• Aucun résultat trouvé

System Control and Reset

Dans le document with 64K Bytes In-System (Page 52-57)

Fabrício resolveu buscar por psicoterapia, porque conversando com a esposa percebeu que estava com algumas dificuldades, precisava de ajuda e sentia que não conseguia resolvê- las sozinho (1).

Fabrício é o irmão mais velho, seguido de um irmão e uma irmã. Disse que desde muito pequeno cuidava dos irmãos para os pais trabalharem. “Eu fazia comida e cuidava da

casa” (sic).

Começou a trabalhar fora bem cedo, aos doze anos. Seu primeiro emprego foi de entregador de folhetos nos comércios da região. Um pouco mais tarde, começou a trabalhar nos negócios da família ajudando os pais em um comércio próprio, uma loja de sapatos. Depois em ascensão a família teve mais dois comércios: outra loja de sapatos e uma loja de

‘Um real’. Anos mais tarde, as lojas começaram a ter problemas financeiros, Fabrício revelou

que na época não entendia o que estava acontecendo. Entendeu, anos depois, que as lojas acabaram por falir porque o pai era viciado em jogos de azar (2).

Quando o paciente tinha 17 anos, os pais se separaram. Fabrício percebia que fora abandonado, pois no momento da separação ele fora esquecido, já que a mãe foi com os irmãos mais novos para o interior e o pai voltou para a casa da mãe, avó de Fabrício. Ele ficou sozinho morando na casa que a família morava. Acredita que tal fato aconteceu porque em brincadeiras quando os pais falavam em se separar ele iria ficar com o pai, e no momento que isso efetivamente aconteceu, o pai e a mãe o abandonaram. No mesmo dia da separação dos pais contou que namorava e foi conversar com a sobre a separação dos pais com a companheira, ela terminou o namoro com ele. Foi demitido do trabalho nessa mesma ocasião. “Este foi um dia negro, eu não gosto nem de lembrar. Eu cheguei a pensar que eu ia morrer” (sic). Relata este momento como muito sofrido e com um sentimento de solidão intenso (3).

Decidiu então ir morar no Interior de São Paulo com uma tia (4). Trabalhou durante um período em uma fábrica de produtos químicos, mas teve que sair por problemas respiratórios.

Nesta ocasião voltou para a sua a cidade de origem alugou uma casa e o pai veio morar com ele. Os aluguéis eram pagos com um dinheiro que Fabrício tinha guardado. Ele e o pai estavam desempregados. Relatou que neste período sentia pena do pai e o percebia como fraco. O pai tentou inúmeras vezes voltar com a mãe de Fabrício, mas todas as tentativas foram frustradas (5).

Neste período Fabrício, ainda morando com o pai, arrumou um emprego, de segurança. “Era um tempo difícil” (sic). Trabalhou durante seis meses, mas considera que foi um emprego que não deu certo porque não tinha porte físico para desempenhar a função.

Conseguiu então outro emprego como assistente jurídico e disse que aprendeu bastante, mas por uma crise financeira da empresa não recebeu salário durante os seis meses que ficou na empresa, acabou por abdicar do trabalho. Começou então a trabalhar em outra empresa como assistente fiscal, permaneceu durante nove meses e foi onde conheceu a esposa. Disse que foi um emprego passageiro. “Eu falo para a minha esposa até hoje, foi um

lugar que só serviu para eu conhecer ela” (sic).

Fabrício e a esposa namoraram durante um ano e meio e casaram-se, relatando ser uma escolha muito feliz (6). Logo após o casamento, foram morar com seu sogro e sogra, pessoas que Fabrício chama de pai e mãe (7). Lá moraram seis anos até que fizeram um financiamento de 20 anos de uma casa, à aproximadamente 40 quilômetros da casa dos sogros. Esta casa era em um condomínio fechado (8). A aquisição da casa o coloca em uma dívida permanente e acaba por desestabilizá-lo financeiramente (9).

Iniciou a faculdade quando a esposa se formou em administração. “A gente combinou

assim, ela terminava a faculdade dela e depois eu começava a minha para não ficar muito pesado, e assim foi” (sic). Iniciou então, ensino superior em assistência contábil (10).

Fabrício conta que tem um filho de oito meses. Contou como descobriu a gravidez da esposa, em um dia após a aula da faculdade. “Como todos os dias, quando eu chegava em

casa, eu ia ver a Ana, diferente dos outros dias ela estava acordada e me entregou um papel”.

Era um exame de sangue afirmando que ela estava grávida. Ele relatou que tomou um grande susto e admitiu que apesar de querer filhos, naquele momento não eram seus planos (11). Este susto se deu porque a gravidez aconteceu antes do que ele esperava, já que coincidiu com a compra da nova casa, em um momento que ele estava tendo muitos gastos. Contou que no período que se mudou de casa, precisaram mobiliar a casa, e com a gravidez se desorganizou muito financeiramente, durante as entrevistas se queixava muito da sua condição financeira. “Juntou tudo, eu estava pagando as prestações da casa, mobiliando a casa e comprando as

coisas para receber o bebê. Foi muito difícil” (sic) (12).

Contou que essa desorganização financeira está perdurando porque as dívidas foram se acumulando, mas um dia a esposa o chamou para conversar “Ela me chamou para o mundo

real, porque eu estava no virtual” (sic). Decidiram que iriam juntos verificar como resolver o

Sobre sua a relação com a esposa, disse que eles conversam muito, sobre tudo (14). Tornou-se evangélico desde o namoro com ela (15). Eles frequentam a igreja aos sábados, domingos e quando possível durante a semana (16). Fabrício ministra aulas nos grupos de encontro de casais (17).

Fabrício pareceu ter uma vida reclusa a esposa e ao filho, sendo eles suas relações próximas. Não houve relato de amigos próximos, apenas colegas e principalmente do trabalho

(18). Da relação com eles diz: “Quando eu vejo que tem alguém que não está bem logo eu

quero saber o que esta acontecendo. Quando a pessoa não me fala, eu fico muito chateado. Eu quero saber tudo o que está acontecendo” (sic) (19). Contou que a esposa tem bastante

ciúme de mulheres e que este fato acaba por restringir suas relações (20).

Durante as entrevistas ele queixava-se muito sobre o seu trabalho e parecia estar muito desanimado. Contou que trabalhava em uma empresa especializada em alimentos industrializados há seis anos, no setor de fiscalização, na função de assistente fiscal (21). Relatou que conhece muito a empresa onde trabalha e que gosta muito de lá. Contou que há aproximadamente dois anos houve um incêndio em uma das sedes da empresa e todos os funcionários uniram todos os esforços para conseguir contribuir e ajudar. “Eu visto a camisa

da empresa. O pessoal diz que eu sou patrimônio de lá” (sic) (22).

Fabrício considera ter um problema sério em seu setor, já que ele faz tudo o que lhe é solicitado, mas o chefe do seu setor o considera como centralizador, tanto com as atividades de chefia como com os subordinados. Relatou se incomodar muito com a forma que as pessoas lhe vêem (23). Fabrício considera fazer muito bem as atividades e diz: “Se eu não

fizer, vou ter que refazer depois. Então, mesmo fora do prazo, eu faço” (sic) (24). Assim as

pessoas do setor ou de fora, remete a ele as tarefas e problemas, fato que o deixa sobrecarregado no trabalho (25).

Fabrício pontuou dificuldades no relacionamento com o chefe do seu setor, o considera incompetente para o papel de líder “O tempo todo ele muda a forma de liderar, as

coisas estão um dia de um jeito, aí não dá certo as coisas mudam de novo, depois volta para o jeito que as coisas estavam antes” (sic) (26) e sente-se perseguido por não ter sido

promovido de função (27). “Se ele faz as coisas, eu tenho que refazer depois, então eu prefiro

fazer uma vez só e certo (...). Bom, eu faço, mas já aviso que vou atrasar” (sic).

Tem diabetes tipo1 tardio – LADA há seis anos (28). Quanto ao controle da glicemia dizia que havia variações a partir de seu estado emocional, principalmente no trabalho. Assim seus conflitos com o chefe o afetavam diretamente (29).

Para tentar manter o controle glicêmico realizava: alimentação regular, a partir de uma tabela fornecida pela endocrinologista (30); usava medicação oral (Amaryl: duas vezes ao dia; e Metiformina: três vezes ao dia) (31); e parou de realizar exercícios físicos por orientação médica. “Eu adorava jogar futebol, mas a médica pediu que eu parasse porque eu poderia ter

hipoglicemia” (sic) (32). Houve um momento que a entrevistadora questionou sobre o

diabetes e ele respondeu: “Esta doença não é minha. Jesus carrega todas as doenças e dá o

fardo para alguns carregarem e para depois nos dar a graça da cura” (sic). (33) Fabrício

teve o diagnóstico do diabetes um ano após ter se casado e não atribui o diagnóstico a nenhum evento.

Fabrício demonstrava sentir-se paralisado por vezes por não entender as reações do seu corpo em resposta ao diabetes. “Eu faço tudo o que a médica falou e minha glicemia fica

alta” (sic) (34).

Ao ser questionado sobre sua vida sexual, relatou que mantinha um relacionamento com uma freqüência que lhe agradava e ele gostava de manter relações com a esposa (35). Porém não relatou nenhum „contrato‟ entre o casal de formas para prevenção da gravidez

(36). Contou que antes de conhecer a esposa e ser evangélico tinha uma vida bastante

promiscua. “Eu estava sempre com várias mulheres ao mesmo tempo. O que eu queria era ter

relações com o máximo de mulheres que eu podia, me arrependo muito” (sic).

Na ocasião das entrevistas, início do atendimento, Fabrício estava sem atendimento médico há dois meses e justificou que tal fato ocorrera por problemas de mudança do convênio médico (37).

Dans le document with 64K Bytes In-System (Page 52-57)