Nesse tópico, vislumbraremos a coluna política do Jornal da Manhã, denominada “Expressões”, no período de 1992, que como as demais colunas do JM, não apresenta em seu corpo a assinatura de seu colunista.
Visto isso, do dia 02 de setembro, estava publicado:
“Se na campanha de Pedro Wosgrau a onda era usar verde, na de Paulo Cunha todo mundo está de azul. Paulo não tira sua camisa azul, procurando de todas as formas bons fluídos”. (Jornal da Manhã, p. A-3, 02/09/1992)
“As cores políticas”
A coluna revela a preocupação diante da estratégia de utilização das cores pelos candidatos para demarcar diferenças e ideologias. Como é o caso do PT, que sempre utilizou da cor vermelha em suas campanhas. Além disso, implicitamente a coluna demonstra a relação existente entre os personagens do mesmo grupo político, mas que não têm a mesma preferência.
Relatando assuntos variados no processo eleitoral, dois dias depois a coluna publicou:
“E o povão está pedindo um debate ao vivo, ao invés do horário eleitoral gratuito. Uma boa idéia, assim pelo menos não haverá torcida para atrapalhar o desempenho do programa”. (Jornal da Manhã, p. A-3, 05/09/1992)
“A solução: o debate televisivo”
Como observamos, a coluna legitima a posição da escolha ao debate televisivo, levando o leitor a crer que esse debate é a saída mais democrática para essa determinada forma de propaganda política. E através de uma figura de linguagem, que ela denomina como “povão”, ela posiciona o discurso para que esse
idealizado debate ao vivo possa igualar as condições de disputa entre os candidatos.
No dia 09 de setembro, a coluna demonstra o seu papel seletivo na escolha dos candidatos, não citando nomes, mas revelando que a democracia e o sistema político não podem ser ocupados por qualquer pessoa, e diz:
“Para nossa alegria, muita gente sem a mínima condição está caindo fora da eleição, e esses desistentes são na maioria „aqueles que nem sabem falar‟”. (Jornal da Manhã, p. A-3, 09/09/1992)
Não obstante ao elitismo propagando nas representações da coluna, ela ainda reforça a ideia de que para ser um político ideal, ele deve possuir fundamentalmente a qualidade da oratória.
Como vimos, a coluna compreende que o estabelecimento do debate televisivo é a chance de apoderar os leitores de uma visão mais privilegiada da disputa política. Segundo ela:
“O debate na televisão como espaço privilegiado para a democracia”
“O candidato do PT Roque Zimermman, disse que aceita o debate na televisão com os demais concorrentes a prefeitura municipal. Roque foi o primeiro a aceitar o desafio, não pelo JM, conforme as entrevistas realizadas. Roque disse que somente com o debate ao vivo, em que os candidatos ficam “cara a cara” é que a população terá uma idéia clara de como são as propostas para a cidade. Agora resta aguardar e ver se os demais aceitam a ideia”. (Jornal da Manhã, p. A-3, 12/09/92)
Ao que tudo indica, o Jornal da Manhã criou naquele momento uma pesquisa com seus eleitores para perceber se eles desejavam, ao invés de um programa eleitoral produzido em estúdios, um debate no espaço televisivo. Fato esse, como indicado pelas representações a cima, parecia ser inédito até aquele momento.
“O horário político televisivo como espaço da dramaturgia”
No dia 13 de setembro, a coluna reforça a imagem do horário eleitoral gratuito, amplamente criticada pela coluna TV Mídia, como um espaço teatral e de enorme sensacionalismo político:
“Para quem tem saudade do tempo dos pastelões, comédias a base de bolos na cara, nada melhor que assistir o horário político. Virou baixaria geral, em que aquele que mais jogar farinha na cara do outro, leva a melhor”. (Jornal da Manhã, p. A-3, 13/09/92)
Outra característica apresentada pela coluna é a imagem passada ao leitor de sua privilegiada posição discursiva, ou seja, o colunista representa em sua fala como sendo uma testemunha ocular dos acontecimentos e também como estando inserido no meio da população, ouvindo-a:
“Nas conversas de bar, banco da praça, lojas, o comentário é o mesmo: „não tenho candidato a prefeito‟. Podem ter até algum parente que é candidato a vereador, mas quando chega a hora do prefeito, todo mundo começa a pensar no branquinho e no nulinho”. (Jornal da Manhã, p. A-3, 20/09/92)
Passado quadro dias de publicações políticas de âmbito nacional e estadual, ela retorna a comentar sobre o quadro local:
“A coluna como a voz do povo”
“Chega a ser impressionante a quantidade de pessoas que não tem candidato a prefeito e nem para vereador. A maioria defende a tese de que depois dos escândalos de Collor, não dá pra acreditar em mais ninguém”. (Jornal da Manhã, p. A-3, 24/09/92)
Percebe-se então, que o discurso da coluna opera a sua fala, ou está embasado em pesquisas de intenção de votos, ou no impressionismo de suas fontes, mas que remete a um número impreciso e de enorme proporção para o leitor.
No dia 27 de setembro, a coluna publicou uma nota criticando o candidato Giba, vice-prefeito de Roque Zimermann. O texto construía sua crítica em cima de uma proposta do político:
“O vice-candidato a prefeito pelo PT, Giba, disse que se Roque Zimermman for eleito, as crianças vão poder brincar nas ruas livremente. Pelo que sabemos não existe nenhuma lei que proíba as crianças de brincarem nas ruas. Giba estava desaparecido das telinhas, mas se era para aparecer e falar isso, continuasse sumido”. (Jornal da Manhã, p. A-3, 07/09/92)
Aqui a coluna revela que seus discurso foi localizado visando apenas criticar o candidato, pois, nota-se que o político faz a sua proposta no sentido de minimizar a violência das ruas, e assim, podendo ter maior liberdade das crianças praticarem o lazer, ou seja, na tentativa de construir uma posição contrária ao candidato, a coluna levou a frase para um sentido não intencionado pelo mesmo.
Nacoluna do dia 29, outra crítica é feita ao horário eleitoral:
“O horário eleitoral gratuito virou um verdadeiro quem pode mais. Ataques e denúncias, agora fazem parte do esquema, em que propostas básicas mesmo, foram deixadas de lado. Em outras palavras, tudo continua o mesmo”. (Jornal da Manhã, p. A-3, 29/09/92)
Depois de percebermos as representações das colunas do JM, notamos que a crítica feita aos programas políticos em Ponta Grossa também era realizada por ela, não de maneira central e diária como na TV Mídia, e sim, ocasionalmente, levando a crer que as colunas políticas do JM se diferem em pouca coisa no quesito conteúdo.
A seguir focaremos a nossa análise no jornal Diário da Manhã, em específico na coluna política “Opinião”.