e podem adquirir conhecimento, habilidades e atitudes. A principal implicação dessa idéia é de que nem toda experiência resulta em aprendizagem (JARVIS, 1987, p.165). Observa-se que essa idéia corrobora a de Dewey (1976, p. 14) sobre “a crença de que toda educação genuína se consuma através de experiências, não quer dizer que todas as experiências são genuínas e educativas, pois, algumas são deseducativas”. Dessa forma, para que a experiência se torne significativa, as pessoas têm que pensar e refletir sobre ela e, talvez, buscar a opinião dos outros. Nas situações em que o estoque de conhecimento das pessoas é inadequado, pouco ou nenhum significado será atribuído à experiência, sendo assim, poderá ocorrer pouca

aprendizagem (JARVIS, 1987, p.166). Kolb (1984), porém, afirma que o aprendizado é o processo pelo qual o conhecimento é criado por meio da transformação da experiência.

Além disso, a principal idéia da teoria de Kolb consiste no pressuposto de que a aprendizagem é o processo pelo qual o conhecimento é criado por meio da transformação de experiência. Sendo assim, o autor desenvolve o modelo experiência — observação —reflexão — ação, conhecido como o ciclo da aprendizagem vivencial. Também defende que os adultos constroem seus conhecimentos de formas distintas, pois dependem de fatores como a bagagem de experiências, estilos de aprendizagem e, em alguns casos, sexo, classe social e raça. Para ele o conhecimento é criado por meio de um processo contínuo, conforme demonstrado na figura 1. Esse modelo busca demonstrar a forma como o homem gera, a partir de sua experiência, conceitos, regras e princípios que guiam seu comportamento em novas situações e de como ele modifica esses conceitos a fim de aumentar sua eficiência. Inicialmente, as experiências concretas vividas pela pessoa irão servir de base para os processos de observação e reflexão, ou seja, ela precisa ser capaz de se envolver completa, aberta e imparcialmente em novas experiências, refletir sobre elas e observá-las por diversas perspectivas. A partir daí, formam-se conceitos abstratos e generalizações, os quais serão testados por meio da experimentação em situações novas, visando à tomada de decisões e resolução de problemas. Sendo assim, novos conhecimentos são construídos (KOLB, 1976, p. 21 e 22, 1984, p.42).

Leite et al (2006), apresenta um quadro com a síntese dos seguintes pressupostos da aprendizagem pela experiência, baseado na obra de Kolb, 1984:

Pressupostos Descrição

A aprendizagem é um processo, não um resultado

É um processo noqual os conceitos são continuamente modificados pela experiência. A aprendizagem é transformadora, contínua e permite que os homens alterem sua maneira de ver o mundo, através de suas experiências. Kolb concorda com Freire (1974) no sentido de que “...só exite saber na invenção, na reinvenção, na busca inquieta, impaciente, permanentemente, que os homens fazem no mundo, com o mundo e com os outros...” (p.58).

Aprendizagem deriva da experiência:

O conhecimento resulta do fato do aprendiz testar através da experiência. A aprendizagem derivada de uma situação se torna um instrumento para o entendimento e para a forma do aprendiz lidar com situações futuras. Como a aprendizagem é um processo contínuo, toda aprendizagem “...é uma aprendizagem...” (p.28). A aprendizagem requer do indivíduo a resolução de conflitos de modos dialeticamente opostos de adaptação ao mundo:

Há duas dimensões no processo de aprendizagem: a primeira representada pela experiência concreta em um extremo e conceituação abstrata no outro, e a segunda pela experimentação ativa de um lado e observação reflexiva no outro. No processo de aprendizagem, o indivíduo pode agir variando os níveis de sua ação nos papéis de “...ator para observador e do envolvimento específico para a imparcialidade analítica...” (p.31). Essas

são as dialéticas opostas nos modos de adaptação, conflito que requer resolução dos indivíduos.

A aprendizagem é holística e integrativa:

A aprendizagem como maior processo de adaptação humana, ocorre em todos os ambientes, nas relações pessoas e compreende todos os estágios da vida. A concepção da aprendizagem como um processo holístico de adaptação promove lições entre as situações da vida, retratando a aprendizagem como um processo vitalício.

A aprendizagem requer transação entre a pessoa e o ambiente

Na teoria de aprendizagem pela experiência há o destque para a modificação do indivíduo e do ambiente, caracterizando a aprendizagem como uma via de duas mãos: não somente o indivíduo se modifica nesse relacionamento, mas, também o ambiente.

A aprendizagem resulta na criação de conhecimento

O conhecimento resulta da transição entre o conhecimento social e pessoal. A transição entre as experiências objetivas e subjetivas é denominada de aprendizagem

Quadro 3: Pressupostos da Aprendizagem pela experiência. Fonte: Elaborado por Leite et al (2006) a partir de Kolb (1984).

Observa-se que no contexto apresentado pelo modelo de Kolb (1976), o ato de aprender pressupõe que o aprendiz deve escolher continuamente o conjunto de habilidades a desenvolver em cada uma das situações de aprendizagem. Isto quer dizer que o aprendiz deve ser capaz de passar por experiências de formas novas, livre das restrições de conceitos abstratos anteriores.

Figura 1: Processo de Formação do Conhecimento. Fonte: Kolb (1984).

Em contraposição, Jarvis (1987, p.165) discorda do modelo de Kolb (1984) por considerar que a experiência é concreta, e distinta da abstrata. Uma vez que algumas experiências podem não resultar em aprendizado, isso implica que pode haver mais que uma rota da própria experiência, da qual a observação pode ser um modo. Diante dessas

Experiência

Observação reflexiva Experimentação ativa

Conceitualização abstrata

constatações, Jarvis (1987, p.166) propõe um modelo de aprendizagem mais completo do que o de Kolb (1984), conforme pode ser visto na figura 2:

Figura 2 : Um modelo revisado do processo de aprendizagem. Fonte: JARVIS (1987).

O modelo apresentado por Jarvis (1987, p.166) guarda a centralidade da idéia da relação entre reflexão e experimentação ativa. Nessa perspectiva, o modelo demonstra que as habilidades são adquiridas por meio da interação entre experimentação e reflexão até que seja internalizada. Ele afirma que:

Quando há desencontro entre as biografias próprias de um indivíduo e o mundo sócio-cultural-temporal de suas experiências, então uma experiência potencial de aprendizado ocorre (JARVIS, 1987, p.168).

Nos dois modelos apresentados neste estudo, fica evidente a importância da reflexão, uma vez que as pessoas refletem sobre as experiências vivenciadas, utilizando seu estoque de conhecimento para interpretar-las, podendo vir a resultar em aprendizagem, pois, algumas experiências são pouco significativas; outras, sem significado. Mezirow (1990) afirma que o processo de reflexão ocorre por meio do aprendiz, refletindo sobre as experiências vividas e interpretando e generalizando tais experiências para a formação de estruturas mentais que consistem em conhecimentos armazenados na memória e que poderão ser representados, expressos ou transferidos para novas situações. Schön (1983), por sua vez, advoga que a

Ser com história biográfica Experiência potencial de aprendizagem Experiência anterior confirmada: o ser é reforçado Experiência Reflexão Experimentação ativa Avaliação Internalização

Uma pessoa com mais experiência

reflexão é um processo de buscar, testar e avaliar entendimentos intuitivos que são intrínsecos à experiência, ou seja, praticantes refletindo sobre as normas e as avaliações que sustentam julgamentos ou comportamentos.

Por fim, para a finalidade do presente estudo, será adotado o modelo de Jarvis (1987) por apresentar uma proposta mais condizente com o fenômeno a ser investigado.

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