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Chapitre 1. De la sûreté de fonctionnement à la résilience

1.4. Comprendre la situation pour éviter l’accident

No campo das relações de parcerias os Monitores falam dos fatores que mais facilitam e que também limitam o percurso profissional do educador de EFA. Eles evocam a equipe de Monitores, os alunos, as famílias e outros parceiros diversos, mas destacam a equipe como um dos principais meios facilitadores para evoluir na função. Por quê?

2.1. A equipe

- A equipe se torna um espaço afetivo de ajuda mútua.

“ (...) O que mais me chamou atenção foi o lado afetivo, que me ajudou... (...) Por mais que a equipe tenha conflitos, dificuldades. A gente aprende demais com a equipe e tem assim uma relação de afetividade...” (Monitora 1).

- A equipe se torna um espaço de partilha das funções e comunhão de compromissos, uma vez vencidos os desafios do centralismo do poder.

“...no primeiro mês a gente centrava as coisas mais na gente. Isso foi um fato. Mas depois a gente viu um universo de coisas a fazer e que cada monitor poderia dar uma contribuição. Então, a gente percebe que depois de três meses, por exemplo, as coisas eram bem mais compartilhadas. (...) Fazer com que os monitores percebessem o que era uma dimensão de equipe, isso marcou. A partir do momento em que a gente percebeu isso, que a gente foi delegando tarefas.E isso, realmente, eu vejo enquanto avanço. Porque, na verdade, quando você absorve o que está fazendo você faz com mais responsabilidade e com mais gosto. E a gente percebia isso, a partir do momento que eles sentiam que a responsabilidade era igual...” (Monitora 3). - Sem trabalho de equipe não há como fazer funcionar os aspectos pedagógicos da alternância.

Saber trabalhar em equipe. Se não souber trabalhar em equipe não tem jeito de trabalhar os instrumentos pedagógicos. (Monitora 1)

- Mas tem aspectos da equipe que limitam o exercício da função de Monitor quando... “... há uma relação de conflitos de poder e a equipe fecha num grupinho. Quando a equipe se fecha em si e só vê o lado da equipe...” (Monitora 1 ) “... quando há desencontros por não se entender para buscar soluções conjuntas frente a problemas de aprendizagem dos alunos e quando não há dedicação mútua” (Monitor 1). “.... quando há uma divisão entre os monitores da área técnica (profissional) com a área de ensino comum geral” (Monitora 1)

- Destacamos palavras que aparecem ao longo das falas como o diálogo em equipe, a comunicação permanente como fatores de integração dos conteúdos a serem trabalhos, o aprendizado que faz crescer como ser humano.

2.2. Os alunos

- A relação com os alunos ajuda no exercício da função e até na formação do Monitor.

“O contato, a convivência com os jovens é um aprendizado muito grande. Essa questão dos instrumentos pedagógicos ajuda, tanto na formação dos alunos, quanto da gente. A gente aprende a falar com o jovem... Na

avaliação, falar pro aluno o que ele precisa melhorar e ele falar pra gente também... Algumas vezes quando o aluno falava, no começo, ‘ah! Não gostei que você fizesse aquilo’, eu sofria” (Monitora 1).

A avaliação coletiva semanal com o tempo se torna uma rotina integrada na vida dos monitores e alunos. Ambos passam a reivindicá-la se ela não acontece. É uma estratégia que quando bem conduzida se torna um forte componente formativo para os alunos e os monitores pela simetria que se cria nas relações entre ambos os grupos, monitores e alunos. - Há um forte relacionamento com os alunos por causa da estrutura de internato e acompanhamento diário, em período integral, feito em sistema de rodízio entre os próprios Monitores

“É com esse contato forte o período inteiro no internato, faz a gente perceber um pouco quem é o aluno e a sua família...” (Monitora 3)

O internato bem conduzido se torna um ambiente favorável à aprendizagem pelo clima afetivo e solidário que se estabelece. A formação se torna cooperativa.

- De repente, os alunos ensinam e os Monitores também aprendem.. A convivência, as aulas, as avaliações no dia-a-dia, obrigam a mudar a postura com os alunos e aprender ouvir e dar valor ao que eles falam, a ter que pesquisar, encontrar soluções para as questões que eles levantam...

“Pra mim, o estudante já não é mais aquele objeto que tem que receber conhecimentos. Ele passa a ser um sujeito. Ele participa das discussões. Ele critica a gente. O diferente pra mim na EFA é isso. É ouvir o estudante, é ficar pensando no que ele diz, tentar resolver o problema, então, isso pra mim é o diferente, (...) você ter um estudante que lhe questiona, que lhe cobra, que lhe faz ir atrás de algumas coisas. Então, o estudante questionador, o estudante que pergunta, o estudante que te faz ver as coisas de outra forma, faz você ir buscar as coisas” (Monitor 1).

O interesse dos alunos motiva a profissão. Os alunos são motivadores da profissão de

“Eu fico na EFA por paixão. Porque eu gosto de trabalhar com os alunos. Porque esses alunos querem alguma coisa, estão dispostos, eles querem” (Monitora 1).

No aspecto relacional com os alunos, ficou evidente também as questões de ensino- aprendizagem com o uso dos instrumentos pedagógicos específicos da alternância. Conhecer e saber manusear esses instrumentos são condições para o bom exercício da profissão de Monitor. Sobre este tema vamos detalhar mais no item da formação, levantada como um dos fatores inerentes ao bom exercício da função.

2.3. As famílias dos alunos

As relações com as Famílias dos alunos e outros atores do meio se dão através das visitas e das atividades que os alunos retornam às suas casas e comunidades a partir dos Planos de Estudo desenvolvidos nas alternâncias. Mas nem sempre estas atividades constitutivas do projeto pedagógico de uma EFA acontecem, por razões diversas: equipes reduzidas, um grande número de famílias a visitar, as longas distâncias entre a Escola e as famílias, a falta de meios de transportes, falta de recursos financeiros, às vezes, a falta de planejamento e o sentido destas atividades, na prática pedagógica de uma EFA. Mas, o elemento inserção na vida da comunidade constitui uma das características inerentes da função do profissional Monitor.

“Misturar, tanto com os alunos, quanto com os agricultores. ...no campo de futebol nas festas, no vôlei .. a gente busca estar junto com os alunos, com os agricultores, com as pessoas, com a comunidade. Estar próximo da comunidade leva a discutir outras questões e não ficar preocupado apenas com a escola em si, mas estar preocupado com outras questões... E aí, a gente se envolve em discussões com a comunidade, com grupos de jovem, associações de agricultores” (Monitor 2).

A “escola passa a ser mais que escola” quando a equipe interage junto aos alunos e suas famílias em suas casas e comunidades, participando de discussões sobre problemas comuns e buscando soluções conjuntas.

2.4. Outros atores do meio

- As relações com outros atores do meio são citadas tais como movimentos sociais, sindicais, partidos....e também reclamadas quando a equipe, por circunstâncias adversas não consegue realizar estas inter-relações. Estas relações são importantes por que....

“Não é só este momento aqui dentro que a gente vai dar contribuição, mas o momento lá fora também, nos momentos das reivindicações, das discussões. E mais, quando se tem discussão tão urgente, como a questão fundiária, como a questão do crédito, como a questão de mulher, de gênero, as questões-problema do campo social no Brasil” (Monitora 2) .

“O grande lance meu com a pedagogia da alternância é esse ganho que eu vou tendo no dia-a-dia. De estar participando, discutindo as coisas, de estar indo além da sala de aula, de estar discutindo questões educacionais junto à secretaria de educação, mas também de estar discutindo questões de agroecologia ou questão da produção com os camponeses...” (Monitor 1). “No momento que nós vamos envolvendo nas reuniões lá fora, nos encontros..., a gente percebe que há uma organização maior: os encontros de mulheres, os fóruns, no Conselho Municipal do Desenvolvimento Rural, ... Percebemos que damos uma contribuição em um seguimento que é a formação...” (Monitora 3).

Interagir com o meio e as suas organizações compreende mais um fator a contribuir para a função do Monitor de EFA. Assim, a Escola pode ensinar democracia, participação e cidadania pela vivência prática de participação no seu meio. A escola se torna mais que escola. As aprendizagens acontecem também na família, comunidade, no trabalho, nas organizações sociais, desde q ue se engaja e participa.