B.3 Activit´e de recherche
B.3.3 Participation `a des projets de recherche
Tomando por referência os objetivos deste trabalho, traçaram-se as linhas de orienta- ção para os alcançar. Assim, decidiram-se as estratégias de investigação a executar, adap- tadas à metodologia de pesquisa que se reconheceu mais adequada ao tipo de estudo a desenvolver. Também se definiram os instrumentos de avaliação a utilizar, assim como os momentos da sua aplicação aos elementos da população alvo disponíveis para colaborar na pesquisa. No planeamento do trabalho, incluiu-se ainda a decisão acerca das técnicas de análise a aplicar aos dados recolhidos, quer no âmbito do estudo fundamental da investiga- ção, quer no da análise das características metrológicas do instrumento de avaliação de conhecimentos a utilizar.
De acordo com estabelecido, o estudo empírico foi estruturado da seguinte forma.
MÉTODO DE INVESTIGAÇÃO
A metodologia de investigação utilizada pode ser definida genericamente como “cor- relacional” ou “diferencial”. Situada entre o método experimental (de natureza laboratorial, envolvendo a manipulação de variáveis independentes e o estabelecimento de relações causais) e os métodos qualitativos (que não produzem, regra geral, dados submetidos a tratamento estatístico, centrando-se frequentemente numa compreensão e interpretação holista dos fenómenos sob estudo), o método correlacional caracteriza-se por adotar uma postura baseada na análise quantitativa de dados, mas com uma preocupação descritiva das relações entre variáveis recolhidas em condições naturais, sem estabelecer entre elas, necessariamente, nexos lineares ou de natureza causal (Almeida & Freire, 2008; Christensen, 2007; Gilles, 2008).
Assim, no âmbito dos procedimentos deste método de investigação, incidiu-se pri- mordialmente na análise descritiva de variáveis diferenciadoras dos indivíduos com impacto no seu sucesso académico, nomeadamente em unidades curriculares de Matemáti- ca do 1.º ano do ensino superior. Em simultâneo, estudaram-se as relações entre essas mesmas variáveis, ou entre elas e outras de interesse como, por exemplo, variáveis demo- gráficas (género e outras) ou de subdivisão da amostra (como diferentes instituições de ensino).
ESTRATÉGIAS DE INVESTIGAÇÃO
Realizaram-se estudos de natureza diversa, alicerçados na metodologia correlacional, tendo em vista os diferentes objetivos propostos.
Estudo metrológico - analisaram-se as características metrológicas do teste de
conhecimentos utilizado nesta investigação;
Estudo quantitativo e interpretativo - analisaram-se os resultados da avaliação
estandardizada praticada na investigação, quer quantitativamente, quer qualitativamente (interpretando as respostas dadas face ao enunciado e às alternativas de resposta dos itens) a fim de identificar o nível de conhecimentos dos estudantes por área de conteúdo e os erros mais comuns que cometeram;
Estudos correlacionais - estabeleceram-se correlações entre variáveis observadas
(classificações nas unidades curriculares de Matemática do 1.º semestre, resultados em provas de conhecimentos de Matemática, em questionários de dados pessoais e noutras técnicas diferenciais de avaliação de construtos pertinentes) a fim de identificar as relações e associações, bem como o seu valor preditivo relativamente a critérios de sucesso acadé- mico;
Estudos de comparação intergrupal - estudou-se o impacto diferenciador no desem-
penho em Matemática de fatores que distinguem grupos, com base nos resultados obtidos por amostras diferenciadas em variáveis pertinentes, como o género, a área de formação e as notas da prova de ingresso e do 12.º ano de escolaridade;
Estudo longitudinal - estabeleceram-se comparações entre os resultados dos mesmos
participantes na mesma prova de conhecimentos de Matemática, recolhidos no início de cada semestre do 1.º ano, para determinar o efeito do treino de competências no âmbito da formação proporcionada pelas unidades curriculares do 1.º semestre;
Estudo de casos - entrevistaram-se estudantes, de uma subamostra da amostra geral,
contrastados quanto ao nível de conhecimentos em Matemática demonstrado no 1.º semes- tre do ensino superior, no sentido de averiguar a natureza das dificuldades que experimen- taram na aprendizagem da Matemática, assim como as suas emoções e atitudes em relação a esta disciplina, procurando identificar semelhanças e diferenças entre os grupos, em par- ticular fatores facilitadores do sucesso para os estudantes com resultados mais elevados.
INSTRUMENTOS DE AVALIAÇÃO
Para se realizarem os estudos atrás mencionados, foi necessário utilizar os seguintes instrumentos de avaliação.
Teste de Conhecimentos de Matemática (PMAT) - instrumento de avaliação estan-
dardizado construído e aperfeiçoado, em ligação com a presente investigação, de modo a criar um método para avaliação objetiva de conhecimentos de Matemática e para despiste de dificuldades, lacunas e necessidades de formação, no início das aulas do 1.º ano do ensino superior científico e tecnológico;
Escala Multidimensional de Auto-Eficácia Percebida de Bandura - questionário
administrado após a entrega das respostas do PMAT, tendo em vista a validação do teste de conhecimentos;
Protocolo de entrevista semiestruturada - documento concebido, no âmbito desta
investigação, para orientar as entrevistas do estudo de casos, depois de conhecido o desempenho dos estudantes nas unidades curriculares de Matemática do 1.º semestre;
Questionário de dados pessoais - questões incluídas na folha de respostas do PMAT,
solicitando aos participantes o ano do seu nascimento, o género e o tipo de exame nacional de Matemática que realizaram no final do ensino secundário.
POPULAÇÃO E AMOSTRAS
Identificada a população alvo com os estudantes que estão a iniciar cursos superiores portugueses com, pelo menos, duas unidades curriculares obrigatórias da área de Matemá- tica no plano de estudos do 1.º ano, recolheram-se amostras por conveniência.
Embora com limitações de representatividade da população, observaram-se amostras formadas por alunos das instituições de ensino superior que colaboraram na aplicação das diferentes versões do PMAT, sucessivamente aperfeiçoadas. Destes participantes, extraiu- se uma amostra objetiva para desenvolver o estudo de casos, constituída pelos estudantes com os melhores e os piores níveis de desempenho em Matemática no 1.º semestre do res- petivo curso superior.
TÉCNICAS DE ANÁLISE DE DADOS
As técnicas de análise de dados utilizadas envolvem a aplicação dos métodos estatís- ticos mais adequados aos propósitos do estudo e à natureza correlacional predominante da metodologia. Em particular, técnicas de estatística descritiva, de correlação e de compara- ção de grupos (amostras independentes e emparelhadas), em função da natureza de cada questão de investigação, respeitando a verificação dos pressupostos para a aplicação de cada tipo de técnica estatística.
O estudo metrológico do PMAT, que envolve técnicas de análise de itens e de estudo da precisão e validação das medidas proporcionadas pelo teste, teve por referência dois modelos de medida - o modelo clássico da Teoria Clássica dos Testes e o modelo de Rasch da Teoria da Resposta ao Item.
As respostas aos itens do PMAT e os dados recolhidos nas entrevistas foram subme- tidos a uma análise interpretativa e comparativa. No caso das respostas aos itens, no senti- do de estabelecer hipóteses explicativas dos erros cometidos pelos estudantes e caracterizar o seu conhecimento na área de conteúdo abrangida por cada item; no caso das entrevistas, para sintetizar as respostas obtidas e identificar padrões entre elas.
Os programas informáticos escolhidos para analisar os dados foram o SPSS (Statisti- cal Package for the Social Sciences) (versão 20; IBM Corp., 2011) e o Winsteps (versão 3.74.0; Linacre, 2012a). O Microsoft Excel (2007) foi utilizado para tratar os dados, depois de as respostas dos participantes no PMAT terem sido obtidas por leitura ótica, um traba- lho efetuado pelo Núcleo de Estatística e Prospetiva do Instituto Superior Técnico.