Analyse des données observationnelles du SUBARU
CHAPITRE 6. TRAITEMENT DES DONNÉES DU SUBARU TÉLESCOPE : APPLICATIONS
6.2 Le problème de la détermination orbitale
6.2.5 Période de rotation des astéroïdes
A partir da quinta aula começa-se o trabalho de formação para a coleta em campo, instruções sobre o registro das manifestações e produções do homem, e como desejava Mário do homem brasileiro. A definição de Folclore dada por Dina Lévi-Strauss foi a seguinte:
Folklore significa estudo das manifestações culturais populares. Podemos dizer que o folklore está para a Etnografia como a Etnografia para a Etnologia. Isto é, há entre estes ramos de pesquizas uma diferença de generalidade. O folklore se faz sobre uma base mais limitada que a Etnografia propriamente dita e por isso mesmo estuda seu objeto mais detalhadamente.
Em relação à Etnografia, o folklore se caracteriza:
1º - Por pertencer mais ao domínio espiritual, levando em conta o fator psicológico, enquanto a Etnografia se limita quase exclusivamente aos elementos materiais. 2º - por se ocupar principalmente das manifestações culturais dos povos chamados civilizados, enquanto a Etnografia se consagra especialmente aos povos primitivos. Geralmente o etnógrafo especializado não se ocupa do folklore. Neste curso,
entretanto, que se destina a satisfazer as condições particulares dos que o seguem, o folklore será um dos pontos do programa. (APOSTILA, 1936e, grifos meus).
A coleta do material deve ser seguida de registros mais completos possíveis sobre os próprios objetos. Considera a análise da cultura material objeto de trabalho do folclorista. A descrição de objetos deve obedecer a uma série de questões, sobre o material, uso, fabricação, finalidade. Cita Marcel Mauss como exemplo de autor cuja postura seria adequada diante do objeto, questionando sua essência de fabricação e finalidade concreta ou abstrata. E a partir das questões básicas outras surgem em aprofundamento, como por exemplo, as relativas à decoração, quais desenhos, que forma, quais significados. (APOSTILA, 1936f). Também informa os procedimentos adequados para manuseio, acondicionamento e transporte seguro, além de procedimentos para decalque das decorações, caso não seja possível a coleta do objeto, ou a fotografia. Nas aulas, Dina dará instruções básicas para a descrição de determinados elementos culturais, por exemplo, a análise do objeto decorado na 7ª aula.
A música foi o tema tratado nas 8ª, 9ª e 10ª aulas. Para que o folclorista possa recolher material sobre música deverá possuir conhecimentos básicos sobre o assunto, tais como
timbre, harmonia, ritmo, acorde, tonalidade, entre outros, além de adaptar essas noções ao vocabulário da população a qual se observa, adaptando ao universo de conhecimento do grupo, como por exemplo, som duro ou doce. No entanto, o ideal é a gravação mecânica, através de um fonógrafo ou filme sonoro. Mas,
A gravação mecânica não dispensa um trabalho descritivo do instrumento ou instrumentos empregados. É preciso descrever e fotografar, indicar si a música se acompanha de vozes, de palmas, de bate-pés. De que maneira o instrumento é manejado, que parte do corpo entra em jogo. De que material é feito, quem toca, qual o sexo e posição social do executante. Em resumo: tudo que se relacione com a música observada. (APOSTILA, 1936g)
Os instrumentos musicais devem ser descritos e documentados, além de exemplificar sua utilidade na compreensão da música produzida por uma população, incluindo a maneira de tocar, cantar e dançar.
A dança e o drama são tratados na 11ª aula. A dança é abordada como elemento com significados diversos, desde o simples divertimento ao caráter religioso, passando por sua compreensão enquanto manifestação artística. Como o religioso e o recreativo são temas de aulas específicas, Dina aprofunda o entendimento da dança que ela considera de caráter artístico.
Quanto à maneira concreta de se observar a dança, os grandes meios são sempre o cinema e a fotografia. Sempre que se trata de movimento, o cinema é o único meio completo de anotação. Na sua falta, fotografar os momentos principais: atitudes características dos dançarinos, movimentos corporais e faciais, vestuário de cada um, decorações, ornamentos e detalhes interessantes de tudo isto.
No caso da dança, a fotografia encontra um grande obstáculo: a obscuridade, porque em geral os cerimoniais se fazem à hora do crepúsculo. É preciso então completar a fotografia com descrições e desenhos. Desenhar silhuetas de costas, de perfil e de frente: o essencial dos vestuários, decorações e ornamentos. O problema a resolver é convencionar um sistema de anotação, que será naturalmente pessoal, empregando-se figuras geométricas á escolha do observador. Uma vez feita a anotação, será interessante representá-la por meio de jogo de
damas ou xadrez, ou mesmo com grãos (ervilha ou feijão), procurando dar uma disposição concreta dos dançarinos nas diversas figuras. (APOSTILA, 1936i)
Durante as aulas Dina destaca a importância dos jogos, por guardarem de forma simbólica elementos culturais já desaparecidos ou transformados no cotidiano dos grupos sociais; dos contos, lendas ou mitos por narrarem, de modo geral, parte ou toda a história de um povo, principalmente daqueles que não detêm a escrita; da necessidade distinção entre material e espiritual, não implicando visão da existência de dois domínios, mas numa abordagem sob dois pontos de vista. Neste último ponto alerta que do ponto de vista espiritual a análise só é feita com base em testemunhos e, portanto, mais difícil de realizar e mais facilmente passível de crítica. Já a leitura sob o ponto de vista material está garantida a autenticidade e autonomia do pesquisador.
Uma coleção de objetos, sistematicamente reunidos, constitui verdadeiro arquivo, mais seguro, mais durável que os arquivos escritos. Arquivo que pode informar minuciosamente sobre a vida daqueles cuja cultura material representa, pois que o homem tende a deixar e efetivamente deixa a marca de sua atividade sobre os objetos que fabrica. (APOSTILA, 1936 l)
Segundo Dina, o problema se dá na escolha, na definição do que seria mais importante, não necessariamente o mais raro. A escolha se impõe, unindo teoria e prática na definição do que escolher, após observação daquilo que é essencial para a análise etnográfica. O cientista não seria, na visão de Dina, um mero colecionador, ele deve possuir uma cultura etnográfica e também uma sensibilidade para distinguir o objeto interessante do ponto de vista da Etnologia. Esta sensibilidade pode ser natural ou adquirida no processo de aprendizagem, numa prática.
Dina utilizava no Curso de Etnografia, tratados clássicos da Antropologia, com autores como Tylor e Frazer, associados aos trabalhos de Franz Boas e estudos de Antropologia Social “que ofereciam um panorama amplo da disciplina desenvolvida naquele momento nas academias européias e norte-americanas, a partir da pesquisa realizada na América do Norte, América do Sul, Melanésia, África do Sul e Índia”. (AMOROSO, 2004, p. 72 apud CATALOGO, 2004)
Abaixo a bibliografia referência apresentada por Dina na 14ª aula:
Boas – The Mind of primitive man Kroeber – Anthropology
Lowie – Culture and Ethnology Tylor – Anthropologie
Montandon – Traité d’Ethnologie Culturelle 2) Antropologia física
Deniker – Les Races et Les Peuples de la Terre Montandon – La Race e les Races
Haddon – Lês Races Humaines et leur Répartition Géographique Smith – Essays on the Evolution of Man
Keith – New Discoveries Concerninh the Antiquity of Man 3) Antropologia Cultural e Cultura material:
Frazer – Le Rameau d’Or
Goldenweiser – Early Civilisation Lowie – Traité de Sociologie Primitive
Malinowski – Crime and Custom in Savage Society Rivers – Social Organisation
Mason – The Origin of Inventions
Kroeber & Waterman – Source Book on Anthropology 4) Monografias
Wissler – The American Indian
Radin – Histoire de la Civilisation Indienne
Métraux – La Civilisation Matérielle des Tupis Guarani Junod – The Life of a South African Tribe
Malinowski – La Vie Sexuelle des Sauvages du N.O. de la Mélanésie
Argonauts of the Western Pacific
Rivers – The Todas Seligmann – The Veddas
Spencer & Gillen – The Arunta (APOSTILA, 1936 l)
Dina também detalha instruções básicas para identificação, classificação e catalogação dos objetos, além de sua embalagem para transporte e algumas informações sobre preservação. Dá como exemplo a ficha catalográfica do Museu do Trocadero de Paris, com dados de identificação e mesmo do tamanho das fichas. Nas aulas sobre habitação (15ª, 16ª, 17ª), Dina fala de um estudo específico dos aspectos arquitetônicos e da ocupação das habitações, passando pelo processo de construção, acomodações especiais (não de
atendimento às primeiras necessidades), plano de habitação e arranjo das diferentes partes. São elencados itens a serem observados que podem revelar aspectos importantes da vida de cada grupo e a necessidade de registrar também as crenças relacionadas às habitações, a descrição do agrupamento geográfica e topograficamente, e se possível fazer um recenseamento.
Como último tema do curso Dina Lévi-Strauss trata da importância da lingüística no, estudo etnográfico, situando primeiramente as dificuldades que o pesquisador pode encontrar por não deter o conhecimento da língua do grupo pesquisado. Este domínio pode ser essencial para uma boa descrição etnográfica e um contato satisfatório com os indivíduos pesquisados. Caso seja necessária a construção de um vocabulário, a fim de se obter o mínimo conhecimento da língua local, é importante seguir alguns passos na construção do diálogo entre pesquisador e pesquisados. Ela cita a existência de padrões para registro e construção de uma linguagem escrita, que se identifique com a escrita ocidental, através de preenchimento de questionários pré-formulados e descreve todas as etapas de obtenção do vocabulário, da elaboração de frases e, por fim, da narração de histórias. Segundo Dina o pesquisador deve se esforçar na coleta de registro em diferentes fontes, pois a informação nunca é completa. Exemplifica citando Malinowski, que dizia sentir quando o indígena não suportava mais sua presença, valendo, portanto, a mudança de tática e recomeço da pesquisa sem perder seu objetivo (APOSTILA, 1936r).