les cellules épithéliales coliques
1. Oxydation/détoxication de H2 S dans les mitochondries
Quando se observa a oferta de obras de autoajuda, conforme dissemos em seção anterior, há uma gama tão ampla de variações temáticas, estilísticas e estruturais que parece ser impossível definir seus limites – o que o próprio mercado editorial atesta em suas controversas classificações. Entretanto nosso intuito, neste trabalho, é propor que existiria, dentro desse amplo mercado, uma grande e crescente fatia destinada exclusivamente ao público feminino (conforme vimos, pelas estatísticas, o maior leitor de autoajuda no Brasil), o que pode ser percebido facilmente por qualquer leigo que corra os olhos nas prateleiras do gênero. À primeira vista, de forma mais superficial, títulos autoindicativos, como O que toda mulher inteligente deve saber (CARTER & SOKOL, 2006) ou Homens gostam de mulheres que gostam de si mesmas (CARTER & SOKOL, 2008), assim como capas compostas por cores e símbolos estereotipicamente associados às mulheres – como o cor-de-rosa ou o vermelho, e objetos como espelhos, salto altos e maquiagens – são ótimos indicativos desse tipo de autoajuda que pulula nas estantes das livrarias.
Figuras 1 e 2. Capas ilustrativas de obras de autoajuda claramente destinadas ao público leitor feminino.
Todavia a escolha desse aparente subgênero, a que denominaremos aqui de autoajuda feminina, não simplifica a tentativa classificatória que empreendemos até este momento; ao contrário, apresenta-nos ainda dificuldades. Isso porque, assim como o próprio grande gênero autoajuda, os livros destinados às leitoras femininas e associados a essa subdivisão apresentam-se também sob variados formatos, temas e estilos ao leitor comum. Como proceder então? Durante o processo de recorte do corpus desta pesquisa, que durou cerca de seis meses, propusemo-nos inicialmente a efetuar uma “varredura” no mercado da autoajuda feminina brasileira, a partir de uma motivação teórica: encontrar obras que tematizassem a relação entre o feminino e as emoções, sob qualquer ocorrência (não necessariamente só em suas relações amorosas, mas também em sua atuação profissional, familiar, acadêmica, religiosa etc.), a fim de estudarmos a argumentação proposta por esses livros em uma interface com os estudos discursivos sobre as emoções.
Obviamente, já prevíamos que nossa motivação feminino/emoções fosse nos conduzir, sobremaneira, a um perfil mais específico de autoajuda destinado a contemplar as relações afetivas femininas, mas a observação das obras circulantes no mercado nos levou à constatação de que elas, esmagadoramente, apontam para uma temática bem restrita: a busca
pela realização amorosa27. A grande maioria delas, nesse sentido, baseia-se, a princípio, na classificação do utilitarismo terapêutico, segunda direção proposta pelo próprio Rüdiger (2010) e há pouco descrita por nós: por meio de parâmetros de racionalidade, sejam eles subjetivos (ligados ao poder do pensamento) ou objetivos (vinculados a ações e comportamentos comandados pelo pensamento), o público-alvo dessas obras tentará ser persuadido de que o sucesso da mulher em suas relações afetivas (mas, sobretudo, no amor, entendido sob o padrão heteronormativo28) é um objetivo a ser alcançado por meio do esforço dela. A análise crítica de nosso corpus, a ser feita adiante, acabará por nos fazer crer, entretanto, que esse perfil de autoajuda feminina parece se enquadrar, também, na terceira linha proposta por Rüdiger (2010): manuais cuja abordagem técnica e narcisista mostra-se esvaziada de conteúdo moral, por vincular o sucesso individual da mulher à vitória no “jogo” com o outro, o companheiro, a ser manipulado psicologicamente por meio de artifícios de poder e sedução.
Os treze livros pré-selecionados nessa grande “varredura” feminino/emoções, a partir de listas de mais vendidos de editoras nacionais do ano de 2011 (época de seleção do corpus) e também de uma pesquisa de campo, nesse mesmo ano, a diversas livrarias da cidade de Belo Horizonte, foram os seguintes (em ordem de lançamento)29:
1. Homens são de Marte, mulheres são de Vênus (GRAY, 1992);
2. Por que os homens fazem sexo e as mulheres fazem amor? (PEASE & PEASE, 2000); 3. Por que os homens mentem e as mulheres choram? (PEASE & PEASE, 2003);
4. O que toda mulher inteligente deve saber (CARTER & SOKOL, 2006); 5. Mulheres: por que será que elas...? (FERREIRA, 2007);
6. O segredo das mulheres apaixonantes (NUNES, 2007);
27 Claramente, a supremacia dessa temática destinada às leitoras nos remete às expectativas sociais de realização
conjugal e de afirmação por meio da figura masculina que, ainda no século XXI, oprimem as mulheres. Trataremos mais a fundo disso adiante.
28 É interessante perceber que, mesmo diante da pluralidade de orientações sexuais da contemporaneidade, tais
obras mostram-se extremamente restritas e simplificadoras ao tratar das possibilidades afetivas dos sujeitos, o que já nos remete a uma série de imaginários sociais preconceituosos popularizados acerca da sexualidade humana. Também há que se considerar que, nesta pesquisa, associamos o entendimento do gênero feminino somente à figura da mulher (biologicamente considerada) não por reiterarmos tal percepção restrita da sexualidade, mas porque assim é feito nessas obras. Obviamente, sabemos que o gênero feminino é fruto de uma construção social, histórica e cultural extremamente complexa e não se vincula, limitadoramente, somente ao sexo biológico que caracteriza a classificação da mulher, todavia, por questões de extensão, infelizmente, não poderemos contemplar tal relevante problemática.
29 Optamos por não incluir as referências completas destas obras ao fim da dissertação, por acreditarmos que elas
7. Homens gostam de mulheres que gostam de si mesmas (CARTER & SOKOL, 2008); 8. Deixe os homens a seus pés (FORLEO, 2009);
9. Por que os homens amam as mulheres poderosas? (ARGOV, 2009);
10. Comporte-se como uma dama, pense como um homem (HARVEY & MILLNER, 2010); 11. Por que os homens se casam com as mulheres poderosas? (ARGOV, 2010);
12. Mulheres inteligentes, relações saudáveis (CURY, 2011);
13. Por que eu deveria pensar como um homem? (HALL & FROST, 2011).
Todos esses títulos possuíam grande vendagem à época da seleção do corpus e, portanto, de forma aparente, eram amplamente aceitos pelo público leitor feminino30. A maioria deles, conforme já esperado31, eram norte-americanos (dez deles, cujos autores são oriundos de áreas do saber diversas, ou mesmo sem formação acadêmica divulgada) e três eram brasileiros (os escritos pela jornalista Leila Ferreira, pelo consultor de marketing pessoal Eduardo Nunes e pelo psiquiatra e terapeuta Augusto Cury). Os autores dessas obras dividiam-se quase igualitariamente entre homens e mulheres, o que não nos permitiu verificar nenhuma tendência analítica quanto a esse aspecto. Por fim, todas as obras relacionadas anteriormente possuíam um preço de custo baixo (entre R$12,90 e R$29,90), quando comparado ao razoável preço de livros no Brasil, o que parece ser mais um dado favorável à confirmação da popularidade do gênero.
A nosso ver, foi possível notar, a partir dessa pré-seleção, três linhas “estilístico-estruturais” dentro do subgênero autoajuda feminina. A primeira delas, relacionada a uma postura pretensamente científica, diz-se utilizar de pesquisas de diversas áreas do saber, como os estudos evolucionistas e neurocerebrais, para justificar, segundo ela, grandes diferenças psicológico-comportamentais entre homem e mulher, as quais iriam muito além da anatomia. Obras desse tipo, como Homens são de Marte, mulheres são de Vênus, Por que os homens fazem sexo e as mulheres fazem amor? e Por que os homens mentem e as mulheres choram? experimentaram seu auge editorial, no Brasil, na década de 1990 e no início dos anos 200032,
30 Infelizmente, por quase não existirem informações numéricas confiáveis sobre a venda desses livros, não é
possível fornecer, aqui, dados estatísticos precisos sobre sua quantidade de leitores femininos ou masculinos.
31 É importante lembrarmos que, anteriormente, mencionamos que os Estados Unidos são o berço da autoajuda,
além de ser o país que mais lê esse gênero e de se mostrar como um grande influenciador cultural a outras nações (cf. seção 1.2), o que explica a grande vendagem de obras norte-americanas do gênero no Brasil.
32 Hoje, tais obras de autoajuda com aparência científica têm sido questionadas por profissionais de algumas
áreas do saber, especialmente da Psicologia, da Antropologia e das Ciências Sociais. Estes acreditam que muitas diferenças psicológico-comportamentais entre homens e mulheres endossadas por esses livros são, na verdade, fruto de um aprendizado sócio-histórico e cultural silencioso, que “doutrinaria” as supostas distinções de forma a
e procuram propor – respaldadas por essa pretensa autoridade científica que legitima diferenças entre homens e mulheres – dicas e posturas a serem seguidas por cada um dos gêneros (portanto autoajuda, nos critérios do mercado) para que haja uma boa relação conjugal, um entendimento mútuo. Apesar de esse tipo de obra parecer, a princípio, dirigir-se igualmente ao público feminino e masculino, as observações por nós efetuadas nas livrarias à época de escolha do corpus fizeram-nos atrelá-las sobretudo às leitoras, mulheres. Essas obras de autoajuda ficavam ao lado daquelas outras claramente femininas, procuradas por leitoras a quem, aparentemente, agradavam os manuais de relacionamento amoroso.
A segunda linha “estilístico-estrutural” notada por nós, a menos frequente dentre as obras analisadas, contempla obras que se revestem de uma aparência narrativa, como se fossem livros de crônicas sobre experiências femininas (inclusive por meio de um trabalho um pouco mais detido com a linguagem), para, de forma mais discreta, quase implícita, indicar posturas recomendáveis ou não a seu público leitor através de histórias de sucesso ou fracasso relatadas. É o caso da obra Mulheres: por que será que elas...?, da jornalista mineira Leila Ferreira, que também é classificada por alguns sites e livrarias como pertencente à literatura de não-ficção, mas se encontra, na maioria das vezes, sob a etiqueta da autoajuda.
Por fim, pudemos perceber que a terceira linha de autoajuda feminina detectada por nós parecia ser a mais relevante em quantidade de obras, a mais produzida/vendida nos dias atuais, o que se justifica por seu tom extremamente popularesco. Tal perfil de livros caracteriza-se pelo pertencimento claro a um modelo de manual prescritivo direcionado à mulher sobre posturas, falas e comportamentos adequados ou inadequados para atingir o sucesso em suas relações amorosas. Para tal, as obras de autoajuda que pertencem a essa categoria parecem estruturar-se por meio de uma linguagem bastante objetiva, geralmente pontuada por tópicos/dicas destacáveis misturados a textos simples, bem-humorados e de forte tom apelativo ao leitor. Além disso, o caráter prêt-à-porter dessas obras também assume uma aparência de verdade definitiva quando estas relatam breves episódios reais (ou pretensamente reais) ocorridos com seus autores ou com pessoas conhecidas/entrevistadas por
tentar naturalizar o que não seria verdadeiramente biológico. A esse respeito, cf. a obra da psicóloga canadense Cordelia Fine, Homens não são de Marte, mulheres não são de Vênus (2012), cuja resenha aponta: “Homens não são de Marte, mulheres não são de Vênus visa desmascarar o mito pseudocientífico das diferenças estruturais entre o cérebro dos homens e o das mulheres. Revelando as evidências por trás de afirmações como 'o cérebro dos homens não foi criado para ser sensível e empático' e 'o cérebro das mulheres não foi feito para consertar carros', a neurocientista Cordelia Fine pretende mostrar as interpretações equivocadas por trás da crença de que 'os homens são de Marte e as mulheres são de Vênus'.” Mais adiante, voltaremos a essa questão neste trabalho.
eles. Tais episódios ilustram explicitamente o que deve ou não ser feito pelas mulheres frente aos homens, para que estas consigam conquistá-los ou manter o poder na relação, por meio da experiência abalizada dos sujeitos descritos. Da lista de 13 obras que pré-selecionamos para a escolha de nosso corpus, todas as nove seguintes parecem se encaixar nesse perfil descrito: O que toda mulher inteligente deve saber; O segredo das mulheres apaixonantes; Homens gostam de mulheres que gostam de si mesmas; Deixe os homens a seus pés; Por que os homens amam as mulheres poderosas?; Comporte-se como uma dama, pense como um homem; Por que os homens se casam com as mulheres poderosas?; Mulheres inteligentes, relações saudáveis; Por que eu deveria pensar como um homem?.
A fim de selecionarmos, por uma questão de extensão, as duas obras finais que comporiam o corpus desta pesquisa de Mestrado, optamos por privilegiar a terceira linha dentre as descritas, ou seja, a de maior frequência no mercado editorial por nossa observação, associada a manuais prescritivos ao comportamento da mulher. Ainda pensando em nosso ponto de partida teórico, a relação feminino/emoções, as duas obras que se mostraram mais ricas em possibilidades de análise dentre os nove livros em questão foram: a de Argov, Por que os homens se casam com as mulheres poderosas? (2010) e a de Harvey e Millner, Comporte-se como uma dama, pense como um homem (2010). Essas duas obras abordam recorrentemente o tratamento das emoções como estratégia para a mulher atingir o sucesso amoroso e, simultaneamente, constroem uma série de imagens associadas estereotipicamente ao feminino como parte de seu projeto de convencimento do público-alvo. Passemos, então, neste momento, a uma breve descrição dessas duas obras.
Figuras 3 e 4. Capa das duas obras de autoajuda que constituem o corpus desta dissertação.
Por que os homens se casam com as mulheres poderosas?(Por que os homens se casam com as manipuladoras) - Um guia para solteiras e casadas deixarem os homens a seus pés, da norte-americana Sherry Argov, é uma obra publicada, no Brasil, simultaneamente, por duas editoras: a Best Seller, selo popular do grande grupo editorial Record, e a Sextante, ambas paulistas. No site dessas editoras, é possível encontrar a obra sob as classificações de Autoajuda, Relacionamentos e Mais vendidos. Nesta dissertação, trabalharemos com a 15ª edição da obra, datada do ano de 2010, da editora Best Seller. Este livro de Argov é uma continuação de Por que os homens amam as mulheres poderosas? – Um guia para você deixar de ser boazinha e se tornar irresistível, de 2009, da mesma autora e editora. Vejamos um trecho da sinopse comercial da obra sob análise, presente no site da editora Record:
Como convencer um homem a assumir um comportamento sério e induzi-lo a pensar que a ideia foi dele? Ou ainda: como fazer com que ele a peça em casamento sem que você precise dizer uma única palavra? De uma forma nem um pouco tímida e muito engraçada, Por que os homens se casam com as mulheres poderosas? responde a essas e outras perguntas levadas aos homens em entrevistas reais e, claro, sem censura. O livro é um manifesto direto e sarcástico que mostra às mulheres como transformar um relacionamento sem compromisso em algo realmente sério.
Com detalhes que são revelados apenas entre amigas nas conversas mais íntimas, Sherry Argov deixa toda a sutileza de lado e explica por que uma mulher “superlegal” não consegue, necessariamente, fazer com que um homem se dedique mais a ela.33
A obra de Argov em questão pretende servir como um roteiro/manual de comportamentos e falas a serem seguidos pela mulher a fim de convencer seu parceiro a casar-se com ela espontaneamente, devido à sua postura confiante, racional e “controlada” (nesse sentido, o perfil da poderosa, e não da boazinha). Esse livro, portanto, conforme já sinalizamos, dá ênfase notória ao tratamento das emoções (e ao controle destas) nas relações afetivas entre homem e mulher, o que será primordial para nossa análise, mais adiante. Quase toda a obra se baseia na premissa de que os homens se enxergam como seres racionais e pensam as mulheres como indivíduos emocionais, passionais ao extremo e, por isso, descontroladas e distanciadas de raciocínios ponderados, o que remete a imagens erigidas sobre a mulher sobre as quais pretendemos refletir. A própria sinopse comercial do livro, disponível nos sites de compras pela internet, já nos sugere essa inclinação à abordagem das emoções feita por Argov:
[...] Em Por que os homens se casam com as mulheres poderosas?, a autora ensina como irradiar autoconfiança para as mulheres conseguirem o amor e o respeito que merecem. Dotado de um novo capítulo com cartas de leitoras e dicas sobre como controlar melhor as emoções, o livro é um manifesto direto e sarcástico que mostra ao público feminino como transformar um relacionamento sem compromisso em algo realmente sério. [...]34
Em inglês, a obra de Argov possui o título de Why men marry bitches: a woman’s guide to winning her man’s heart, algo como “Por que os homens se casam com as cadelas: um guia feminino para conquistar o coração do seu homem”. É interessante perceber que o termo “cadela”, em inglês, nesse sentido, assume uma conotação giriática positiva, indicando uma mulher forte, assertiva, que chega a amedrontar o homem.35
Com 272 páginas e oito capítulos, a obra de Argov carrega em sua capa a seguinte frase em destaque: “Mais de um milhão de exemplares vendidos no mundo.” A popularidade nas vendas, porém, contrasta-se com a escassez de informações sobre a autora do best-seller. As informações sobre Sherry Argov presentes na orelha de seu livro, no site das editoras e em sua página pessoal são pouquíssimas, e praticamente as mesmas: ela ganhou destaque em
33 Disponível em: http://www.record.com.br/livro_sinopse.asp?id_livro=8. Acesso em: 20 out. 2013.
34 Disponível em: http://www.livrariasaraiva.com.br/produto/3003499/por-que-os-homens-se-casam-com-as-
mulheres-poderosas. Negrito nosso. Acesso em: 20 out. 2013.
35 Cf. http://en.wikipedia.org/wiki/Bitch_(insult): “In a feminist context, it can indicate a strong
programas televisivos americanos e em revistas de renome internacional, somente isso36. A pequena biografia a seguir é a mais extensa sobre ela, encontrada em seu próprio website:
Sherry Argov is The New York Times bestselling author of Why men marry bitches and Why men love bitches and has been featured on The Today Show, The View, MTV, The O’Reilly Factor, MSNBC and Fox News. Her work has appeared in over 50 leading magazines including People, Cosmopolitan, Elle, Glamour, Modern Bride, Maxim e Esquire. Sherry’s books are currently published throughout the world in over thirty languages.37
Comporte-se como uma dama, pense como um homem – O que eles realmente pensam sobre amor, intimidade e compromisso, dos norte-americanos Steve Harvey e Denene Millner, tem o título original de Act like a lady, think like a man: what men really think about love, relationships, intimacy and commitment. Lançada em 2009 nos Estados Unidos e em 2010 no Brasil (esta 1ª edição será a usada em nossa análise), a obra tem 192 páginas, 15 capítulos e ostenta, em sua capa, as marcas de seu sucesso nas vendas: “1º lugar no The New York Times, publicado em 29 países e mais de 2 milhões de cópias vendidas.”38 O site de sua editora brasileira, a Ediouro, apresenta desta forma esse livro de autoajuda:
Esqueça tudo o que já foi dito sobre os homens. Apague os mitos, as teorias, tudo o que sua mãe ensinou, as amigas disseram, aquilo que leu em revistas ou viu na televisão. Faça o que milhares de mulheres ao redor do mundo já fizeram: pegue os princípios, as regras e as dicas deste manual e use-os para se antecipar às manobras masculinas, para armar sua defesa e seu ataque. De acordo com o autor, o problema é que as mulheres buscam conselho nos lugares errados. A melhor maneira de conhecer a cabeça de um homem é se aconselhar com um deles. Simples, não é mesmo? E Steve põe a boca no trombone para ajudá-las. Por vezes engraçado, por vezes categórico, mas sempre verdadeiro, Comporte-se como uma dama, pense como um homem é o livro que toda mulher precisa ler se quiser finalmente montar o quebra-cabeças mais difícil de todos: a mente masculina.39
36 Mesmo após buscas cuidadosas na internet e tentativas de contato com as editoras em que os livros de Argov
foram publicados (já que não há nenhum canal de contato direto com ela), não conseguimos descobrir mais nenhuma informação relevante sobre essa autora, nem mesmo se ela possui formação acadêmica ou experiência profissional na área de relacionamentos. O perfil de Argov, a nosso ver, parece ser mantido em cuidadoso resguardo propositalmente, para, talvez, ocultar lacunas em sua formação, fato que poderia abalar sua credibilidade como escritora. Inclusive, nos poucos vídeos de programas televisivos disponíveis na internet em que ela aparece, não se destaca sua figura pessoal, mas o conteúdo de seus livros.
37 Disponível em: http://www.whymenlovebitches.com/index.html. Acesso em: 21 out. 2013. Tradução livre da
autora: “Sherry Argov é a best-seller apontada pelo The New York Times, autora de Por que os homens se casam com as mulheres poderosas? e Por que os homens amam as mulheres poderosas? e tem sido destaque em The