Patients et méthodologie
CHAPITRE 2 PATIENTS ET METHODOLOGIE
A gestão universitária, sob a égide da expansão, é influenciada pelos princípios e práticas da gestão empresarial. Planos, programas e um conjunto de instrumentos normativos indicam que a universidade busca a profissionalização da gestão, a obtenção de resultados. O Plano de
Desenvolvimento Institucional (PDI), documento que expressa as estratégias,
as metas e o plano de gestão da Universidade, manifesta a intenção formal de adequação técnica e política às novas demandas que lhes são impostas. Expressões como ―planejamento estratégico18‖ e ―gestão estratégica‖, ―qualidade‖, ―eficiência‖ e ―modernização‖ aparecem, com frequência, nos documentos institucionais. Esses termos carregam importante significação, na medida em que indicam estreita afinidade com o modelo de administração gerencial imposto às universidades, nos últimos anos.
A desconcentração de atividades administrativas e acadêmicas para polos regionais, no interior do Estado, revela outra dimensão da reconfiguração
18 Para MARCELINO (2004, p.35), planejamento estratégico se constitui na análise do meio-
ambiente, contemplando cenários e as possíveis mudanças no ambiente de negócio para desenvolver as diretrizes estratégicas. O principal valor referencial está na preocupação de antecipar e determinar as ações futuras da organização, num ambiente de incertezas e mudanças.
da gestão universitária. Os campi e os núcleos implantados nos Municípios do interior, a despeito da crescente demanda gerada pela criação de cursos, dispõem de limitada autonomia gerencial e orçamentária. Por não receberem a classificação de unidades executoras, a gestão e a execução de processos financeiros, a exemplo de contratação de serviços, aquisição de equipamentos e materiais, e licitação de obras, são concentrados no campus sede. A centralização administrativa de execução de processos administrativos decisivos para o desenvolvimento das atividades das unidades regionais resulta em sérias dificuldades operacionais. A demora na entrega de materiais e equipamentos e na execução de obras é um exemplo das frequentes dificuldades gerenciais que os campi do interior enfrentam, com importantes desdobramentos nas atividades acadêmicas.
Num cenário de intensa efervescência social, o Campus Universitário de Altamira, Unidade Regional da Universidade Federal do Pará, se apresentou como instituição pioneira na oferta de cursos de nível superior, na Mesorregião do Xingu, com suas primeiras atividades, iniciadas em 1986.
O Campus de Altamira abrange os Municípios de Brasil Novo, Medicilândia, Uruará, Placas, Vitória do Xingu, Senador José Porfírio, Porto de Moz, Anapu e Pacajá. No mapa apresentado a seguir, é possível observar os Municípios que integram a área de abrangência do Campus de Altamira. As expressivas dimensões territoriais da Mesorregião do Xingu, com imensas demandas no campo educacional, indicam a relevância da atuação dessa unidade.
O Campus Universitário de Altamira integrou a segunda fase de expansão da Universidade, por meio da oferta de cursos de graduação, prioritariamente, Licenciaturas, nas áreas de Letras, Ciências, Geografia, História, Matemática e Pedagogia. Em outubro de 1992, tiveram início os cursos regulares de Licenciatura em Letras e em Matemática, seguidos por Pedagogia, em 1994. Em 1996, foi criado o curso de Licenciatura em Ciências Agrárias, com apoio do então Centro Agropecuário, hoje Núcleo de Ciências Agrárias e Desenvolvimento Rural. O curso ofertou quatro turmas regulares e criou as bases para a criação do curso de Agronomia, em 2001. A vocação econômica da região, com intensa atividade agropecuária e extrativista, serviu de importante referencial para abertura do curso.
É reconhecida a relevância das ações de interiorização da Universidade, considerando que foi disponibilizada, nos Municípios, a primeira oportunidade de acesso a cursos de graduação, notadamente, aos cursos de licenciatura,
cuja formação viria atender à demanda latente de professores da Educação Básica. Entretanto, é importante mencionar as precárias condições de oferta e funcionamento dos cursos, com limitada infraestrutura física e de equipamentos e, particularmente, de recursos humanos. Os docentes que atuaram nesses polos eram docentes ligados aos Centros de Educação; de Letras e Artes; de Exatas e Naturais; e de Filosofia e Ciências Humanas, do Campus de Belém, e o pessoal administrativo, cedido por prefeituras. Durante muitos anos, esse quadro emblemático permaneceu como regra, nos Municípios contemplados pela interiorização.
O corpo docente efetivo, até o ano de 2000, era composto por não mais que cinco docentes. O corpo técnico-administrativo era constituído de pessoal de apoio (serviços gerais) remanescente do projeto Rondon, servidores em final de carreira, que não desenvolviam atividades de caráter administrativo.
Desse modo, por mais de uma década e meia, as atividades do ensino de graduação do Campus de Altamira dependeram quase que exclusivamente do Campus de Belém. As disciplinas eram organizadas de forma concentrada e ministradas por docente, por um período que variava de uma a duas semanas. Os cursos regulares do campus, até 2003, eram apenas Letras, Pedagogia e Agronomia. Outros cursos foram ofertados, pontualmente, a exemplo de turmas isoladas de História, Geografia, Matemática e Ciências Sociais.
Em 2004, foi criado o curso de Ciências Biológicas, após experiência de turma intervalar, ofertada em 1999, coordenada pelo Campus de Belém. As discussões acerca da criação do curso foram iniciadas, em 2002, na gestão do Professor Afonso Wellington Santos Nascimento, coordenador do Campus de Altamira, na época. Após reuniões entre Administração Superior e Coordenação do Campus, para ajustar as condições de oferta e funcionamento, o curso foi criado, em 2004, com a oferta da primeira turma. As contratações de docentes ocorreram, ao longo dos anos de 2005 e 2006, para um total de sete professores (sendo seis efetivos e um substituto). O curso de
Ciências Biológicas é um dos cursos contemplados pelo REUNI. A consolidação do curso, por meio da contratação dos primeiros docentes, foi viabilizada pela primeira fase do programa de expansão do governo Lula da Silva, que antecedeu o REUNI.
No período de 2005 a 2006, a UFPA integrou a primeira fase do Plano de Expansão, do Governo Federal. Nesta fase, apenas os campi de Marabá, Castanhal, Bragança, Cametá e Santarém foram contemplados com investimentos e contratação de pessoal. O campus de Altamira, a princípio, ficou fora da expansão. Entretanto, após pressões do Movimento pela Sobrevivência da Transamazônica, junto ao MEC, e da própria comunidade universitária do campus de Altamira, junto à Administração Superior da Universidade, foram disponibilizadas 23 vagas para contratação de docentes, que foram destinadas aos cursos de Ciências Biológicas (12) e Engenharia Florestal (11). Este último havia sido criado, em 2008, com a primeira oferta de turma, em 2009.
Em 24 de abril de 2007, o governo federal publicou o Decreto 6.096/2007, criando o REUNI. Inicia-se um período de intensa mobilização, nas IFES, para adesão ao programa. A ANDIFES, idealizadora do programa, é o elo de interlocução do MEC junto às universidades.
Na UFPA, a administração superior, na época, realizou intensa mobilização junto aos dirigentes dos Institutos, dos Núcleos e dos campi do interior. A despeito das reivindicações da Associação de Docentes da UFPA e do Diretório Central de Estudantes e, ainda, de unidades acadêmicas que reclamavam por um amplo debate sobre a adesão ao Programa e suas implicações para a instituição, a administração superior restringiu a discussão ao âmbito interno dos gestores, em especial no Fórum dos Dirigentes. Como resultado dessa política, os movimentos fizeram intensa pressão, e o processo de adesão foi marcado por muito tumulto e protestos.