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Chapitre 2. Ingénierie Système appliquée aux systèmes critiques

2.4. Architecture système

2.4.4. Patrons de conception (design patterns)

“Um dispositivo de formação de monitores, por e para a alternância, será mais ou menos eficiente, na medida em que os monitores se envolvem, de forma consciente, participativa e reflexiva, sendo eles mesmos sujeitos e objetos de sua própria formação”.

Introdução ao capítulo

Este capítulo busca construir uma meta-análise a partir das interpretações dos percursos de formação experiencial e formal, tentando responder as questões iniciais: como se dá os processos de formação dos Monitores nas Escolas Família Agrícola e como a formação pedagógica inicial formalizada pela instituição contribui para percursos formativos permanentes por e para a alternância. Estruturado em quatro itens, o capítulo aborda as múltiplas alternâncias a começar pelas alternâncias na natureza, entre passado e presente, no trabalho profissional com suas variadas inter-relações, entre os vários conhecimentos, espaços e tempos, práticas e teorias, trabalho e estudo.

1. Múltiplas alternâncias

Vimos no capítulo anterior que há um conjunto de fatores que interferem nos percursos da função e da formação dos Monitores. São os pólos pessoal, sócio-político, ecológico, profissional e da formação perpassando um ao outro. Toda a alternância está ai, e o monitor

como um “alternante” em um jogo de complexidades vivenciando múltiplas alternâncias.1

A natureza é um eterno ciclo alternante: o dia e a noite, o sol e a lua, o inverno e o verão com suas orlas de primavera e outono, o tempo de semear, o tempo de colher, o tempo de nascer, viver e morrer. Toda a vida na natureza pulsa em ciclos alternados, cada ciclo com

as suas vicissitudes cumprindo o seu tempo e preparando o vindouro. Como seres humanos inexoravelmente presos a esse mundo natural e parte inerente deste “sistema universo” onde vivemos em ritmos de variadas alternâncias.

A partir das análises dos percursos do exercício da função e da formação pedagógica podemos perceber as dimensões das alternâncias que formam o complexo tecido desta função do profissional Monitor. No início da função ocorrem as dolorosas passagens e rupturas entre o passado e o presente, entre o velho e o novo, as velhas e as novas práticas que são exigidas, entre as inexperiências e as novas experiências adquiridas, o sonho e a realidade, as utopias e as frustrações, o medo e a ousadia, as dúvidas e as esperanças... No exercício da profissão o monitor vive múltiplas alternâncias. São as alternâncias relacionais, por exemplo, ele vive e convive em diferentes entidades, sendo que cada uma possui as suas especificidades, com suas linguagens, culturas, seus atores, suas influências. Estas entidades são identificadas como a equipe, os alunos, as famílias, os diversos parceiros que colaboram das mais variadas formas com a EFA, quais sejam: movimentos sociais, sindicais, igrejas, partidos, cooperativas etc; pessoas comuns, lideranças, profissionais, entre outros... Nesta convivência o “eu” deve se colocar numa dialética da personalização e socialização, conforme afirma Gimonet (1998;2003), onde deve construir- se e desenvolver-se pessoal e socialmente. Ele deve passar de um lugar a outro, de uma entidade para outra, assumindo seus paradoxos, suas dificuldades: altos e baixos, avanços e recuos, sombras e clarões, espontaneidades e organizações, racionalidades e irracionalidades, suas ordens e desordens, seus saberes formais e informais, assim como diz Gimonet (2003). Portanto, ele deve saber tomar a distância de uma para se dedicar a outra, por um certo tempo e assim, equilibrar o jogo dessas relações tão vitais.

A filosofia personalista de Emmanuel Mounier, uma das bases filosóficas do movimento das EFAs e da Pedagogia da Alternância pondera sobre o equilíbrio que deve haver entre o pessoal e o social. No pensamento socialista o social prescinde o pessoal. A dimensão pessoal é anulada pelo coletivismo. No capitalismo cultiva-se fortemente uma tendência ao individualismo desconsiderando a dimensão social.

Uma alternância integrativa pressupõe a busca de estratégias para o cultivo da personalização e da socialização. Esta estratégia vale para ser aplicada junto aos alunos, quanto para ser vivida por aqueles que as aplicam. As equipes reduzidas e as atarefas com longas jornadas de trabalho levam aos sérios riscos do ativismo das equipes, anulando aspectos essenciais da vida no que tange, sobretudo ao pessoal, ao lazer, à vida familiar, ao descanso. A falta da alternância integrativa neste aspecto coloca em questão o problema da formação experiencial, da construção e do desenvolvimento pessoal, ao nosso ver, imprescindíveis no processo de profissionalização.

O profissional em alternância deve, permanentemente, viver nesta tensão paradoxal de rupturas e relações (Gimonet, 1984). Ele deve fazer as passagens de um conhecimento para outro, qual seja, da vida familiar e empírica para à vida escolar. Ser monitor numa postura alternante significa assumir uma atitude de romper com vícios do passado, das práticas tradicionais aprendidas, assimiladas e, muitas vezes, praticadas sem refletí-las, portanto, repetidas em nossas ações. Aqui cabe refletir a contribuição de Silva (2003, p. 244): “Novos

papéis, velhas representações”. Cabe, como afirma o filósofo francês, Gaston Bachelart

(1980), “assumir uma ruptura epistemológica”, ou seja, fazer a passagem, a ruptura com certos conhecimentos. Isto é necessário para se obter um novo aprendizado, novos conhecimentos, para assumir de fato, os novos papéis e poder contribuir para inovações. Trata-se de uma atitude fundamental que os monitores evocam na pesquisa: “abertura ao novo”. Isto não é fácil, mas também não é impossível, quando a pessoa consegue cultivar uma atitude de abertura para uma mentalidade de mudança.

Sendo assim, antes de ser um profissional da alternância, antes de aplicar a alternância aos alunos deveria haver esta consciência de uma dimensão alternante na própria vida e na profissão de monitor. Esta consciência e postura alternantes são percebidas em todas as trajetórias profissionais dos cinco monitores pesquisados. “Eu não sou mais o professor de matemática, sou uma pessoa hoje que tem abertura para muitas coisas” (Monitor 1). Seguindo a lógica de Gimonet (2003) as passagens de um lugar a outro de uma entidade para outra de um velho conhecimento para novas aprendizagens devemos lançar mão da pedagogia, da arte de aprender e ensinar para imprimir uma perspectiva formativa,

educativa nestas múltiplas passagens. Na EFA, ao longo da sua trajetória foi desenvolvida uma pedagoga que se denominou de alternância, através da elaboração de um dispositivo pedagógico para trabalhar com os jovens estudantes, a partir dos seguintes objetivos:

“articular os tempos e os espaços formativos (Escola-Meio; estudo- trablaho...); articular as formações do ensino geral escolarizante com a educação profissional; envolver as famílias dos alunos e outros profissionais do meio como co-formadores e ajudar no processo formativo e acompanhar cada jovem nos percursos de seus aprendizados e engajamentos num projeto de vida” (Gimonet, 1998, p.6).

O dispositivo pedagógico de uma EFA conta com uma série de atividades e instrumentos para promover as aprendizagens significativas e contextualizadas nas passagens e rupturas entre os tempos e espaços da escola e do meio sócioprofissional. O Plano de Estudo, a Colocação em Comum, as Visitas de Estudo, o Caderno de campo, ente tantos outros, constituem as ferramentas mais comuns de pedagogização dessas passagens alternadas. Essa pedagogia com esse dispositivo tem sentido se for conduzido dentro de um espírito de acompanhamento sistemático dessas passagens. Para esta função existe o monitor, totalmente diferente do educador no estilo clássico, acadêmico convencional. Se não o for, as passagens e rupturas alternadas perdem o sentido e não se aproveita dessas entidades o que elas podem oferecer numa perspectiva educativa, formativa. Por isso, para a função do monitor são colocadas condições e exigências específicas sobre suas competências e sua formação. Então, que formação para uma função de monitor? Como os monitores se formam para se tornarem formadores em alternância? Estas são as questões que nos motivaram a fazer esta pesquisa.

Ouvindo os monitores que participaram da pesquisa eles explicitam algumas informações sobre seus processos formativos. Num primeiro momento vamos observar o que eles consideram como formativo no espaço e tempo das práticas. Como a própria ação se torna formadora?

2. A formação pela prática – uma formação “experiencial”?

Três dos cinco relatos falam de “choque da teoria com a prática” no percurso inicial da função de monitor. Isto significa que, como afirmamos acima, eles tiveram que fazer uma ruptura das aprendizagens que traziam para adquirir novas aprendizagens necessárias ao novo ofício, e afirmam categoricamente que, para eles, “a primeira escola de formação para a alternância foi a prática”.

A prática que estamos referindo diz respeito ao trabalho pedagógico do monitor na EFA. Todos evocam a prática como fonte de aprendizagem. E quem foram os mestres nesta aprendizagem? . Na nossa análise identificamos cinco elementos apontados pelos monitores como fontes formadoras para eles. A primeira fonte se torna a cooperação dos colegas monitores com dois elementos básicos que ocorrem: a observação de tudo o que eles fazem e como fazem e as conversas informais, sobretudo com os monitores mais experientes.

A observação é uma das primeiras fases do método científico. No ciclo da aprendizagem,

segundo D. Kolb, apresentado neste trabalho a “observação reflexiva” a partir da experiência, é um dos primeiros passos na construção da aprendizagem. Da mesma forma, Decroly, em seu método de aprendizagem a “observação reflexiva feita pelo aluno” é o ponto de partida. E assim, vários autores ligados às correntes pedagógicas ativas como John Dewey, Piaget, colocam a observação como um dos primeiros passos no processo de construção do conhecimento e das aprendizagens (Gimonet, 1998, p.7).

Trata-se portanto de uma observação reflexiva que privilegia a ação do aprendiz. Neste caso nos parece importante ressaltar que as observações são orais e em nenhum dos casos pesquisados evocou-se a escrita nestes processos de observação e aprendizagem osmótica. Não é uma afirmação de que os monitores pesquisados não escrevem o que observam, mas uma constatação de limites nos dados por parte desta pesquisa. Segundo o método científico a observação para ser formadora precisa passar por alguns estágios. Seguindo o ciclo de aprendizagem de Kolb esses estágios seriam: experiência, a observação reflexiva, a conceitualização e a ação reflexiva. Nem toda experiência e observação nos leva a aprender