Daniela Roberta Borella (1); Kamile Zompero Araújo (1); Lucas Alencar da Silva Nogueira (1); Everton José Almeida (2);Pastor Amador Mojena (3)
(1) Acadêmicos de graduação; (2) Mestre em Ciências Ambientais; (3) Professor Orientador; Universidade Federal de Mato Grosso – UFMT, Sinop; [email protected]; Av. Alexandre Ferronato 1200, Setor Industrial. CEP: 37200-000, Sinop – MT.
Resumo – Tabebuia impetiginosa é uma das espécies que não apresenta sementes com dormência, sendo desnecessário tratamento para superação, pois possuem alta germinabilidade. Com esse trabalho objetivou-se verificar o efeito do peróxido de hidrogênio (H2O2) em diferentes concentrações na germinação e no índice de velocidade de germinação das sementes de Tabebuia impetiginosa. As sementes foram submetidas a três concentrações de peróxido de hidrogênio (T1 1%, T2 2% e T3 3%), e C como controle. Todos os tratamentos foram acondicionados em câmara de germinação à 30ºC e 12 horas luz. Verificou-se que no T1 obteve-se melhor índice de velocidade de germinação e número de sementes germinadas, porém com anomalias nas radículas, seguido do controle que ocorreu germinação com radículas normais. No T2 poucas sementes germinadas e T3 sem germinação. Não houve diferença significativa na porcentagem de germinação entre o tratamento T1 e o controle, mas no índice de velocidade de germinação houve variação significativa. Conclui-se que o peróxido de hidrogênio em baixa concentração (1%) aumenta a velocidade de germinação, mas é tóxico para as sementes de ipê-roxo, prejudicando o desenvolvimento das radículas.
Palavras-chave: anomalias, velocidade de germinação, tóxico.
INTRODUÇÃO
O Brasil apresenta uma grande diversidade de espécies florestais nativas, distribuídas por todo o território nacional. Segundo o Ministério do Meio Ambiente (1998) existem cerca de 5 a 10 espécies de gimnospermas e 55.000 a 60.000 espécies de angiospermas. Essas espécies apresentam múltiplos usos, como para obtenção de produtos madeireiros e não madeireiros, arborização urbana, recuperação de áreas degradadas (RAD), reflorestamento, medicina, entre outros.
Dentre as espécies arbóreas, o ipê-roxo é uma espécie de alto valor econômico, ornamental, medicinal e na recuperação de áreas degradadas.
A Tabebuia impetiginosa pertence à família Bignoniaceae, ocorre em quase todo o território nacional, além do Paraguai, Argentina entre outros países (REITZ et al., 1988 e CARVALHO, 1994). Pode alcançar alturas de 8 a 20m, com característica de planta decídua (LORENZI, 2002). Devido ao seu porte, faz parte do extrato superior da floresta, possuindo grande longevidade (LONGHI, 1995).
As sementes do ipê-roxo não apresentam o mecanismo de dormência, sendo desnecessário tratamento para superação deste mecanismo. Sua germinação é epígea, com início entre 7 a 30 dias após a semeadura, e 3 a 10 dias no germinador, com alta porcentagem de germinação (CARVALHO, 2003).
O peróxido de hidrogênio (H2O2) tem efeito estimulador na germinação de sementes, sendo usado em coníferas nos Estados Unidos (FOWLER & MARTINS, 2011).
Objetivou-se com esse trabalho verificar o efeito do peróxido de hidrogênio (H2O2) em diferentes concentrações na germinabilidade e no índice de velocidade de germinação de sementes de ipê-roxo. MATERIAL E MÉTODOS
Os testes foram conduzidos no Laboratório de Análise de Sementes da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), campus de Sinop – Mato Grosso. As sementes de Tabebuia impetiginosa foram coletadas no mês de julho do ano de 2013, secadas à sombra, embaladas em bolsa de nylon impermeável, colocadas em pote de vidro completamente fechadas e conservadas em geladeira convencional a temperatura de 15ºC até a instalação do experimento.
Foram selecionadas duzentas sementes e colocadas em solução de hipoclorito de sódio a 2%, por três minutos. Após, as sementes foram lavadas com água destilada, em seguida foram embebidas em fungicida Maxim por dez minutos.
NATIVAS 2014 – SIMPÓSIO SOBRE PRODUÇÃO DE SEMENTES E MUDAS
- Resumo Expandido - Posteriormente as sementes foram acondicionadasem caixas de gerbox com papel filtro umedecido nas diferentes concentrações de peróxido de hidrogênio, sendo T1 (1%), T2 (2%), T3 (3%), e controle (C) com papel filtro umedecido apenas com água destilada. Os tratamentos foram acondicionados numa câmara de germinação a 30ºC e 12 horas luz.
As características analisadas foram a germinabilidade (G%), conforme a Equação 1:
% G = (NG/NT) * 100 Onde:
NG = número de sementes germinadas.
NT = número de sementes colocadas para germinar. E o índice de velocidade de germinação (IVG), Equação 2:
IVG = ∑ (NGi/Ti) Onde:
NGi = número de sementes germinadas no dia i. Ti = tempo, em dias, após a semeadura, para germinação.
Análise estatística
Foram realizados quatro tratamentos, com cinco repetições de 10 sementes para cada tratamento. As observações foram efetuadas durante um período de quinze dias, a partir da data de emergência. Para detectar diferenças entre os tratamentos, foi aplicado one-way ANOVA, com teste de Tukey (α=5%) à posteriori (BANZATTO & KRONKA, 1995). As análises foram realizadas no programa estatístico R. RESULTADOS E DISCUSSÃO
O tratamento T1 com peróxido de hidrogênio a 1% apresentou maior porcentagem de sementes germinadas, (74%) e maior velocidade de germinação (9,62) seguida do controle (C) (68%) e (6,25), no tratamento T2 à 2% (6%) e (0,70), e T3 à 3% não ocorreu nenhuma germinação.
Estatisticamente não houve diferença na germinação entre o T1 e o controle (C), mas estes foram estatisticamente superiores aos tratamentos T2 e T3 (Figura 1).
Figura 1. Número de sementes de Tabebuia impetiginosa (Ipê-Roxo) germinadas nos diferentes tratamentos com peróxido de hidrogênio. Controle (C), T1 (1%), T2 (2%) e T3 (3%).
Pode-se perceber que as maiores concentrações de
H2O2 prejudicaram a germinação das sementes de ipê-roxo, mostrando que sua utilização deve ser testada com cautela.
Quanto ao índice de velocidade de germinação (IVG), T1 apresentou o maior valor, diferindo-se estatisticamente dos demais tratamentos(Figura 2). Os tratamentos T2 e T3 não se diferenciaram, e apresentaram valores de IVG significativamente inferiores ao controle (C) (Figura 2).
Estes resultados mostram que o tratamento de sementes de Ipê-roxo com H2O2 a baixas concentrações pode antecipar a germinação, o que pode ser interessante para produções em alta escala.
Figura 2. Índice de velocidade de germinação de sementes de Tabebuia impetiginosa (Ipê-roxo) nos diferentes tratamentos com peróxido de hidrogênio. Controle (C), T1 (1%), T2 (2%) e T3 (3%).
No trabalho de Costa et al. (2011), sobre tratamentos para a superação de dormência em sementes de Brachiaria humidicola, observou-se que o peróxido de hidrogênio, embora tenha reduzido a percentagem de sementes dormentes e estimulado a germinação, promoveu o aumento da incidência de anormalidades nas plântulas formadas.
No presente trabalho, embora o peróxido de hidrogênio tenha contribuído para um melhor índice de velocidade de germinação, esta substância provocou anormalidades nas radículas, como: tortuosidade e destruição do tecido celular na região apical da radícula. Enquanto o controle promoveu um desenvolvimento sadio das radículas das sementes.
Portanto, sua aplicação em tratamentos de sementes deve ser aplicada com cuidado, testada em diferentes espécies, e seus efeitos sobre a qualidade das radículas devem ser levados em consideração.
CONCLUSÕES
1. O peróxido de hidrogênio pode aumentar o índice de velocidade de germinação de sementes de Ipê-roxo, contudo, altas concentrações deste produto são tóxicas para as sementes.
2. Apesar do peróxido de hidrogênio aumentar o IVG, este pode prejudicar a qualidade das radículas, e, portanto, recomenda-se a observação destas características em futuros trabalhos.
REFERÊNCIAS
BANZATTO, D. A.; KRONKA, S. do N. Experimentação agrícola. 3. ed. Jaboticabal: FUNEP, 1995. 274 p.
CARVALHO, P. E. R. Espécies florestais brasileiras
NATIVAS 2014 – SIMPÓSIO SOBRE PRODUÇÃO DE SEMENTES E MUDAS
- Resumo Expandido -madeira. Embrapa Informação Tecnológica: Brasília, DF, 1994. 640 p.
CARVALHO, P. E. R. Espécies Arbóreas Brasileiras. Embrapa Informação Tecnológica: Brasília, DF, 2003. v. 1. 1.039 p.
COSTA, C. J. et al. Tratamentos para a superação de
dormência sementes de Brachiaria humidicola.
Pesquisa Agropecuária Tropical, Goiânia, v. 41, n. 4, p. 519-524, out./dez. 2011.
FOWLER, J. A. P.; MARTINS, E. G. Manejo de sementes de espécies florestais. Embrapa Florestas: Colombo, PR, 2011. v. 1. 76 p.
LONGHI, R.A. Livro das árvores: árvores e arvoretas do Sul. 2.ed. Porto Alegre: L&PM, 1995. 176 p.
LORENZI, H. Árvores brasileiras: manual de identificação e cultivo de plantas arbóreas nativas do Brasil. 4. ed. Nova Odessa: Editora Plantarum, 2002. v.1, p.66.
MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE. Primeiro relatório nacional para a Convenção sobre Diversidade Biológica. Brasília: DF, 1998. 283 p.
REITZ, R.; KLEIN, R. M.; REIS, A. Projeto madeira do Rio Grande do Sul. Porto Alegre: Secretaria de Agricultura e Abastecimento, 1988. 524 p.