3. Modélisation orientée objet pour les risques naturels
3.4 Perceptory : un outil de modélisation conceptuel pour les SIRS
ůŽŶŐŽĚŽƐĞƵƚƌĂƚĂĚŽ͘ŽŵŽĂĨŝƌŵŽƵĂZƵĂŶŽ͞ĨŽůŐĂƌĞŝƐĚĞŽƵǀŝƌŵŝŶŚĂƐǀĞƌĚĂĚĞƐĚŝƚĂƐ sem cores rhetoricas, porque a verdade se pinƚĂŶƵĂ͘͟;KƌƚĂ/͗79).259
2.5.2. Textos finais
2.5.2.1. Carta de Dimas Bosque a Tomás Rodrigues da Veiga
Dimas Bosque dirigiu uma Carta ao distinto médico de Coimbra, Tomás Rodrigues da Veiga260͗ ͟WƌĂĞƐƚĂŶƚŝƐƐŝŵŽ ĚŽĐƚŽƌŝ dŽŵĂĞ ZŽĚĞƌŝĐŽ ŝŶ ĐŽŶŝŵďƌŝĐĞŶƐŝ academia medicorum primo Dymas bosque medicuƐǀĂůĞŶƚŝƵƐ͘^͘W͘͘͟261 Esta epístola
259
A mesma limpidez nas descrições do mundo observado foi sublinhada por Dimas Bosque na Carta ƋƵĞĚŝƌŝŐŝƵĂŽƌĞŝƚŽƌĚŽŽůĠŐŝŽĚĞſƌĚŽǀĂ͗͞ZĞǀĞƌĞŶĚŽWĂĚƌĞ͕ĞƐƚĂĞƌĂĂĐŽŶĨŝŐƵƌĂĕĆŽ dos peixes, esta a composição, o desenho e a descrição exacta, de todos os membros que retratei o melhor que pude e ĞŵƉŽƵĐĂƐƉĂůĂǀƌĂƐ͕ĞƚĂŶƚŽƋƵĂŶƚŽƉŽƐƐşǀĞů͕ƉŝŶƚĞŝĐŽŵĂƐĐŽƌĞƐŵĂŝƐǀŝǀĂƐƉĂƌĂƚĞƚƌĂŶƐŵŝƚŝƌ͘͟;:ĂŝŵĞ tĂůƚĞƌ͕ ͞ŝŵĂƐ ŽƐƋƵĞ Ğ ĂƐ ^ĞƌĞŝĂƐ͟, p. 270). Também Cristóvão da Costa, no seu Tractado de las Drogas ;ƵƌŐŽƐ͕ϭϱϳϴͿ͕ĂƋƵĞĂĚŝĂŶƚĞĂůƵĚŝƌĞŵŽƐĚĞĨŽƌŵĂŵĂŝƐĚĞƚĂůŚĂĚĂ͕ĞƐĐƌĞǀĞƵ͗͞ƐĞŝƋƵĞƉŽĚĞƌŝĂ escrever isto em estilo mais elegante, mas aprecio mais dizer verdades certas, que palavras lŝŵĂĚĂƐ͙͟ Costa, Tratado das Drogas, 1964, XXVII. Para muitos destes homens de Quinhentos, que embateram com as novidades do mundo natural, a pureza das suas narrativas credibilizava um saber apoiado na experiência. A mesma atitude, que alguns identificaram com um topos modestiae, encontra-‐se no Prólogo do 1º volume da obra de Samuel Usque, publicada em Ferrara, em 1553, Consolação às tribulações de Israel͕ ŽŶĚĞ ƐĞ ƉŽĚĞ ůĞƌ͗ ͞ŽŶƐŽůŽŵĞ ƋƵĞ ŶĂƐ ŐƌĂŶĚĞƐ ĐŽƵƐĂƐ Ğ ĚŝŶĂƐ ĚĞ ŵĞŵŽƌŝĂ͕ Ž menos que os bõs juízes notam he a língua ou estilo, por que a cousa em si mesma se estima, e as palavras nam he outro que huma declaraçam, as quais ymportam pouco serem elegãtes ou mal ŽƌŶĂĚĂƐ͕͟cit in: ,ĞůŵƵƚ^ŝĞƉŵĂŶŶ͕͞KĚŝĄůŽŐŽʹ ĚŝƐĐƵƌƐŽĐŝĞŶƚşĨŝĐŽĞŶƚƌĞƚƌĂĚŝĕĆŽĞŝŶŽǀĂĕĆŽ͕͟ƉƉ. 157-‐ 163.
260
São escassas as notícias biográficas sobre este erudito médico. Natural de Évora, este físico foi autor ĚĞĐŽŵĞŶƚĄƌŝŽƐĂ'ĂůĞŶŽĞĚĞŽƵƚƌŽƐĚŽƵƚŽƐƚĞdžƚŽƐŵĠĚŝĐŽƐ͘ƐĞƵƌĞƐƉĞŝƚŽĞƐĐƌĞǀĞƵZŽĐŚĂĚĞƌŝƚŽ͗͞K Padre António Vieira num dos seus sermões chama-‐lhe mesmo Grande ʹ Magnus Thomas -‐. Mas que ele, notável galenista, lente de véspera (cadeira de Hipócrates), depois lente de Prima (em que lia Galeno), fora distinto ervanário é o que muitos devem ignorar, até dentre os mais versados na história da Universidade quinhentista. O remoto colega não fora apenas, à maneira de tantos mestres universitários de antanho, um teorisante, um repetidor de Hipócrates e Galeno, ou um comentador mais ou menos arguto e original dos autores gregos e árabes, mas espírito prático e ávido de saber, entretinha as horas de ócio, que lhe deixavam a clínica e o professorado, colhendo pelas colinas e campos do Mondego ervas e arbustos, que ia replantar nos seus hortos para os estudar in visu͘͟ZŽĐŚĂ ĚĞƌŝƚŽ͕͞KŽƵƚŽƌdŽŵĄƐZŽĚƌŝŐƵĞƐĚĂsĞŝŐĂ͕ŝůƵƐƚƌĞĞƌǀĂŶĄƌŝŽ͕͟ƉƉ͘ϰϬϴ-‐409. Esta curta notícia parece-‐ nos suficiente para justificar a oportunidade da Carta que Dimas Bosque dirigiu ao ilustre médico. Sobre ŽĨşƐŝĐŽĐŽŶŝŵďƌŝĐĞŶƐĞǀĞƌĂŝŶĚĂ͗&ƌĂŶĐŝƐƵƚƌĂ͕͞dŚĞƉƌĂĐƚŝĐĞŽĨDĞĚŝĐŝŶĞŝŶĂƌůLJDŽĚĞƌŶWŽƌƚƵŐĂů͕͟ƉƉ͘ 143-‐145.
261
Garcia de Orta incluiu este documento no final da obra, após o Colóquio 58º. Na sua edição, o Conde de Ficalho optou por colocar este texto no início do livro, imediatamente após a Carta ao leitor redigida por Dimas Bosque. Dado que a posição relativa dos diferentes paratextos dentro da obra nos parece ser relevante, pensamos que esta decisão de Ficalho não favorece a compreensão global do significado dos
latina encontra-‐se no final da obra, imediatamente antes da Errata. Nela, o médico valenciano, começou por enumerar os autores Clássicos que tinham descrito a origem e virtudes das plantas. No entanto, como sublinhou o Licenciado Dimas Bosque, Tomás da Veiga privilegiava um inovador método de análise do mundo natural. Como testemunhou o físico:
͞ƋƵĞŵ ƋƵŝƐĞƌ ĞƐĐƌĞǀĞƌ Ă ŚŝƐƚſƌŝĂ ŶĂƚƵƌĂů ĚŽƐ ƐŝŵƉůĞƐ͕ ŚĄ-‐de vê-‐los crescer, seguir-‐lhes a adolescência, observar a variedade e forma das suas flores, conhecer a época da sua maturação, para, assim, reconhecendo as diversas fases da sua evolução, consoante a idade, classificá-‐los com fundamento. Foi isto que ouvi da tua boca, sapientíssimo doutor, quando na Faculdade de Medicina dessa florentíssima Universidade de Coimbra eu frequenƚĂǀĂƚƵĂƐĂƵůĂƐ͘͞
Dimas parecia seguro sobre a eficácia da dedicatória da obra de Orta a tão ilustre personalidade. Ciente da vasta teia de relações na qual Tomás Rodrigues se inseria e que poderia assegurar a divulgação dos Colóquios na Europa, escreveu:
͞ƋƵĂŶĚŽ ĞŶĐŽŶƚƌĞŝŶĞƐƚĞƉĂşƐŽŽƵƚŽƌ'ĂƌĐŝĂĚĞKƌƚĂ͕͙ůŽŐŽŽĂĐŽŶƐĞůŚĞŝĂ que o colocasse [o Tratado sobre os Simples] sob a tua égide, como uma das mais doutas, o que ele fez com o maior agrado. Bem sabia ele, venerando ancião, que és hoje na Europa, o patrono de todos os médicos e como és generoso para todos os estudiosos ͙KdžĂůĄ͕ƉŽƌƚĂŶƚŽ͕ƐĂƉŝĞŶƚşƐƐŝŵŽŽƵƚŽƌ͕ƋƵĞŽůŝǀƌŽ͕ĂƐƐŝŵ protegido pelo teu escudo e amparado na autoridade do teu nome, ouse caminhar sem medo dos zoilos, entre os sábios, e triunfe em todas as academias da Europa e deste modo possa a juventude colher os frutos e empregar os ƐŝŵƉůĞƐĚĂ1ŶĚŝĂ͕ƉŝŶƚĂĚŽƐĐŽŵĂƐĐŽƌĞƐĚĂǀŝƌƚƵĚĞŵĠĚŝĐĂ͘͟262
documentos. Por isso, optamos por nos referir ao texto incluído por Garcia de Orta no final da sua obra. Garcia de Orta, Colóquios dos Simples, [1563], 1963, fl. 227 f.
262
ĞƉşƐƚŽůĂƌĞĚŝŐŝĚĂĞŵůĂƚŝŵĨŽŝƉƵďůŝĐĂĚĂƉŽƌZŽĐŚĂĚĞƌŝƚŽ͕͞KŽƵƚŽƌdŽŵĄƐZŽĚƌŝŐƵĞƐĚĂ Veiga, ŝůƵƐƚƌĞĞƌǀĂŶĄƌŝŽ͟
Estrategicamente colocada ao lado da referida Errata, esta epístola latina aproximava o projecto científico de Orta da rota das redes eruditas europeias.
2.5.2.2. Epigrama de Tomé Caiado
Um epigrama surgiu ainda nos Colóquios dos Simples logo a seguir a esta epístola. Trata-‐ƐĞ ĚĞ ͞Ě 'ĂƌƚŝĂŵ Ăď ŚŽƌƚŽ ŵĞĚŝĐƵŵ ĂƉƵĚ /ŶĚŽƐ͕ ĚŽĐƚŽƌğŵƋ͙͟ Ƶŵ curto epigrama redigido por Tomé Caiado.263 Sobre este latinista encontrámos muito pouca informação. Como escreveu Rui Manuel >ŽƵƌĞŝƌŽ͕ ͞ŶƚƌĞ ŽƐ ĞƌƵĚŝƚŽƐ portugueses que residiram na Índia durante o século XVI, conta-‐se também Tomé Dias Caiado, que, em 1542, era incumbido de ensinar latim na Sé de Goa. Viveu ainda longos anos naquela cidade, onde proferiu várias orações solenes: em 1547, em honra de D.João de Castro, recém-‐chegado do cerco de Diu; em finais de 1557 ou princípios do ano seguinte, a propósito da morte de el-‐rei D. João III; e em 1564, à chegada de D.ŶƚĆŽ ĚĞ EŽƌŽŶŚĂ ă ĐĂƉŝƚĂů ĚŽ ĞƐƚĂĚŽ ĚĂ 1ŶĚŝĂ͘͟ ^ŽďƌĞ Ă ƐĂƉŝġŶĐŝĂ ĚŽ ůŝƚĞƌĂƚŽ concluiu͗ ͞ŵ ƚŽĚĂƐ ĂƐ ŽƌĂĕƁĞƐ ƌĞĨĞƌŝĚĂƐ ƌĞǀĞůĂǀĂ ĂůŐƵŵĂ ĞƌƵĚŝĕĆŽ ĐůĄƐƐŝĐĂ͕ ĐŝƚĂŶĚŽ nomeadamente Homero, Plínio, Cícero e Santo Ambrósio.͟264
Foi assim este letrado, a quem competia exaltar os feitos dos portugueses nomeados a desempenhar nobres funções no Oriente, que dirigiu um sonoro aplauso a Garcia de Orta. A redacção em latim tornava o seu louvor acessível a toda a comunidade erudita. Deste modo, o pequeno epigrama cantado por este cronista das elites, deu visibilidade e crédito ao trabalho de Orta. O seu conteúdo laudatório, assegurou aos leitores mais cépticos o inegável valor da obra que tinham entre mãos. Tal como o privilégio do Vice-‐Rei e a Carta a Martim Afonso de Sousa garantiam aos ibéricos a credibilidade das notícias veiculadas nos Colóquios, estes textos finais, engastados entre o Colóquio 58º e a Errata, asseguravam aos letrados europeus a excelência das investigações alcançadas pelo médico.
263
Tal como o texto de Tomás Rodrigues da Veiga, este epigrama também foi vertido para português ƉŽƌDĂƌŝĂ,ĞůĞŶĂZŽĐŚĂWĞƌĞŝƌĂ͕͞>ŽƵǀŽƌĞƐůĂƚŝŶŽƐĂŽƐ͚ŽůſƋƵŝŽƐĚŽƐ^ŝŵƉůĞƐĞƌŽŐĂƐ͕͟ƉƉ͘ϭ-‐11. Para consultar o texto latino, ver Garcia de Orta, Colóquios dos Simples, [1563], 1963, fl.228 v.
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